Z. Marcas

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Z. Marcas é um romance de Honoré de Balzac, texto curto e incisivo, surgido em 1840, na Revue parisienne, em seguida publicado em outubro de 1841 nas edições Dessessart sob o título: A Morte de um ambicioso. Figura nas Cenas da vida política da Comédia Humana da edição Furne.

Enredo[editar | editar código-fonte]

Zéphyrin Marcas, nativo de Vitré, de origem modesta e de inteligência notável, põe toda sua energia em completar um doutorado em direto, depois a escrever no jornalismo, e depois a tentar entrada na política. Alojado em uma mansarda, vestido de andrajos, seus vizinhos de apartamento apelidam-no de "as ruínas de Palmira". "O 'Z' anexado a seu nome tinha já algo de fatal, mas não se sabe porquê..."[1] .

Nessa sociedade do tempo de Luís Filipe, a miséria é um obstáculo insuportável. Depois de ser esgotado no trabalho de escriturário para ganhar seu sustento, depois de ter buscado o apoio de um velho ministro, que Zéphyrin ajudou e que ele fez brilhar montes e maravilhas, Marcas é rejeitado a partir do momento em que não tem mais utilidade, então, ele entra na mais horrível decadência e morre. Seu corpo é atirado na fossa comum do Cemitério do Montparnasse.

A história é contada por Charles Rabourdin, filho de Xavier Rabourdin; o funcionário em Les Employés ou La Femme supérieure, que foi vizinho de Marcas em um apartamento lastimável no momento de seus estudos. Charles fez seu melhor para aliviar a miséria de Marcas, dando-lhe, notavelmente, roupas de linho que guardava de uma de suas conquistas. Ele tem uma visão muito sombria do status social e político da França, visão que concorda em todos os pontos com o destino infeliz de Marcas.

Análise[editar | editar código-fonte]

Essa história romântica, Balzac conta-a em um estilo violento, colorido da forma mais sombria, de tal sorte que sua eloqüência se encerra em poesia. Essa obra apresenta um interesse particular no sentido de que ela apresenta o julgamento que o grande romancista terá sobre a sociedade contemporânea, considerando com um pessimisto absoluto a nova sociedade política nascida da Revolução de Julho.[2]


Pessimismo que virá agora mais sombrio e mais violento em Les Paysans, no qual o autor da Comédia Humana parece desesperar-se da humanidade em geral, com exceção dos grandes homens, quase sempre incorruptíveis, desinteressados, mas forçosamente pobres e rejeitados pelos outros: o pai Niseron, antigo jacobino, e o abade Brossete, totalmente dedicado a homens que o desprezam.

Referências

  1. Anne Marie Meininger et Pierre Citron. Index des personnages fictifs et des personnes réelles. La Comédie humaine, La Pléiade, t. XII, p. 1424 et t. VIII, p. 828.
  2. Z. Marcas no Dictionnaire des œuvres Laffont-Bompiani, t. VI, p. 774

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • (fr) Owen Heathcote, « Nécessité et gratuité de la violence chez Balzac : Z. Marcas », l'Année balzacienne, juil. 1999, n° 20 (1), p. 153-68.
  • (fr) Franc Schuerewegen, « Redondances et résistances : le Lisible balzacien sous le régime de Juillet », Revue Romane, 1983, n° 18 (2), p. 285-291
  • Honoré de Balzac. A comédia humana. Org. Paulo Rónai. Porto Alegre: Editora Globo, 1954. Volume XII.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]