Operação Nascente de Paz

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Operação Nascente de Paz
Conflito no Curdistão sírio e Intervenção turca na Guerra Civil Síria
Barış Pınarı Hârekatı sonrası Resulayn (Serêkanî) bombalanıyor.jpg
A cidade de Ras al-Ayn, no noroeste da província de Al-Hasakah, sendo bombardeada por forças militares turcas.
Data 9 de outubro de 2019 — presente
Local Partes do norte das províncias de Alepo, Al-Hasakah e Raca, na Síria
Situação A decorrer
Beligerantes
Turquia Turquia
Flag of Syria (1932-1958; 1961-1963).svg Governo Interino da Síria (GIS)
Emblem of the Self Administration of Northern and Eastern Syria.svg Administração Autônoma do Norte e Leste da Síria
Comandantes
Turquia Hulusi Akar
(Ministro da Defesa)
Turquia General Yaşar Güler
(Chefe do Estado Maior Geral)
Turquia Ten-general Sinan Yayla (2° comandante do exército)
Flag of Syria (1932-1958; 1961-1963).svg Salim Idris (Ministro da Defesa - GIS)
Flag of Syria (1932-1958; 1961-1963).svg Sayf Abu Bakr (Comandante da Divisão Hamza - GIS)
Flag of Syrian Democratic Forces.svg Mazlum Kobane
(comandante-chefe)
Flag of Syrian Democratic Forces.svg Muhammad Hajj Mahmoud
Flag of Syrian Democratic Forces.svg Riad Khamis al-Khalaf
Unidades
Turquia Forças Armadas da Turquia
Flag of Syria (1932-1958; 1961-1963).svg Exército Nacional Sírio
Flag of Syrian Democratic Forces.svg Forças Democráticas Sírias
Baixas
48 mortos[1] 60 mortos (segundo o SOHR)[1]

399 mortos (segundo a Turquia)[2]
17 civis mortos por ataques aéreos turcos, dezenas de feridos[3][4]
100 000 civis deslocados de suas casas[5]

A Ofensiva no Curdistão sírio de 2019, mais conhecida como Operação Nascente de Paz (em turco: Barış Pınarı Harekâtı; em árabe: عملية نبع السلام), é uma operação militar em andamento conduzida pelas Forças Armadas da Turquia e pelo Exército Nacional Sírio (SNA) contra a Administração Autônoma do Norte e Leste da Síria (NES) e as Forças Democráticas Sírias (SDF), a ala armada da NES. A operação começou em 9 de outubro de 2019, quando a Força Aérea Turca lançou ataques aéreos em cidades fronteiriças, incluindo Ras al-Ayn.[6]

Segundo um porta-voz do presidente Erdoğan, a operação visa "corrigir os dados demográficos" do norte da Síria.[7][8] A ação turca foi condenada internacionalmente, com muitos países descrevendo-a como uma violação do direito internacional, uma violação da soberania, uma violação da paz e que é uma grande preocupação de segurança e de direitos humanos.

Contexto[editar | editar código-fonte]

Após meses de ameaças turcas de invadir unilateralmente o norte da Síria, um acordo foi fechado em agosto de 2019 entre a Turquia e os Estados Unidos, que consideravam as Forças Democráticas Sírias como um de seus principais aliados na intervenção militar contra o ISIL na Síria. O acordo estabeleceu a Zona Tampão do Norte da Síria, que visava dissipar as tensões, abordando as "preocupações de segurança" da Turquia por meio de monitoramento e patrulhas conjuntas, enquanto ainda permitia ao NES manter o controle sobre as áreas que tinha sob seu controle naquele momento.[9][10] O acordo foi recebido favoravelmente pelos Estados Unidos e SDF/NES, mas a Turquia estava geralmente insatisfeita com o acordo. A insatisfação da Turquia levou a numerosos esforços turcos para expandir a área coberta pela zona-tampão, garantir o controle turco sobre partes dela ou transferir milhões de refugiados para a zona, com todos esses esforços fracassando diante da firme resistência dos SDF e da ambivalência estadunidense.[11]

Apesar do início oficial das patrulhas terrestres dos EUA e da Turquia, do desmantelamento das fortrificações do SDF e da retirada de unidades YPG de partes da zona-tampão, as tensões continuaram a aumentar à medida que a Turquia impunha ainda mais demandas ao SDF, todas negadas pelo este último, que se considerava já aceitou um compromisso severo ao permitir que as tropas turcas participassem de patrulhas conjuntas com seus colegas estadunidenses no norte da Síria.[12] A insatisfação da Turquia com o status quo do acordo tornou-se hostilidade aberta, com o presidente turco fazendo abertamente um ultimato contra o SDF.[13] O ultimato foi ignorado e a Turquia declarou que seu "prazo" expirou no início de outubro daquele mesmo ano.[14]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b «القوات التركية تسيطر على بلدة بمنطقة رأس العين، وحصيلة القتلى ترتفع إلى أكثر من 100 من قوات سوريا الديمقراطية والقوات التركية والفصائل الموالية لأنقرة». 11 de outubro de 2019 
  2. «399 terrorists neutralized by Turkey's anti-terror op». www.AA.com.tr. 12 de outubro de 2019 
  3. «Turkey begins attack on Kurds in northeast Syria, Erdoğan announces». The Telegraph (em inglês). 9 de outubro de 2019. Consultado em 9 de outubro de 2019 
  4. «Turkey-Syria border: All the latest updates» (em inglês). Aljazeera. Consultado em 9 de outubro de 2019 
  5. «100,000 flee as Turkish offensive pushes into Syria | DW | 11.10.2019» 
  6. Bethan McKernan (9 de outubro de 2019). «Turkey launches military operation in northern Syria» (em inglês). The Guardian. Consultado em 9 de outubro de 2019 
  7. «After US green light, Turkey prepares military operation in Syria» (em inglês). Arab News. 7 de outubro de 2019. Consultado em 9 de outubro de 2019 
  8. «Turkey to Launch Military Operation in Syria Ahead of US Withdrawal» (em inglês). Al Bawaba. Consultado em 9 de outubro de 2019 
  9. «Safe Zone: Existing Project But Deferred Details» (em inglês). Enab Baladi. 29 de agosto de 2019. Consultado em 9 de outubro de 2019 
  10. «SDF command reveals details about buffer zone in northeast Syria» (em inglês). Kurdistan24. Consultado em 9 de outubro de 2019 
  11. «Turkey says U.S. stalling on Syria 'safe zone', will act alone if needed». Reuters (em inglês). 10 de setembro de 2019. Consultado em 9 de outubro de 2019 
  12. «Erdoğan cites U.S.-Turkey disagreement over safe zone as joint patrols begin in Syria» (em inglês). Ahval. Consultado em 9 de outubro de 2019 
  13. «Turkey to initiate own plans if safe zone deal fails» (em inglês). TRT World. 18 de setembro de 2019 
  14. «Turkey's Syria 'safe zone' deadline expires» (em inglês). Gulf News. Consultado em 9 de outubro de 2019