Clementina de Jesus

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Clementina de Jesus
Clementina de Jesus durante o Festival de Verão do Guarujá de 1981.
Informação geral
Nome completo Clementina de Jesus da Silva
Também conhecido(a) como Rainha do Partido-Alto
Nascimento 7 de fevereiro de 1901
Origem Valença, Rio de Janeiro
País  Brasil
Data de morte 19 de julho de 1987 (86 anos)
Gênero(s) Samba
Extensão vocal Contralto
Período em atividade 1963 - 1987
Gravadora(s) EMI-Odeon
Afiliação(ões) Rosa de Ouro
Pixinguinha
João da Baiana

Clementina de Jesus da Silva (Valença, 7 de fevereiro de 1901Rio de Janeiro, 19 de julho de 1987) foi uma cantora brasileira de samba. Também era conhecida como Tina ou Quelé.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Nascida na comunidade do Carambita, bairro da periferia de Valença, no sul do Rio de Janeiro,[1] mudou-se com a família para a capital aos oito anos de idade,[2] radicando-se no bairro de Osvaldo Cruz. Lá acompanhou de perto o surgimento e desenvolvimento da escola de samba Portela, frequentando desde cedo as rodas de samba da região. Em 1940 casou-se e mudou para a Mangueira. Trabalhou como doméstica por mais de 20 anos, até ser "descoberta" pelo compositor Hermínio Bello de Carvalho em 1963, que a levou para participar do show "Rosa de Ouro", que rodou algumas das capitais mais importantes do Brasil e virou disco pela Odeon, incluindo, entre outros, o jongo "Benguelê". Devota da Igreja de Nossa Senhora da Glória do Outeiro, participava de festas das igrejas da Penha e de São Jorge, cantando canções de romaria. Considerada rainha do partido alto, com seu timbre de voz inconfundível, foi homenageada por Elton Medeiros com o partido "Clementina, Cadê Você?" e foi cantada por Clara Nunes com o "P.C.J, Partido Clementina de Jesus", em 1977, de autoria do compositor da Portela Candeia.

Além deste gênero gravou corimás, jongos, cantos de trabalho etc., recuperando a memória da conexão afro-brasileira. Em 1968, com a produção de Hermínio Bello de Carvalho, registrou o histórico LP "Gente da Antiga" ao lado de Pixinguinha e João da Baiana. Gravou cinco discos solo (dois com o título "Clementina de Jesus", "Clementina, Cadê Você?" e "Marinheiro Só") e fez diversas participações, como nos discos "Rosa de Ouro", "Cantos de Escravos", Clementina e convidados e "Milagre dos Peixes", de Milton Nascimento, em que interpretou a faixa "Escravos de Jó". Em 1983 foi homenageada por um espetáculo no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, com a participação de Paulinho da Viola, João Nogueira, Elizeth Cardoso e outros nomes do samba.

Rainha Ginga. Quelé. Duas maneiras de chamar Clementina de Jesus, com a imponência do título de realeza e com a corruptela carinhosa de seu nome. Clementina evocava tais sentimentos aparentemente contraditórios. A ternura e o profundo respeito.

A ternura de negra velha sorridente. Todos com quem se envolvia tinham a compulsão de chamá-la Mãe, como a chamavam os músicos do musical Rosa de Ouro. Uma pessoa capaz de interromper um depoimento dado à televisão para discutir sobre o café com a moça que o servia. Um brilho especial nos olhos que cativou desde os mais humildes ao imperador Haile Selassié. Talvez por ter trabalhado tantos anos como empregada doméstica e ter começado a carreira artística aos 63 anos, descoberta pelo poeta Hermínio Bello de Carvalho, nunca tratava de forma diferente devido à posição social.

O respeito ao peso ancestral de sua voz: uma África que estava diluída em nossa cultura é evocada subitamente na voz e nos cânticos que Clementina aprendeu com sua mãe, filha de escravos. Clementina surgiu como o elo perdido entre a moderna cultura negra brasileira e a África Mãe.

Clementina causou uma fascinação em boa parte da MPB. Artistas tão diferentes como João Bosco, Milton Nascimento e Alceu Valença fizeram questão de registrar sua voz em seus álbuns. Apesar disso Clementina nunca foi um grande sucesso em vendagem de discos. Talvez por ter gravado quase que somente temas folclóricos, ou por sua voz não obedecer aos padrões estéticos tradicionais. O que realmente impressionava eram suas aparições no palco, onde tinha um contato direto com seu público.

Clementina, mesmo tendo iniciado tardiamente sua vida artística e com uma curta carreira, é sem dúvida uma das mais importantes artistas brasileiras. Faleceu em função de um derrame[2] na Vila Santo André - Inhaúma - Rio de Janeiro, em 19 de julho de 1987 e apesar disso, hoje em dia apenas o disco Clementina e Convidados existe em catálogo.

Discografia[editar | editar código-fonte]

Discos-solo[editar | editar código-fonte]

  • 1966 - Clementina de Jesus (Odeon MOFB 3463)
  • 1970 - Clementina, cadê você? (MIS 013)
  • 1973 - Marinheiro Só (Odeon SMOFB 3087)
  • 1976 - Clementina de Jesus - convidado especial: Carlos Cachaça (EMI-Odeon SMOFB 3899)
  • 1979 - Clementina e convidados (EMI-Odeon 064 422846)

Participações[editar | editar código-fonte]

Em 1983 foi homenageada por um espetáculo no Teatro Municipal do Rio de Janeiro,com a participação de Pauinho da Viola,João Nogueira,Elizeth Cardoso e outros nomes do Samba.

Coletâneas[editar | editar código-fonte]

  • 1999 - Raízes do Samba - Clementina de Jesus (EMI 522659-2)

Teatro[editar | editar código-fonte]

O espetáculo musical ''Clementina, Cadê Você?'' em homenagem a Clementina de Jesus estreou no Rio de Janeiro em 2013, no teatro Laura Alvim. O espetáculo teve duas indicações a prêmio pela revista eletrônica Questão de Crítica: Melhor Atriz (Ana Carbatti) e Iluminação (Renato Machado). O espetáculo estava na lista dos 10 melhores espetáculos de 2013 organizada pelo critico Daniel Schenker.

Ficha Técnica[editar | editar código-fonte]

Idealização - Cristiano Salgado

Texto - Pedro Murad

Direção - Duda Maia

Elenco - Ana Carbatti, Bruno Barreto, Bruno Quixotte, Pedro Miranda, Sergio Kauffmann, Vidal Assis e Wendell Bendelack

Direção musical - Pedro Miranda

Cenário e figurinos - Clívia Cohen

Iluminação - Renato Machado

Diretora assistente - Letícia Medella

Preparação vocal - Carol Futuro

Engenharia de som - Branco Ferreira

Operador de som - Tig Picado

Operadora de luz – Tamara Torres

Diretor de palco - Rodrigo Ferreira

Fotografia - Pedro Murad

Design - Luiz Arbex

Assessoria de imprensa: Barata Comunicação

Direção de Produção e Produção executiva: CultConsult / Elaine Moreira e Maria Inês Vale

Referências

  1. Título não preenchido, favor adicionar.
  2. a b Estadão.com.br (06/02/2002). Clementina de Jesus ganha biografia. Página visitada em 27/08/2010.