Manuel Pessanha

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Micer Manuel Pessanha (em italiano Emanuele Pessagno, nome que depois aportuguesou em Pessanha) foi um genovês, filho de Simone, senhor de Castelo di Passagno, que entrou ao serviço de Portugal, no tempo do rei D. Dinis, tendo-o este encarregado de reorganizar a ainda incipiente armada portuguesa (devendo para isso trazer vinte homens de Génova para que exercessem o cargo de alcaides dos navios) e conferido-lhe em troca (por carta de 1 de Fevereiro de 1317) o título de Almirante de Portugal[1] (que se viria a tornar hereditário na sua família até à crise de 1383-85, passando depois, por via feminina, para a Casa de Vila Real, chefiada por D. Pedro de Menezes), tendo recebido ainda uma tença anual de 3000 libras, repartidas por três prestações de igual valor a vencerem nos meses de Janeiro, Maio e Setembro, e oriundas das rendas do reguengo de Sacavém (que incluía também os de Unhos, Frielas, Camarate e, mais tarde, a partir de 24 de Setembro de 1319, do de Algés e ainda da vila de Odemira). Este contrato viria a ser sucessivamente confirmado na sua pessoa por cartas de mercê de 10 e 23 de Fevereiro de 1317, 14 de Abril de 1321 e 21 de Abril de 1327.

Participou nas batalhas navais que opuseram Castela a Portugal no tempo de Afonso IV de Portugal e Afonso IX de Castela, tendo sido feito prisioneiro do Castelhanos em 1337, após a derrota na Batalha do Cabo de São Vicente, e libertado em 1339. Comandou a Armada Portuguesa que auxiliou Castela na Batalha do Salado (30 de Outubro de 1340), combatendo ao largo de Cádiz, enquanto as embarcações dos Mouros bloqueavam Tarifa. Em 1341, participou num ataque a Ceuta, considerada um ninho de piratas marroquinos que depredavam regularmente as costas do reino do Algarve. A sua atitude neste confronto levou a que o Papa Bento XII o mencionasse elogiosamente numa bula de cruzada que expediu para o rei português.

Do seu primeiro casamento, com Genebra Pereira, nasceu Bartolomeu Pessanha, que lhe sucedeu à frente do almirantado, e do segundo casamento, com Leonor Afonso, Lançarote Pessanha, também Almirante de Portugal, que viria a ser assassinado no Castelo de Beja durante a crise de 1383-85. Descobriu em 1317, juntamente com a ilha dos Açores e as Canárias, a ilha da Madeira. Foi igualmente responsável pela elaboração dos primeiros registos cartográficos destas ilhas que, posteriormente foram re-descobertas por João Gonçalves Zarco e Tristão Vaz Teixeira.

Notas

  1. Sucedendo a Nuno Fernandes Cogominho, nomeado em 1307 para esse cargo então criado pelo soberano.

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Bibliografia[editar | editar código-fonte]

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