Jornalismo científico

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Chama-se jornalismo científico a especialização da profissão jornalística nos fatos relativos a ciência (especialmente no campo das Exatas, Naturais e Biomédicas), tecnologia, informática, arqueologia, astronomia e exploração espacial, e outras atividades de pesquisa.

É importante, portanto, atentar para as duas partes da expressão e que definem o conceito: Jornalismo e o Científico. Isto é importanto, porque podemos encontrar textos jornalísticos ou outros materiais sobre temas da ciência e tecnologia que não são considerados Jornalismo Cientifico. A isto chamamos divulgação científica.

Divulgação Científica e Jornalismo Científico não são a mesma coisa, embora estejam muito próximos. Ambos se destinam a público fora da esfera da ciência, mas o primeiro não é jornalismo. O jornalismo científico, aliás, é uma especialização da divulgação científica que obedece ao padrão de produção jornalística.

O jornalismo científico, que em primeiro lugar deve ser considerado jornalismo. depende estritamente de alguns parâmetros que tipificam o jornalismo, nomeadamente a periodicidade, actualidade e difusão colectiva. O Jornalismo Científico é próximo de outras atividades semelhantes, como a divulgação científica, porém distinto na medida em que não apenas informa o público sobre ciência mas procurar trazer reflexões e discussões atualizadas sobre ciência, tecnologia e sua relação com a sociedade.

Esta vertente do jornalismo ganhou muito com a Internet, pois esta veio permitir uma divulgação mais alargada.

É preciso, ainda, ter em mente que o jornalismo científico abrange não apenas as chamadas ciências duras (Física, Química, etc.), mas também as ciências humanas (Sociologia, Comunicação).

No Brasil, em diversos veículos nos quais não há uma editoria própria para Ciência & Tecnologia, há um costume de subordinar a cobertura de Ciência e Saúde à editoria de Internacional, por causa do conteúdo estrangeiro enviado por agências de notícias (o que, de certa forma, desprivilegia a produção científica nacional), enquanto a cobertura de Tecnologia e Informática fica a cargo da editoria de Economia, por causa da abordagem economicista e utilitarista das inovações tecnológicas.

As primeiras coberturas de ciência e tecnologia surgiram por volta de 1850, na realização das Exposições Universais de Indústria, na Europa, nos EUA e, a partir do final do século XIX, no Brasil. O jornalismo científico só ganhou status de especialização temática e editoria separada, porém, com as inovações tecnológicas após a Segunda Guerra Mundial (no primeiro mundo) e, a partir da década de 1970, nos países em desenvolvimento.

Em países do primeiro mundo, são referência nesta área as revistas Newscientist, Popular Science, National Geographic The Scientist e Scientific American.

No Brasil existem, desde a década de 1980, as revistas Ciência Hoje, SuperInteressante, Galileu, Ciência e Cultura e, mais recentemente, a Scientific American do Brasil, Pesquisa Fapesp, ComCiência e Astronomy.

Temas[editar | editar código-fonte]

As pautas do Jornalismo Científico incluem a cobertura de eventos (descobertas científicas, marcos no desenvolvimento tecnológico, curiosidades), as instituições que geram produtos e fatos (universidades, laboratórios, setores de Pesquisa & Desenvolvimento de empresas privadas, fundações de amparo à pesquisa, entidades de fomento), as políticas públicas para a área (leis, regulamentações, financiamentos públicos, editais de apoio a pesquisas), os problemas da sociedade, as polêmicas ao redor de questões científicas e tecnológicas, o dia-a-dia do setor, além do cotidiano em geral.

Fontes[editar | editar código-fonte]

Como na maior parte das especializações jornalísticas, as fontes de Ciência e Tecnologia são divididas entre protagonistas (pesquisadores, desenvolvedores), autoridades (ministério e secretaria de Ciência e Tecnologia, Saúde e outras áreas do Estado que utilizem inovações científicas e tecnológicas), especialistas (cientistas) e usuários (pacientes, cobaias, consumidores e quem utiliza as inovações científicas).

Jornalismo Científico no Brasil[editar | editar código-fonte]

No Brasil, alguns dos maiores expoentes profissionais em Jornalismo Científico são, na área acadêmica William Dias Braga, Wilson da Costa Bueno, Luisa Massarani, Sonia Aguiar e Carlos Vogt, além dos divulgadores de ciência Marcelo Gleiser, Marcelo Leite e Ulisses Cappozolli.

