Carlos Buttice

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Carlos Buttice
Buttice 1968.jpg
Buttice, no San Lorenzo, em 1968
Informações pessoais
Nome completo Carlos Adolfo Buttice
Data de nasc. 17 de Dezembro de 1942 (71 anos)
Local de nasc. Monte Grande,  Argentina
Apelido El Batman
Informações profissionais
Clube atual Aposentado
Posição Goleiro
Clubes profissionais
Anos Clubes Jogos (golos/gols)
1964
1965
1966-1971
1971
1972-1974
1974
1975
1976
1977-1980
1981-1982
1983
Argentina Los Andes
Argentina Huracán
Argentina San Lorenzo
Brasil América
Brasil Bahia
Brasil Corinthians
Argentina Atlanta
Argentina Gimnasia y Esgrima La Plata
Chile Unión Española
Argentina Banfield
Argentina Colón
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14 (0)
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Seleção nacional
1966-1970/1987 Flag of Argentina.svg Argentina ? (0)
Los Matadores, o elenco do San Lorenzo campeão argentino invicto em 1968. Buttice é o goleiro.

Carlos Adolfo Buttice (Monte Grande, Argentina, 17 de dezembro de 1942), mais conhecido como Carlos Buttice, ou simplesmente Buttice, é um ex-futebolista argentino que atuava como goleiro.

Goleiro forte, comparado a gladiadores, era também ágil na saída de gol. Dotado de grande impulsão, recebeu da imprensa argentina o apelido de Batman pelos voos que executava para defender bolas altas, sabendo que eram o melhor tipo de tentativa dos atacantes adversários após ele bloquear-lhe os ângulos. Também não se eximia de sair do gol para tentar roubar-lhes a bola com carrinhos,[1] chegando inclusive a driblar os adversários.[2]

Carreira[editar | editar código-fonte]

Debutou em 1964, no Los Andes, pequeno time de Lomas de Zamora, na Grande Buenos Aires. No ano seguinte, foi emprestado a uma equipe maior, o Huracán, onde atraiu a atenção do rival San Lorenzo, um dos cinco grandes do futebol argentino. Ao fim do empréstimo ao clube de Parque Patricios, teve seu passe vendido ao de Boedo, passando a jogar pelo Ciclón em 1966.[3] Logo exibiu boa fase, recebendo sua primeira convocação para a Seleção Argentina ainda naquele ano, já após a Copa do Mundo da Inglaterra.[3]

No novo clube, teria seu melhor momento em 1968, integrando a equipe conhecida como Los Matadores, que fez do San Lorenzo o primeiro time a sagrar-se campeão argentino de forma invicta.[4] Na final, os azulgranas bateram o forte Estudiantes de La Plata, campeão da Taça Libertadores da América daquele ano (e dos dois seguintes).[5]

Em 1971, o San Lorenzo encontrava-se em crise financeira. Buttice, que chegou a ter salários atrasados, adquiriu então passe livre. Apesar de propostas francesas e mexicanas, veio jogar no Brasil: por indicação de Zezé Moreira, o America acertou com Buttice.[3] Todavia, seria um dos goleiros americanos que, na visão do torcedor, foram atingidos por uma praga emitida por antigo goleiro dispensado pela equipe carioca. Fato é que não se firmou.[6] No ano seguinte, foi para o Bahia. Chegou a ser contestado pela torcida tricolor, sendo um dos bodes expiatórios da perda do campeonato baiano naquele 1972;[7] De fato, um dos três gols sofridos na decisão, contra o arquirrival Vitória, vieram de um pênalti que ele cometera.[8]

Em 1973, no entanto, viveu grande fase. Fez parte da espinha-dorsal montada pelo técnico Evaristo de Macedo da equipe que voltou a ser campeã estadual, abrindo caminho para uma série que culminaria em um heptacampeonato.[9] No campeonato brasileiro, por sua vez, teve grandes exibições e ficou próximo de faturar não só a Bola de Prata como melhor goleiro, como também a Bola de Ouro - seu compatriota Agustín Cejas, de quem fora reserva na Seleção Argentina, acabaria faturando ambos os prêmios.[10] O técnico Sylvio Pirillo, que já o havia indicado ao Bahia,[3] voltou a recomendar sua contratação, quando foi treinar o Corinthians.[11]

Buttice chegou ao Parque São Jorge para ser reserva de Ado, mas ganhou a posição.[11] Um dos novos colegas, Rivellino, ele já conhecia bem: ainda no San Lorenzo, em partida contra o próprio Corinthians, ele defendeu uma característica Patada Atômica em pênalti cobrado por Riva. O impacto fora tão forte que tatuou no peito do goleiro o crucifixo que carregava no pescoço.[12] El Batman teve boas atuações, mas acabaria marcado, junto com o próprio Rivellino, pela perda do Paulistão daquele ano, que encerraria um jejum de vinte anos do alvinegro.[13] Para piorar, a taça foi perdida para o rival Palmeiras, que venceu por 1 x 0 o segundo jogo da decisão (o primeiro terminara empatado em 1 x 1). Em um lance de bola parada do adversário, Leivinha subiu mais do que toda a defesa corintiana e cabeceou, com a bola caindo exatamente no pé direito de Ronaldo. O chute saiu forte, indefensável, no canto esquerdo de Buttice.[14]

Alegando problemas particulares, Buttice deixou o Corinthians, do qual ainda nutre carinho pela torcida, além de gabar-se de ser o argentino que mais enfrentou Pelé, com quinze jogos, sem nunca ter levado gol dele.[11] O goleiro regressou à Argentina, contratado pelo Atlanta. Já vetarano, passaria ainda por Gimnasia y Esgrima La Plata, Unión Española (clube do Chile)onde tambem foi campeao em 1977, Banfield (curiosamente, rival do Los Andes, onde ele começara a carreira) e Colón, onde encerrou em 1983 a carreira.

