Rio Pinheiros

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Rio Pinheiros
Rio Pinheiros no distrito do Alto de Pinheiros, Zona Oeste de São Paulo.
Comprimento 25 km
Nascente encontro do Rio Guarapiranga com o Rio Grande
Foz Rio Tietê
País(es)  Brasil

O Rio Pinheiros é um rio que banha a cidade de São Paulo, no estado de São Paulo, no Brasil. Nasce do encontro do Rio Guarapiranga com o Rio Grande e deságua no Rio Tietê.

Na cidade de São Paulo, é margeado pela via expressa Professor Simão Faiguenboim, um dos principais eixos viários da cidade.

Geografia[editar | editar código-fonte]

Nos tempos coloniais, o Rio Pinheiros foi chamado de Jurubatuba, que, em língua tupi, significa "lugar com muitas palmeiras jerivás", pela junção dos termos jeri'wa ("jerivá")[1] e tyba ("ajuntamento")[2] .

Confluência do Rio Pinheiros com o Rio Tietê, por volta de 1929. Autor anônimo.
Formação do Pinheiros, à direita, no encontro do Rio Grande à esquerda, com o Rio Guarapiranga no centro

Passou a ser chamado de Rio Pinheiros pelos jesuítas, em 1560, quando eles criaram um aldeamento indígena de nome Pinheiros. Foi chamado assim por causa da grande quantidade de araucárias (ou pinheiros-do-brasil) que cobriam a região. O principal caminho que dava acesso à aldeia era o Caminho de Pinheiros, que, hoje, é a Rua da Consolação.

Aos poucos, com a construção de pontes que permitiam a sua travessia, as margens do rio foram sendo ocupadas. O bandeirante Fernão Dias Paes Leme tornou-se proprietário de terras na margem direita do Rio Pinheiros. Na margem direita do rio, havia o Forte Emboaçava, para proteger a vila de São Paulo de Piratininga dos ataques indígenas, que, à época, eram constantes.

No início do século XX, a paisagem em torno do rio começou a transformar-se em função das novas levas de imigrantes, principalmente italianos e japoneses, que vieram se instalar às margens do rio.

A partir de 1926, quando o rio ainda abrigava em suas margens clubes esportivos, com provas de travessia a nado e regatas náuticas, estações elevatórias geravam energia barata em abundância, capaz de prover a industrialização do Estado[3] . A partir de 1928, foram iniciadas as obras de retificação do Rio Pinheiros, que se estenderiam até os anos 1950. O objetivo destas obras era acabar com as inundações, canalizar as águas e direcioná-las para a Represa Billings, invertendo o sentido do rio, com a Usina Elevatória de Traição. Com isso, foram criadas condições para a instalação da Usina Hidrelétrica Henry Borden, em Cubatão, que recebia água do Rio Tietê pelo Rio Pinheiros e pela Billings, aproveitando o grande desnível da Serra do Mar, de mais de setecentos metros, para gerar energia elétrica. O Rio Pinheiros pode ser encaminhado no sentido mais conveniente, bastando desligar o bombeamento da Usina de Traição e abrir uma barragem a jusante no Rio Tietê para ele voltar a correr no curso natural.

Em 1957, na margem leste do rio, foi inaugurado o ramal de Jurubatuba da Estrada de Ferro Sorocabana, que hoje é a Linha 9 da CPTM, ou Linha Esmeralda. Em 1970, nas duas margens do rio, foi inaugurada a Marginal Pinheiros (Via Professor Simão Faiguenboim), que como via expressa de tráfego, efetivamente isolou o Rio Pinheiros do convívio com a população, antes mesmo de suas águas estarem contaminadas pela poluição.

Com tantas transformações, as margens do rio perderam as matas ciliares e a vegetação natural foi se extinguindo. Na pequena faixa de terra restante foram implantadas linhas de transmissão de energia, interceptores e emissários de esgotos, oleoduto, cabos de telecomunicações, galerias de águas pluviais e também estradas de serviço para as operações de desassoreamento. o rio Pinheiros passou a receber esgoto doméstico e resíduos industriais, o que acabou por comprometer a qualidade de suas águas e a sobrevivência da fauna local[3] .

