Sur Catherine de Médicis

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Sur Catherine de Médicis
Autor(es) Honoré de Balzac
Idioma Francês
País  França
Assunto Catarina de Médici
Género Estudo filosófico
Série Études philosophiques
Editora Souverain- Furne
Lançamento 1830-1842
Cronologia
L'Auberge rouge
L'élixir de longue vie

Sur Catherine de Médicis (em português, Sobre Catarina de Médicis[1]) é um romance histórico de Honoré de Balzac, qualificado como "estranho" por Claudie Bernard[2], com justiça quando se lê a história do texto[3] que se espalha de 1830 a 1842. Começada em uma época em que Balzac produzia ainda as obras de juventude diretamente inspiradas por Walter Scott[4], terminada depois da publicação das principais obras da Comédia Humana, essa obra em três partes, às quais se junta uma quarte à guisa de Introdução, oscila entre vários gêneros: documentário, discurso defensivo, romance, conto fantástico, até mesmo ensaio.

Na Introdução, publicada em 1842 por Souverain sob o título de Catarina de Médicis explicada, Balzac exorta o leitor a repensar seu julgamento sobre uma rainha considerada sanguinária e que enfrentou, portanto, dilemas cruéis.

A segunda parte, O mártir calvinista, faz surgir uma pesonagem imaginária: Cristophe Lecamus, filho do curtidor de Catarina de Médicis, calvinista comprometido com os complôs da rainha, que sofre terríves suplícios e que guarda silêncio para não comprometer a soberara. Publicada em 1841 no Siècle, junta-se aos Estudos filosóficos da edição Souverain em 1842. Esse episódio da vida do escritor Balzac é, de uma certa forma, contado nas Ilusões perdidas[5].

A terceira parte, A confidência dos Ruggieri, publicada em 1836 na Chronique de Paris, reeditada em volume na seção dos Estudos filosóficos em 1837, retraça os amores de Charles IX com Marie Touchet um pouco depois do Massacre da noite de São Bartolomeu.

A quarta parte, intitulada Os dois sonhos, publicada em 1830 na Revue des Deux Mondes, depois em 1831 nos Romances e contos filosóficos, é uma forma de narrativa fantástica. Ao longo de um jantar ao final do século XVII, dois convivas, um advogado e outro cirugião (supostamente Robespierre e Marat) contam como Catarina de Médicis lhes apareceu em sonhos para glorificar os "massacres purificadores".

As quatro partes serão reunidas na segunda edição Furne da Comédia em 1846.

Referências

  1. Honoré de Balzac. A comédia humana. Org. Paulo Rónai. Porto Alegre: Editora Globo, 1954. Volume XVI
  2. Nota sobre Catherine de Médicis por Claudie Bernard (em francês)
  3. Nicole Cazauran, "História de Sur Catherine de Médicis", la Pléiade, 1980 t.XI, p.1258, para a tabela histórica e p.1257-1271 para a história do texto em si (em francês)ISBN 2070108767
  4. Les Chouans é provavelmente o ápice dessa fase.
  5. Nathalie Cazauran destaca em Lucien de Rubempré uma semelhança com Balzac e suas dificuldades em publicar seus primeiros romances históricos. Lucien de Rubempré tem dificuldades em escrever e nunca chega a publicar L’Archer de Charles IX (O arqueiro de Charles IX). Mais tarde, Balzac publicará, com as mesmas dificuldades, O mártir calvinista, primeira parte de seu estudo filosófico. (La Pléiade, 1980, t. XI, p.140)