Mulheres no Islã
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As mulheres no Islão são guiadas pelas leis primárias islâmicas, nomeadamente o Alcorão, assim como pelas demais leis secundárias (que tendem a variar de acordo com a diferença na conceituação das mulheres islâmicas).[1]
As leis e a cultura islâmica possuem grande impacto nos mais variados aspectos da vida de uma mulher islâmica, tais como sua educação, oportunidade de emprego, herança, casamento e justiça, entre outros.[2]
O papel das mulheres na sociedade muçulmana mudou significativamente nos séculos desde que o Islamismo começou na Arábia no início dos anos 600 d.C. Sua posição variou com a mudança de circunstâncias sociais, econômicas e políticas. No Islão, homens e mulheres são considerados iguais perante Allah (deus em árabe) em termos de responsabilidade moral e espiritual. No Islão, homens e mulheres são iguais perante Allah em termos de responsabilidade moral e espiritual. Contudo, historicamente, o acesso das mulheres a áreas sociais, políticas e educativas variou conforme a época, a cultura e a região. Apesar dessas restrições, algumas mulheres muçulmanas desempenharam papéis significativos como líderes, educadoras e transmissoras de conhecimento religioso, mostrando que a participação feminina não foi homogénea. Ao mesmo tempo, certos governantes, administradores e a maioria dos juristas impuseram sistemas de desigualdade, justificando-os com interpretações do Alcorão e das tradições do Profeta. Em muitos contextos coloniais, a presença europeia não melhorou a situação das mulheres e, por vezes, agravou desigualdades ou reforçou estruturas de poder patriarcais locais. Desde que grande parte do mundo islâmico se tornou independente na metade do século XX, as mulheres têm-se encontrado no meio de tensões entre grupos tradicionalistas e reformistas, à medida que estes disputam influência na sociedade islâmica[3]
Antes do surgimento do Islão no início dos anos 600, os árabes viviam em uma sociedade tradicionalmente patriarcal. As mulheres eram consideradas como propriedade, e não existiam limitações à poligamia.[3] O Islão trouxe algumas reformas, particularmente no que se refere ao estatuto das mulheres. O Alcorão reconheceu o direito de uma mulher escolher seu próprio parceiro de casamento e fixou limites à prática da poligiamiaː um homem poderia ter até quatro esposas, desde que pudesse sustentá-las e tratá-las com justiça.[3]
No Islão, a poligamia é permitida para homens, com um máximo de quatro esposas simultâneas, desde que sejam tratadas com justiça; esta prática não é uniforme em todos os segmentos da religião e é regulada por leis específicas em cada país. Por exemplo, no Irão existe a figura do matrimónio temporário (sigheh ou mut’ah), permitido em certas circunstâncias. [4] As mulheres, por sua vez, não podem contrair matrimónio com homens não-muçulmanos, enquanto os homens muçulmanos podem casar com mulheres de outras religiões do Livro (judaísmo ou cristianismo), respeitando as normas religiosas.
A Sharia provê, como complementarismo,[5] diferenças entre os papéis, direitos e deveres de homens e mulheres. Ser muçulmano é mais do que simplesmente uma identidade religiosa; o Islão estrutura a vida quotidiana de uma mulher muçulmana.
