Topiramato

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Topiramato
Alerta sobre risco à saúde
Topiramate.svg
Topiramate 3D.png
Nome IUPAC 2,3:4,5-Bis-O-(1-methylethylidene)-beta-D-fructopyranose sulfamate
Identificadores
Número CAS 97240-79-4
PubChem 5284627
DrugBank DB00273
Propriedades
Fórmula química C12H21NO8S
Massa molar 339.32 g mol-1
Farmacologia
Via(s) de administração via oral
Metabolismo 30% hepático; 70% excretado sem alteração
Meia-vida biológica 19 a 23 horas
Excreção 70% renal - não alterado
Exceto onde denotado, os dados referem-se a
materiais sob condições normais de temperatura e pressão

Referências e avisos gerais sobre esta caixa.
Alerta sobre risco à saúde.

O topiramato (nome comercial: Topamax) é um anticonvulsivante que possui evidências de agir como estabilizante de humor e como neuroprotetor.[1] [2] [3] [4] . Usado no tratamento de:

Por diminuir a fome, estabilizar o humor e facilitar o auto-controle resulta em perda de peso de 50 a 60% dos pacientes. [19]

História[editar | editar código-fonte]

Descoberto em 1979 por Bruce E. Maryanoff e Joseph F. Gardocki por laboratórios da Johnson & Johnson[20] . Desde a expiração da patente (em fevereiro de 2009) passou ser utilizado e testado para diversos tipos de transtornos psiquiátricos e neurológicos.[21] . Como é uma droga recente, ainda está sendo muito estudado por laboratórios do mundo todo.

Farmacologia[editar | editar código-fonte]

O topiramato é rapidamente absorvido e possui farmacocinética linear. Não interfere nos níveis séricos de outros anticonvulsivantes como carbamazepina, ácido valpróico ou fenobarbital, mas pode elevar os de fenitoína[22] . Em estudos com ratos revelou causar problemas na gravidez e estar presente no leite materno.[23]

Entre seus efeitos estão a potencialização da atividade do GABA, a diminuição da atividade dos canais de sódio voltagem-dependentes (diminuindo assim sinapses desnecessárias), a inibição da anidrase carbônica e o antagonismo da atividade do glutamato nos receptores AMPA.[1]

No tratamento da mania os resultados são contraditórios, com um estudo mostrando sua eficácia em 50% e outro, este duplo-cego, mostrando ele equivalente ao placebo (ambos com alta remissão).[24]

Pode enfraquecer o efeito de anti-concepcionais de estrogênio.

Não é recomendado durante a gravidez pelo risco de má formações, especialmente nos lábios.[25]

Efeitos colaterais[editar | editar código-fonte]

Foi pouco estudado isoladamente mas nos estudos utilizado junto com outros anticonvulsivantes seus efeitos colaterais foram parestesias (sensações na pele como calor e formigamento sem estímulo visível), cansaço, sonolência, tonturas, diminuição da coordenação motora (ataxia), dificuldade de concentração, além dos já mencionados, e em 1,5%, pedra nos rins.[26]

Em um estudo apenas com o Topiramato os efeitos colaterais mais comuns foram[27] [28] :

  • Parestesias (menor sensibilidade tátil e formigamento)(23.7%);
  • Infecção respiratória (nariz e boca) (17.5%);
  • Perda de apetite (13.3%);
  • Náusea (15.4%);
  • Diarréia (16.8%);
  • Problema de memória (11.2%);
  • Diminuição dos reflexos (4.1%);
  • Sonolência (3.2%);
  • Cansaço (3.3%);
  • Dificuldade de concentração (3.2%);

Esses efeitos colaterais estão fortemente associados a quantidade do medicamento e são mais fortes no início do tratamento portanto ele deve ser introduzido aos poucos para minimizá-los. Por causa de seus efeitos colaterais, não deve ser usado antes de atividades que exijam alta concentração e atenção como dirigir e praticar esportes.[29] É importante não interromper o tratamento subitamente pois isso leva a um risco aumentado de convulsões. [30]

