Patrícia Campos Mello

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Patrícia Campos Mello
Nascimento 6 de abril de 1975 (45 anos)
São Paulo
Cidadania Brasil
Alma mater Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo
Ocupação jornalista
Prêmios Troféu Mulher Imprensa

Patrícia Toledo de Campos Mello (São Paulo, 6 de abril de 1974) é uma jornalista e escritora brasileira. É repórter e colunista da Folha de S.Paulo; por sua atuação, recebeu em 2019 o Prêmio Internacional de Liberdade de Imprensa do Comitê para proteção de Jornalistas (CPJ),[1] recebeu em 2016 o Troféu Mulher Imprensa.[2] Em 2017, recebeu o Prêmio Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV). E em 2018, recebeu o Prêmio Internacional de Jornalismo Rei de Espanha e o V Prêmio Petrobras de Jornalismo.[3] É comentarista da Band e Band News.[4] Foi enviada especial em áreas de conflito, como a Síria e a Serra Leoa.[5]

Carreira

Formação

Tem formação em Jornalismo pela USP e mestrado em Business and Economic Reporting pela Universidade de Nova York, com bolsa de estudos. É autora de Lua de Mel em Kobane, livro publicado pela Companhia das Letras e Índia - da miséria à potência pela Editora Planeta.[4] É senior fellow do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (CEBRI).[6]

Cobertura internacional

De 2006 a 2010, foi correspondente em Washington pelo Estado de S. Paulo. Cobriu a crise econômica americana, a guerra do Afeganistão, as eleições de 2008, 2012, 2016. Na Casa Branca, entrevistou o presidente George W Bush. Também cobriu os atentados de 11 de setembro de 2001. Idealizou o premiado projeto "Mundo de Muros", especial multimídia sobre a crise das migrações feito em quatro continentes.[7]

Esteve diversas vezes na Síria, Iraque, Turquia, Líbia, Líbano e Quênia fazendo reportagens sobre os refugiados e a guerra. É autora do livro “Lua de Mel em Kobane”, da Companhia das Letras, sobre um casal de sírios sobrevivendo do cerco do Estado Islâmico do Iraque e do Levante, que ela conheceu na Síria.[8][9][10] Foi também a única repórter brasileira que, em 2014 e 2015, cobriu a epidemia de ebola em Serra Leoa.[4]

Eleições de 2018

A jornalista ganhou destaque no contexto da eleição presidencial no Brasil em 2018 ao assinar uma reportagem sobre supostos crimes eleitorais na campanha do candidato Jair Bolsonaro.[11] Ela publicou que havia financiamentos ilegais à campanha de Bolsonaro em redes sociais realizados por empresários partidários. Por sua reportagem, foi alvo de perseguições e ataques de ódio.[12] Foi citada na escolha de Pessoa do Ano da revista Time como jornalista vítima de perseguição.[13][14] A reportagem também sofreu críticas por não apresentar evidências do financiamento ilegal.[carece de fontes?] Posteriormente, em resposta a um questionamento do Tribunal Superior Eleitoral, comunicados das principais redes sociais alegaram que a campanha de Bolsonaro não comprou impulsionamento de conteúdo.[15][16] No entanto, essas mesmas redes sociais se negaram a fornecer informações quanto ao financiamento de impulsionamento de conteúdo por parte de empresários e empresas ligadas a Bolsonaro, objeto da matéria realizada por Mello.[17] Em junho, publicou mais duas reportagens sobre o uso de WhatsApp durante as eleições, desta vez, com agências de marketing estrangeiras.[18] Em julho, nove meses após a abertura de investigações sobre o uso ilegal de disparos de WhatsApp na eleição de 2018, nem um único suspeito havia sido ouvido pela polícia.[19] Em setembro de 2019, quase um ano depois da campanha eleitoral, o WhatsApp admitiu pela primeira vez que a eleição brasileira de 2018 teve uso ilegal de envios maciços de mensagens, com sistemas automatizados contratados de empresas.[20]

Controvérsias

Fala de Jair Bolsonaro

Em 18 de fevereiro de 2020, durante uma entrevista a um grupo de simpatizantes em frente ao Palácio da Alvorada, Bolsonaro insultou a jornalista com uma insinuação sexual: "Ela queria dar o furo a qualquer preço contra mim." O depoimento à CPMI ao qual o presidente se referia era de Hans River do Rio Nascimento, que trabalhou para a Yacows, empresa especializada em marketing digital, durante a campanha eleitoral de 2018. Diversos partidos e políticos e por entidades jornalísticas, que consideraram a fala um ataque à democracia, repudiaram a atitude do presidente.[21] Para a Associação Nacional de Jornais (ANJ), a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) e o Observatório da Liberdade de Imprensa da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), a fala de Bolsonaro desrespeita a imprensa e o seu trabalho essencial na democracia. A Associação Brasileira de Imprensa (ABI) chamou a agressão de "covarde" e pediu à Procuradoria-Geral da República que denuncie a quebra de decoro de Bolsonaro. O Sindicato dos Jornalistas Profissionais de São Paulo afirma que a fala do presidente pode ser classificada como injúria e é passível de responsabilização criminal. A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), em nota assinada pela Comissão Nacional de Mulheres, diz que o episódio foi de "machismo, sexismo e misoginia". Em nota, a Folha de S.Paulo afirmou: "O presidente da República agride a repórter Patrícia Campos Mello e todo o jornalismo profissional com a sua atitude. Vilipendia também a dignidade, a honra e o decoro que a lei exige do exercício da Presidência".[22][23][24]