Seleção[editar | editar código-fonte]

Buttice recebeu sua primeira convocação para a Seleção Argentina em 1966, já após a Copa do Mundo da Inglaterra, no mesmo ano em que chegou ao San Lorenzo. Ficou como o reserva de Agustín Cejas nas eliminatórias para a Copa do Mundo de 1970.[3] A Albiceleste, porém, acabou eliminada em plena La Bombonera pelo Peru.[15]

Já aposentado profissionalmente, Buttice voltou a defender seu país. Foi em 1987, na primeira edição da Copa Pelé, pequeno campeonato mundial de seleções formadas por ex-jogadores que atraiu grande público e audiência, em face da má fase da Seleção Brasileira na época. O torneio, idealizado por Luciano do Valle e transmitido pela TV Bandeirantes, foi um sucesso, reunindo a Itália de Giacinto Facchetti, Enrico Albertosi, Roberto Boninsegna e José João "Mazzola" Altafini, a Alemanha Ocidental de Wolfgang Overath, Lothar Emmerich, Klaus Fischer e Uwe Seeler, o Brasil (treinado pelo próprio Luciano) de Djalma Dias, Rivellino, Dario, Carpeggiani e Jairzinho, além da própria Argentina e do Uruguai.[16] [17]

Juntamente de Miguel Ángel Brindisi, Carlos Babington e Oscar Más, a Argentina surpreendeu, vencendo o favorito e anfitrião Brasil na decisão - já havia derrotado os rivais também na primeira fase.[16] [17] Buttice saiu como a grande figura, eleito o melhor jogador da competição. Prometera a Luciano do Valle que fecharia o gol na decisão e assim o fez. "Devemos metade da vitória ao Buttice", declarou o técnico argentino, Carmelo Faraone. "Nem quando jogava comigo lá no Corinthians esse gringo pegava tanto", admirou-se Rivellino.[18] "Passamos o jogo inteiro pressionando e o Buttice pegou tudo", afirmou Luciano. El Batman também participou da segunda edição da Copa Pelé, dois anos depois,[19] finalmente vencida pelos brasileiros. A competição de masters, inicialmente de grande repercussão, acabaria perdendo posteriormente o apelo comercial e de público e seria disputada pela última vez em 1995.[20]

Títulos[editar | editar código-fonte]

Internacionais[editar | editar código-fonte]

Argentina Seleção Argentina

Nacionais[editar | editar código-fonte]

Argentina San Lorenzo

Brasil Bahia

Chile Unión Española

Campanhas de destaque[editar | editar código-fonte]

Brasil Corinthians

Referências

  1. ELIAS, Nacif (7 de maio de 1971). Buttice, um Batman. Placar n. 60. Editora Abril, p. 22
  2. ESCARIZ, Fernando (22 de julho de 1977). Cola na mão e bola no pé. Placar n. 378. Editora Abril, pp. 36-37
  3. a b c d e LIBÓRIO, Carlos (14 de dezembro de 1973). Eu quero é voar!. Placar n. 196. Editora Abril, p. 16
  4. AZEDO, Maurício; QUADROS, Raul (10 de novembro de 1977). A pose do malandro. Placar n. 394. Editora Abril, pp. 4-6
  5. Que 40 años no es nada. El Gráfico (04/08/2008). Página visitada em 18/07/2011.
  6. ANDRADE, Aristélio (1 de junho de 1973). A praga de Pompeia. Placar n. 168. Editora Abril, pp. 26-27
  7. MENDES, Roque (13 de novembro de 1981). Ba-Vi. Placar n. 600. Editora Abril, pp. 54-57
  8. ESCARIZ, Fernando (30 de março de 1979). Três exus contra os Santos do Bahia (e um advogado que ninguém lembra). Placar n. 466. Editora Abril, pp. 32-33
  9. RIOS, Nelson (28 de janeiro de 1988). Vejam quem voltou. Placar n. 921. Editora Abril, pp. 26-27
  10. IV Bola de Prata (14 de dezembro de 1973). Placar n. 196. Editora Abril, pp. 36-37
  11. a b c ANDRADE, Bruno (07/07/2010). Capitão América, o novo super-herói do Corinthians. Lancenet. Página visitada em 18/07/2011.
  12. Patada explosiva (novembro de 1999). Placar - Especial "Os Craques do Século". Editora Abril, p. 25
  13. MELO, Tiago (22/09/2010). Desculpe, foi engano. Futebol Portenho. Página visitada em 18/07/2011.
  14. DA Guia, Ademir (julho de 1993). Para calar o Morumbi. Placar n. 1085. Editora Abril, pp. 19-21
  15. El día que Perú enmudeció a la Bombonera. FIFA. Página visitada em 18/07/2011.
  16. a b A classe dos masters (novembro de 2004). Placar n. 1276. Editora Abril, p. 81
  17. a b Tabelão (26 de janeiro de 1987). Placar n. 869. p. 59
  18. BORGES, Ari; ASSUMPÇÃO, Betise (26 de janeiro de 1987). Os intocáveis do Rio de Prata. Placar n. 869. Editora Abril, pp. 16-21
  19. Tabelão (27 de janeiro de 1989). Placar n. 972. Editora Abril, p. 41
  20. BERTOZZI, Leonardo; DONATO, Mauro (março de 2007). O dia em que Beckenbauer jogou no Canindé. Trivela n. 13. Pool Editora, pp. 40-44

Ligações externas[editar | editar código-fonte]