The People vs. Larry Flynt

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The People vs. Larry Flynt
Larry Flynt (PT)
O Povo contra Larry Flint (BR)
 Estados Unidos /  Canadá
1996 • cor • 129 min 
Direção Milos Forman
Roteiro Scott Alexander
Larry Karaszewski
Elenco Woody Harrelson
Courtney Love
Edward Norton
Género drama biográfico
Idioma inglês
Página no IMDb (em inglês)

The People vs. Larry Flynt (br: O Povo contra Larry Flint / pt: Larry Flynt) é um filme de 1996 produzido pelos Estados Unidos e Canadá, do gênero drama biográfico, dirigido por Milos Forman. Relata a vida de Larry Flynt, polêmico editor da revista Hustler, que enfrentou vários processos na justiça estadunidense.

Sinopse[editar | editar código-fonte]

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O filme começa em 1953 com o jovem de dez anos de idade Larry Flynt vendendo aguardente caseiro em Kentucky. Depois a narrativa pula 20 anos e Flynt e seu irmão mais novo Jimmy estão administrando a boate Hustler Go-Go em Cincinnati. Como forma de melhorar os lucros, Flynt decide publicar panfletos com fotos das mulheres que se apresentam na boate. Ao pedirem que ele inclua textos nos panfletos, Flint inicia a revista Hustler, como uma versão mais popular da Playboy. A publicação fica conhecida quando divulga fotos não autorizadas de Jacqueline Kennedy Onassis nua.

Flynt é promíscuo mas acaba tornando sua amante favorita a stripper bissexual Althea Leasure. Com o auxílio de Althea e Jimmy, Flynt se torna um milionário com o sucesso da Hustler. Mas também se iniciam campanhas contra eles, particularmente os ativistas anti-pornografia.

Com os inúmeros processo que Flynt começa a sofrer na Justiça americana, ele se torna amigo do advogado Alan Isaacman. Em 1975, Flynt perdeu um caso em Cincinnati mas não foi preso. Ruth Carter Stapleton, uma religiosa cristã e irmã do presidente Jimmy Carter, convence Flynt a se tornar um devoto de Jesus, o que altera o conteúdo da Hustler.

Em 1978, na saída de um julgamento na Georgia, Flynt e Isaacman são atingidos por disparos de rifle. Isaacman se recupera mas Flynt fica com as pernas paralisadas, tendo que se locomover com uma cadeira de rodas. Com esse sofrimento, Flynt deixa o Cristianismo e se torna dependente de drogas, acabando por viciar sua esposa em morfina.

Em 1983, Flynt resolve reassumir a revista. Mas logo ele vai parar no tribunal, dessa vez por divulgar um vídeo de um negócio de drogas arranjado pelo FBI. Flynt também publica uma paródia do evangélico Jerry Falwell que o processa por difamação e em resposta, Flynt o acusa de violação de direitos autorais (Falwell publicou inúmeros folhetos com a reprodução do texto de Flynt para serem distribuidos em sua comunidade). Em 1984, a decisão foi mista, com Flynt sendo condenado por desconforto emocional mas não difamação.

Althea contrai o vírus HIV pelo seu uso continuado de drogas e, em 1987, Flynt a encontra afogada em sua banheira. Flynt resolve pedir a Isaacman que apele na Suprema Corte sobre a decisão no caso de Falwell.

Elenco[editar | editar código-fonte]

Principais prêmios e indicações[editar | editar código-fonte]

Oscar 1997 (EUA)

Globo de Ouro 1997 (EUA)

  • Venceu nas categorias de Melhor Diretor e Melhor Roteiro.
  • Foi também indicado nas categorias de Melhor Filme (drama), Melhor Ator (drama) (Woody Harrelson) e Melhor Atriz (drama) (Courtney Love).

Festival de Berlim 1997 (Alemanha)

NYFCC Award 1996 (New York Film Critics Circle Awards, EUA)

  • Venceu na categoria de Melhor Atriz (coadjuvante/secundária) (Courtney Love).

