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Yule

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 Nota: Se procura Sir Henry Yule, veja Henry Yule.
Árvore de Yule
O deus Thor e as cabras: Tanngrisnir, o "desnudador e rosnador", e Tanngnjóstr, o "moedor de dentes", são os bodes que puxam a carruagem de Thor, deus do fogo, trovão e das fazendas, pela terra e pelos céus. Thor eventualmente mata e cozinha os animais, mas eles ressurgem vivos, sendo uma fonte de alimento perene e se conectando aos conceitos xamânicos de sacrifício e ressurreição. ("Os amigos do Deus do Trovão", Ferraz & Perrotta, 2025).[1] B. Julbocken: A Cabra de Yule, é uma tradição escandinava e do paganismo germânico, que se difundiu pelo mundo, hoje especialmente em expressões neopagãs. Suas origens não são totalmente claras, mas há indicações de relação com Thor e suas cabras, com o espírito chamado também de Julbocken (que visita as casas no período invernal para garantir que os preparativos de Yule estão acontecendo), ou com Odin, por ser o próprio "Homem do Yule" e se relacionar diretamente com a narrativa do Bode de Yule. ("Julbocken", Perrotta & Ferraz, 2025)..[1]

Jól (do nórdico antigo: júl) ou yule (do inglês antigo: géol ou géola)[2] é uma comemoração do Norte da Europa pré-Cristã. Os pagãos Germânicos celebravam o yule desde os finais de dezembro até aos primeiros dias de janeiro, abrangendo o Solstício de Inverno. Foi a primeira festa sazonal comemorada pelas tribos neolíticas do norte da Europa, e é até hoje considerado o início da roda do ano por muitas tradições Pagãs. Atualmente é um dos oito feriados solares ou Sabá do Neopaganismo. No Neopaganismo moderno, o yule é celebrado no Solstício de Inverno, por volta do dia 21 de dezembro no hemisfério norte e por volta do dia 21 de junho no hemisfério sul.[3] Embora yule seja o nome do solstício de inverno no hemisfério norte, originalmente é um tronco de árvore, possivelmente parecido com um tipo de pinheiro. Yule, o menino da promessa; semente de luz; festa medieval que comemorava a chegada do inverno; na língua inglesa significa em torno do natal; natalício.

Etimologia

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Tanto jól quanto yule provém de origem incerta, acredita-se derivar do proto-germânico jehwlą (celebração, festividade), possivelmente do proto-indo-europeu yekə- (brincadeira, piada).[2]

História

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As celebrações de Yule influenciaram as festas de Natal celebradas em diversas regiões do mundo como manifestações culturais,combinando elementos religiosos cristãos com tradições pagãs ancestrais.[4] Festas pagãs como o Yule e similares germânicos, comemoravam aspectos como o meio do inverno, o solstício de inverno, as noites de inverno e o renascimento do Sol. A relevância desses ritos motivou a Igreja Católica, no século IV, a escolher o dia 25 de dezembro como data de celebração donascimento de Cristo para estrategicamente cristianizar as celebrações pagãs que ocorriam no mesmo período, principalmente a Saturnália romana.[5][6][7][8][9]

Por estarem entre as últimas sociedades da Europa a serem cristianizadas e por Hákon Jarl ter transferido as celebrações de Jól para 25 de Dezembro, hoje os elementos pagãos de regiões germânicas estão entre os mais presentes nas celebrações e simbologias de Natal contemporâneas.[10][9][11]