Na maioria dos países muçulmanos, as mulheres exercem os mais variados níveis de seus direitos religiosos com relação a casamento, divórcio, estado civil, vestuário e educação, baseados nas diferentes interpretações da lei islâmica.[6]
Fontes de influência
[editar | editar código]Existem quatro fontes de influência no Islã sobre as mulheres muçulmanas. As duas primeiras, o Alcorão e os Hádice, são consideradas principais fontes, enquanto as outras duas são fontes secundárias e derivadas que diferem entre várias seitas muçulmanas e escolas da jurisprudência islâmica. As fontes secundárias de influência incluem o ijma (consenso), as qiyas (analogias) e, em outras formas como as fatwas e o ijtihad.[1][7][8]
A igualdade espiritual entre mulheres e homens é detalhada na sura al-Aḥzab: "Quanto aos muçulmanos e às muçulmanas, aos fiéis e às fiéis, aos consagrados e às consagradas, aos verazes e às verazes, aos perseverantes e às perseverantes, aos humildes e às humildes, aos caritativos e às caritativas, aos jejuadores e às jejuadoras, aos recatados e às recatadas, aos que se recordam muito de Deus e às que se recordam d'Ele, saibam que Deus lhes tem destinado a indulgência e uma magnífica recompensa." (Alcorão 33:35) [9][10][11]
A visão básica do Islã sobre mulheres e homens postula uma complementaridade de funções: como todas as coisas no universo, a humanidade foi criada em um par (sura Adh-Dhariyat, 51:49)[12] - nenhum pode ser completo sem o outro.[13] No pensamento cosmológico islâmico, o universo é percebido como um equilíbrio construído em relações polares harmoniosas entre os pares que compõem todas as coisas. Além disso, todos os fenômenos externos são reflexos do noúmeno interno e, no final, de Deus.[13]
A mulher nos textos sagrados
[editar | editar código]No Alcorão
[editar | editar código]An-Nisa - "A Mulher" - é a quarta sura do Alcorão, com 176 versos, revelada em Medina.Trata essencialmente dos direitos e obrigações das mulheres. O verso 34 é frequentemente citado nas discussões sobre gênero e crítica feminista do Islão. Eis a tradução em língua portuguesa, conforme Helmi Nasr, na sua edição do Alcorão com a colaboração da Liga Islâmica Mundial em Meca.
- "Os homens são responsáveis pelas mulheres, porque Alá conferiu uns privilégios sobre outros e porque gastam das suas riquezas em benefício delas. As mulheres virtuosas são obedientes e zelam pela sua modéstia na ausência dos maridos, segundo o cuidado de Alá. Quanto àquelas de quem temeis a desobediência, exortai-as, afastai-vos delas na cama e tomai medidas corretivas de forma adequada, nunca injusta. Se obedecerem, não procureis meios de as prejudicar. Allah é, de facto, Altíssimo, Grandioso." [14]
Na tradução clássica, o termo árabe “daraba” foi muitas vezes interpretado como “batei-lhes”. Estudos contemporâneos destacam que o significado é mais amplo e não implica necessariamente violência física. Dependendo do contexto, pode significar afastar-se, tomar medidas corretivas simbólicas ou educativas, sempre de forma proporcional, sem humilhar ou ferir.
Com ligeiras variantes, esta tem sido a tradução clássica do verso, apresentada por tradutores como Marmaduke Pickthall, Yusuf Ali, Muhammad Taqi Usmani e Maulvi Sher Ali. A tradução de Ahmed Ali, professor paquistanês, em Al-Qurʻan: A Contemporary Translation, apresenta uma versão alternativa da parte final, substituindo-a por: "(...) deixe-as sozinhas na cama (sem as molestar) e durma com elas (quando estiverem dispostas)"[15], refletindo uma interpretação mais ética e consensual da disciplina conjugal, em consonância com princípios de justiça e respeito mútuo.[16]
A activista marroquina dos direitos femininos Fatima Mernissi já se tinha debruçado sobre este verso na década de 1980. Ela anota que não achou tradição que o próprio Profeta alguma vez tivesse levantado a mão contra alguma das suas mulheres, e sugeriu que a permissão dada pelo Profeta para o uso da violência contra as mulheres foi sob a influência de Omar ibne Alcatabe (o controverso segundo califa do Islão, 634-644), conhecido pela sua misoginia. Para Mernissi, o verso santifica o direito dos homens de bater nas mulheres em caso de rebelião contra a autoridade masculina.[17]
No início dos anos 90, a feminista Amina Wadud lidou com a primeira parte do verso. Rejeitou a opinião de que a expressão árabe "qawwamuna 'ala" implicasse que o Corão colocava o homem num plano superior à mulher; afirma que, pelo contrário, essa expressão indica um compromisso dos homens de apoiá-las financeiramente durante o período em que suas esposas são impedidas de trabalhar devido à gravidez e à amamentação, porque os homens têm maiores recursos financeiros nessa altura.[18] A. Wadud é de opinião que em relação à preferência material, existe apenas uma referência no Alcorão que especifica que Alá determinou para os homens uma porção maior do que para as mulheres: a herança - a mulher herda metade do que herda o homem.[18]
Laleh Bakhtiar, autora, tradutora e psicóloga iraniana-americana, a viver nos EUA, tinha iniciado uma tradução do Alcorão para a língua inglesa quando deparou com o verso 34 da Sura An-Nisa. Perturbada, quase abandonou o projecto na altura: ""Decidi que (o verso) tinha de ter um significado diferente, ou não podia continuar a traduzir", disse Bakhtiar, que adotou a fé islâmica de seu pai já adulta e não tinha refletido no verso anteriormente. "Eu não podia acreditar que Alá aprovaria prejudicar outro ser humano a não ser na guerra."[19][20] Após encontrar uma tradução alternativa, prosseguiu o seu trabalho e publicou "The Sublime Quran" em 2007, a primeira tradução inglesa do Alcorão por uma mulher americana.
