Massimilla Doni

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Massimilla Doni é uma novela de Honoré de Balzac, cujo primeiro capítulo foi publicado em 1837 nos Estudos filosóficos da Comédia Humana com Gambara, Les Proscrits e Séraphîta. O capítulo III deste mesmo texto foi publicado em 1839, na France musicale sob o título de Une représentation du Mosè in Egitto de Rossini à Venise, com um preâmbulo sublinhando o papel que Stendhal teve para fazer conhecer o músico italiano na França

George Sand, a qual Balzac falava com paixão do Moisés no Egito, aconselha o escritor a pôr a história no papel. Balzac escreve imediatamente a Maurice Schlesinger[1] , que lhe havia mandado um pedido de uma novela para a Revue et gazette musical de Paris, para pedir-lhe um pouco de tempo a mais, pois ele estava atrás de duas idéias sobre várias óperas: Robert le Diable, de Giacomo Meyerbeer por um lado, e Moisés no Egito e Il barbiere di Siviglia de Roussini por outro, que dão lugar a duas novelas muito elaboradas: Gambara e Massimilla Doni[2] .

Massimilla Doni é um verdadeiro hino de amor à música de Rossini, mas também à velha Veneza, à arte de viver dos italianos, à elegante simplicidade dos aristocratas italianos que vão a ópera não para se mostrar, mas para escutar e vibrar com a música. Em cada camarote de La Fenice, as grandes damas recebem sem cerimônias, exprimem seu sentimentos com espontaneidade, vertem lágrimas de emoção. Por sua vez, os homens apaixonados por música vão ao caffè Florian, discutir, depois do espetáculo e durante toda a noite se for necessário, cada momento da apresentação, cada frase musical, cada nota. Um francês, que se encontra diante do camarote de Massimilla Doni, duquesa de Caetano, recebe dela, sem qualquer pretensão e em completa amizade, um verdadeiro curso de arte lírica.

Dois anos foram necessários a Balzac para aperfeiçoar esse curto texto, mas muito importante na Comédia[3] .

O compositor suíço Othmar Schoeck fez de Massimilla Doni uma ópera em quatro atos (seis cenas) criada em dois de março de 1937 na Ópera Semper em Dresde

Enredo[editar | editar código-fonte]

Emilio Memmi, recentemente feito príncipe de Varèse, e herdeiro de uma palácio, está desesperadamente apaixonado da deliciosa Massimilla Doni, mulher do duque de Caetano, velho pródigo que mantém uma cantora: Clara Tinti. Ele está apaixonado pela duquesa Massimilla, mas seu amor permanece platônico e todo em delicadeza. Por um terrível mal entendido, Emilio se encontra em presença de Tinti em seu palácio. Até então, o príncipe, que só tivera relações castas com seu grande amor Massimilla, cai sob o charme da volúpia oferecida por Tinti, do que ele tem vergonha. Mas Massimilla Doni está em companhia do médico francês que iniciou nos mistérios da música e que ajudará Emilio, em pagamento, a aceitar a idéia de que o amor carnal e o amor puro se misturam admiravelmente.

Em verdade, a história de amor serve de fio condutor a um texto exclusivamente centralizado na música e na arte lírica, na descrição do mundo dos amantes da música, da atmosfera de Veneza e do retrato de uma grande dama: Massimilla.

Referências

  1. René Guise, Histoire du texte Massimilla Doni, Bibliothèque de la Pléiade, 1979, p.1517 ISBN 2070108686
  2. Pierre Brunel, Histoire du texte, « Folio Classique », 1995, p.318-9 incluindo Gambara, Sarrasine, Massimilla Doni
  3. René Guise, op. cit.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • (fr) Max Andréoli, « Sublime et parodie dans les Contes artistes de Balzac », l'Année balzacienne, 1994, n°15, p.7-38.
  • (fr) Pierre Brunel, « Mosè dans Massimilla Doni », l’Année balzacienne, 1994, n°15, p.39-54.
  • (fr) Mariane Bury, « Les Français en Italie dans Massimilla Doni », l’Année balzacienne, 1992, n°13, p.207-20.
  • (fr) Béatrice Didier, « Logique du récit musical chez Stendhal et chez Balzac », Stendhal, Balzac, Dumas : un récit romantique ? Chantal Massol, Éd., Lise Dumasy, Intro., Toulouse, PU du Mirail, 2006, p.137-47.
  • (fr) Jean-Claude Fizaine, « Génie et folie dans Louis Lambert, Gambara et Massimilla Doni », Revue des sciences humaines, 1979, n°175, p.61-75.
  • (fr) Brigitte Leroy-Viémon, « Splendeurs et misères du processus de création de soi à partir de la nouvelle de Balzac Massimilla Doni », Innovation Creation, Jean-Pierre Martineau, Éd. et intro., Toulouse, PU du Mirail, 1995, p.37-54.
  • (fr) Moïse Le Yaouanc, « À propos de ‘la’ Cataneo et de ‘la’ Sanseverina », l’Année balzacienne, 1985, n°5, p.366-75.
  • (fr) Max Milner, « Les Sens ‘psychiques’ de Massimilla Doni et la conception balzacienne de l’âme », l’Année balzacienne, Paris, Garnier Frères, 1966, p.157-69.
  • (fr) Hélène Spengler, « Système et mises en scène de l’énergie dans le récit romantique selon Stendhal et Balzac : Massimilla Doni et ses intertextes stendhaliens », Stendhal, Balzac, Dumas : un récit romantique ? Chantal Massol, Éd., Lise Dumasy, Intro., Toulouse, PU du Mirail, 2006, p.69-99.
  • (pt) Honoré de Balzac. A comédia humana. Org. Paulo Rónai. Porto Alegre: Editora Globo, 1954. Volume XV.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]