O cavalo e o Bom Velhinho

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O deus Odin e Sleipnir, o cavalo de oito pernas: Descrito como o melhor e mais rápido cavalo, Sleipnir é corcel de Odin. Sua relevância mitológica e presença nos xamanismos germânicos, especialmente nórdicos, fazem com que ainda hoje ele esteja vivo em narrativas populares, tendo, por exemplo, o desfiladeiro de Ásbyrgi, na Islândia, creditado como criação dele no folclore islandês. O caráter xamânico do paganismo nórdico permite interpretações de que Sleipnir seja uma extensão do próprio Odin. O Pai de Todos, por sua vez, embora tenha se popularizado na cultura pop com um arquétipo militar e montado de armaduras, era principalmente uma divindade xamânica, representada iconograficamente como um mago ou sábio e relacionada a elementos que possivelmente foram compartilhados posteriormente, através de ecos culturais, com o folclore do Papai Noel. Além disso, é uma divindade central na mística do inverno e em suas celebrações, recebendo o título de Jólnir, que significa “Homem do Yule”. ("Sleipnir e Odin, o Homem do Yule", Ferraz & Perrotta, 2025).[12]

O cavalo é destacado como um animal simbólico em celebrações antigas de inverno, com registros de sua presença em diferentes rituais germânicos.[9][13][14] O cavalo mítico Sleipnir, descrito na tradição nórdica como o corcel de oito patas do deus Odin, protagoniza algumas dessas narrativas. Durante o Yule e outras festividades, Odin é retratado cavalgando Sleipnir pelos céus, especialmente no contexto das Caçadas Selvagens, além de também aparecer distribuindo presentes ou punições.[10][13][14][15] Estudos sugerem que estas narrativas podem ter influenciado a iconografia posterior do Papai Noel, especialmente o seu trenó voador e a ideia de uma entidade que percorre o céu no inverno. Isso ocorre porque o Papai Noel, embora sincretizado com São Nicolau, também incorpora elementos de figuras pagãs como Odin e o arquétipo do “Papai Inverno” (Father Winter ou Old-Man-Winter), presentes em tradições germânicas e europeias.[10][16][17]

Além disso, Odin é descrito como uma divindade central no contexto do inverno e das celebrações do Yule, recebendo o título de Jólnir (“Homem do Yule”). Sua representação não é apenas guerreira, mas principalmente xamânica e sábia, o que também se reflete na figura de Sleipnir, que em algumas interpretações pode ser visto como uma extensão simbólica do próprio Odin. Essa relação entre divindade, montaria e festividades de inverno ajuda a explicar possíveis ecos culturais que teriam contribuído para a construção posterior de imagens populares associadas ao Natal.[10]

A relevância e presença de Sleipner nos xamanismos germânicos, especialmente nórdicos, fazem com que ainda hoje ele esteja vivo em narrativas populares, tendo, por exemplo, o desfiladeiro de Ásbyrgi, na Islândia, creditado como criação dele no folclore islandês. [carece de fontes]?

O bode e a cabra

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Os caprinos também aparecem na etnozoologia natalina. Krampus, que é descrito como um acompanhante do Papai Noel com função punitiva, ligado a uma “face sombria” das tradições invernais preserva elementos animais como chifres, peles e cascos, que remetem simbolicamente a bodes e outras criaturas caprinas.

Espaço preparado para celebração de inverno do clã de paganismo brasileiro Ecos Selvagens, no município de Vassouras, Rio de Janeiro, Brasil, 2025. No canto inferior esquerdo é possível ver uma cabra de palha.

Além disso, cabras e bodes também estão ligados a divindades do paganismo germânico. No caso de Odin, há referências a bodes em contextos rituais e decorativos do inverno, enquanto Thor é diretamente associado às cabras míticas Tanngrisnir e Tanngnjóstr, que puxam sua carruagem. Essas cabras têm um papel simbólico importante porque podem ser sacrificadas e ressuscitadas, representando abundância, renovação e provisão contínua, especialmente em contextos de sobrevivência no inverno.[10]

Outro elemento destacado é o Julbock (Cabra de Yule), uma figura tradicional das celebrações germânicas do solstício de inverno. Ele pode aparecer como espírito que visita casas ou como símbolo de presentes e proteção, além de ter se transformado em ornamentos feitos de palha usados em decorações natalinas ou na famosa tradição suéca no Festival de Gävle, que desde 1966 ergue anualmente um bode gigante de palha, o Bode da Gevália (Gävlebocken), hoje considerado um dos ícones modernos do solstício de invernoe do Natal escandinavo. Essas tradições reforçam a associação da cabra com fertilidade, fartura e boa sorte no período invernal.[10][18]

