The Velvet Underground and Nico

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The Velvet Underground & Nico
Álbum de estúdio de The Velvet Underground e Nico
Lançamento 12 de março de 1967
Gravação Scepter Studios, Nova York
Género(s) Art rock
Proto-punk
Rock de garagem
Rock psicodélico
Rock experimental
Duração 48:51
Idioma(s) Inglês
Formato(s) CD, disco de vinil
Gravadora(s) Verve
Produção Andy Warhol, Tom Wilson
Cronologia de The Velvet Underground
White Light/White Heat
(1968)

The Velvet Underground & Nico é o álbum de estreia da banda norte-americana de rock The Velvet Underground, lançado em Março de 1967 pela Verve Records. Com a participação da vocalista Nico, o álbum foi gravado em 1966 enquanto o grupo fazia parte da digressão de multimédia Exploding Plastic Inevitable de Andy Warhol, que chamou a atenção devido às suas apresentações experimentais de textos emocionais e controversos, que incluíam a dependência de drogas, prostituição, sadomasoquismo e desvios sexuais

Embora o trabalho tenha sido um fracasso comercial na altura do seu lançamento, e praticamente ignorado pela crítica contemporânea, The Velvet Underground & Nico é agora globalmente reconhecido como um dos melhores e mais influentes álbuns na história da música popular. Em 1982, o músico Brian Eno afirmou que, apesar de o álbum ter apenas vendido cerca de 30 000 cópias na altura, "todos aqueles que compraram uma dessas 30 000 cópias deram início a uma banda."[1] Em 2003, a revista Rolling Stone classificou o álbum na 13ª posição it da sua lista dos Rolling Stone's 500 Greatest Albums of All Time.[2] Em 2006, foi incluído na lista dos National Recording Registry pela Biblioteca do Congresso.[3] Muitos subgéneros da música rock e tipos de música alternativa foram significativamente influenciadas por este álbum.[4]

Gravações[editar | editar código-fonte]

The Velvet Underground and Nico foi gravado com a primeira formação profissional do Velvet Underground (sendo esta: Lou Reed, John Cale, Sterling Morrison e Maureen Tucker) junto com Nico, que ocasionalmente ocupava o cargo de vocal principal, graças à insistência do produtor e mentor da banda, o artista pop Andy Warhol. Nico cantou o vocal principal em três faixas ("Femme Fatale", "All Tomorrow's Parties" e "I'll Be Your Mirror") e o vocal de apoio em "Sunday Morning".

Canções[editar | editar código-fonte]

Letras[editar | editar código-fonte]

O álbum é notável por suas descrições de tópicos como o uso (e abuso) de drogas, prostituição, sadomasoquismo e comportamento sexual alternativo: "I'm Waiting for the Man" descreve as ações de um homem para obter heroína, enquanto "Venus in Furs" é quase uma interpretação literal do livro homônimo do século XIX. "Run Run Run" também tem as drogas como premissa. Uma das canções mais famosas do álbum é "Heroin", cuja letra detalha o uso de heroína por um indivíduo e seus efeitos sobre o mesmo.

Lou Reed, que escreveu a maioria das letras do álbum, nunca pretendeu escrever sobre tais assuntos para causar choque. Reed, fã de poetas como William Burroughs e Allen Ginsberg, não via por quê os temas presentes no trabalho dos últimos não poderiam ser adaptados para canções de rock. Embora os assuntos pesados do disco hoje sejam considerados revolucionários, muitas das canções tratam de outros tópicos. Muitas foram escritas como observações de indivíduos da trupe de superstars do movimento Exploding Plastic Inevitable, de Andy Warhol.

Música[editar | editar código-fonte]

A musicalidade do disco foi concebida por John Cale, que salientou as qualidades experimentais da banda. Cale encorajava o uso de métodos alternativos para produzir som na música e acreditava que suas sensibilidades se mesclavam com as de Lou Reed, que, por sua vez, já estava experimentando com afinações alternativas. Por exemplo, Reed criou a afinação "Ostrich" para uma canção que ele compôs, chamada The Ostrich. Tal afinação consiste de todas as cordas da guitarra (ou violão) estarem afinadas na mesma nota. O método foi utilizado nas canções Venus in Furs e All Tomorrow's Parties. Frequentemente as canções eram afinadas ainda uma nota a menos, produzindo um som que John Cale achava sexy.

A viola de Cale foi usada em várias canções, notavelmente em "Venus in Furs" e "Heroin". A viola usava cordas de violão e bandolim, e quando tocada em volume elevado, Cale achava que o som se assemelhava ao motor de um avião. Quase sempre, Cale tocava a mesma nota na viola durante a música toda, como em "Heroin".

