Carlos Buttice
Carlos Adolfo Buttice (Monte Grande, 17 de dezembro de 1942) é um ex-futebolista argentino que atuava como goleiro.
Goleiro forte, comparado a gladiadores de filmes bíblicos, era também ágil na saída de gol. Dotado de grande impulsão, recebeu da imprensa argentina o apelido de Batman pelos voos que executava para defender bolas altas, sabendo que eram o melhor tipo de tentativa dos atacantes adversários após ele bloquear-lhe os ângulos. Também não se eximia de sair do gol para tentar roubar-lhes a bola com carrinhos,1 chegando inclusive a driblar os adversários.2
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[editar] Carreira em clubes
Debutou em 1964, no Los Andes, pequeno time de Lomas de Zamora, na Grande Buenos Aires. No ano seguinte, foi emprestado a uma equipe maior, o Huracán, onde atraiu a atenção do rival San Lorenzo, um dos cinco grandes do futebol argentino. Ao fim do empréstimo ao clube de Parque Patricios, teve seu passe vendido ao de Boedo, passando a jogar pelo Ciclón em 1966.3 Logo exibiu boa fase, recebendo sua primeira convocação para a Seleção Argentina ainda naquele ano, já após a Copa do Mundo da Inglaterra.3
No novo clube, teria seu melhor momento em 1968, integrando a equipe conhecida como Los Matadores, que fez do San Lorenzo o primeiro time a sagrar-se campeão argentino de forma invicta.4 Na final, os azulgranas bateram o forte Estudiantes de La Plata, campeão da Taça Libertadores da América daquele ano (e dos dois seguintes).5
Em 1971, o San Lorenzo encontrava-se em crise financeira. Buttice, que chegou a ter salários atrasados, adquiriu então passe livre. Apesar de propostas francesas e mexicanas, veio jogar no Brasil: por indicação de Zezé Moreira, o America acertou com Buttice.3 Todavia, seria um dos goleiros americanos que, na visão do torcedor, foram atingidos por uma praga emitida por antigo goleiro dispensado pela equipe carioca. Fato é que não se firmou.6 No ano seguinte, foi para o Bahia. Chegou a ser contestado pela torcida tricolor, sendo um dos bodes expiatórios da perda do campeonato baiano naquele 1972;7 De fato, um dos três gols sofridos na decisão, contra o arquirrival Vitória, vieram de um pênalti que ele cometera.8
Em 1973, no entanto, viveu grande fase. Fez parte da espinha-dorsal montada pelo técnico Evaristo de Macedo da equipe que voltou a ser campeã estadual, abrindo caminho para uma série que culminaria em um heptacampeonato.9 No campeonato brasileiro, por sua vez, teve grandes exibições e ficou próximo de faturar não só a Bola de Prata como melhor goleiro, como também a Bola de Ouro - seu compatriota Agustín Cejas, de quem fora reserva na Seleção Argentina, acabaria faturando ambos os prêmios.10 O técnico Sylvio Pirillo, que já o havia indicado ao Bahia,3 voltou a recomendar sua contratação, quando foi treinar o Corinthians.11
Buttice chegou ao Parque São Jorge para ser reserva de Ado, mas ganhou a posição.11 Um dos novos colegas, Rivellino, ele já conhecia bem: ainda no San Lorenzo, em partida contra o próprio Corinthians, ele defendeu uma característica Patada Atômica em pênalti cobrado por Riva. O impacto fora tão forte que tatuou no peito do goleiro o crucifixo que carregava no pescoço.12 El Batman teve boas atuações, mas acabaria marcado, junto com o próprio Rivellino, pela perda do Paulistão daquele ano, que encerraria um jejum de vinte anos do alvinegro.13 Para piorar, a taça foi perdida para o rival Palmeiras, que venceu por 1 x 0 o segundo jogo da decisão (o primeiro terminara empatado em 1 x 1). Em um lance de bola parada do adversário, Leivinha subiu mais do que toda a defesa corintiana e cabeceou, com a bola caindo exatamente no pé direito de Ronaldo. O chute saiu forte, indefensável, no canto esquerdo de Buttice.14
Alegando problemas particulares, Buttice deixou o Corinthians, do qual ainda nutre carinho pela torcida, além de gabar-se de ser o argentino que mais enfrentou Pelé, com quinze jogos, sem nunca ter levado gol dele.11 O goleiro regressou à Argentina, contratado pelo Atlanta. Já vetarano, passaria ainda por Gimnasia y Esgrima La Plata, Unión Española (clube do Chile)onde tambem foi campeao em 1977, Banfield (curiosamente, rival do Los Andes, onde ele começara a carreira) e Colón, onde encerrou em 1983 a carreira.