A tradução de L.Bakhtiar tenta ter uma perspectiva feminina e admitir significados alternativos para muitos termos árabes que são ambíguos ou cujo significado os estudiosos tiveram que adivinhar por causa da antiguidade da língua. O seu trabalho procura criar um entendimento entre não-muçulmanos e muçulmanos.[21]
Na sua tradução do Alcorão, ela traduz kāfirūn (kafir) como "aqueles que são ingratos" em vez das traduções comuns "incrédulos" ou "infiéis". Ela também traduz a palavra árabe ḍaraba no capítulo 4, versículo 34, referente ao tratamento de um marido em relação a uma esposa rebelde, como "afastar-se", em vez da comum "bater" ou "golpear"[19]. As palavras inglesas "God" (Deus) e "Mary" são usadas em vez das árabes Alá e Maryam.
As reações foram imediatas. O chefe de uma das principais organizações muçulmanas do Canadá, a Sociedade Islâmica da América do Norte (ISNA), Mohammad Ashraf, disse que não permitiria que o livro de Bahktiar fosse vendido na livraria da ISNA porque ela não foi treinada numa instituição acadêmica credenciada no mundo muçulmano (e cita uma universidade na Arábia Saudita como uma delas) e também disse que "esta tradução amiga da mulher estará desalinhada e não irá muito longe" e que "foi dada às mulheres uma posição muito boa no Islã" [22]
Bakhtiar discorda de tais críticas dizendo: "A crítica existe porque sou mulher". Ela também comenta que alguns outros conhecidos tradutores do Alcorão não eram considerados estudiosos islâmicos. Bakhtiar deixa claro que este livro é uma tradução, não um comentário, e que não abordou outras questões potencialmente divisórias, tais como o vestuário, a modéstia das mulheres, o domínio masculino e a poliginia.[22]
Nos Hádices
[editar | editar código]Os hádices são uma coleção de episódios sobre a vida de Maomé, a seguir ao Alcorão em importância. Foram transmitidos através de uma cadeia oral, e mais tarde compilados várias gerações após a morte do profeta (séculos VIII e IX) por vários dos seus seguidores.
São classificados pelos religiosos muçulmanos e juristas pela sua fiabilidade, sendo as coleções mais consideradas as Sahih al-Bukhari e Sahih Muslim .
