Ursule Mirouët

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Ursule Mirouët (em português, Úrsula Mirouët[1] ) é um romance francês de Honoré de Balzac, publicado em Le Messager, em agosto-setembro de 1841, depois editado em volume em 1842, nos Estudos de costumes, seção das Cenas da vida provinciana da Comédia Humana.

Nessa obra muito balzaquiana, onde se vê a inocência e a honestidade de Úrsula questionadas pelos parentes indelicados de seu tutor, o bom dr. Minoret, o autor se estende longamente sobre os poderes sobrenaturais, o ocultismo e a transmissão de pensamento, que são, de acordo com ele, matéria de estudo sério. Ele procura convencer o leitor incrédulo trazendo em apoio a suas palavras múltiplas referências documentais, explicações e testemunhas se referindo às teorias de Alexis Didier (célebre vidente) e também às de Franz Anton Mesmer. Ele mostra também como o dr. Minoret, um agnóstico, é tocado pela graça e acede à fé (demonstração que ele havia feito com o dr. Desplein em A Missa do Ateu, em 1836).

Enredo[editar | editar código-fonte]

Úrsula Mirouët, órfã, é acolhida e educada pelo dr. Minoret, seu tutor que se retira a Nemours, depois de ter exercido a profissão em Paris. Atencioso, muito preocupado com a felicidade de sua pupila, o bom doutor lhe dá uma educação de grande qualidade. Úrsula é circulada com a afeição de um padre, dois velhos doutores e de uma empregada devota. No testamento, o dr. Minoret faz de Úrsula sua herdeira universal. Mas a fortuna do velho é depois de muito tempo cobiçada por uma parentela pouco favorável à pupila. Após a morte do médico, quando Úrsula tem a idade de vinte anos, esses parentes se unem para despojar a jovem. Os herdeiros potenciais que o doutor contava na cidade são numerosos e mais ou menos em concorrência. Mas como eles temem ser deserdados a favor de Úrsula, a qual eles consideram tão rapace quanto eles mesmos, eles se unem contra ela. Elas acusam-na de intrigas sombrias pois ela conseguiu levar à missa, e talvez inspirar uma certa devoção ao velho doutor até então agnóstico. Eles se inquietam à medida que as relações do velho com o padre se tornam excelentes.

A cupidez de um dos herdeiros, Minoret-Levrault, vai instigá-lo a roubar os títulos de renda destinados a assegurar o futuro da jovem. Reduzida à pobreza e em meio às perseguições e intrigas inspiradas pelo culpado, Úrsula se desespera, seu estado de saúde leva a crer que sua morte é próxima, ardentemente esperada pelos mais cúpidos. Enviam-na cartas anônimas, calúnias, chantagens. Mas a inocência triunfará. Apoiada pelo amor de Savinien de Portenduère, e pelos amigos do doutor, ajudada, também, por revelações misteriosas recebidas em sonho, Úrsula finalmente volta a seus direitos e encontra a felicidade que ela merece. Ela desposa Savinien, que faz uma bela carreira na marinha graças à ajuda de seu tio-avô, o conde de Kergarouët.

Referências

  1. Honoré de Balzac. A comédia humana. Org. Paulo Rónai. Porto Alegre: Editora Globo, 1954. Volume V.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • (fr) Anne-Marie Baron, « Mélodrame et feuilleton : la revendication théâtrale dans Ursule Mirouët », Balzac, Œuvres complètes : le Moment de La Comédie humaine, Claude Duchet et Isabelle Tournier, Éd. et intro., Saint-Denis, PU de Vincennes, 1993, p. 243-56.
  • (fr) Claudie Bernard, « La Dynamique familiale dans Ursule Mirouët de Balzac », French Forum, May 1999; 24 (2), p. 179-202.
  • (fr) Ralph Heyndels, « Théorie du roman/Roman de la théorie : une réflexion critique à partir de Jacques le fataliste (Diderot), Ursule Mirouët (Balzac) et La Mise à mort (Aragon) », French Literature Series, 1984, n° 11, p. 23-32.
  • (fr) Jean Homayoun Mazahéri, « La Conversion du Dr Minoret dans Ursule Mirouët de Balzac », Lettres Romanes, fév.-mai 2001, n° 55 (1-2), p. 53-66.
  • (fr) Bertrand Méheust, « Balzac et le magnétisme animal : Louis Lambert, Ursule Mirouët, Séraphîta », Traces du mesmérisme dans les littératures européennes du XIX×10{{{1}}} siècle, Bruxelles, actes du colloque du 9-11 novembre 1999, 2001.
  • (en) Armine Kotin Mortimer, « Balzac and Poe: Realizing Magnetism », Dalhousie French Studies, Summer 2003, n° 63, p. 22-30.
  • (en) Armine Kotin Mortimer, « Balzac’s Ursule Mirouët: Genealogy and Inheritance », Modern Language Review, Oct. 1997; 92 (4), p. 851-63.
  • (fr) Nicole Mozet,« Ursule Mirouët ou le test du bâtard », Balzac, Œuvres complètes : le Moment de La Comédie humaine, Claude Duchet, Éd. et intro., Isabelle Tournier, Éd. et intro., Saint-Denis, PU de Vincennes, 1993, p. 217-28.
  • (fr) Michel Nathan, « Religion et roman : à propos de Ursule Mirouët », Balzac : l’Invention du roman, Claude Duchet, Éd., Jacques Neefs, Éd., Paris, Belfond, 1982, p. 85-98.
  • (en) Allan H. Pasco, « Ursule Through the Glass Lightly », French Review, Oct 1991, n° 65 (1), p. 36-45.
  • (en) Michael Tilby, « Balzac’s Magnetic Saints: A Note on Ursule Mirouët », French Studies Bulletin, Summer 2005, n° 95, p. 12-15.
  • (en) Michael Tilby, « Ursule Mirouët, or Balzac and the Coach to Paris » Moving Forward, Holding Fast: The Dynamics of Nineteenth-Century French Culture, Barbara T. Cooper et Mary Donaldson-Evans, Éd. et intro., Amsterdam, Rodopi; 1997, p. 53-66

Ligações externas[editar | editar código-fonte]