Illusions perdues

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Illusions perdues (Ilusões Perdidas), considerado por Balzac como l'oeuvre capitale dans l'oeuvre, ou, em outras palavras, o principal livro constituinte de sua La Comédie Humaine, é um de seus romances mais extensos e mais famosos. Para muitos, como Marcel Proust, este livro é também o melhor de Balzac. Ele foi publicado em três partes entre 1836 e 1843: Les Deux poètes (Os dois poetas), Un grand homme de province à Paris (Um grande homem da província em Paris) e Ève et David (Eva e David, que na versão final aparece como Les souffrances de l'inventeur). Dedicado a Victor Hugo, ele faz parte do vasto conjunto dos Études de mœurs (Estudos de Costumes) e, mais precisamente, das Scènes de la vie de province (Cenas da vida da província).

A experiência de Balzac como impressor o inspirou a escrever este livro, no qual ele narra o fracasso de Lucien de Rubempré, jovem provinciando de Angoulême, ao buscar conquistar a glória em Paris. O percurso triste e alimentado por imperdoáveis fraquezas do grande homem da província (perífrase recorrente durante o livro), alternativamente herói e antiherói, é agravado sem cessar pelo contraponto de dois círculos virtuosos: a família de Lucien e o Cénacle (Cenáculo) de homens magnânimos. As ilusões perdidas são as de Lucien face ao mundo literário e ao seu próprio futuro, mas também as de sua família e amigos em relação às capacidades e qualidades humanas de Lucien.

Enredo[editar | editar código-fonte]

(Contém spoilers)

O romance compreende três partes: a ação se desenvolve durante a Restauração Francesa.

Os dois poetas[editar | editar código-fonte]

É a parte mais curta do romance. Situa-se em Angoulême. David Séchard, filho de um impressor, é ligado por uma amizade profunda a Lucien Chardon, jovem belo e letrado. O pai de David revende sua tipografia ao seu filho sob condições muito desfavoráveis a ele. David, que possui pouco tato para os negócios, fica à beira da ruína. Contudo, ele consegue sobreviver graças ao devotamento e ao amor de sua mulher, Ève, que é a irmã de Lucien. David procura em segredo um processo novo que torne possível a produção de papel de melhor qualidade a custos mais baixos do que os que então eram feitos. Lucien enamora-se de uma mulher da nobreza, madame de Bargeton, que vê nele um grande talento para a poesia: ele vê nela sua Laura e, à imitação de Petrarca, dedica-lhe uma coleção de sonetos. Ela o introduz na alta sociedade da província e apaixona-se por ele. Este amor, que permanece platônico, entre um jovem e uma mulher mais velha casada, relaciona-se perfeitamente ao esquema de amor cortês medieval, no qual o herói se inebria de ilusões, mais ou menos conscientes, para conquistar sua dama. A primeira parte termina com a ida de Lucien e sua protetora à Paris, onde ele almeja iniciar carreira literária.

Um grande homem da província em Paris[editar | editar código-fonte]

É a mais longa das três partes. Lucien, ao chegar a Paris, percebe-se bem miserável diante da elegância parisiense. Pobre e pouco familiarizado com os costumes da capital, ele comporta-se de modo ridículo na Ópera, onde ele dá seus primeiros passos na nova vida, o que faz com que madame de Bargeton, aconselhada por sua prima marquesa d'Espard, abandone-o rapidamente para não comprometer-se diante da alta sociedade parisiense. Suas tentativas para publicar seus livros fracassam. Ele encontra então um jovem filósofo liberal, Daniel d'Arthez, que o introduz ao Cenáculo, um círculo de cavalheiros de tendências políticas e ocupações diversas que compartilham, em uma amizade perfeita, uma vida ascética ao serviço da arte e da ciência. Lucien frequenta o Cenáculo durante algum tempo. Todavia, demasiado impaciente para obter sucesso pela via árdua de seu trabalho literário, ele cede à tentação do jornalismo, um universo corrompido no qual ele consegue rapidamente fazer sucesso. Lucien passa a assinar seus artigos como Lucien de Rubempré (sobrenome aristocrático de sua mãe antes do casamento). Apaixona-se por uma jovem atriz, Coralie, e leva uma vida de luxo com ela. Sua ambição leva-o a interessar-se pela política e, de um jornal liberal, ele passa a escrever para um jornal monarquista. Esta atitude é mal vista no meio jornalístico: seus antigos amigos atacam-no violentamente, seus novos colegas não o suportam. Ele é logo arruinado; a isto adiciona-se a morte de Coralie. Lucien resolve finalmente voltar a Angoulême para solicitar a ajuda de David (a quem ele já havia pedido ajuda financeira em várias ocasiões, inclusive falsificando sua assinatura em notas falsas que levariam seu amigo à completa ruína).

As agruras do inventor[editar | editar código-fonte]

David, depois de numerosas experiências, encontra enfim o processo de fabricação de papel que tanto procurara; mas os irmãos Cointet, concorrentes de David, o arruínam com a ajuda de um espião, Cérizet, empregado na tipografia de David, para obter seu segrego. David é preso por não quitar as dívidas feitas por Lucien em Paris. Por causa da catástrofe que causou à família, Lucien decide suicidar-se. Porém, quando iria afogar-se, é impedido por um misterioso padre espanhol, Carlos Herrera, que oferece-lhe dinheiro, glória e vingança, sob a condição de que Lucien o obedecesse cegamente a partir de então. Lucien aceita o pacto. Ele envia a David a soma necessária de dinheiro para quitar suas dívidas e parte para Paris com o padre estranho. David chega a um acordo com os irmãos Conteit para que estes explorem sua invenção. David e Ève retiram-se para viver no campo, de forma bucólica, simples e apaixonada, na pequena vila de Marsac.

Temas[editar | editar código-fonte]

O estilo de vida das províncias é justaposto ao das metrópoles; Balzac contrasta o ritmo de Angoulême e Paris, os diferentes padrões (como o de preço) das duas cidades.

Balzac explora a natureza da vida artística de Paris em 1821-1822. Lucien, que ainda não era um autor com obras publicadas no início do romance, falha na publicação de sua obra em Paris e, durante o tempo que passa na capital, nada escreve em consequência disso. Daniel d’Arthez, por outro lado, não busca ativamente a fama literária: ela vem a ele naturalmente devido ao seu sólido mérito literário.

Balzac denuncia o jornalismo, apresentando-o como a mais perversa forma de prostituição intelectual.

Balzac mostra a duplicidade - as duas faces - de todas as coisas, seja em Paris ou Angoulême. Por exemplo, o personagem Lucien de Rubempré possui dois sobrenomes conforme os lugares que frequenta (na alta sociedade envergonha-se do sobrenome Chardon, de seu pai boticário, e passa a usar o sobrenome de sua mãe); embora amigo de David Séchard, o notário Petit-Claud conduz o processo contra seu cliente sem que este desconfie; o teatro e a alta sociedade vivem ambos de aparências; o padre Carlos Herrera não é padre, mas criminoso, etc.

Edições em Português[editar | editar código-fonte]

1959: Ilusões Perdidas.tradução de Mario Quintana, Porto Alegre: Globo.

2007: Ilusões Perdidas, tradução de Ivone C. Benedetti. Porto Alegre: L&PM.

2007: Ilusões Perdidas, tradução de Leila de Aguiar Costa. São Paulo: Estação Liberdade.

2011: Ilusões Perdidas, tradução de Rosa Freire d'Aguiar. São Paulo: Penguin-Companhia das Letras.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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