Em Sahih al-Bukhari encontra-se, por exemplo, o episódio do encontro de Maomé com um grupo de mulheres:
- "Ele passou pelas mulheres e disse: "Ó mulheres! Dêem esmolas, que eu vi que a maioria dos habitantes do inferno eram vocês (mulheres)". Elas perguntaram: "Por que é assim, ó apóstolo de Alá?" Ele respondeu: "Vocês amaldiçoam frequentemente e são ingratas com os vossos maridos. Eu não vi ninguém mais deficiente em inteligência e religião do que vocês. Um homem sensato e cauteloso poderia ser desencaminhado por alguns de voós". As mulheres perguntaram: "Ó Apóstolo de Alá! O que é deficiente em nossa inteligência e religião?" Ele disse: "Não é a evidência de duas mulheres igual ao testemunho de um homem?" Elas responderam afirmativamente. Ele disse: "Esta é a deficiência em sua inteligência. Não é verdade que uma mulher não pode rezar nem jejuar durante a sua menstruação?" As mulheres responderam afirmativamente. Ele disse: "Essa é a deficiência em sua religião". [23]
Educação
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As mulheres muçulmanas sempre desempenharam um papel na difusão do conhecimento religioso. Aixa, esposa de Maomé, foi uma importante fonte dos ahadith. Ele teria dito a seus seguidores que receberiam metade da sua religião dela.[3]
Em uma pesquisa de 2013, a Organização para a Cooperação Islâmica concluiu que muitas nações islâmicas restringem o acesso feminino à educação.[24] Em dados da UNICEF, 17 das 24 nações com nível de escolaridade primária abaixo de 60% são nações islâmicas; mais da metade da população adulta é analfabeta em muitos países islâmicos, e a proporção atinge a casa dos 70% quando referente às mulheres.[25] Outros especialistas afirmam que as nações islâmicas possuem os mais altos sinais de separação de gêneros na educação.[26] Um estudo do Fórum Econômico Mundial de 2012 alega que 17 nações islâmicas estão listadas entre as piores do mundo em políticas sociais, entre estas: Argélia, Jordânia, Líbano, Turquia, Egito, Omã, Arábia Saudita, Irão e Marrocos.[27]
A separação de géneros nas universidades não é uniforme entre os países de maioria islâmica. Na Turquia, a proporção de pesquisadoras universitárias é razoavelmente maior do que em 27 países da União Europeia. Em 2013, na Universidade da Jordânia, cerca de 65% dos estudantes eram mulheres. De forma semelhante, na Malásia, Argélia e Arábia Saudita, os anos recentes têm registado uma maioria feminina nas universidades.
Por outro lado, algumas pesquisas indicam desafios persistentes. Um levantamento de 2005 na Arábia Saudita mostrou que apenas 50% das mulheres eram alfabetizadas, comparadas com 72% dos homens. A UNESCO estima que, em muitos países de maioria islâmica, a taxa de alfabetização feminina não ultrapassa os 50%.[28]
Vida religiosa
[editar | editar código]Na visão do Islã, não há diferenciação entre as relações de um homem e de uma mulher para com Alá; ambos os sexos recebem iguais graças ou punições por sua conduta. As mulheres muçulmanas devem observar os cinco pilares do Islã, incluindo orar cinco vezes por dia, jejuar durante o mês do Ramadã e, como qualquer muçulmano que seja fisicamente e financeiramente capaz - fazer pelo menos uma vez na vida, a peregrinação à Meca. No entanto, as mulheres não podem orar, jejuar ou tocar o Alcorão durante a menstruação ou durante um período após o parto. Durante esses tempos, elas são consideradas ritualmente impuras. Além disso, as mulheres que estão grávidas ou amamentando estão isentas do jejum durante o Ramadão, mas elas devem compensar os dias que perderam mais tarde.[3]
A participação das mulheres nas mesquitas tem variado historicamente e entre diferentes comunidades islâmicas. De acordo com alguns hadiths, as mulheres podem frequentar a mesquitas, embora durante a menstruação não possam realizar orações formais. Atualmente, mulheres e homens realizam seus cultos em áreas separadas, o que pode incluir diferentes andares, divisórias ou posições específicas no mesmo espaço, dependendo da tradição local e da interpretação da lei islâmica.