Também existe uma palavra de raiz linguística proto-germânica, bukka, associada a bodes e, posteriormente, a seres folclóricos com chifres ou comportamento brincalhão em várias culturas indo-europeias, como o pooka celta e o puk báltico. Essa rede de influências teria chegado até a cultura finlandesa, influenciando a figura do Joulupukki, o “Papai Noel finlandês”, literalmente ligado ao “bode de Natal”.[18][2]

O porco e o javali

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A deusa Freya como porca: Freya, entre seus inúmeros nomes e títulos, também apresenta Sýr, nome que às vezes é traduzido como porca, mas que também pode significar proteger, entre outras possibilidades. Independentemente disso, o simbolismo dos suínos se conecta aos atributos e às bênçãos de Freya, harmonizando as crenças animistas relacionadas a esses animais com o culto à deusa do amor. Entre outros animais fortemente associados a Freya, destacam-se os gatos e linces que puxam sua carroça e as aves, como o falcão, no qual ela se metamorfoseia e cujo manto de penas douradas utiliza. ("Freyja como Sýr, a Porca Deslumbrante", Iago Ferraz, 2025).[1]

Os porcos, especialmente o javali euroasiático e formas domésticas antigas, aparecem em contextos sacrificiais tanto nas tradições germânicas quanto na Saturnália romana.[1][13][14][9] Destaca-se o Sonargöltr (Porco de Yule), associado ao ritual Sonarblót, no qual o animal era sacrificado e votos eram feitos sobre ele, com invocações a deuses da fertilidade como Freyr, Freya e Njörd, seguidas de banquetes comunitários.[1][9] No universo nórdico, a associação do javali com Freyr vai além do ritual: o deus possui o javali dourado Gullinbursti, símbolo de luz, fertilidade e prosperidade, frequentemente evocado em festividades de inverno. Freya também se relaciona aos suínos, tendo o javali Hildisvini como companheiro e sendo associada a nomes como Sýr (“porca”). Sua dimensão simbólica inclui narrativas de fertilidade e ciclos sazonais, como o choro de lágrimas douradas que representam a transição entre inverno e primavera. Esse conjunto de associações reforça seu papel como deusa da abundância e da renovação.[1][13][14]

Além do simbolismo divino, o Sonargöltr também podia ser representado de forma alternativa como pão em forma de porco ou javali, incorporando grãos da última colheita, e elementos modernos como doces dourados (marzipan) remetem ao Gullinbursti como amuletos de prosperidade. Já tradições folclóricas posteriores incluem figuras como Gloso, a porca luminosa, fantasmagórica que podia agir como espírito protetor ou vingativo durante o período invernal, refletindo práticas ligadas às “doze noites de Natal”.[1][18]

Outras narrativas escandinavas descrevem porcas espectrais associadas a presságios de invernos rigorosos ou ao espírito de animais abatidos, interpretados como transformações simbólicas entre sistemas animistas e o cristianismo, no qual o animal deixa de ser ente ritual e passa a ser recurso, acompanhando mudanças culturais na percepção da natureza.[18][1]

Neopaganismo

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O Yule ou celebrações de inverno influenciadas por suas tradições ainda é comemorado nos dias atuais por neopagãos de todo mundo, de diferentes tradições. No Brasil, país do Hemisfério Sul, a celebração acontece próxima do dia 21 de Junho, quando ocorre o Solstício de Inverno no país. As tradições variam, mas o pagãos costumam celebrar o evento se reunindo com banquetes, música, troca de presentes, árvores de Yule e decorações tradicionais, homenageando deuses e espíritos ancestrais.[1][19][20]

