Lélia Gonzalez

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Lélia Gonzalez (Belo Horizonte, 1 de fevereiro de 1935Rio de Janeiro, 10 de julho de 1994) foi uma intelectual, política, professora, antropóloga e política brasileira.[1]

Biografia[editar | editar código-fonte]

Filha de um ferroviário negro e de uma empregada doméstica indígena era a penúltima de 18 irmãos, entre eles o futebolista Jaime de Almeida, que jogou pelo Flamengo. Nascida em Belo Horizonte, mudou-se para o Rio de Janeiro em 1942.[2]

Graduou-se em História e Filosofia e trabalhou como professora da rede pública de ensino. Fez o mestrado em comunicação social e o doutorado em antropologia política. Começou então a se dedicar à pesquisas sobre relações de gênero e etnia. Foi professora de Cultura Brasileira na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, onde chefiou o departamento de Sociologia e Política.

Como professora de Ensino Médio no Colégio de Aplicação Fernando Rodrigues da Silveira (UEG, atual UERJ), nos difíceis anos finais da década de 1960, fez de suas aulas de Filosofia espaço de resistência e crítica político-social, marcando definitivamente o pensamento e a ação de seus alunos.

Ajudou a fundar instituições como o Movimento Negro Unificado (MNU), o Instituto de Pesquisas das Culturas Negras (IPCN), o Coletivo de Mulheres Negras N'Zinga e o Olodum. Sua militância em defesa da mulher negra levou-a ao Conselho Nacional dos Direitos da Mulher (CNDM), no qual atuou de 1985 a 1989. Foi candidata a deputada federal pelo PT, elegendo-se primeira suplente. Nas eleições seguintes, em 1986, candidatou-se a deputada estadual pelo PDT, novamente elegendo-se suplente.[3]

Seus escritos, simultaneamente permeados pelos cenários da ditadura política e da emergência dos movimentos sociais, são reveladores das múltiplas inserções e identificam sua constante preocupação em articular as lutas mais amplas da sociedade com a demanda específica dos negros e, em especial das mulheres negras.[4] [5]

Legado[editar | editar código-fonte]

Entre outras homenagens, Lélia Gonzalez tonrou-se nome de uma escola pública estadual no bairro de Ramos, no Rio de Janeiro, de um centro de referência de cultura negra, em Goiânia, e de uma cooperativa cultural, em Aracaju. Foi citada pelo bloco afro Ilê Aiyê em duas edições do Carnaval baiano: em 1997, como parte do enredo Pérolas negras do saber, e em 1998, com Candaces.

O dramaturgo Márcio Meirelles escreveu e encenou em 2003 a peça teatral Candaces - A reconstrução do fogo, baseada em sua obra.[6]

Em 2010, o governo da Bahia criou o Prêmio Lélia Gonzalez, para estimular políticas públicas voltadas para as mulheres nos municípios baianos.[7]

Principais obras[editar | editar código-fonte]

Livros[editar | editar código-fonte]

  • Festas populares no Brasil. Rio de Janeiro, Índex, 1987.
  • Lugar de negro (com Carlos Hasenbalg). Rio de Janeiro, Marco Zero, 1982. 115p. p.9-66. (Coleção 2 Pontos, 3.).

Ensaios e Artigos[editar | editar código-fonte]

  • “Mulher negra, essa quilombola.” Folha de São Paulo, Folhetim. Domingo 22 de novembro de 1981.
  • “A mulher negra na sociedade brasileira.” In: LUZ, Madel, T., org. O lugar da mulher; estudos sobre a condição feminina na sociedade atual. Rio de Janeiro, Graal, 1982. 146p. p.87-106. (Coleção Tendências, 1.).
  • “Racismo e sexismo na cultura brasileira.” In: SILVA, Luiz Antônio Machado et alii. Movimentos sociais urbanos, minorias étnicas e outros estudos. Brasília, ANPOCS, 1983. 303p. p.223-44. (Ciências Sociais Hoje, 2.).
  • “O terror nosso de cada dia.” Raça e Classe. (2): 8, ago./set. 1987.
  • “A categoria político-cultural de amefricanidade.” Tempo Brasileiro, Rio de Janeiro (92/93): 69-82, jan./jun. 1988.
  • “As amefricanas do Brasil e sua militância.” Maioria Falante. (7): 5, maio/jun. 1988.
  • “Nanny.” Humanidades, Brasília (17): 23-5, 1988.
  • “Por um feminismo afrolatinoamericano.” Revista Isis Internacional. (8), out. 1988.
  • “A importância da organização da mulher negra no processo de transformação social.” Raça e Classe. (5): 2, nov./dez. 1988.
  • “Uma viagem à Martinica - I.” MNU Jornal. (20): 5, out./nov.[8]

Referências

  1. Perfil - Lélia Gonzalez. IPEA
  2. Hoje na História, 1935, nascia Lélia Gonzalez. Geledés Instituto da Mulher Negra, 1 de fevereiro de 2012
  3. Lélia Gonzalez: Mulher Negra na História do Brasil. Amaivos
  4. Lélia Gonzalez: pioneira do recorte de gênero no Movimento Negro no Brasil. ABPN, 13 de julho de 2009.
  5. RATTS, Alex. As amefricanas: mulheres negras e feminismo na trajetória de Lélia Gonzalez. Fazendo Gênero 9, agosto de 2010.
  6. RATTS, Alex, e RIOS, Flávia. Lélia Gonzalez. 1ª. Ed. São Paulo: Selo Negro, 2010. P. 13-14
  7. Prêmio Lélia Gonzalez. Observatório Brasil da Igualdade de Gênero.
  8. Heróis de todo o mundo - Lélia Gonzalez. A cor da cultura

Ligações externas[editar | editar código-fonte]