Estudiosas da religião eram relativamente comuns desde os primórdios do Islão até o século XVI. Mohammad Akram Nadwi, um estudioso sunita, estimou cerca de oito mil mulheres juristas, e o orientalista estimava que 15% dos estudiosos eram mulheres da Era medieval eram mulheres. Mulheres, durante os primeiros anos de Islão, obtinham seu conhecimento através de grupos de estudo comunitários, nos arrábitas e durante o haje. Após o século XVI, porém, o número de estudiosas islâmicas decresceu. Na era moderna, embora haja ativistas e escritoras mulheres, não houve mulheres juristas ativas por mais de 200 anos no mundo islâmico. As oportunidades para o ensino de mulheres existem, entretanto as barreiras culturais ainda hoje mantém as mulheres distantes de reconhecer sua vocação.
O direito das mulheres tornarem-se no entanto, é discutido por muitos. Um dos papéis fundamentais do iimã, em uma mesquita é liderar o Salá (as preces), papel que geralmente não é permitido às mulheres em orações comunitárias. Alguns contestam essa restrição, mencionando que Maomé permitiu que Umm Warqa liderasse orações na mesquita de Dar.
No sufismo, as mulheres têm estado relativamente mais envolvidas do que outras áreas do Islã. A mulher sufí mais famosa, Rabia al-Adawiya (morreu em 801), escreveu poemas de amor a Deus que continuaram a inspirar até hoje. Ela não é única na tradição sufí; , Javad Nurbakhsh traduziu para o inglês as biografias de cerca de 124 mulheres sufis..[3]
Código de vestimenta
[editar | editar código]O Islão adverte as mulheres a vestirem-se com modéstia, cobrindo o corpo de forma adequada diante de homens que não sejam parentes próximos (como marido, pai ou familiares diretos) ou crianças pequenas.[29] Contudo Alcorão não é específico quanto ao estilo das roupas e acessórias usados pelas mulheres. A vestimenta feminina tem sido modificada ao longo dos séculos e varia entre as diferentes regiões do mundo islâmico. Em alguns países, o uso do hijab é obrigatório, enquanto em outros, como o Irã e a Arábia Saudita, todas as mulheres devem cobrir a cabeça em público, embora o estilo e o tipo de cobertura possam diferir de acordo com a legislação e os costumes locais. Entre as vestimentas islâmicas mais conhecidas estão o hijab (cobertura da cabeça e pescoço) e o nicabe (cobertura do rosto), embora o Alcorão não mencione especificamente o uso de véus[30]
De acordo com Jawad Syed, em muitos países de maioria muçulmana, as mulheres continuam a segregação de gênero e restrições à sua mobilidade, frequentemente justificadas pelo conceito de modéstia islâmica. Na prática, essas medidas podem limitar a participação feminina na vida pública, incluindo no mercado de trabalho. Comparadas com outras sociedades, estas culturas tendem a dividir mais intensamente as esferas de atividade entre homens e mulheres..[30]
Historicamente, a vestimenta também foi usada como marcador de condição social, ocupação, pureza, crença, sexo e identidade regional. Durante a lei Otomana, por exemplo, as roupas femininas variavam conforme a região, definindo estilos e cores permitidos. Na era contemporânea, a vestimenta das mulheres muçulmanas continua a diferir entre regiões, refletindo tanto restrições religiosas quanto escolhas pessoais.[31][32]
Os costumes islâmicos relativos à vestimenta geram frequentemente controvérsias fora dos países islâmicos. Críticos argumentam que certas práticas podem restringir a liberdade das mulheres ou representar riscos à segurança, levando alguns países ocidentais a proibir o uso de trajes tradicionais do Islão. Em países islâmicos, visitantes e residentes também devem respeitar normas de vestimenta, cuja aplicação varia conforme a jurisdição e a cultura local. A proibição do nicabe em alguns países ocidentais é frequentemente interpretada como uma forma de preconceito.[33] . Por outro lado, o direito de não usar hijab ou nicabe não é garantido universalmente, e há relatos de mulheres muçulmanas que sofreram violência ou foram mortas por se recusarem a usar essas vestimentas ou por não cumprirem a forma considerada apropriada de usá-las.[34] [35] [36]
Casamento
[editar | editar código]O casamento no Islão é considerado um dever religioso e uma forma de organização familiar, com ênfase na responsabilidade mútua e no cuidado da família. O Alcorão assinala que Deus criou homens e mulheres para serem companheiros e parceiros na vida, com o objetivo de formar famílias e criar filhos. Além disso, o casamento é visto como um meio de preservar a castidade. e promover estabilidade social. Embora o divórcio seja permitido em certas circunstâncias, o Alcorão e a Suna enfatizam que deve ser considerado apenas como último recurso.[37]
O relacionamento entre marido e esposa é caracterizado como complementar. O marido tem a responsabilidade de sustentar e proteger a família, enquanto a esposa cuida da organização do lar e da educação das crianças. Embora os papéis sejam diferentes, marido e esposa são iguais perante Alá em termos de responsabilidade moral e espiritual, e o Alcorão incentiva-os a manter um vínculo baseado no amor e piedade[38], convivendo em tranquilidade. [37][38] Os direitos e deveres de cada cônjuge são proporcionais às responsabilidades assumidas, refletindo uma divisão complementar de funções.