Em 1992, o bombeamento para a Billings foi proibido pela Resolução Conjunta SMA/SES 03/92, atualizada pela Resolução SEE-SMA-SRHSO-I de 13/03/96 [4] para proteger o reservatório de poluição. Hoje, só é permitido o bombeamento para a Billings em eventos de chuva intensa, quando há perigo de enchente.

A partir de 1998, seriam iniciados os trabalhos de recuperação do rio através de despoluição e recuperação das margens, que se estendem até hoje (ver #Problemas ambientais).

Bacia Hidrográfica[editar | editar código-fonte]

O Rio Pinheiros recebe os seguintes afluentes: Ribeirão Jaguaré, Rio Pirajuçara, Córrego Poá, Córrego Belini, Córrego Corujas, Córrego Verde I, Córrego Verde II, Córrego Iguatemi, Córrego Sapateiro, Córrego Uberaba, Córrego Traição, Córrego Água Espraiada (Jabaquara), Ribeirão Morro do S, Córrego Ponte Baixa, Córrego Zavuvu e Córrego Olaria. As nascentes destes córregos estão parte em São Paulo, parte no município de Taboão da Serra e parte no município de Embu das Artes. A maior parte das pessoas tem total desconhecimento sobre eles porque estão quase totalmente canalizados e cobertos por ruas[5] .

Existem exceções, tais como o Córrego Água Espraiada, em grande a parte a céu aberto. Parte do corrégo encontra-se no canteiro central da Avenida Jornalista Roberto Marinho, embaixo, portanto, do local onde será construído o Monotrilho da Linha 17 do Metrô de São Paulo[6] . Outra parte do córrego encontra-se cercada de favelas, onde em 2010 viviam cerca de 8.556 pessoas[7] . Está incluída, na Operação urbana Água Espraiada (através de uma modificação no projeto feita em 2009 pelo então prefeito Gilberto Kassab), a construção de um parque linear ao redor do córrego, o que exigiria a desapropriação destas favelas[7] .

Outra exceção é o Córrego das Corujas, que tem um pequeno trecho à céu aberto, localizado na Praça Dolores Ibarrury, entre a Vila Madalena e a Vila Beatriz[8] .

Problemas ambientais[editar | editar código-fonte]

Ficheiro:Jockey Club de São Paulo.jpg
Ocupação urbana nas margens do Rio Pinheiros

Segundo dados da Secretaria de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo[9] , o Rio Pinheiros tem uma vazão reduzida, de apenas 10 mil litros/segundo (média anual), ao passo que o rio e sua bacia recebem 10.9 mil litros de esgoto (sendo, de acordo com a Sabesp, 82% do esgoto tratados[10] ). O grande volume de água aparente do rio se deve às represas presentes no mesmo, fazendo com que o Rio Pinheiros seja na realidade uma série de lagoas, que transfere água lentamente ao Rio Tietê. Isso torna a despoluição do rio complexa, lenta e onerosa, já que num corpo d'água corrente, a natureza oxigena o rio, degradando a matéria orgânica[9] .

O Rio Pinheiros e sua bacia são alvo de 290 indústrias e dejetos de 400 mil famílias, sendo enquadrado na Classe nº 4 pelo Decreto Estadual nº 10.755/77, tendo como referência a classificação conceituada pelo Decreto Estadual nº 8.468/76. Isso significa que a água é totalmente poluída e só pode ser destinada à navegação e à harmonia paisagística[10] . De acordo com a CETESB[11] , em 2009, o Índice de Qualidade das Águas (IQA) do Rio Pinheiros era 28 (Ruim) na saída da Represa Billings, e 20 (Ruim) no deságue no Rio Tietê. Para efeitos comparativos, o IQA da Represa Billings variava de 53 a 81 (Bom/Ótimo).

A poluição do rio afeta a vida diária das pessoas que moram e trabalham na região. A decomposição dos dejeitos domésticos leva à formação de gás sulfídrico, principal responsável pelo mau odor do rio. O fedor pode ser sentido na Marginal Pinheiros, na Linha 9 da CPTM, na ciclovia na margem do rio, e por exemplo, no Shopping Cidade Jardim[12] .

