Rabanada

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Rabanada

Rabanada é um doce de pão de trigo (pão-de-forma baguete ou outro) em fatias que, depois de molhadas em leite, vinho (no Minho usa-se vinho verde tinto ou branco) ou calda de açúcar, são passadas por ovos e fritas.[1]

As rabanadas fazem parte de muitas mesas da consoada em Portugal, e em várias ceias do Brasil. Servem-se polvilhadas com açúcar de canela ou regadas com calda de açúcar, xarope de bordo ou mel. Outrora, a palavra "rabanada" era apenas utilizada a norte do rio Mondego e ao mesmo doce atribuía-se, a partir da margem sul do referido rio, o nome de fatia-dourada, ou fatia-de-parida.[2] Em outros países são típicos nas celebrações de Espanha da Quaresma e Semana Santa e em várias partes do México, como Zacatecas.

História[editar | editar código-fonte]

A rabanada aparece documentada no século XV, citado por Juan del Encina: «mel e muitos ovos para fazer rabanadas», ao parecer como prato indicado para recuperar de partos. As primeiras receitas remontam ao livro de cozinha de Domingo Hernández de Maceras (1607) e "Arte de cozina, pastelería, vizcochería y conservería" de Francisco Martínez Motiño (1611). A rabanada era, no inicio do século XX, muito comum nas tabernas de Madrid e servia-se com jarros de vinho "razos").[3]

A associação das rabanadas à quaresma deve-se talvez à necessidade de aproveitar o pão, que durante o tempo que não se comia carne, era por isso menos consumido, mesmo assim sendo produzido a mesma quantidade.

Rabanada tradicional com pau de canela

Variantes[editar | editar código-fonte]

Rabanadas sem ovos nem lácteos.

Existem múltiplas variantes, começando pelo pão, que pode ser corrente ou preparar-se especialmente para elaborar rabanadas, hoje em dia é muito habitual encontrar esta opção nas pastelarias que oferecem um pão enorme em forma de barra (pão de forma) feito com farinha refinada (antes se denominava pão bimbo). Algumas receitas substituem o vinho por leite, e outras prescindem da água, molhando as rabanadas só com mel quente. Com frequência acompanha-se de canela e cravo da Índia. Algumas variantes empregam casca de limão ou de laranja ralada para aromatizar o leite e para o toque final um pouco de açúcar de canela.

Mais recentemente apareceram variedades vegetarianas que substituem o leite de vaca por leite de soja e o ovos por farinhas de grão de bico, farinha de soja ou outras leguminosas.

Variantes internacionais[editar | editar código-fonte]

Na França prepara-se com características similares, o "pain perdu" ("pão perdido"), se bem que não se frite em azeite abundante mas sim numa chapa, conhecendo-se no Reino Unido e países de língua inglesa com "French toast". Em Portugal preparam-se as rabanadas, de forma muito similar às torrijas ou torradas da vizinha Espanha.[2]

Na Colômbia, Chile e Equador chamam-se "tostadas francesas"; na Guatemala se chamam "tostadas a la francesa"; e na fronteira norte do México "pan francés". Na Argentina e Uruguai existe um modo simples de elaborar rabanadas (que podem ser chamadas nestes países "torrejas": umedece-se com leite migas de pão comum, e depois forma-se um bolo, passa-se o bolo pela gema de ovo batido e frita-se e cada bolo pode ser polvilhado com açúcar. Na Venezuela já foram conhecidas como "tacones", mas o termo caiu em desuso. Nas Honduras as rabanadas são cozinhadas especialmente para a temporada natalina, em que, logo depois da fritura a rabanada é molhada em sumo de fruta ou leite condensado.

Referências

  1. Veja artigo « torrija » na Wikipédia espanhola (consulta em 2 Fevereiro 2012).
  2. a b Jornal Gazeta do Sul — "Dormiu pão e acordou rabanada"
  3. Antonio Díaz-Cañabate, (1963), "Historia de una taberna", Sec: "Las torrijas", Coleción Austral, 4ª Ed. Nº 711, pp:19-23

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Wikibooks
O Wikilivros possui receitas sobre: Rabanada