Overdose[editar | editar código-fonte]

Os sintomas da overdose incluem, mas não são limitados a [31] :

Referências

  1. a b Perucca E. A pharmacological and clinical review on topiramate, a new antiepileptic drug. Pharmacol Res. 1997 Apr;35(4):241-56.
  2. Kudin, AP; Debska-Vielhaber, G; Vielhaber, S; Elger, CE; Kunz, WS (2004). "The mechanism of neuroprotection by topiramate in an animal model of epilepsy". Epilepsia 45 (12): 1478–87. doi:10.1111/j.0013-9580.2004.13504.x. PMID 15571505.
  3. Letmaier, M; Schreinzer, D; Wolf, R; Kasper, S (2001). "Topiramate as a mood stabilizer". International clinical psychopharmacology 16 (5): 295–8. doi:10.1097/00004850-200109000-00008. PMID 11552774.
  4. Czuczwar, K; Czuczwar, M; Cieszczyk, J; Gawlik, P; Luszczki, JJ; Borowicz, KK; Czuczwar, SJ (2004). "Neuroprotective activity of antiepileptic drugs". Przeglad lekarski 61 (11): 1268–71. PMID 15727029.
  5. Kudin, AP; Debska-Vielhaber, G; Vielhaber, S; Elger, CE; Kunz, WS (2004). "The mechanism of neuroprotection by topiramate in an animal model of epilepsy". Epilepsia 45 (12): 1478–87. doi:10.1111/j.0013-9580.2004.13504.x. PMID 15571505.
  6. Czuczwar, K; Czuczwar, M; Cieszczyk, J; Gawlik, P; Luszczki, JJ; Borowicz, KK; Czuczwar, SJ (2004). "Neuroprotective activity of antiepileptic drugs". Przeglad lekarski 61 (11): 1268–71. PMID 15727029.
  7. Láinez, MJ; Pascual, J; Pascual, AM; Santonja, JM; Ponz, A; Salvador, A (2003). "Topiramate in the prophylactic treatment of cluster headache". Headache 43 (7): 784–9. doi:10.1046/j.1526-4610.2003.03137.x. PMID 12890134.
  8. Celebisoy, N; Gökçay, F; Sirin, H; Akyürekli, O (2007). "Treatment of idiopathic intracranial hypertension: topiramate vs acetazolamide, an open-label study". Acta neurologica Scandinavica 116 (5): 322–7. doi:10.1111/j.1600-0404.2007.00905.x. PMID 17922725.
  9. Hoopes, SP; Reimherr, FW; Hedges, DW; Rosenthal, NR; Kamin, M; Karim, R; Capece, JA; Karvois, D (2003). "Treatment of bulimia nervosa with topiramate in a randomized, double-blind, placebo-controlled trial, part 1: improvement in binge and purge measures". The Journal of clinical psychiatry 64 (11): 1335–41. doi:10.4088/JCP.v64n1109. PMID 14658948.
  10. SALZANO, Fábio Tapia and CORDAS, Táki Athanássios. Tratamento farmacológico de transtornos alimentares. Rev. psiquiatr. clín. [online]. 2004, vol.31, n.4 [cited 2011-02-24], pp. 188-194 . Available from: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-60832004000400012&lng=en&nrm=iso>. ISSN 0101-6083. doi: 10.1590/S0101-60832004000400012.
  11. Chong, MS; Libretto, SE (2003). "The rationale and use of topiramate for treating neuropathic pain". The Clinical journal of pain 19 (1): 59–68. doi:10.1097/00002508-200301000-00008. PMID 12514458.
  12. Wilding, J; Van Gaal, L; Rissanen, A; Vercruysse, F; Fitchet, M; Obes-002 Study, Group (2004). "A randomized double-blind placebo-controlled study of the long-term efficacy and safety of topiramate in the treatment of obese subjects". International journal of obesity and related metabolic disorders : journal of the International Association for the Study of Obesity 28 (11): 1399–410. doi:10.1038/sj.ijo.0802783. PMID 15486569.
