Eugènie Grandet

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.Eugénie Grandet (Eugênia Grandet na edição brasileira da Comédia Humana organizada por Paulo Rónai) é o primeiro grande romance de Honoré de Balzac, escrito em 1833 "num dos raros momentos felizes de sua vida".[1] Publicado pela primeira vez no semanário L'Europe littéraire (Europa literária) em setembro de 1833, sob o título Eugénie Grandet, histoire de province. Publicado em forma de livro em 1834, pela editora de Madame Charles-Béchet e em 1839 pela editora de Gervais Charpentier, com uma dedicatória àquela que havia sido amante de Balzac: Maria du Fresnay. Na edição Furne, de 1843, o romance situa-se no primeiro volume das Cenas da Vida Provinciana da Comédia Humana, entre Ursula Mirouët e Pierrette.

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O romance apresenta a mentalidade da época da Restauração e, como Um Conto de Natal de Dickens ou O Avarento de Molière, desenvolve o tema da avareza exacerbada. Aborda também a paixão despertada em uma jovem provinciana de 23 anos, que vive com seus pais em Saumur, às margens do Loire, por seu primo parisiense e aristocrático, que veio àquela cidade por recomendação de seu pai, que logo em seguida se suicidou devido às suas dívidas.

A jovem, que dá nome ao livro, é filha de um rico e avarento vinhateiro que fora toneleiro antes de iniciar sua fortuna com auxílio da herança de sua esposa ao se casar. As famílias mais distintas da região disputam sua mão para se apossarem da fortuna, mas a chegada do primo parisiense, Charles Grandet, modifica totalmente a situação, pois, a partir de então, Eugênia sofre as maiores provações por causa dele, a começar pela opinião do pai, contrária ao matrimônio entre os dois. A ingênua jovem padece de uma paixão que "dificilmente está à altura do amado".

Fiódor Dostoiévski traduziu a obra para o russo em 1843.

Enredo[editar | editar código-fonte]

Eugénie Grandet se passa na cidade de Saumur. O pai de Eugénie, Felix, é um ex-tanoeiro que se tornou rico tanto por seus empreendimentos arriscados quanto pelas heranças que obteve (o que inclui as propriedades de sua sogra e do pai e da mãe desta). No entanto, o Sr. Grandet é muito avarento, e ele, sua mulher, sua filha e sua criada Nanon vivem em uma velha casa em condições precárias. Seu banqueiro, o Sr. des Grassins, deseja que Eugénie case com seu filho Adolphe, e seu advogado, Cruchot, deseja que Eugénie case-se com seu sobrinho Cruchot des Bonfons, ambos com interesse na herança de Felix Grandet. As duas famílias frequentemente visitam os Grandets com o objetivo de obter sua afeição, enquanto Felix joga uns contra os outros tendo em vista seus próprios interesses.

No dia do aniversário de Eugénie, em 1819, o sobrinho de Felix, Charles Grandet, chega de Paris de forma inesperada, enviado por seu pai Guillaume. Traz consigo uma carta confidencial de seu pai Felix, na qual há a informação de que ele planeja tirar sua própria vida em função da falência. Charles não conhece as intenções do pai.

Crítica[editar | editar código-fonte]

"O romance alcançou êxito excepcional. Até os adversários de Balzac admitiram tratar-se de uma obra-prima que muito lembrava os grandes modelos clássicos."[2] Exemplifica a realidade daquela época, a submissão da esposa do bom Grandet - pai de Eugénie - que durante todo o casamento só não foi total quando sua filha descobriu a paixão, que se tornou mais dramática com a partida de Charles para as Índias. Mas não há muito espaço para uma visão romanceada do mundo nesta obra. Ao mesmo tempo ela não nega a existência de sinceridade nos sentimentos humanos, nem cai em um pessimismo indiscriminado.

Trecho do livro[editar | editar código-fonte]

"Os avarentos não acreditam numa vida futura, o presente é tudo para eles. Esta reflexão joga uma horrível clareza sobre a época atual em que, mais que em qualquer outro tempo, o dinheiro domina as leis, a política e os costumes. Instituições, livros, homens e doutrinas, tudo conspira para solapar a crença numa vida futura, sobre a qual o edifício social se apoia há mil e oitocentos anos. Atualmente, a sepultura é uma transição pouco temida. O amanhã que nos esperava além do Requiem foi transportado para o presente. Chegar per fas et nefas [por todos os meios] ao paraíso terrestre do luxo e das vaidosas alegrias, petrificar o coração e macerar o corpo em busca de bens passageiros como outrora se suportava o martírio em busca dos bens eternos, eis o pensamento geral. Pensamento que, aliás, está escrito em toda parte, até nas leis, que perguntam ao legislador: "Que pagas?" em vez de indagar: "Que pensas?" Quando essa doutrina tiver passado da burguesia ao povo, que será do país?"


Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

  1. Paulo Rónai, Prefácio de Eugênia Grandet
  2. Paulo Rónai, Prefácio de Eugênia Grandet.