O casamento islâmico é formalizado como um contrato entre o homem e a mulher, com a participação de um tutor legal da noiva (wali), geralmente o pai. Para ser válido, o casamento requer quatro condições: uma oferta, uma aceitação, pelo menos duas testemunhas muçulmanas competentes e um presente de casamento mahr, que é dado à noiva para seu uso. O Alcorão proíbe casamentos forçados, e o consentimento da mulher é essencial. O silêncio da mulher ou menina pode, em algumas tradições culturais, ser interpretado como consentimento devido à sua timidez. [39] No Islão, a mulher tem o direito de aceitar ou recusar um casamento arranjado pelo tutor legal (wali). No entanto, em certos contextos culturais, pressões familiares e sociais podem influenciar fortemente a decisão da mulher, limitando efetivamente sua liberdade de escolha.[40]
A lei islâmica tradicional permite que homens muçulmanos se casem com mulheres das religiões do Livro (judaísmo ou cristianismo), enquanto mulheres muçulmanas normalmente não se casam com homens não-muçulmanos. Esta norma baseia-se em interpretações sobre a educação religiosa dos filhos.[37] No entanto, há debates contemporâneos sobre estas regras e diferentes interpretações jurídicas (Madhhab).[41] Segundo Yusuf Al-Qaradawi, uma razão para esta diferença é que o homem é tradicionalmente considerado chefe da família e responsável pelo sustento e orientação religiosa da esposa e dos filhos. [42] O Islão garante liberdade de crença e prática para a esposa cristã ou judia de um muçulmano, mas essa garantia não se estende a outras religiões.
O Alcorão proíbe expressamente o casamento de mulheres muçulmanas com idólatras: "E não façais esposar vossas filhas com os idólatras, até se tornarem crentes. E, em verdade, um escravo crente é melhor que um idólatra, ainda que o admireis. Estes convocam ao Fogo; enquanto Alá convoca, com Sua permissão, ao Paraíso e ao perdão. E Ele toma evidentes Seus sinais, para os homens, a fim de meditarem." (Sura Al-Baqarah, 221)[43]
A poligamia é permitida para homens, com um máximo de quatro esposas simultâneas, desde que sejam tratadas de forma justa. A prática varia entre diferentes países e segmentos religiosos. Em alguns contextos, como no Irão, existe também a figura do casamento temporário (sigheh ou mut’ah).
Historicamente, em algumas sociedades, incluindo no tempo de Maomé, casamentos com meninas mais jovens eram praticados, refletindo o contexto social da época. Esses exemplos não constituem prescrição obrigatória para muçulmanos contemporâneos, e muitas jurisdições modernas estabelecem idades mínimas para casamento, respeitando direitos e proteção das crianças. A educação feminina é incentivada no Islão, e movimentos modernos defendem o direito das meninas e mulheres jovens à instrução e participação plena na sociedade, contrapondo práticas culturais que restringem o acesso à educação ou impõem casamentos arranjados.