Um risco à saúde decorrente da poluição é a grande presença de mosquitos da espécie Culex quinquefasciatus em todo o curso do rio. Sugere-se que a proliferaçào de mosquitos é causada pela escassez de peixes, predadores naturais da larva do mosquito[13] .

Capivaras na Universidade de São Paulo, próximo à Via Professor Simão Faiguenboim. Muitas outras espécies de animais também vivem ao longo do rio.

Projeto de despoluição através de flotação (2001-2011)[editar | editar código-fonte]

Em 1 de janeiro de 2001, o então governador do Estado de São Paulo, Geraldo Alckmin, anunciou um projeto de despoluição do rio, orçado em 100 milhões de dólares estadunidenses, e baseado na técnica de flotação. Uma das idéias da despoluição era permitir que a água do rio seja bombeada para a Represa Billings, utilizada no abastecimento de água. A justificativa apresentada pelo então secretário do Meio Ambiente, Ricardo Tripoli, para a escolha da tecnica de flotação, é que este sistema seria o mais eficiente, rápido e de menor custo, lembrando que o sistema vinha sido testado com sucesso em dois canais na praia da Enseada, no Guarujá, e nos lagos dos parques da Aclimação e Ibirapuera[14] .

O projeto no entanto recebeu duras críticas, devido a tanto a questionabilidade da eficácia do método de flotação como à idéia de bombear água do Pinheiros, tratada usando este método, para a Billings. Uma das críticas era que a flotação não remove metais pesados e poluentes orgânicos e inorgânicos na forma solúvel, e também poluentes organoclorados, bifenilas policloradas e hidrocarbonetos aromáticos policíclicos; substâncias estas preocupantes em relação à qualidade das águas para a saúde pública, posto que biocumulativas, cancerígenas e mutagênicas[15] .

Em março de 2010, testes conduzidos pelo então governador José Serra mostraram que os resultados do processo de despoluição, embora indicavam certas melhoras, estavam aquém do esperado e não permitiriam o bombeamento da água do rio para a Billings. Segundo o promotor José Eduardo Ismael Lutti, "A qualidade da água obtida nos testes não atende os padrões legais e certamente virá a causar danos irreversíveis à Billings e, possivelmente, em consequência, à Guarapiranga, tanto sob o ponto de vista ambiental quanto no de saúde pública."[16]

Finalmente, após 10 anos e cerca de 160 milhões de reais gastos, em setembro de 2011, o governo do estado de São Paulo desistiu de plano de limpeza do rio Pinheiros baseado na técnica de flotação[17] .

Projeto Tietê (1998-atual)[editar | editar código-fonte]

Como afluente do Rio Tietê, o Rio Pinheiros é beneficiado pelo Projeto Tietê, que visa coletar o esgoto lançado nos rios e corrégos da Bacia de Tietê. Em janeiro de 2000, a Sabesp inaugurou o Emissário Pinheiros-Leopoldina, uma tubulação com quase 3 metros de diâmetro e 7,5 quilômetros de extensão que recebe os esgotos de quase toda a bacia do Rio Pinheiros para serem tratados na Estação de Barueri. A instalação é responsável pela coleta de 3 mil litros de esgotos por segundo[18] .

Para a terceira fase do projeto (com previsão de término em 2015) está prevista, entre outras obras, a implantação do interceptor IPI-8, entre a Ponte Estaiada e o Parque Burle Marx, capaz de coletar 450 litros de esgoto por segundo[19] , e a ampliação da estação de tratamento Barueri[20] .

Uma das premissas da terceira fase é aumentar o parâmetro de oxigênio dissolvido (OD) da água (praticamente zero em toda extensão do rio em setembro de 2010), para até 2 mg/L em grande parte da extensão do rio, além de reduzir consideravelmente a emissão de odores[21] . Considera-se que o valor mínimo de OD para a preservação da vida aquática, estabelecido pela Resolução CONAMA 357/05(2), é de 5,0 mg/L[22] .

Após o fim da terceira fase do Projeto Tietê, a despoluição do rio e sua bacia deve continuar pelos anos subsequentes. Ao término do processo de despoluição, espera-se que o rio, em sua maior parte, seja um rio de Classe nº 3 (pelo Decreto Estadual nº 10.755/77, tendo como referência a classificação conceituada pelo Decreto Estadual nº 8.468/76), com parâmetro de oxigênio dissolvido (OD) entre 4 a 6 mg/L[21] . Isto significa que o rio seria capaz de abrigar vida aquática e sua água poderia ser encaminhada para abastecimento com tratamento convencional, mas não seria ainda balneável[23] .

