Afro-argentinos

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Afro-argentino
Africano Argentino
Ramón CarrilloHiginio D. Cazón.jpg
Argentinos Afros notáveis:
Ramón Carrillo
Gabino Ezeiza
Higinio D. Cazón
Argentina
População total

52.000[1]
0.1% da população da Argentina

Regiões com população significativa
Buenos Aires
Línguas
Espanhol
Religiões
Predominante Catolicismo Romano
Grupos étnicos relacionados
Afro-latino-americano, Cabo verdiano argentino, Afro-brasileiro, Afro-uruguaio

A população negra da Argentina é procedente do tráfico de escravos durante os séculos de dominação espanhola no Vice-reino do Rio da Prata, contando um papel importante na história argentina. Chegando a formar mais da metade da população de algumas províncias durante os séculos XVIII e XIX, e exerceu um profundo impacto sobre a cultura nacional.

O número de negros diminuiu significativamente ao longo do século XIX, como resultado de um efeito migratório na Argentina fomentado pela Constituição de 1853 e da elevada mortalidade de negros no país, consequente da condição de pobreza em que estes viviam até então. Em 2006 se realizou um censo piloto sobre esta questão, nos bairros de Monserrat, em Buenos Aires, e em Santa Rosa de Lima, em Santa Fe, verificando-se que 5% da população argentina sabia que tinham antepassados vindos da África negra e que 20% considerava que poderia ter antepassados negros mas não tinham certeza. Este estudo foi feito pelo Centro de Genética da Faculdade de Filosofia e Letras de Buenos Aires que estimou também que 4,3% da população de Buenos Aires tinham registros genéticos africanos.[2] [3] Na região de La Plata, as contribuições européia, indígena e africana foram, respectivamente, 67.55% (+/-2.7), 25.9% (+/-4.3), e 6.5% (+/-6.4). [4] Quanto à população de Mendoza, um estudo genético encontrou a seguinte composição autossômica (DNA herdado tanto por parte de mãe quanto por parte de pai e que permite inferir toda a ancestralidade de um indivíduo): 46,80% de ancestralidade européia, 31,60% indígena e 21,50% africana.[5]


Influência cultural[editar | editar código-fonte]

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O tango, música afro-rioplatense.

Possivelmente o efeito mais duradouro da influência negra na Argentina seja o tango, que cobre parte das características e das festividades e cerimônias que os escravos faziam nos chamados tangós, que eram as casas de reuniões em que se agruparam com permissão dos seus patrões. A milonga e a chacarera também vêm desta influência, assim como a payada. O pianista Rosendo Mendizábal, autor de El entrerriano, era negro, assim como Cayetano Silva, compositor da música da Marcha de San Lorenzo. E Zenón Rolón, que escreveu a marcha fúnebre que em 1882 foi executada em honra ao libertador José de San Martín ao retornar seu corpo a Argentina.

A linguagem argentina está repleta de terminações africanas, por exemplo, mina (utilizado como sinônimo de mujer), mucama, mondongo, quilombo, banana, arroró, marote. No ámbito religioso, é venerado o santo San Baltasar —o rei mago negro, e também, o santo San Benito.

Todavia, o racismo continua no país, os termos negrita, morocho ou cabecita negra —dirigidos a pessoas de outra classe social, mas com um forte conteúdo semântico vinculado a raça seguem sendo utilizados.[parcial?]

Poemas de afro-argentinos[editar | editar código-fonte]

En medio de mi pueblo estoy aislado,
porque donde mi cuna se meció
con ímpetu arrojada de su lado,
una raza de parias ha quedado
y a aquella raza pertenezco yo.
Y ni patria tenemos, si existe,
de su seno nos supo conscribir;
las cargas sean para un hombre triste.
Y si un solo derecho nos asiste,
ha de ser el derecho de morir.
(1869) Horacio Mendizabal, poeta afroportenho.
Ah maldito, maldito mil veces
seas blanco sin fe, tu cruel memoria
es eterno baldón para tu historia.
(1878) Casildo Thompson, poeta afroportenho.
Ya no hay negros botelleros,
ni tampoco changador,
ni negro que vende fruta,
mucho menos pescador;
porque esos napolitanos
hasta pasteleros son
y ya nos quieren quitar
el oficio de blanqueador.
Ya no hay sirviente de mi color
porque bachichas toditos son;
dentro de poco ¡Jesús por Dios!
bailarán zamba con el tambor.
Anônimo, provavelmente no final do século XIX.

Categorias raciais coloniais[editar | editar código-fonte]

Durante a colônia, as autoridades espanholas qualificaram várias "raças", aquelas derivadas da união de pessoas negras africanas com pessoas de outras origens étnicas. Os nomes utilizados foram:

  • Mulato: entre negro/a e branco/a.
  • Tercerão: entre branco/a e mulato/a.
  • Quarterão: entre branco/a e terceirãos/a.
  • Quinterão: entre branco/a e quarterão/a.
  • Zambos: entre negro/a e índio/a.
  • Zambos pretos: que tinham forte cor negra.
  • Salto atrás: quando uma criança era mais negra que seus pais.
Estas classificações eram utilizadas para estigmatizar as pessoas e impedir seu acesso social. Em alguns casos, conhecidas personalidades históricas se encontraram nesta situação, como Bernardo de Monteagudo e Bernardino Rivadavia que foram classificados como "mulatos".

Esta passagem carece de fontes

Organizações[editar | editar código-fonte]

Em 9 de Outubro de 2006, foi criado o Foro de Afrodescendientes y Africanos en la Argentina (em português, "Fórum de Afrodescendentes e Africanos da Argentina"), com o objetivo de promover o pluralismo social e cultural e a luta contra a discriminação de uma população que no país alcançaria mais de 2 milhões de habitantes.[2]

O "Instituto Nacional contra a Discriminação" (INADI) é o organismo público encaregado de combater a discriminação e o racismo na Argentina.

Referências

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Gomes, Miriam Victoria. La presencia negroafricana en la Argentina. Pasado y permanencia. [S.l.: s.n.], 1970.
  • Gonzalez Arzac, Alberto. La esclavitud en la Argentina. [S.l.: s.n.], 1974.
  • Lanuza, José Luis. Morenada: una historia de la raza africana en el Río de la Plata. [S.l.: s.n.], 1967.
  • Ruchansky, Emilio. ¿Negros en Buenos Aires?. [S.l.: s.n.], 2006. vol. Documentación. [1] Consultada el 15 de julio de 2006
  • Schávelzon, Daniel. Buenos Aires negra, arqueología histórica de una ciudad silenciada.. [S.l.: s.n.], 1999. ISBN 9500424592
  • Wilde, José Antonio. Buenos Aires desde setenta años atrás. [S.l.: s.n.]. [2]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]