LAFCA Award 1996 (Los Angeles Film Critics Association Awards, EUA)

  • Venceu na categoria de Melhor Ator (coadjuvante/secundário) (Edward Norton).

Curiosidades[editar | editar código-fonte]

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  • O próprio Larry Flynt aparece em uma ponta no filme, interpretando um dos juízes dos processos aos quais ele mesmo foi submetido no passado.
  • Larry Flynt e seu irmão Jimmy foram interpretados por irmãos na vida real, Woody Harrelson e Brett Harrelson.
  • Larry Flynt queria a atriz Ashley Judd para intérprete de Althea.

Análise do filme[editar | editar código-fonte]

Este filme é a biografia de Larry Flynt, figura com enorme popularidade nos Estados Unidos. Conforme é mostrado no filme, muitos crêem que é pelas piores razões, visto o americano se ter celebrizado pelos seus feitos no mundo da pornografia, mais concretamente na publicação de revistas da especialidade, prática nada apreciada pelos mais conservadores.

De início somos introduzidos nas suas origens humildes onde o vemos com o irmão Jimmy, ainda crianças, a tentar vender aguardente, mas uma vez acabados os créditos iniciais da obra, já vemos Larry Flynt – Woody Harrelson – como dono de um clube de striptease, que, por sinal, não é lá muito próspero. No dito clube, que gere com o irmão, acaba por começar um relacionamento com a stripper Althea – Courtney Love –, que virá a revelar-se a mulher da sua vida, embora Flynt, tal como Althea, se revelem anti-monógamos, não levantando qualquer problema por isso, antes pelo contrário.

Para combater a falta de êxito financeiro de que o seu estabelecimento padece, Flynt decide dedicar-se à publicação de material pornográfico, via que, não obstante os contratempos que lhe traz, o transforma num autêntico magnata da indústria pornográfica. Para que tal tenha acontecido, muito povo contribuiu, ao aderir ao que o negócio das publicações para maiores de idade da sua autoria lhes oferecia, mas do outro lado, do lado antagónico, também está muito povo e sedentos da queda e desgraça de Flynt eles estão. É com base nesta ideia que o filme se desenrola ao vermos a luta de um homem por aquilo em que acredita mas que muitos consideram de obsceno. Desde as constantes, mas curtas, lutas de tribunais, passando por experiências religiosas, conflitos pessoais, ambientes de droga, envolvimentos em casos que dizem respeito a altos organismos do Estado, Larry Flynt enfrenta como pode as vicissitudes do estilo de vida que escolheu.

A certa altura da película, Flynt profere uma frase ao seu advogado – Edward Norton – que espelha exemplarmente como é a obra em questão: “Sou o cliente dos teus sonhos, sou divertido, sou rico e estou sempre em sarilhos”. É isto: o filme gira à volta de Flynt, dos seus problemas e da sua luta, e além de rico é divertido, é um facto. Milos Forman mais recentemente, em Homem na Lua (outro biopic), colocou drama e comédia aliados e aqui a cantiga ainda se apresenta mais despreocupada. Quem espera ver um quadro negro aterrador da perturbada vida de Larry Flynt vai talvez sair mais desiludido que no já citado título anterior, embora haja espaço para cenas realmente tristes, duas ou três e provavelmente ficamos por aqui. A verdade é que Woody Harrelson – nomeado ao Óscar de melhor actor – dá à sua personagem uma incrível e conseguidíssima comicidade deveras inesperada para um filme que devia ser esperado como um retrato perturbador de alguém, cujo trajecto captado no filme é terrivelmente atribulado. Podemos chegar até ao ponto de afirmar que estamos perante uma biografia light, contrastando com os métodos habituais do género onde é costume as ambiências dramáticas serem mais vigentes. Para anular tal característica, contribui o adequado ritmo despachado e, sobretudo, mas sobretudo mesmo, a natureza cómica pacóvia de Flynt onde impera correntemente o absurdo, que se revela hilariante não poucas vezes.

Portanto, e estando perante uma obra assumidamente light, sabe bem ver um registo diferente nos meandros do género e quem não se importou mesmo nada foi o Festival de Berlim que lhe atribuiu o Urso de Ouro.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]