Villa d'Este

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Pix.gif Villa d'Este, Tivoli *
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Património Mundial da UNESCO

Villa d'Este 01.jpg
Fonte de Neptuno e Órgão de Água nos jardins da Villa d'Este
País Itália
Critérios i, ii, iii, iv, vi
Referência [1]
Coordenadas 45.5315 N, 11.5600 E
Histórico de inscrição
Inscrição 2001  (25ª sessão)
* Nome como inscrito na lista do Património Mundial.

A Villa d'Este é um palácio da Itália situado em Tivoli, próximo de Roma. Classificada pela UNESCO, desde 2001, como Património Mundial da Humanidade, é uma obra prima da arquitectura e, especialmente, do desenho de jardim.

História[editar | editar código-fonte]

Parque da Villa d'Este, Carl Blechen, 1830: actualmente esta vista está novamente bem cuidada.

A Villa d'Este foi encomendada pelo Cardeal Ippolito II d'Este (1509-1572), filho de Afonso I d'Este e de Lucrécia Bórgia, e neto do Papa Alexandre VI. Ippolito havia sido nomeado Governador de Tivoli pelo Papa Júlio III, com oferta da villa[1] , a qual ele reconstruiu inteiramente segundo planos de Pirro Ligorio, sob a direcção do arquitecto-engenheiro de Ferrara, Alberto Galvani, arquitecto da Corte dos Este. O pintor chefe da ambiciosa decoração interior foi Livio Agresti, de Forlì. A partir de 1550 até à sua morte, em 1572, quando a villa estava quase completa, Ippolito criou um cenário palaciano rodeado por um fabuloso jardim em terraços ao Estilo Renascença tardio Maneirista, o qual tirou total vantagem da dramática encosta mas requereu inovações para trazer um caudal suficiente de água, a qual foi empregue em cascatas, tanques de água, canais e lagos, jactos de água e fontes, giochi d'acqua (jogos de água). Outras villas notáveis com estruturas de jogos de água são a Villa Aldobrandini e a Villa Torlonia em Frascati.

Usando a inspiração no desenho (além de muitas estátuas[2] e muito do mármore usado para a construção) da vizinha Villa Adriana (o retiro palaciano do Imperador Adriano) e a revitalização de técnicas de engenharia hidráulica romanas para fornecer água a uma sequência de fontes, o Cardeal criou um elaborado jardim de fantasia, o qual mistura elementos arquitectónicos com elementos aquáticos e teve uma enorme influência no desenho paisagístico na Europa.

Pirro Ligorio, o qual foi responsável pelos programas iconográficos usados nos programas dos afrescos da villa, também foi contratado para esboçar os jardins, com a assistência de Thomaso Chiruchi, de Bologna, um dos mais experimentados engenherios hidráulicos do século XVI; Chiruchi havia trabalhado nas fontes da Villa Lante em Bagnaia. Na Villa d'Este foi assistido no desenho técnico para as fontes por um francês, Claude Venard, um experiente manufactor de Órgãos hidráulicos.

O Cardeal Alessandro d'Este reparou e ampliou os jardins a partir de 1605.

No século XVIII, a villa e os seus jardins passaram para a posse da Casa de Habsburgo[3] e foram negligenciados. As hidráulicas caíram em desuso e muitas das esculturas encomendadas por Ippolito d'Este foram espalhadas por outros sítios. O pitoresco sentido de decadência registado por Carl Blechten (ilustração) e outros pintores foi revertido durante a posse do Cardeal Gustav von Hohenlohe; o Cardeal hospedou Franz Liszt, o qual evocou os jardins na sua Les Jeux d'Eaux à la Villa d'Este (Os Jogos de Água na Villa d'Este) e deu um dos seus últimos concertos aqui. O volume de poemas de Jean Garrigue, Um passeio de água por Villa d'Este (1959) continua uma longa tradição de poesia inspirada pelos jardins. Kenneth Anger filmou Eaux d'artifice (Água de Artifício) entre os elementos aquáticos do jardim. deste modo, a Villa d'Este tem sido celebrada na poesia, pintura e música.

Os campos da Villa d'Este também acolhem o Museo Didattico del Libro Antico (Museu Didático do Livro Antigo), um museu de ensino para o estudo e conservação de livros antigos.

A Villa[editar | editar código-fonte]

A Grande Galeria de Pirro Ligorio na frente de jardim.