  13. VASQUES, Fátima; MARTINS, Fernanda Celeste and AZEVEDO, Alexandre Pinto de. Aspectos psiquiátricos do tratamento da obesidade. Rev. psiquiatr. clín. [online]. 2004, vol.31, n.4 [cited 2011-02-24], pp. 195-198 . Available from: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-60832004000400013&lng=en&nrm=iso>. ISSN 0101-6083. doi: 10.1590/S0101-60832004000400013.
  14. Ricardo Alberto Moreno e Doris Hupfeld Moreno.(2000) Novos anticonvulsivantes no tratamento do transtorno do humor bipolar: manejo clínico, eficácia e tolerância. Disponível em: http://hcnet.usp.br/ipq/revista/vol26/n6/art288.html
  15. CASTRO, Luís André and BALTIERI, Danilo Antonio. Tratamento farmacológico da dependência do álcool. Rev. Bras. Psiquiatr. [online]. 2004, vol.26, suppl.1 [cited 2011-02-24], pp. 43-46 . Available from: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-44462004000500011&lng=en&nrm=iso>. ISSN 1516-4446. doi: 10.1590/S1516-44462004000500011.
  16. Khazaal, Y; Cornuz, J; Bilancioni, R; Zullino, DF (2006). "Topiramate for smoking cessation". Psychiatry and clinical neurosciences 60 (3): 384–8. doi:10.1111/j.1440-1819.2006.01518.x. PMID 16732758.
  17. ClinicalTrials.gov NCT00685178 Clinical Trial of Topiramate for Cocaine Addiction
  18. Berlant, J; Van Kammen, DP (2002). "Open-label topiramate as primary or adjunctive therapy in chronic civilian posttraumatic stress disorder: a preliminary report". The Journal of clinical psychiatry 63 (1): 15–20. PMID 11838620.
  19. Brown, E.S., Suppes, T., McElroy, S.L., Kmetz, G., Frye, M., Denicoff K., Keck, P., Nolen, W., Kupka, R., Altshuler, L., Rochussen, J., Haytef, J., Leverich, G., Post, R. – A pilot trial of adjunctive topiramate in the treatment of bipolar disorder – Bipolar Disorders 1(suppl. 1): 25, 1999.
  20. B. E. Maryanoff and J. F. Gardocki, "Anticonvulsant sulfamate derivatives", U.S. Patent 4,513,006 (1985)
  21. http://www.medscape.com/viewarticle/544994
  22. Rosenfeld, W.E. – Topiramate: a review of preclinical, pharmacokinetic, and clinical data – Clin Ther 19: 1294-1308, 1997.
  23. Iqbal MM, Gundlapalli SP, Ryan WG, Ryals T, Passman TE. Effects of antimanic mood-stabilizing drugs on fetuses, neonates, and nursing infants. South Med J. 2001;94(3):304-22.
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  25. Hunt, S; Russell, A; Smithson, WH; Parsons, L; Robertson, I; Waddell, R; Irwin, B; Morrison, PJ et al. (2008). "Topiramate in pregnancy: preliminary experience from the UK Epilepsy and Pregnancy Register". Neurology 71 (4): 272–6. doi:10.1212/01.wnl.0000318293.28278.33. PMID 18645165.
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  28. Roy Chengappa, KN; Schwarzman, LK; Hulihan, JF; Xiang, J; Rosenthal, NR; Clinical Affairs Product Support Study-168 Investigators (2006). "Adjunctive topiramate therapy in patients receiving a mood stabilizer for bipolar I disorder: a randomized, placebo-controlled trial". The Journal of clinical psychiatry 67 (11): 1698–706. doi:10.4088/JCP.v67n1105. PMID 17196048
  29. B. E. Maryanoff and J. F. Gardocki, "Anticonvulsant sulfamate derivatives", U.S. Patent 4,513,006 (1985)
  30. http://www.rxlist.com/topamax-drug.htm
  31. http://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?id=7412