Le Cabinet des Antiques

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Le Cabinet des Antiques (em português, O gabinete das antiguidades[1] ) é um romance de Honoré de Balzac publicado em 1838 sob o título As rivalidade na província no Le Constituitionl, depois editado em volume por Soiverain. Com La Vieille Fille, essa obra se insere em um grupo isolado, As Rivalidades, das Cenas da vida da provícia da Comédia Humana.

Em O gabinete das antiguidades o autor traça um quadro da velha nobreza da província, arruinada pela Revolução e esquecida pelos Bourbons restaurados. O marquês d'Esgrignon, sua irmã e seus amigos encarnam esse grupo social já representado pelo cavalheiro de Valois em La Vieille Fille. A jovem geração dessa classe, representada pelo filho do marquês, causará sua perda, perdida no turbilhão de Paris onde ela tem uma vida feliz, e se arruina. O gabinete das antiguidades forma um todo com La Vieille Fille, ainda que os nomes dos protagonistas não sejam exatamente os mesmos.

É um verdadeiro romance de aventura, recheado de reviravoltas, com um suspense quase policial criado pelas manobras do jovem d'Esgrignon que comete seus erros e é ameaçado de ir para a cadeia.

Enredo[editar | editar código-fonte]

A narração é feita parcialmente pelo jornalista e escritor Émile Blondet (que reecontramos em Illusions perdues). O narrador intervém sobretudo para falar dos fatos de que ele foi testemunha, notavelmente de sua grande admiração por Armande d'Esgrignon e do ambiente que reina em uma pequena vila da província onde vive ainda seu pai, o íntegro juiz Blondet. Em sua infância, o jovem Blondet (filho ilegítimo de um prefeito) observou com fervor Mademoiselle Armande enquanto ela cuidava de seu sobrinho, Victurnien d'Esgrignon. O infante de rosto de anjo, rodeado de carinho, é orfã de mãe. Criado pela tia, que vê nele uma maravilha, e adorado por seu pai, que lhe considera como um porta bandeira da velha nobreza pura e rígida, o jovem, ainda que bastante inteligente, cria o hábito de mentir, de gastar mais do que a família empobrecida lhe pode dar. O velho notário Chesnel se arranja sempre para desfazer esses dívidas e se arruína pouco a pouco por ele, chegando até a constituir economias ao nobre jovem enquanto o envia a Paris.

Mas o círculo do marquês d'Esgrignon, na província, é muito fechado (daí seu nome de "gabinete das antiguidades") e as portas não se abrem senão à do nobreza de velho tronco. Isso provoca inveja e ódio entre os arrivistas, em particular a Du Croisier que não esteve jamais no salão d'Esgrignon e que tem ambições políticas. Du Croisier, tendo percebido as más inclinações de Victurnien, se arranja para lhe pegar em falta: o jovem comete uma falha de assinatura para cobrir as imensas dívidas que ele contraiu em Paris em companhia de Diane de Maufrigneuse, princesa de Cardignan. Ainda que o faubourg Saint-Germain acolha Victurnien, ainda que Rastignac e De Marsay lhe apoiem (em verdade empurram-no ao jogo), ainda que ele tenha favores da duquesa (notável caçadora de fortunas), ninguém oferece ao jovem marquês uma posição: o novo rei abandonou a família, não lhes oferecem nem mesmo as compensações dos exilados.

Cobrado, Victurnien corria o risco de ir para cadeia, pois devia grandes somas à Du Croisier. Mas por uma hábil manipulação do velho notário Chesnel, que tem o apoio do juiz Camusot, graças a uma intervenção inesperada da duquesa de Maufrigneuse (vestida de homem) junto à mulher de Du Croisier (descendente de velha nobreza), Victurnien é finalmente salvo, e a honra da família d'Esgrignon também.

Balzac dá a entender que tudo isso não é senão provisório e que uma página da história social acaba de se fechar. Qualquer um, por maior o título que tenha, que não busca obter dinheiro por um casamento desigual com os novos ricos ou dos favores do rei que dão poder, está condenado à miséria e ao esquecimento. Victurnien compreende e desposa sem hesitar a filha de Du Croisier cuja fortuna ele desperdiça em Paris, tornando-a muio infeliz. De sua parte, o narrador Émile Blondet se elevará na hierarquia social desposando a condessa de Montcornet em Les Paysans, evento que o autor anuncia já nesse romance, como se Balzac houvesse já composto uma parte que ficará inacabada até sua morte e que será concluída por Charles Rabou.

Referências

  1. Honoré de Balzac. A comédia humana. Org. Paulo Rónai. Porto Alegre: Editora Globo, 1954. Volume VI

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • (fr) Lise de Laguérenne, « D’un portrait de Mademoiselle de Maupin à la duchesse de Maufrigneuse dans Le Cabinet des Antiques : une lecture créatrice de Balzac », L'Année balzacienne, 1997, n° 18, p. 413-22.
  • (fr) Anthony R. Pugh, « Du Cabinet des antiques à Autre étude de femme », L’Année Balzacienne, Paris, Garnier Frères, 1965, p. 239-52.
  • (fr) Pierre Citron, « Le Cabinet des antiques », L’Année Balzacienne, Paris, Garnier Frères, 1966, p. 370-3.
  • (fr) Anne-Marie Meininger, « Sur Adieu, sur Le père Goriot, sur Le cabinet des antiques. », L’Année balzacienne, 1973, n° 380-85.
  • (fr) Pierre Larthomas, « Sur le style de Balzac », L’Année balzacienne, 1987, n° 8, p. 311-27.
  • (fr) S. F. Davies, « Une source inédite d’un épisode du Cabinet des Antiques », L’Année balzacienne, 1974, p. 327-29.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]