La Maison Nucingen

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La Maison Nucingen
A casa Nucingen (PT)
Autor(es) Balzac
Idioma Língua francesa
País  França
Série Scènes de la vie Parisienne
Editora Edmond Werdet
Lançamento 1838
Edição portuguesa
Tradução Assis de Carvalho
Editora Comp. Nacional Ed.
Lançamento 1891
Páginas 128
Cronologia
César Birotteau
Splendeurs et misères des courtisanes

La Maison Nucingen (em português A casa Nucingen[1]) é um romance de Honoré de Balzac escrito em 1837, publicado em La Presse, de outubro a novembro de 1837, editado em volume em 1838 por Werdet. Faz parte das Cenas da vida parisiense da Comédia Humana. O título inicialmente previsto por Balzac era La Haute Banque (O alto banco), termo que designava na época um punhado de banqueiros que havia adquirido uma preponderância absoluta nos mercados financeiros, grupo de que Nucingen fazia parte.

O barão Nucingen aparece pela primeira vez em Le Père Goriot, depois em Melmoth Apaziguado, onde ele é evocado por intermédio de seu caixeiro. Balzac não havia terminado a escrita de Melmoth apaziguado quando começa a construção de La Maison Nucingen. Em realidade, nos dois romances, o autor se inspira pela mesma matéria: a especulação da bolsa e a agiotagem que fazem mania em uma época de industrialização sem precedente, na qual a loucura dos investimentos de risco podem conduzir ao triunfo ou à ruína. Mas se Nucingen fica próximo à realidade, Melmoth (classificado nos Estudos filosóficos), tendo vendido sua alma ao diabo, lembra o mito de Fausto.

Enredo[editar | editar código-fonte]

Eugène de Rastignac tornou-se amante de Delphine de Nucingen, esposa do grande banqueiro Nucingen, em 1819, em Le Père Goriot. Em 1833, data em que começa a narrativa, ele rompe com Delphine, mas continua a trabalhar com o marido desta nos negócios fraudulentos, nos quais ele ganha muito dinheiro, a ponto de se encontrar em posição de pretender o título de Par da França.

No salão particular de um célebre restaurante parisiense, um homem surpreende a conversa de quatro jornalistas animados em um bom jantar: Andoche Finot, Émile Blondet, Couture e Jean-Jacques Bixiou. Este comenta o espantoso sucesso de Rastignac, que deve à casa Nucingen, o famoso banco parisiense. Nuncingen pensa "que o dinheiro não é um poder senão quando vem em quantidades despropositadas", razão pela qual ele se lança a operações complexas que se podem resumir da seguinte forma: ele faz subir o preço de títulos e compra-os de volta quando os faz baixar artificialmente. Ele vai até mesmo usar homens de bem considerados na esfera parisiense, da qual Rastignac faz parte, para fazer crer sua ruína iminente e para alimentar o pânico que lhe permite, então, especular a taxas fantasiosas. Nucingen tem a arte de combinar falsas bancarrotas, de avançar seus peões sob a forma de espantalhos. Ele se encontra, assim, à frente de enormes capitais e pode comprar de volta a preços muito baixos as ações que ele havia primeiramente feito superestimar, depois baixar.

Sua primeira liquidação permite-lhe adquirir um luxuoso hotel particular e se lançar em um extravagante negócio em comandita para ações das minas de Worschin. Ele poderá fazer malabarismos com uma segunda, depois terceira liquidação. Nucingen utiliza um grande número de espantalhos, entre os quais o respeitável Rastignac, conde des Lupeaulx que se enriqueceu totalmente às suas custas. Enquanto isso, ele faz perder muito dinheiro o hábil Ferdinand du Tillet, que o admira por isso e toma lição de seus métodos.

Balzac expõe aqui um verdadeiro tratado técnico financeiro tal qual funcionava em um período de atividade febril da bolsa, não muito distante dos métodos praticados em nossa época. Ele tinha seus olhos sobre o exemplo do banqueiro Laffitte, e sobretudo do banqueiro Beer León Fould, que se encontrou duas vezes em inadimplência (1799 e 1810), mas que se reergueu a partir de 1825 e foi contado entre os membros do "alto banco".

As manobras de dupla ou tripla liberação de Nucingen dão vertigem e compreende-se aqui a expressão lançada por Guizot: Enriqueça-te!

Filme[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Honoré de Balzac. A comédia humana. Org. Paulo Rónai. Porto Alegre: Editora Globo, 1954. Volume VIII

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • (fr) Ruth Amossy, « Du banquet au roman ‘réaliste’ : la Maison Nucingen », Le Roman de Balzac : recherches critiques, méthodes, lectures, Montréal, Didier, 1980, p. 153-62.
  • (fr) Maurice Bouvier-Ajam, « Les Opérations financières de la Maison Nucingen », Europe, 1965, n° 429-30, p. 28-53.
  • (fr) Roger J. B. Clark, « Vers une édition critique de La maison Nucingen », Balzac and the Nineteenth Century: Studies in French Literature Presented to Herbert J. Hunt, Leicester, Leicester U.P., 1972, p. 85-97.
  • (fr) Danielle Dupuis, « Du Neveu de Rameau à La Maison Nucingen », L'Année balzacienne, 1997, n° 18, p. 221-34.
  • (fr) Andrea Goulet, « Optiques: The Science of the Eye and the Birth of Modern French Fiction », Philadelphia, U of Pennsylvania P., 2006.
  • (fr) Patricia Kinder, « Balzac, Girardin et la publication de La Maison Nucingen », L’Année balzacienne, 1979, p. 15-46.
  • (fr) Armine Kotin, « La Maison Nucingen, ou le récit financier », Romanic Review, 1978, n° 69, p. 60-71.
  • (fr) Anne-Marie Meininger, « Nucingen : d’une révolution l’autre », L’Année balzacienne, 1990, n° 11, p. 77-88.
  • (fr) Alexandre Péraud, « Sociopoétique de la rumeur dans Lucien Leuwen, La Maison Nucingen et Le Comte de Monte Cristo », Stendhal, Balzac, Dumas : un récit romantique ?, Toulouse, PU du Mirail, 2006, p. 301-17.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]