Referências

  1. 1 2 3 4 5 6 7 8 9 Ferraz, Iago; Perrotta, Victor (23 de dezembro de 2025). «Puxando o trenó: um estudo etnozoológico dos animais nas tradições natalinas contemporâneas e nas raízes pagãs». ISSN 2594-8245. doi:10.5281/ZENODO.18040907
  2. 1 2 3 «Jól e o inverno». Heathenry & Liberdade. Consultado em 11 de dezembro de 2018
  3. Berger, Helen A. «Yule – a celebration of the return of light and warmth» [Yule – uma celebração do retorno da luz e calor]. The Conversation. Consultado em 12 de dezembro de 2024
  4. Bertuzzo, Rafaela; Tonin, Juliana (30 de novembro de 2021). «A festa natalina e a sua relação com a dinamização dos ritos». Revista Memorare. 8 (2): 135–146. ISSN 2358-0593. doi:10.59306/memorare.v8e22021135-146
  5. Frazer, James George (1922). «The Golden Bough». doi:10.1007/978-1-349-00400-3
  6. Hollard, Auguste (1931). «Les origines de la fête de Noël». Revue d'histoire et de philosophie religieuses. 11 (3): 256–274. ISSN 0035-2403. doi:10.3406/rhpr.1931.2805
  7. «Festivals → Christmas; Easter; Festal Letters; Liturgical Year; Pentecost». Brill Encyclopedia of Early Christianity Online. Consultado em 19 de abril de 2026
  8. Beckwith, Roger T. (1 de janeiro de 1996). Calendar and Chronology, Jewish and Christian. [S.l.]: BRILL. ISBN 978-90-04-33287-4. Consultado em 19 de abril de 2026
  9. 1 2 3 4 5 NICHOLS, C. 2021. From Jól to Yule. Scandinavian Archaeology [on-line]. Disponível em: https://www.scandinavianarchaeology.com/from-jol-to-yule/. Acesso em: 14 de novembro de 2025.
  10. 1 2 3 4 5 6 Ferraz, Iago; Perrotta, Victor (23 de dezembro de 2025). «Puxando o trenó: um estudo etnozoológico dos animais nas tradições natalinas contemporâneas e nas raízes pagãs». ISSN 2594-8245. doi:10.5281/ZENODO.18040907
  11. Lévi-Strauss, Claude (3 de outubro de 2019). «Claude Lévi-Strauss». Éditions Sciences Humaines: 63–69. ISBN 978-2-36106-558-4
  12. Ferraz, Iago; Perrotta, Victor (23 de dezembro de 2025). «Puxando o trenó: um estudo etnozoológico dos animais nas tradições natalinas contemporâneas e nas raízes pagãs». ISSN 2594-8245. doi:10.5281/ZENODO.18040907
  13. 1 2 3 4 Hugus, Frank (abril de 1987). «Gylfaginning. Snorri Sturluson , Gottfried Lorenz». Speculum. 62 (2): 474–476. ISSN 0038-7134. doi:10.2307/2855278
  14. 1 2 3 4 PAXSON, D.L. 2020. O mundo de Odin: práticas, rituais, runas e magia nórdica no neopaganismo germânico. Editora Pensamento.
  15. BAKER, M. 2007. Discovering Christmas customs and folklore: A guide to seasonal rites. Osprey Publishing.
  16. JENNBERT, K.; ANDRÉN, A. & RAUDVERE, C. (ed.) 2006. Old Norse religion in long-term perspectives: Origins, changes, and interactions. Nordic Academic Press. jERMAN, T.A. 2020. Santa Claus worldwide: A history of St. Nicholas and other holiday gift-bringers. McFarland.
  17. JERMAN, T.A. 2020. Santa Claus worldwide: A history of St. Nicholas and other holiday gift-bringers. McFarland.
  18. 1 2 3 4 RAEDISCH, L. 2013. The old magic of Christmas: Yuletide traditions for the darkest days of the year. Llewellyn Worldwide, p. 113–151.
  19. Zell-Ravenheart, Oberon. Grimoire for the Apprentice Wizard. Red Wheel/Weiser, 2004.
  20. PAXSON, D.L. 2006. Ásatrú: um guia essencial para o paganismo nórdico. Editora Pensamento.
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