Faixas[editar | editar código-fonte]

Todas as músicas compostas por Lou Reed, exceto as indicadas de outra forma.

Lado 1
  1. "Sunday Morning" (Reed, Cale) - 2:56
  2. "I'm Waiting for the Man" - 4:39
  3. "Femme Fatale" - 2:38
  4. "Venus in Furs" - 5:12
  5. "Run Run Run" - 4:22
  6. "All Tomorrow's Parties" - 6:00
Lado 2
  1. "Heroin" - 7:12
  2. "There She Goes Again" - 2:41
  3. "I'll Be Your Mirror" - 2:14
  4. "The Black Angel's Death Song" (Reed, Cale) - 3:11
  5. "European Son" (Reed, Cale, Morrison, Tucker) - 7:46

Capa[editar | editar código-fonte]

The Velvet Underground and Nico é geralmente chamado de "álbum da banana", já que possui o desenho de uma banana feito por Andy Warhol. As cópias iniciais do álbum convidavam o dono a "descascar lentamente e ver" (no inglês, "peel slowly and see", que viria a ser o nome de uma das coletâneas da banda). Descascando o adesivo, revelar-se-ia uma banana de cor de carne.

Recepção e Vendas[editar | editar código-fonte]

Críticas profissionais
Avaliações da crítica
Fonte Avaliação
Allmusic 5 de 5 estrelas. [5]
Robert Christgau (A) [6]

No lançamento, o disco foi um fracasso comercial. Os temas controversos levaram-no a ser banido de muitas lojas. Várias rádios se recusavam a tocar as músicas e revistas se recusavam a exibir propagandas para o álbum. Sua falta de sucesso também pode ser atribuída ao estúdio, Verve, que falhou ao promover o álbum com pouca ou nenhuma atenção.

O mundo dos críticos também não notou muito o álbum. Uma das poucas resenhas impressas, na segunda edição da pequena revista de rock Vibrations em 1967, era bastante positiva, descrevendo o som como um "ataque massivo aos ouvidos e ao cérebro" e não deixando de lado os tópicos sombrios presentes na maioria das faixas.

Somente décadas depois o álbum viria a receber louvação unânime pelos críticos, muitos dos quais indicam a influência do disco nas canções de rock modernas.

Resultado[editar | editar código-fonte]

Frustrado pelo atraso do lançamento em um ano, a relação de Lou Reed com Andy Warhol ficou tensa até que Reed demitiu Warhol do cargo de produtor, substituindo-o por Steve Sesnick. Nico também foi expulsa do grupo, embora ela tenha tido certo sucesso como artista solo, lançando seu álbum de estreia a solo, Chelsea Girl em Outubro de 1967. Chelsea Girl inclui cinco canções escritas por membros do Velvet Underground, como Wrap Your Troubles in Dreams, escrita e gravada por Reed em 1965, com a ajuda de John Cale e Sterling Morrison.

Créditos[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Fontes com a discussão da afirmação: The quote referenced:
    • McKenna, Kristine (Outubro de 1982). «Eno: Voyages in Time & Perception». Musician. Consultado em 8 de Novembro de 2012. Outro dia estava a conversar com Lou Reed e ele disse que o primeiro álbum dos Velvet Underground vendeu 30 000 cópias nos primeiros cinco anos. As vendas aumentaram nos últimos anos, mas vejamos bem, aquele trabalho foi tão um ábum tão importante para tanta gente. Acho que todos aqueles que compraram uma daquelas 30 000 cópias começaram uma banda! 
  2. «Rolling Stone's 500 Greatest Albums of All Time». Rolling Stone (937). 11 de Dezembro de 2003. Consultado em 18 de Julho de 2006. Cópia arquivada em 4 de Janeiro de 2009 
  3. 6 de Março de 2007 – Recordings by Historical Figures and Musical Legends Added to the 2006 National Recording Registry, News from the Library of Congress, 2006 National Recording Registry – The Library Today (Library of Congress).
  4. Richman, Simmy. «The Velvet Underground: The velvet revolution rocks on». The Independent. Consultado em 12 de Fevereiro de 2017  "Só nesse primeiro álbum, os Velvets inventaram—ou, no mínimo,inspiraram—o art rock, o punk, o garage, o grunge, o shoegaze, o goth, o indie e muitos outros tipos de música alternativa que nos lembremos."
  5. Avalhação no Allmusic
  6. Avalhação de Robert Christgau

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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