Pierre Grassou

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa

Pierre Grassou (às vezes adaptado para o português como Pedro Grassou[1] é uma novela de Honoré de Balzac publicada em 1839, que faz parte das Cenas da vida parisiense da Comédia Humana. O autor propõe nela uma reflexão sobre as relações da burguesia com a arte, mais particularmente a pintura. Ele sente pena da falta de discernimento do público nas exposições e a pretensão de pintores que nunca deram prova de seu talento. Ele cria aqui uma fábula bufona, tipo de farsa em que é preso quem crê prender. Balzac critica assim o nivelamento democrático que engendra um relativismo na arte, notadamente pela ausência de pré-seleção no salão. O obra é então julgada pelo “politicamente correto” do tema, os chouans depois da restauração e o autor, Grassou, maravilhosamente burguês.

Enredo[editar | editar código-fonte]

Pierre Grassou, sob o nome de Fougères, onde ele nasceu, é um pintor medíocre que vive, de qualquer forma, de sua pintura, pois o velho inescrupuloso Elias Magus lhe pede cópias de grandes pintores: Ticiano, Rafael, e vários artistas reconhecidos que ele faz passar por pinturas autênticas. Elias Magus revende essas pinturas muito caro aos pequeno burgueses incapazes de apreciar a “boa pintura”. Furiosamente aficionado pela arte, monsieur Vervelle, vendedor de garrafas, muito rico, é trazido ao atelier de Pierre Grassou por Magus, que lhe faz crer que está diante de um grande mestre, que também possui economias. M. e Mme. Vervelle ficam encantados por esse jovem que rivaliza (copia) Rembrant, Rubens, e que seria um excelente marido para a filha deles. Pierre Grassou é convidado à Ville-d'Avray na mansão ridiculamente decorada dos burgueses, que contém nada menos que uma imensa coleção, onde o mau pintor reconhece suas próprias cópias, tidas pelo dono como legítimas. Evidentemente, ainda que pouco escrupuloso, Pierre Grassou tem ciência de sua mediocridade. Seus amigos lhe exortaram muito a trabalhar, a sair disso que eles consideram um impasse artístico, e que lhe é de fato, pois, apesar de sua fortuna, de seu bom casamento, das honras e do nível social que ele alcança finalmente, Pierre Grassou continua amargo, humilhado pelo desprezo dos verdadeiros artistas e não conhece a alegria que desejava. Um pintor falho é sempre infeliz, é a moral da fábula.

Referências

  1. Honoré de Balzac. A comédia humana. Org. Paulo Rónai. Porto Alegre: Editora Globo, 1954. Volume IX

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • (fr) Martin Babelon, « Pierre Grassou ou le jeu du faux », L'Année balzacienne, 1989, n° 10, p. 261-274.
  • (fr) Alain-Philippe Durand, « Grassou et Frenhofer : Chef-d’œuvre connu ou inconnu ? », Romance Quarterly, Summer 1997, n° 44 (3), p. 131-42.
  • (fr) Henri Kieffer, « Précisions sur le peintre Drölling », L’Année balzacienne, 1991, n° 12, p. 447-54.
  • (fr) Gérald Rannaud, « Féder et Pierre Grassou, un compagnonnage littéraire ? », Littératures, aut. 2002, n° 47, p. 137-53.
  • (fr) Bertrand Vibert, « Féder ou la 'soutenable légèreté' ? Sur l’incipit », Littératures, print. 2000, n° 42, p. 85-97.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]