Imprensa marrom

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Imprensa marrom é uma expressão pejorativa utilizada para se referir a veículos de comunicação (principalmente jornais, mas também revistas e emissoras de rádio e TV) considerados sensacionalistas, ou seja, que buscam elevadas audiências e vendagem através da divulgação exagerada de fatos e acontecimentos, sem compromisso com a autenticidade1 2 .

É o equivalente brasileiro e português do termo em lingua inglesa "yellow journalism". Em ambos os casos registam-se transgressões da ética jornalística.

Yellow Press[editar | editar código-fonte]

Nos Estados Unidos, a expressão yellow press surgiu por causa do personagem de histórias em quadrinhos The Yellow Kid, criado por Richard Felton Outcault e um dos focos da disputa entre os jornais New York World e New York Journal American. Como as duas publicações se destacavam também pela competição levada às últimas consequências, os críticos começaram a se referir a ambas como "imprensa amarela"3 .

A expressão acabou se estendendo a outros jornais que se utilizavam dos mesmos expedientes do New York World: manchetes em letras garrafais, grandes ilustrações e exploração de dramas pessoais4 .

No Brasil[editar | editar código-fonte]

Há diferentes versões para a mudança de cor na tradução da expressão para o português. Segundo Alberto Dines, o conceito foi utilizado pela primeira vez no Diário da Noite, em 1960. Ao noticiar o suicídio de um cineasta, ele escreveu que a tragédia era resultado da atuação irresponsável da "imprensa amarela". O suicida havia sido vítima de chantagem por parte da revista Escândalo5 . O chefe de reportagem Calazans Fernandes, então, mudou para "imprensa marrom", alegando que o amarelo é uma cor alegre, enquanto o marrom seria mais apropriado por ser a cor dos excrementos6 .

No entanto, Márcia Franz Amaral sustenta que a expressão é tradução de imprimeur marron, que é como se chamavam na França os jornais impressos em gráficas clandestinas7 .

Uma terceira interpretação é de que no Brasil a cor marrom seria identificada com clandestinidade e a ilegalidade, de forma racista, desde o século XVII, por associação aos escravos fugidos ou em situação ilegal no país8 .

Características[editar | editar código-fonte]

Embora "imprensa marrom" seja normalmente considerada o equivalente da "yellow press" norte-americana, Leandro Marshall propõe uma diferenciação. Para ele, a imprensa amarela seria uma fase anterior, marcada pelo sensacionalismo, com fatos sendo exagerados nas páginas de jornais apenas com o objetivo comercial de atrair mais leitores. Já a imprensa marrom seria mais caracteristicamente definida como a manipulação da notícia com fins políticos9 .

Outros autores, porém, argumentam que o escândalo, a intriga política e a chantagem já faziam parte dos métodos utilizados pelos primeiros jornais sensacionalistas10 .

Norbert Bolz aponta como principal característica desse tipo de jornalismo a comunicação direta, que abre mão de qualquer abordagem mais complexa sobre o mundo11 .

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Manual básico de mídia impressa. Governo de Sergipe - Secretaria de Comunicação Social, p. 18
  2. Novo Manual da Redação - Folha de São Paulo, 1996
  3. Luz vermelha para a imprensa marrom. Observatório da Imprensa, 25 de julho de 2011
  4. MIRANDA, Flávia da Silva. AQUI UMA SUPER NOTÍCIA: o leitor convocado por dois jornais populares de Belo Horizonte. Encontro dos Programas de Pós-graduação em Comunicação de Minas Gerais, 2009
  5. Imprensa marrom. Jornalista.com.br
  6. COSTA, Pâmela Berton, e ota, Daniela Cristiane. Análise do Conteúdo Televisivo no Caso Isabella Nardoni. XXXI Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação – Natal, RN – 2 a 6 de setembro de 2008
  7. MIRANDA, Flávia da Silva. Os valores partilhados por jornais populares dos anos 2000: apontamentos sobre dois jornais mineiros. 1º Colóquio Comunicação e Sociabilidade, UFMG, 2008
  8. HOLANDA, Janaína Maria Silva. O Sensacionalismo na Imprensa Mossorense: um estudo nos jornais impressos de Mossoro
  9. A imprensa cor-de-rosa. Observatório da Imprensa, 7 de outubro de 2003
  10. RABAÇA, Carlos Alberto, e BARBOSA, Gustavo Guimarães. Dicionário de Comunicação. Ed. Campus, 5ª edição
  11. Caso Wulff evidencia poder do jornal sensacionalista alemão "Bild". Deutsche Welle, 6 de janeiro de 2012

Ligações externas[editar | editar código-fonte]