Os principais veículos (jornais e revistas) dedicados ao tema podem ser divididos em dois grupos:

  • As revistas científicas de caráter estritamente acadêmico. São geralmente comercializadas em formato impresso ou, mais recentemente em formato eletrônico. Em quase sua totalidade, estas publicações estão ligadas a instituições de ensino superior ou entidades de pesquisa como, por exemplo, Ciências & Cognição [1] , e
  • As revistas de divulgação científica, mais voltadas para o público leigo, difundindo o conhecimento científico de modo acessível. Estas, na maioria das vezes, podem ser encontradas em bancas de jornais e revistas, tais como Ciência Hoje e Ciência Hoje das Crianças, Superinteressante, Mundo Estranho, Galileu (ex-Globo Ciência), Biotecnologia e Viver, Mente&Cérebro, Pesquisa Fapesp, Scientific American do Brasil, Astronomy e Ciência Brasil - [2] .

Na televisão, alguns canais e programas de referência são o Globo Ciência e o Globo Universidade, ambos da TV Globo.

No Rádio: Rádio Unesp-FM (www.radio.unesp.br), Rádio UFMG Educativa (www.ufmg.br/radio) e Rádio UNIFEI (www.unifei.edu.br/radio) - possui diversos programas de divulgação científica e um noticiário diário de educação, ciência e tecnologia).

Referências bibliográficas[editar | editar código-fonte]

  • ABRAMCZYK, Júlio (Coord.). Jornalismo Científico - Memória (Anais do 4o. Congresso Ibero-Americano e do 1o. Congresso Brasileiro de Jornalismo Científico). São Paulo: Asociación Iberoamericana de Periodismo Cientifico/ Associação Brasileira de Jornalismo Científico, 1982.
  • ADEODATO, Sérgio. O conceito de jornalismo científico: teoria e prática. Rio de Janeiro, 1987 (Relatório de pesquisa).
  • ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE JORNALISMO CIENTÍFICO. Memória do 9º. Congresso Iberoamericano de Periodismo Científico e 6º. Congresso Brasileiro de Jornalismo Científico. São Paulo, 1990.
  • BURKETT, Warren.1929 Jornalismo Científico; como escrever sobre ciência, medicina e alta tecnologia para os meios de comunicação. tradução, Antônio Transito, - Rio de Janeiro, Forense Universitária, 1990.
  • CALVO HERNANDO, Manuel. Teoria e Técnica do Jornalismo Científico. São Paulo: USP, 1970.
  • GUIMARÃES, Eduardo (org). Produção e circulação do conhecimento. Campinas, Pontes Editores, 2001.
  • JACOBI, Daniel. La Communication Scientifique; discours, figures, modèles. Saint-Martin-d’Hères (Isère): Presses Universitaires de Grenoble, 1999. - (Communication, médias et societés).
  • KUNCZIK, Michael. Conceitos de Jornalismo; Norte e Sul - manual de comunicação. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2001. - (Com-Arte)
  • LATOUR, Bruno. “O Reino do Texto Científico”. In: WITKOWSKI, Nicolas. (Org.). Ciência e Tecnologia Hoje. São Paulo: Ed. Ensaio, 1995, p. 399-401.
  • MASSARANI, Luisa; MOREIRA, Ildeu de Castro; BRITO; Fátima. Ciência e Público; caminhos da divulgação científica no Brasil. Rio de Janeiro: Casa da Ciência - Centro Cultural de Ciência e Tecnologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Fórum de Ciência e Cultura, 2002.
  • MASSARANI, Luisa; TURNEY, Jon; MOREIRA, Ildeu de Castro (orgs.). Terra Incógnita; a interface entre ciência e público. Rio de Janeiro: Vieira & Lent: UFRJ, Casa da Ciência: Fiocruz, 2005.
  • OLIVEIRA, Fabíola. Jornalismo Científico. São Paulo: Contexto, 2002.
  • SIQUEIRA, Denise da Costa Oliveira. A ciência na televisão; mito, ritual e espetáculo. São Paulo, Annablume, 1999.
  • THIOLLENT, Michel. “Sobre o Jornalismo Científico e sua possível orientação numa perspectiva de Avaliação Social da Tecnologia”. In: ABRAMCZYK, Júlio (Coord.). Jornalismo Científico - Memória (Anais do 4o Congresso Ibero-Americano e do 10o Congresso Brasileiro de Jornalismo Científico). São Paulo: Asociación Iberoamericana de Periodismo Cientifico/ Associação Brasileira de Jornalismo Científico, 1982. p. 307-318.
  • VILAS BOAS, Sergio (Org.). Formação e Informação Científica; jornalismo para iniciados e leigos. São Paulo: Summus, 2005.
  • ZAMBONI, Lilian Márcia Simões. Cientistas, Jornalistas e a Divulgação Científica; subjetividade e heterogeneidade no discurso da divulgação científica. Campinas, São Paulo: Autores Associados, 2001.

Artigos relacionados[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]