Prêmios

Referências

  1. Avenue, Committee to Protect Journalists 330 7th; York, 11th Floor New; Ny 10001. «Patrícia Campos Mello, Brazil - Awards». cpj.org (em inglês). Consultado em 7 de agosto de 2019 
  2. «Repórter especial da Folha vence Troféu Mulher Imprensa». Folha de S.Paulo. 23 de Março de 2016. Consultado em 20 de Outubro de 2018 
  3. «Vencedores do V Prêmio Petrobras de Jornalismo são conhecidos em cerimônia no Theatro Municipal | Agência Petrobras». www.agenciapetrobras.com.br. Consultado em 7 de agosto de 2019 
  4. a b c «Agencia Riff - Autor - Patrícia Campos Mello». www.agenciariff.com.br. Consultado em 24 de dezembro de 2018 
  5. «Conheça Patrícia: Uma Mulher Empresária Inspiradora | Facebook #ElaFazHistória». Facebook She Means Business: Celebrating Women Entrepreneurs. Consultado em 20 de outubro de 2018 
  6. Braziliense, Correio; Braziliense, Correio (26 de abril de 2019). «Ilona Szabo nomeada para conselho do Cebri». Correio Braziliense. Consultado em 7 de agosto de 2019 
  7. «Premiada, série "Um Mundo de Muros" humanizou tragédias e foi além dos números». Folha de S.Paulo. 3 de dezembro de 2018. Consultado em 7 de agosto de 2019 
  8. «LUA DE MEL EM KOBANE - - Grupo Companhia das Letras». www.companhiadasletras.com.br. Consultado em 7 de agosto de 2019 
  9. País, El (13 de março de 2018). «VÍDEO | Uma improvável história de amor: autora comenta livro 'Lua de Mel em Kobane'». EL PAÍS. Consultado em 7 de agosto de 2019 
  10. «Livro mostra vida de recém-casados em meio à guerra na Síria». O Globo. 27 de janeiro de 2018. Consultado em 7 de agosto de 2019 
  11. «Empresários bancam campanha contra o PT pelo WhatsApp». Folha de S.Paulo. 18 de outubro de 2018 
  12. Braziliense, Correio (19 de outubro de 2018). «Após reportagem, jornalista da Folha é atacada e colegas saem em sua defesa». Correio Braziliense. Consultado em 20 de Outubro de 2018 
  13. «Escolha da Time para Pessoa do Ano cita repórter da Folha». Folha de S.Paulo. 11 de dezembro de 2018. Consultado em 24 de dezembro de 2018 
  14. Vick, Karl. «TIME Person of the Year 2018: The Guardians». Time (em inglês). Consultado em 24 de dezembro de 2018 
  15. Pontes, Felipe (12 de novembro de 2018). «Facebook e Twitter dizem que Bolsonaro não pagou por impulsionamento». Agência Brasil. Consultado em 2 de dezembro de 2018 
  16. Richter, André (13 de novembro de 2018). «WhatsApp diz ao TSE que não foi contratado por campanha de Bolsonaro». Agência Brasil. Consultado em 2 de dezembro de 2018 
  17. Alves, Cintia (13 de novembro de 2018). «Gigantes da internet não fornecem dados sobre caixa 2 de Bolsonaro». Jornal GGN 
  18. «Empresas contrataram disparos pró-Bolsonaro no WhatsApp, diz espanhol». Folha de S.Paulo. 18 de junho de 2019. Consultado em 7 de agosto de 2019 
  19. «Investigação eleitoral sobre disparos em massa pelo WhatsApp engatinha no TSE». Folha de S.Paulo. 18 de junho de 2019. Consultado em 7 de agosto de 2019 
  20. «WhatsApp admite envio maciço ilegal de mensagens nas eleições de 2018». Folha de S.Paulo. 8 de outubro de 2019. Consultado em 1 de novembro de 2019 
  21. «Jair Bolsonaro, presidente da república, ofende jornalista da Folha» (Site). Folha de S. Paulo - Uol. 18 de fevereiro de 2020. Consultado em 18 de fevereiro de 2020 
  22. NSC Comunicação, ed. (18 de fevereiro de 2020). «Entidades de jornalismo e OAB dizem que insulto de Bolsonaro a repórter é ataque à democracia». Consultado em 25 de fevereiro de 2020 
  23. Deutsche Welle, ed. (18 de fevereiro de 2020). «Repórter da "Folha" é alvo de insulto sexual de Bolsonaro». Consultado em 25 de fevereiro de 2020 
  24. IstoÉ, ed. (21 de fevereiro de 2020). «O carnaval das imoralidades de Bolsonaro». Consultado em 25 de fevereiro de 2020 
  25. «Vencedora do Prêmio CICV: É uma iniciativa que reconhece o trabalho de mostrar pessoas por trás dos conflitos». Comitê Internacional da Cruz Vermelha. 26 de outubro de 2017. Consultado em 24 de dezembro de 2018 
  26. «Equipe da "Folha de S.Paulo" se coloca na pele do outro para derrubar muros». www.efe.com. Consultado em 24 de dezembro de 2018 
  27. «Prêmio Petrobras de Jornalismo - V Prêmio Petrobras de Jornalismo». www.premiopetrobras.com.br. Consultado em 24 de dezembro de 2018 
  28. Avenue, Committee to Protect Journalists 330 7th; York, 11th Floor New; Ny 10001. «Patrícia Campos Mello, Brazil - Awards». cpj.org (em inglês). Consultado em 12 de agosto de 2019 
  29. «Jornalista da Folha vence prêmio sobre democracia e justiça». Folha de S.Paulo. Grupo Folha. 21 de agosto de 2019. Consultado em 4 de novembro de 2019 

Ligações externas