República Soviética da Hungria

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Magyarországi Tanácsköztársaság
(húngaro)

República Soviética Húngara

República

Civil Ensign of Hungary.svg
1919 Flag of Hungary (1920–1946).svg
Flag Brasão
Bandeira Brasão
Localização de Hungria
Mapa da Hungria em 1920 comparado ao território de 1941 (verde).
Continente Europa
Capital Budapeste
Língua oficial Húngaro
Governo Estado socialista
Comissário de Assuntos Exteriores
 • 1919 Béla Kun
Período histórico Período entre-guerras
 • 23 de Março de 1919 Fim da I Guerra Mundial
Queda da República Popular da Hungria
 • 6 de agosto de 1919 Invasão da Romênia

República Soviética da Hungria é o nome dado ao período em que a Hungria foi governada pela união do Partido Social-Democrata da Hungria com o Partido Comunista da Hungria, que começou em 21 de Março de 1919 e terminou em 4 de agosto daquele ano.

Origem[editar | editar código-fonte]

Após a derrota do Império Austro-Húngaro na Primeira Guerra Mundial, o movimento revolucionário de massas composto por trabalhadores, soldados e camponeses se propagou. A polícia e o exército apoiaram a revolução (a chamada "Revolução dos Crisântemos"), que trouxe a nomeação de Mihály Károlyi como primeiro-ministro pelo Conselho Nacional formado pelos partidos Social-Democrata, Nacional Radical, e pelo grupo de Karolyi.

Em 16 de Novembro de 1918, proclama-se a República da Hungria, tendo Károlyi como líder. Protestos em massa dos movimentos de trabalhadores e ex-militares (a maioria veteranos da guerra) levaram as massas para as ruas, apesar da chamada à ordem por seus líderes em várias cidades. Trabalhadores ocuparam fábricas e formaram conselhos (sovietes) de operários, soldados e camponeses, simbolizando a tomada do poder pelo povo.

Em 24 de Novembro de 1918, Béla Kun junto com os social-democratas de esquerda e os socialistas revolucionários fundaram o Partido Comunista Húngaro (PCH) de tendência marxista-leninista. Entre suas proclamações estavam a abolição do capitalismo, a revolução proletária e a ditadura do proletariado. O PCH controlou o Soviete de Budapeste e convocou um congresso soviético, que decidiu pelo controle dos trabalhadores sobre a produção e pela revolução socialista. O PCH começou a ter grande influência em grande parte devido à sua eficaz propaganda e organização. No final de 1918 e início de 1919, a efervescência revolucionária cresceu aumentando ainda mais influência do PCH. Logo surgiram organizações contra-revolucionárias, mas os sovietes estavam determinados a tomar o poder. A situação crítica do país levou Karolyi a renunciar em janeiro de 1919. O novo governo do social-democrata Dénes Berinkey prometeu reformas, consideradas insatisfatórias pelos sovietes.

Proclamação da República Soviética[editar | editar código-fonte]

Proclamação da república soviética na escadaria do Parlamento húngaro. Béla Kun no centro.

Em 21 de março de 1919, o recém-formado Partido Comunista (liderado por Béla Kun) se juntou ao Partido Social Democrata Húngaro e proclamou a República Soviética praticamente sem disparar um tiro. O Partido Comunista estava cheio de jovens entusiasmados, mas também inexperientes para lidar com esta situação revolucionária. Esses jovens tiveram de resistir a pressões políticas internas e externas, em menor medida, por causa das tensões que viviam no mundo pós-Guerra Mundial.

A união dos comunistas com o Partido Social Democrata (PSD) foi criticada pelo próprio Lênin, que comparou o PSD com os mencheviques. [1] Outro grande erro foi tentar socializar o país, atrasando a reforma agrária e a distribuição de terra aos camponeses. Burocrática, ineficiente e sem apoio dos camponeses, essa reforma falhou.

Os comunistas, no entanto, estabeleram normas para elevar os padrões de vida dos trabalhadores, como jornada de 8 horas. O governo queria realizar o "socialismo agora", fazendo a nacionalização de empresas e indústrias com 20 empregados ou mais, para começar a ter o controle do país. Estas medidas distrairam a atenção dos governantes do cenário internacional até a invasão romena.

Soldados revolucionários, em Budapeste.

Após uma tentativa de golpe organizado pelo PSD, os comunistas iniciaram uma perseguição que terminou com a execução de 590 adversários, o que minou o apoio popular ao governo.

Propaganda com o avanço do Exército Vermelho, na Eslováquia, 1919.

O território húngaro foi invadido pelos exércitos da Romênia, Iugoslávia e Tchecoslováquia. O Exército Vermelho húngaro, com o apoio dos trabalhadores, se reestruturou para combater a ameaça, mas sob a pressão das potências ocidentais e dos social-democratas o governo foi forçado a negociar. Os social-democratas húngaros decidiram excluir o Partido Comunista e formar um novo governo [2] que desfez todas as reformas introduzidas pela República Soviética. Fazendas e indústrias retornaram aos seus antigos proprietários e o movimento operário foi severamente punido. Entretanto, o governo decadente não pôde impedir uma intervenção militar do exército romeno, que tomou Budapeste. Com o armistício imposto pela Romênia, o exército romeno começou sua retirada, em novembro de 1919. Apoiadas pela Romênia, as forças lideradas por Miklós Horthy tomaram o poder e restabeleceram a monarquia.

Referências

  1. Volgyes, Ivan: "The Hungarian Dictatorship of 1919: Russian example versus Hungarian Reality", East European Quarterly. 4 (March): 58-71. 1970
  2. Szilassy, Sándor: "Hungary at the Brink of the Cliff 1918-1919", East European Quarterly 3(1), 1969, s.95-109

Ver Também[editar | editar código-fonte]