[editar] Seleção
Buttice recebeu sua primeira convocação para a Seleção Argentina em 1966, já após a Copa do Mundo da Inglaterra, no mesmo ano em que chegou ao San Lorenzo. Ficou como o reserva de Agustín Cejas nas eliminatórias para a Copa do Mundo de 1970.3 A Albiceleste, porém, acabou eliminada em plena La Bombonera pelo Peru.15
Já aposentado profissionalmente, Buttice voltou a defender seu país. Foi em 1987, na primeira edição da Copa Pelé, pequeno campeonato mundial de seleções formadas por ex-jogadores que atraiu grande público e audiência, em face da má fase da Seleção Brasileira na época. O torneio, idealizado por Luciano do Valle e transmitido pela TV Bandeirantes, foi um sucesso, reunindo a Itália de Giacinto Facchetti, Enrico Albertosi, Roberto Boninsegna e José João "Mazzola" Altafini, a Alemanha Ocidental de Wolfgang Overath, Lothar Emmerich, Klaus Fischer e Uwe Seeler, o Brasil (treinado pelo próprio Luciano) de Djalma Dias, Rivellino, Dario, Carpeggiani e Jairzinho, além da própria Argentina e do Uruguai.16 17
Juntamente de Miguel Ángel Brindisi, Carlos Babington e Oscar Más, a Argentina surpreendeu, vencendo o favorito e anfitrião Brasil na decisão - já havia derrotado os rivais também na primeira fase.16 17 Buttice saiu como a grande figura, eleito o melhor jogador da competição. Prometera a Luciano do Valle que fecharia o gol na decisão e assim o fez. "Devemos metade da vitória ao Buttice", declarou o técnico argentino, Carmelo Faraone. "Nem quando jogava comigo lá no Corinthians esse gringo pegava tanto", admirou-se Rivellino.18 "Passamos o jogo inteiro pressionando e o Buttice pegou tudo", afirmou Luciano. El Batman também participou da segunda edição da Copa Pelé, dois anos depois,19 finalmente vencida pelos brasileiros. A competição de masters, inicialmente de grande repercussão, acabaria perdendo posteriormente o apelo comercial e de público e seria disputada pela última vez em 1995.20
[editar] Títulos
- San Lorenzo
- Campeonato Argentino: Metropolitano 1968
- Bahia
- Campeonato Baiano: 1973, 1974
- Union Espanola
- Campeonato Chileno: 1977
Referências
- ↑ ELIAS, Nacif (7 de maio de 1971). Buttice, um Batman. Placar n. 60. Editora Abril, p. 22
- ↑ ESCARIZ, Fernando (22 de julho de 1977). Cola na mão e bola no pé. Placar n. 378. Editora Abril, pp. 36-37
- ↑ a b c d e LIBÓRIO, Carlos (14 de dezembro de 1973). Eu quero é voar!. Placar n. 196. Editora Abril, p. 16
- ↑ AZEDO, Maurício; QUADROS, Raul (10 de novembro de 1977). A pose do malandro. Placar n. 394. Editora Abril, pp. 4-6
- ↑ Que 40 años no es nada. El Gráfico (04/08/2008). Página visitada em 18/07/2011.
- ↑ ANDRADE, Aristélio (1 de junho de 1973). A praga de Pompeia. Placar n. 168. Editora Abril, pp. 26-27
- ↑ MENDES, Roque (13 de novembro de 1981). Ba-Vi. Placar n. 600. Editora Abril, pp. 54-57
- ↑ ESCARIZ, Fernando (30 de março de 1979). Três exus contra os Santos do Bahia (e um advogado que ninguém lembra). Placar n. 466. Editora Abril, pp. 32-33
- ↑ RIOS, Nelson (28 de janeiro de 1988). Vejam quem voltou. Placar n. 921. Editora Abril, pp. 26-27
- ↑ IV Bola de Prata (14 de dezembro de 1973). Placar n. 196. Editora Abril, pp. 36-37
- ↑ a b c ANDRADE, Bruno (07/07/2010). Capitão América, o novo super-herói do Corinthians. Lancenet. Página visitada em 18/07/2011.
- ↑ Patada explosiva (novembro de 1999). Placar - Especial "Os Craques do Século". Editora Abril, p. 25
- ↑ MELO, Tiago (22/09/2010). Desculpe, foi engano. Futebol Portenho. Página visitada em 18/07/2011.
- ↑ DA Guia, Ademir (julho de 1993). Para calar o Morumbi. Placar n. 1085. Editora Abril, pp. 19-21
- ↑ El día que Perú enmudeció a la Bombonera. FIFA. Página visitada em 18/07/2011.
- ↑ a b A classe dos masters (novembro de 2004). Placar n. 1276. Editora Abril, p. 81
- ↑ a b Tabelão (26 de janeiro de 1987). Placar n. 869. p. 59
- ↑ BORGES, Ari; ASSUMPÇÃO, Betise (26 de janeiro de 1987). Os intocáveis do Rio de Prata. Placar n. 869. Editora Abril, pp. 16-21
- ↑ Tabelão (27 de janeiro de 1989). Placar n. 972. Editora Abril, p. 41
- ↑ BERTOZZI, Leonardo; DONATO, Mauro (março de 2007). O dia em que Beckenbauer jogou no Canindé. Trivela n. 13. Pool Editora, pp. 40-44