Embora estas práticas sejam documentadas em diversos contextos culturais e jurídicos de maioria muçulmana, é importante salientar que numerosos países islâmicos estabeleceram idades mínimas legais para o casamento e proíbem explicitamente uniões com menores. Muitos estudiosos contemporâneos de várias escolas jurídicas defendem que o casamento infantil contraria os objetivos superiores da lei islâmica (maqāṣid al-sharīʿa), nomeadamente a proteção da saúde, da dignidade e do bem-estar das crianças, e existe debate significativo sobre a interpretação e aplicação destes precedentes históricos.
Acrescente-se ainda que a idade de Aixa no momento do casamento é objeto de debate entre historiadores e estudiosos contemporâneos, dado que as fontes antigas recorriam frequentemente a formas diferentes de contagem etária — muitas vezes a partir da puberdade e não do nascimento — o que dificulta uma determinação precisa da idade à luz dos critérios atuais.[44] Segundo os relatos históricos (Sahih Muslim Livro 008, números 3309, 3310. 3311; Livro 31 , número 5981; Sahih Bukhari volume 5:58:236; 5.58:234; volume 7, livro 62, números 6, 64,65, 88 e outros)[44]Maomé casou-se com Aixa, sua terceira esposa, quando esta tinha seis anos, consumando o casamento quando atingiu a idade de nove.
Em algumas regiões, como Iémen, Arábia Saudita, Índia, Bangladesh, Paquistão, Indonésia, Egito, Nigéria, Irão e outros países, existem relatos históricos e contemporâneos de casamentos envolvendo menores, muitas vezes justificados por interpretações jurídicas tradicionais. [45][46][47][48][49] Em certos casos, essas uniões tiveram consequências graves, incluindo mortes infantis associadas ao parto ou à desproporção física.[50][51] A. Por exemplo, durante a r revolução islâmica no Irão, Khomeini baixou temporariamente a idade mínima de casamento para meninas para nove anos. É importante salientar, no entanto, que estas práticas não são universais e refletem normas culturais e jurídicas específicas de determinadas épocas e locais, e não prescrições religiosas obrigatórias para todos os muçulmanos.[52]
Sivananthi Thanenthiran, da organização ARROW, salienta que o casamento precoce ocorre numa época em que a mulher é legalmente considerada menor em muitos aspectos, exceto na capacidade de contrair matrimónio.[53] A feminista muçulmana Mona Eltahawy comenta que historicamente, o casamento precoce muitas vezes deslocava a obediência da mulher do pai para o marido, refletindo estruturas sociais e familiares tradicionais:
"Falando sem rodeios, o casamento garante que uma mulher, depois de uma infância e juventude de obediência a seu pai, desloque essa obediência para o marido, para quem ela se torna uma fazedora de bebês e ama de leite dos seus filhos (pois as crianças pertencem essencialmente ao pai )".[54][55]
Endogamia
[editar | editar código]A endogamia é praticada em diversas comunidades muçulmanas há milhares de anos, sobretudo na forma de casamentos consanguíneos, em que os cônjuges compartilham um avô ou outro antepassado próximo. Os tipos mais comuns são os casamentos entre primos em primeiro grau, seguidos pelos de primos em segundo grau. Essa prática é mais frequente em regiões como o Oriente Médio, Norte da África e Ásia Central. Estima-se que cerca de um terço dos casamentos na Arábia Saudita, Irã e Paquistão sejam entre primos de primeiro grau, enquanto os casamentos endogâmicos consanguíneos totais podem chegar a 65–80% em algumas populações dessas regiões.[56][57]
A endogamia aumenta a probabilidade de depressão de consanguinidade, um fenômeno que reduz a diversidade genética da população.[58] Os descendentes de casamentos consanguíneos apresentam um risco maior de desenvolver certas doenças genéticas.[59]
Mulheres islâmicas na política
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Alguns estudiosos clássicos do Islã, como Atabari, apoiaram a liderança de mulheres.[60] Nos primórdios da história do Islã, mulheres desempenhavam um papel nos assuntos políticos. No entanto, essa prática não foi uniformemente aplicada em todas as sociedades de maioria muçulmana.