A própria Villa d'Este rodeia por três lados um pátio do século XVI, situado no antigo claustro Beneditino. A fonte numa parede lateral, enquadrada na Ordem Dórica, contém uma escultura de uma ninfa adormecida numa gruta[4] guardada pelas águias heráldicas dos Este, com um baixo-relevo enquadrado em ramos de maçã, os quais ligam a villa ao jardim das Hespérides. A central entrada principal conduz ao Appartamento Vecchio (Aposento Velho), o "Velho Apartamento" feito por Ippolito d'Este, com o seu tecto abobadado coberto por afrescos, com alegorias seculares, por Livio Agresti e os seus alunos. O Appartamento Vecchio está centrado na Grande Sala, com a sua espectacular vista sobre o eixo principal dos jardins, que se dissolvem numa série de terraços. À esquerda e à direita ficam conjuntos de salas, nas quais se encontram, para a esquerda, a biblioteca do Cardeal Ippolito e o seu quarto com a capela mais à frente, e a escadaria privada para o apartamento baixo, o Appartamento Nobile, o qual dá acesso directo à Grande Galeria de Pirro Ligorio (ilustração à direita) assente no terraço coberto de cascalho, com um arco do triunfo como motivo.

Os Jardins[editar | editar código-fonte]

Le Cento Fontane (As Cem Fontes)
Fontana della Rometta (Fonte de Rometta)

A planta do jardim foi organizada com um eixo central cruzado por eixos subsidiários com características cuidadosamente variadas, refrescado por cerca de quinhentos jactos em fontes, lagos e canais, alimentados pelo Rio Aniene, o qual é parcialmente desviado através da cidade numa distância de um quilómetro, e pela nascente de Rivellese, a qual abastece uma cisterna sob o pátio da villa.

O terraço superior da villa termina num balcão balaustrado com uma visão panorâmica sobre o plano mais baixo. O eixo é flanqueado por escadarias duplas que levam ao seguinte terraço ajardinado, Com a gruta de Diana, ricamente decorada com afrescos e mosaicos de seixos de um lado a central Fontana del Bicchierone ("Fonte da Grande Taça"), atribuída a Bernini, onde a água emana de uma rocha aparentemente natural para uma taça em forma de concha enrolada.

Para descer ao nível seguinte, o visitante tem que descer as escadas colocadas em cada extremo - o elaborado complexo de fontes chamado La Rometta ("a pequena Roma") fica no estremo esquerdo — para ver o comprimento total das Cem Fontes no nívrl seguinte, onde os jactos de água enchem o longo canal rústico, e a Fontana dell'Ovato de Pirro Ligorio termina a vista cruzada. Os visitantes podem caminhar atrás da água através da arcada rusticada do côncavo ninfeu, o qual é povoado por ninfas de mármore criadas por Giovanni Battista Della Porta. Acima do ninfeu, a escultura de Pegasus evoca ao visitante a Fonte de Hippocrene no Monte Parnaso, o lugar frequentado pelas Musas.

Este terraço fica unido ao seguinte pela central Founte dos Dragões, dominando a perspectiva central dos jardins, erguida para uma visita, em 1572, do Papa Gregório XIII, cujo brasão exibia um dragão. Escadas centrais descem para uma encosta arborizada, conduzindo a um conjunto de três viveiros rectangulares no eixo cruzado do ponto mais baixo dos jardins, terminando à direita pelo Órgão e Fonte de Neptuno.

Galeria de Imagens da Villa d'Este[editar | editar código-fonte]

Notas

  1. A villa fôra confiscada aos Beneditinos pelo papado, no século XIII, para ser usada como uma residência do governador.
  2. Diz-se que o Telephus, estátua romana de mármore do século II, que passou pela colecção Borghese e está actualmente no Museu do Louvre, terá sido recuperado nos terrenos da Villa d'Este.
  3. Ercole III d'Este deixou a propriedade à sua filha Maria Beatrice, casada com o Grão Duque Ferdinand V Habsburgo. Esta foi comprada pelo Estado Italiano depois da Primeira Guerra Mundial, restaurando-a e remobilando-a com pinturas dos depósitos da Galleria Nazionale, de Roma.
  4. A figura segue um protótipo helénico, mais familiar na Ariadne Adormecida do Vaticano. A gruta, epitomizada pelas estalactites em alto-relevo, identifica-a como ninfa residente, ou genius loci, apesar de alguns guias a chamarem, ocasionalmente, de Vénus.

Referência[editar | editar código-fonte]

  • Touring Club Italiano, 1966. Guida d'Italia: Roma et dintorni, pp 615–18.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Cartocci, Sergio 1976. Tivoli: The Tiburtine area : its history and works of art : Villa d'Este, Villa Gregoriana, Villa Adriana
  • Coffin, David R. 1960. The Villa D'Este At Tivoli
  • Dal Maso, Leonardo B. 1978.The villa of Ippolito II d'Este at Tivoli (Italia artistica)
  • Dernie, David,and Alastair Carew-Cox 1996. The Villa D'Este at Tivoli
  • de Vita, Marcello. 1950 etc. Villa d'Este: Description of the villa
  • Durand, Jean 1992. Les jeux d'eau de la Villa d'Este
  • Mancini, Gioacchino, 1959. Villa Adriana e Villa d'Este (Itinerari del musei e monumenti d'Italia)
  • Pemberton, Margaret. 1955. Villa d'Este
  • Podenzani, Nino, 1960. Villa d'Este
  • Raymond, (trans. Hall) 1920. Historical Notes on Villa d`Este

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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