Taiguara

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Taiguara
Taiguara.jpg
Taiguara, foto de Ana Lasevicius, utilizada na capa do disco "Brasil Afri" (Movieplay, 1994).
Informação geral
Nome completo Taiguara Chalar da Silva
Nascimento 9 de outubro de 1945
Data de morte 14 de fevereiro de 1996 (50 anos)
Nacionalidade Brasileiro naturalizado
Gênero(s) Bossa nova, MPB, Samba
Instrumento(s) Voz, Piano, Violão, Mellotron e inúmeros instrumentos de origem Africana.
Período em atividade 1964 - 1996
Gravadora(s) EMI, Odeon, Philips, Continental, Movieplay
Afiliação(ões) Hermeto Pascoal, Milton Nascimento, Chico Buarque, Vinicius de Moraes.
Página oficial http://www.taiguara.art.br

Taiguara Chalar da Silva (Montevidéu, 9 de outubro de 1945São Paulo, 14 de fevereiro de 1996) foi um cantor e compositor brasileiro nascido no Uruguai durante uma temporada de espetáculos de seu pai, o bandoneonista e maestro Ubirajara Silva.


Vida e Obra[editar | editar código-fonte]

Primeiros anos - festivais de música e reconhecimento[editar | editar código-fonte]

Mudou-se para o Rio de Janeiro em 1949 e para São Paulo, posteriormente, em 1960. Largou a faculdade de Direito para se dedicar à música. Participou de vários festivais e programas da TV. Fez bastante sucesso nas décadas de 60 e 70. Seus dois primeiros LPs foram gravados no selo Philips pelo produtor Armando Pittigliani. Autor de vários clássicos da MPB, como Hoje, Universo do teu corpo, Piano e viola, Amanda, Tributo a Jacob do Bandolim, Viagem, Berço de Marcela, Teu sonho não acabou, Geração 70 e Que as Crianças Cantem Livres; entre outros.

Censura na Ditadura Militar[editar | editar código-fonte]

Considerado um dos símbolos da resistência à censura durante a ditadura militar brasileira, Taiguara foi um dos compositores mais censurados na história da MPB, tendo 68 canções censuradas e escreveu uma, Cavaleiro da Esperança, em homenagem a Luiz Carlos Prestes[1]). Os problemas com a censura levaram Taiguara a se autoexilar na Inglaterra em meados de 1973. Em Londres, estudou no Guildhall School of Music and Drama e gravou o Let the Children Hear the Music, que nunca chegou ao mercado, tornando-se o primeiro disco estrangeiro de um brasileiro censurado no Brasil.

Em 1975, voltou ao Brasil e gravou o Imyra, Tayra, Ipy - Taiguara com Hermeto Paschoal, participação de músicos como Wagner Tiso, Toninho Horta, Nivaldo Ornelas, Jacques Morelenbaum, Novelli, Zé Eduardo Nazário, Ubirajara Silva (pai de Taiguara), e uma orquestra sinfônica de 80 músicos.[2] O espetáculo de lançamento do disco foi cancelado e todas as cópias foram recolhidas pela ditadura militar das lojas em apenas 72 horas.[3] Em seguida, Taiguara partiu para um segundo autoexílio que o levaria à África e à Europa por vários anos.

Abertura política e últimos anos[editar | editar código-fonte]

Quando finalmente voltou a cantar no Brasil, em meados dos anos 80, não obteve mais o grande sucesso de outros tempos, muito embora suas músicas de maior êxito tenham continuado a serem relembradas em flashbacks das rádios AM e FM.

Morreu em 1996 de falência múltipla de órgãos em decorrência de um câncer na bexiga.[1]

Visões políticas[editar | editar código-fonte]

Taiguara passou de um músico com composições existencialistas e poéticas em seus primeiros anos a um músico de vertente política e crítica à sociedade capitalista. O álbum Imyra, Tayra, Ipy é baseado no livro de Quarup, de Antônio Callado. Com o exílio de Taiguara, um dos lugares visitados foi a Tanzânia, a partir de indicação de Paulo Freire. Lá, Taiguara entra em contato com as ideias de revolucionários africanos como Amílcar Cabral e Patrice Lumumba.[4] Taiguara assumiu, após a volta ao Brasil e a abertura política da ditadura militar, a ideologia marxista-leninista, alinhando-se à leitura de Luiz Carlos Prestes da realidade brasileira. Estes ideais ficam claros em seus dois últimos álbuns, Canções de Amor e Liberdade e Brasil Afri.[5]

Discografia (Parcial)[editar | editar código-fonte]

  • Taiguara! (1965) - Philips - LP - Produtor: Armando Pittigliani
  • Crônica da Cidade Amada (1966) - Philips - LP - Produtor: Armando Pittigliani
  • Primeiro Tempo 5x0 (1966) - Philips - LP
  • O Vencedor de Festivais (1968) - Odeon - LP
  • Taiguara (1968) - Odeon - LP
  • Hoje (1969) - Odeon - LP
  • Viagem (1970) - Odeon - LP
  • Carne e Osso (1971) - Odeon - LP
  • Piano e Viola (1972) - Odeon - LP
  • Fotografias (1973) - Odeon - LP
  • Let The Children Hear The Music (1974) - KPM-EMI - LP
  • Imyra, Tayra, Ipy - Taiguara (1976) - EMI-Odeon - LP
  • Porto de Vitória / Sol do Tanganica (1981) - Alvorada-Continental - Compacto simples
  • Canções de Amor e Liberdade (1984) - Alvorada-Continental - LP
  • Brasil Afri (1994) - Movieplay - CD
  • Ele Vive (2014) - Kuarup - CD

Referências

Ligações externas[editar | editar código-fonte]