Um hádice no Sahih Bukhari relatado por Abu Bacra (não confundir com o califa Abacar) relata que Maomé teria afirmado: " Nunca terá sucesso uma Nação que faz de uma mulher sua Rainha". [61] Esse relato foi interpretado por alguns estudiosos como uma restrição à liderança feminina em cargos de chefia de estado, embora haja divergência quanto à sua aplicação. Alguns juristas consideram que a proibição se aplica especificamente ao cargo de califa ou chefe de estado, enquanto outros sustentam que mulheres podem assumir posições de liderança em contextos restritos a mulheres ou em organizações específicas.[62]
Em 1988, o Paquistão se tornou o primeiro Estado de maioria islâmica a eleger uma primeira-ministra. Nas décadas seguintes, outros países de maioria islâmica,como Indonésia, Paquistão, Bangladesh, Turquia e Quirguistão, também tiveram mulheres em cargos executivos.[63][64] No entanto, a presença feminina na política nem sempre se traduziu em avanços significativos nos direitos das mulheres, e desafios relacionados à igualdade de género permanecem em muitas dessas sociedades.[65]
Em 2002, aproximadamente um terço do Parlamento do Egito era constituído por mulheres. A feminista islâmica Fatima Sadiqi observa que o simples fato de haver mulheres na política raramente garante melhorias substanciais nos direitos das mulheres.[66] A feminista muçulmana Mona Eltahawy, escrevendo em Maio de 2012, na revista Foreign Policy, destacou que abusos contra mulheres continuam a ocorrer em diversos países árabes, alimentados por uma combinação de fatores culturais e religiosos: "Nomeiem-me um qualquer país árabe, e vou recitar um rosário de abusos (de mulheres) alimentados por uma mistura tóxica de cultura e religião que poucos parecem dispostos ou capazes de desembaraçar, para não blasfemar ou ofender."[6]
Segundo o Xeque Zoubir Bouchikhi, imã da Sociedade Islâmica da Grande Houston (ISGH), não há preceito ou lei na prática islâmica que proíba ou permita explicitamente o direito de voto das mulheres.[67] Dessa forma, mulheres em países de maioria islâmica participam das eleições quando o sistema político permite, e a presença feminina nas urnas reflete variações regionais na interpretação da lei islâmica. Por exemplo, no Azerbaijão as mulheres obtiveram direito de voto em 1918, dois anos antes de ser permitido na União Soviética.[68] Na Turquia, mulheres conquistaram o direito de votar nas eleições regionais em 1930 e nas legislativas em 1934.[69]
Atualmente, vários países de maioria islâmica têm adotado políticas para aumentar a representação feminina em parlamentos. Em 2013, a Indonésia aprovou uma lei exigindo que pelo menos 30% dos candidatos de cada partido fossem mulheres.[70][71] A Tunísia registrou aproximadamente 50% de candidaturas femininas nas eleições de 2011 e 2014.[72][73] Em 2012, a Argélia definiu que 30% dos assentos parlamentares deveriam ser ocupados por mulheres.[74]
Líderes islâmicas
[editar | editar código]Ver também
[editar | editar código]- Crime de honra
- Mutilação genital feminina
- Xaria
- Feminismo islâmico
- Feminismo do Terceiro Mundo
- Feminismo negro
- Feminacionalismo
- Purplewashing
Referências
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- ↑ Offenhauer, Priscilla (2005) Mulheres na Sociedade Islâmia. Biblioteca do Congresso.
- ↑ a b c d e f «Women (Mulher - em inglês)». Oxford Islamic Studies
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- ↑ Women Embracing Islam: Gender and Conversion in the West. (2007) - Universidade do Texas em Austin
- ↑ a b Eltahawy, Mona (23 de Abril de 2012). «Why Do They Hate Us?The real war on women is in the Middle East.». Foreign Policy
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Bibliografia
[editar | editar código]- Eltahawy, Mona (2015)- Headscarves and Hymensː Why The Middle East Needs a Sexual Revolution -Harper Collins
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