Ursule Mirouët

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Ursule Mirouët
Autor (es) Honoré de Balzac
Idioma Francês
País  França
Género Romance
Série Scènes de la vie de province
Editor Hyppolite Souverain
Lançamento 1842
Edição portuguesa
Tradução Dr. Alberto Pimentel
Editora Guimarães
Lançamento 1940?
Páginas 237
Cronologia
Último
Un début dans la vie
Eugénie Grandet
Próximo

Ursule Mirouët (em português, Úrsula Mirouët)[1] é um romance francês de Honoré de Balzac, publicado em Le Messager, em agosto-setembro de 1841, depois editado em volume em 1842, nos Estudos de costumes, seção das Cenas da vida provinciana da Comédia Humana.

Nessa obra bem balzaquiana, onde se vê a inocência e a honestidade de Úrsula questionadas pelos parentes indelicados de seu tutor, o bom dr. Minoret, o autor se estende longamente sobre os poderes sobrenaturais, o ocultismo e a transmissão de pensamento, que são, de acordo com ele, matéria de estudos sérios. Ele procura convencer o leitor incrédulo trazendo em apoio a suas palavras várias referências documentais, explicações e testemunhos se referindo às teorias de Alexis Didier (célebre vidente) e também às de Franz Anton Mesmer. Ele mostra também como o dr. Minoret, um agnóstico, é tocado pela graça e acede à fé (demonstração que ele havia feito com o dr. Desplein em A Missa do Ateu, em 1836). "Para muitos de seus leitores entusiásticos, essa coexistência em sua obra da observação e da fantasia é, precisamente, um dos segredos de sua grandeza, enquanto outros só veem nela resíduos do romantismo frenético, de gosto duvidoso."[2]

Enredo[editar | editar código-fonte]

Úrsula Mirouët, órfã, é acolhida e educada pelo dr. Minoret, seu tutor que se retira a Nemours, depois de ter exercido a profissão em Paris. Atencioso, muito preocupado com a felicidade de sua pupila, o bom doutor lhe dá uma educação de grande qualidade. Úrsula é rodeada pela afeição de um padre, do velho doutor e de uma empregada dedicada. No testamento, o dr. Minoret faz de Úrsula sua herdeira universal. Mas a fortuna do velho é desde muito tempo cobiçada por uma parentela pouco favorável à pupila. Após a morte do médico, quando Úrsula tem a idade de vinte anos, esses parentes se unem para despojar a jovem. Os herdeiros potenciais que o doutor possuía na cidade são numerosos e mais ou menos rivais. Mas como eles temem ser deserdados a favor de Úrsula, a qual consideram tão gananciosa quanto eles mesmos, unem-se contra ela. Eles acusam-na de intrigas sombrias pois ela conseguiu levar à missa, e talvez inspirar uma certa devoção ao velho doutor até então agnóstico. Eles se inquietam à medida que as relações do velho com o padre se tornam excelentes.

A cobiça de um dos herdeiros, Minoret-Levrault, vai instigá-lo a roubar os títulos de renda destinados a assegurar o futuro da jovem. Reduzida à pobreza e em meio às perseguições e intrigas inspiradas pelo culpado, Úrsula definha, seu estado de saúde leva a crer que sua morte é próxima, ardentemente esperada pelos mais gananciosos. Enviam-lhe cartas anônimas, calúnias, chantagens. Mas a inocência triunfará. Apoiada pelo amor de Savinien de Portenduère (Saviniano na edição brasileira organizada por Paulo Rónai), e pelos amigos do doutor, ajudada, também, por revelações misteriosas recebidas em sonho, Úrsula finalmente recupera seus direitos e encontra a felicidade que ela merece. Ela desposa Saviniano, que faz uma bela carreira na marinha graças à ajuda de seu tio-avô, o conde de Kergarouët.

Referências

  1. Honoré de Balzac. A comédia humana. Org. Paulo Rónai. Porto Alegre: Editora Globo, 1954. Volume V.
  2. Paulo Rónai, Prefácio de Úrsula Mirouët.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • (fr) Anne-Marie Baron, « Mélodrame et feuilleton : la revendication théâtrale dans Ursule Mirouët », Balzac, Œuvres complètes : le Moment de La Comédie humaine, Claude Duchet et Isabelle Tournier, Éd. et intro., Saint-Denis, PU de Vincennes, 1993, p. 243-56.
  • (fr) Claudie Bernard, « La Dynamique familiale dans Ursule Mirouët de Balzac », French Forum, May 1999; 24 (2), p. 179-202.
  • (fr) Ralph Heyndels, « Théorie du roman/Roman de la théorie : une réflexion critique à partir de Jacques le fataliste (Diderot), Ursule Mirouët (Balzac) et La Mise à mort (Aragon) », French Literature Series, 1984, n° 11, p. 23-32.
  • (fr) Jean Homayoun Mazahéri, « La Conversion du Dr Minoret dans Ursule Mirouët de Balzac », Lettres Romanes, fév.-mai 2001, n° 55 (1-2), p. 53-66.
  • (fr) Bertrand Méheust, « Balzac et le magnétisme animal : Louis Lambert, Ursule Mirouët, Séraphîta », Traces du mesmérisme dans les littératures européennes du XIX×10{{{1}}} siècle, Bruxelles, actes du colloque du 9-11 novembre 1999, 2001.
  • (en) Armine Kotin Mortimer, « Balzac and Poe: Realizing Magnetism », Dalhousie French Studies, Summer 2003, n° 63, p. 22-30.
  • (en) Armine Kotin Mortimer, « Balzac’s Ursule Mirouët: Genealogy and Inheritance », Modern Language Review, Oct. 1997; 92 (4), p. 851-63.
  • (fr) Nicole Mozet,« Ursule Mirouët ou le test du bâtard », Balzac, Œuvres complètes : le Moment de La Comédie humaine, Claude Duchet, Éd. et intro., Isabelle Tournier, Éd. et intro., Saint-Denis, PU de Vincennes, 1993, p. 217-28.
  • (fr) Michel Nathan, « Religion et roman : à propos de Ursule Mirouët », Balzac : l’Invention du roman, Claude Duchet, Éd., Jacques Neefs, Éd., Paris, Belfond, 1982, p. 85-98.
  • (en) Allan H. Pasco, « Ursule Through the Glass Lightly », French Review, Oct 1991, n° 65 (1), p. 36-45.
  • (en) Michael Tilby, « Balzac’s Magnetic Saints: A Note on Ursule Mirouët », French Studies Bulletin, Summer 2005, n° 95, p. 12-15.
  • (en) Michael Tilby, « Ursule Mirouët, or Balzac and the Coach to Paris » Moving Forward, Holding Fast: The Dynamics of Nineteenth-Century French Culture, Barbara T. Cooper et Mary Donaldson-Evans, Éd. et intro., Amsterdam, Rodopi; 1997, p. 53-66

Ligações externas[editar | editar código-fonte]