Lea

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Escultura de Michelangelo representando Lea, na tumba do papa Júlio II.

Lea, Leia ou Lia (em hebraico: לֵאָה, hebraico moderno: Leʼa, hebraico tiberiano: Lēʼāh; em árabe: ليئة, transl. Lay'a), é uma personagem bíblica, filha mais velha de Labão, sobrinha de Rebeca e irmã de Raquel. É também a primeira esposa de Jacó, conforme descrito no livro bíblico de Génesis.

História pessoal[editar | editar código-fonte]

Aparência[editar | editar código-fonte]

Lea é descrita como tendo um “olhar terno” (hebraico: ועיני לאה רכות) quando ela é apresentada em (Gênesis 29:16-17). É debatido se o adjetivo "terno" (רכות) foi usado para significar "delicado e suave" ou "fraco". Algumas traduções indicam que "olhar terno" pode significar que Lea possuia olhos azuis ou claros.

A irmã mais nova de Lea, Raquel, é caracterizada como sendo "bonita de forma e bonita de aparência."

Lea e Jacó[editar | editar código-fonte]

Lea se torna esposa de Jacó por uma trama montada pelo seu pai Labão.

Rebeca enviou o seu filho Jacó para a sua cidade natal, onde vivia ainda seu irmão Labão, com o objectivo de evitar que ele pudesse ser morto por Esaú e para, eventualmente, encontrar uma esposa. Jacó conhece então a sua prima Raquel, com quem decide casar. Como pagamento de dote, Jacó trabalha para Labão durante sete anos. No entanto, na noite de núpcias, Labão trocou Raquel pela sua irmã Lea, justificando depois que não era correcto casar a filha mais nova antes da mais velha. Propôs ainda a Jacó que trabalhasse mais sete anos por Raquel (Gênesis 29:16-30). Jacó aceitou a oferta e casou-se com Raquel uma semana depois da celebração do seu matrimónio com Lea.

Os filhos de Lea[editar | editar código-fonte]

Lea foi mãe de sete dos filhos de Jacó (mãe de seis das Doze Tribos de Israel), seis filhos homens, Rúben, Simeão, Levi, Judá, Issacar e Zebulom, e uma filha, Diná. (Gên 29:32-35; 30:16-21).

Lea e os seus filhos foram com Jacó quando este saiu de Padã-Arã e voltou para Canaã, a sua terra natal. (Gên 31:11-18)

Nos primeiros anos do matrimônio das irmãs, era óbvio que o Jacó amava somente Raquel e desprezava Lea. Para despertar o sentimento de amor de Jacó pela primeira esposa, Deus favoreceu Lea com a fertilidade e ela concebe quatro filhos em sucessão rápida. Estes são Rúben, Simeão, Levi, e Judá (Gênese 29:31-35). Raquel vendo que não podia conceber, oferece a criada dela Bila como uma terceira esposa para Jacó, que concebe os dois filhos (Dan e Naftali), nomes também escolhidos por Raquel. Lea responde oferecendo a sua criada Zilpa como uma quarta esposa para Jacó, e Zilpa concebe mais dois filhos (Gade e Aser).

Um dia, o filho primogênito de Lea "Rúben", volta do campo com mandrágoras para a mãe dele. Lea não concebeu durante algum tempo, e esta planta cujas raízes se assemelham ao corpo humano era usada para ajudar as mulheres na fertilidade. Frustrada por não conseguir conceber, Raquel permite que Lea durma com Jacó em troca das mandrágoras. Lea concorda, e naquela noite ela concebe Issacar. Depois ela dá à luz Zebulom e uma filha, Diná. Depois disso, Deus se lembra de Raquel e lhe dá dois filhos, José e Benjamim.

Lea e Raquel[editar | editar código-fonte]

Quadro Lea e Raquel, de Dante Gabriel Rossetti.

Rivalidade com Raquel[editar | editar código-fonte]

A rivalidade das irmãs é mais do que ciúme matrimonial. Cada mulher desejou crescer espiritualmente no (serviço de Deus), e então buscou proximidade ao Jacó que é o emissário pessoal de Deus neste mundo. Se casando com Jacó e gerando os filhos dele que seria sua continuada missão em sua próxima geração (realmente, todos os 12 filhos formaram a fundação da Nação de Israel), eles desenvolveriam uma relação até mais íntima a Deus. Então Lea e Raquel quiseram ter o maior número possível desses filhos, e chegam ao ponto de oferecer as suas criadas como esposas para Jacó de foram a poderem ter um papel significativo na educação dos filhos de suas criadas. Cada mulher também continuamente questionada se ela estava fazendo bastante nos esforços pessoais para ter sua espiritualidade aumentada, e usaria o outro exemplo para se incitar. Raquel invejou as orações chorosas de Lea pelas quais ela mereceu se casar com Jacó e gerar seis dos doze filhos dele. Raquel, contra sua vontade, revelou a Lea os sinais secretos que ela e Jacó tinham inventado para identificar a noiva ocultada, como havia ordenado seu pai Labão e sua irmã Lea a Raquel. Lea também tinha uma idade já muito avançada para uma mulher solteira, calculando que já tivesse passado dos trinta e três anos de idade mais que o dobro da idade de sua irmã Raquel que teria por volta dos dezesseis anos quando conheceram Jacó. Lea não era bonita ao contrário de Raquel que era uma mulher de grande beleza, mas era capaz de ações sem princípios (Gênesis 31:19-35). Os sinais da idade adulta de Lea já tinham se manifestado em sua face juntamente com o desgaste físico sofrido pelo trabalho ao meio do sol como era costume naquele povo. Por ser a filha primogênita da família, Lea liderava inclusive seus irmãos no trabalho no campo.

Morte e enterro[editar | editar código-fonte]

Lea morreu algum tempo depois de Jacó regressar com a sua família à terra de Canaã. Conforme a tradição Lea é enterrada na Caverna dos Patriarcas em Hebron como foram os demais descendentes da família, Jacó, Abraão e Sarah, Isaque e Rebeca.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Torá (original em hebraico): בראשית, e a מ'דרש
Dicionário Bíblico: BDB Brown, Driver & Briggs, Hebrew-English Lexicon of the Old Testament, 1907