Projeto Pomar Urbano e Ciclovia Rio Pinheiros (1999-atual)[editar | editar código-fonte]

Em 1999, o então Governador do Estado de São Paulo Mário Covas e o Secretário de Meio Ambiente Ricardo Tripoli lançaram o Projeto Pomar Urbano, em colaboração com técnicos de diversas áreas e parceiros da iniciativa privada. Seus objetivos eram devolver a vida às margens do rio, promover a educação ambiental e ainda promover junto à população o orgulho e o respeito pela cidade[24] . Desde sua implantação, foram plantadas 300.000 mudas, das quais mais de 1.000 são de Palmeira Jerivá, espécie nativa da região[25] .

Em janeiro de 2010, foi inaugurada a Ciclovia do Rio Pinheiros, na margem leste do rio, entre o rio e a Linha 9 da CPTM[26] . Atualmente a ciclovia conta com 19 km, ocupando portanto a maior parte da margem leste do rio[27] . Efetivamente, a ciclovia restaurou um pouco do convívio do rio com a população, que havia sido praticamente perdido com a construção das vias marginais.

Referências

  1. FERREIRA, A. B. H. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. Segunda edição. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1986. p.987
  2. Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas, FFLCH-USP. Curso de Tupi Antigo: Vocabulário. Visitado em 28 de Dezembro de 2011.
  3. a b Projeto Pomar - O Rio e a Cidade
  4. Avaliação do sistema Pinheiros-Billings
  5. ONG Águas Claras do Rio Pinheiros - Bacia Hidrográfica do Rio Pinheiros
  6. "Monotrilho deve gerar efeito 'minhocão' na zona sul de SP", Folha de São Paulo, 22 de abril de 2012
  7. a b "Orçados em R$ 4,4 bilhões, parques lineares removerão mais de 20 mil famílias em SP", UOL Notícias, 11 de outubro de 2010
  8. terrasraras - O Córrego das Corujas
  9. a b PENA, D., "Despoluir o Pinheiros, tarefa de gerações", Folha de São Paulo, 20 de março de 2008
  10. a b ONG Águas Claras do Rio Pinheiros - Meio Ambiente
  11. CETESB - Dados de qualidade da água da Bacia do Alto Tietê
  12. "Odor do rio Pinheiros, em SP, pode causar enjoo e dor de cabeça", Folha de São Paulo, 8 de abril de 2012
  13. MANCUSO, P., "Aspectos de Saúde Pública", Forum Rio Pinheiros: O Futuro Passado a Limpo, setembro de 2011
  14. "Rio Pinheiros será despoluido até o início do ano que vem", Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo
  15. "Promotor quer impedir limpeza de bacias por sistema de flotação", Consultor Jurídico, 4 de julho de 2003
  16. "SP falha em teste para limpar o rio Pinheiros", Folha de São Paulo, 29 de março de 2010
  17. "Após gastar R$ 160 mi, SP deixa plano para limpar rio Pinheiros", Folha de São Paulo, 30 de setembro de 2011
  18. Projeto Tietê - 1a etapa
  19. "Interceptor tira mais esgoto do rio Pinheiros", Planeta Sustentável, Novembro de 2010
  20. Projeto Tietê - 3a etapa
  21. a b Sabesp - RMSP Bacia do Pinheiros, 26 de setembro de 2009
  22. CETESB - Alterações físico químicas
  23. DECRETO Nº 8.468, de 08 DE SETEMBRO DE 1976
  24. Projeto Pomar Urbano - Uma história de sucesso
  25. Projeto Pomar Urbano - Números do Pomar Urbano
  26. "Inaugurada ciclovia às margens do Rio Pinheiros", Portal G1, 27 de fevereiro de 2010
  27. | CPTM - Ciclovia Rio Pinheiros

Ver também[editar | editar código-fonte]

O Commons possui uma categoria contendo imagens e outras mídias sobre Rio Pinheiros

Outras transposições[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]