Guerra na Idade Média

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Os inventos militares pouco avançaram no Ocidente medieval (Europa), permanecendo parecidos, na maioria das vezes, com os da Antiguidade clássica. O uso de armas, como as manganelas, balistas (possibilitando a criação de trabucos), arco e flecha (possibilitando futuramente a invenção da besta), espadas e, ainda, infantaria montada (cavalaria). Isso mostra uma sociedade ainda muito "romana", se podemos assim dizer, graças a enorme quantidade de armas iguais.

Porém, com a chegada de Marco Polo da Ásia, houve significativas mudanças, graças à pólvora, que seria usada para a confecção de novas armas (agora, armas de fogo), uma verdadeira revolução para armas da época, mas ainda armas muito precárias, sem precisão e que atiravam poucos projéteis em um grande espaço de tempo, quando ainda não matavam os próprios atiradores, com uma explosão súbita. É marcado ainda nesta mesma época, o fim do uso de armas de cerco medievais, como o trabuco, e a partir de então, a implementação de canhões. Porém ainda se utilizariam arcos e bestas até meados do século XVIII, espadas até o início do século XIX, quando se implanta uma "espada" na frente da arma (baioneta) e cavalaria até o século passado, com a introdução de "cavalaria moderna" (os tanques de guerra). A tecnologia militar medieval deu bases para a tecnologia militar atual, pois é durante o período medieval que se implanta o uso de armas de fogo.

Armas de cerco[editar | editar código-fonte]

Mangonéis: A manganela era um tipo de catapulta ou máquina de sítio usada na era medieval (Idade Média) para lançar projéteis contra paredes de castelos. Sua precisão era muito melhor que a de um trabuco (que foi introduzido mais tarde, logo antes da descoberta e do uso difundido das armas de pólvora).

A manganela lança projéteis em uma trajetória mais baixa e em velocidade mais elevada do que o trabuco com a intenção de destruir muralhas e fortificações, mas também foi muito utilizada nos campos de batalha.

A força do onagro provém da tensão de suas cordas retorcidas, similarmente a uma balista, porém o onagro tem somente um braço enquanto a balista tem dois. Os romanos melhoraram extremamente a maneabilidade do onagro adicionando rodas à sua base. As rodas e o peso leve do onagro facilitaram a sua mobilidade.

A palavra manganela é derivada da palavra grega “magganon” que significa “motor da guerra”. O tipo exato de máquina descrita com o nome "manganela" é motivo de disputas.


Trabucos: Foi uma arma de cerco empregada na Idade Média com a finalidade de esmagar os muros de alvenaria ou para atirar projéteis por cima deles. É chamado às vezes de trabuco de contrapeso, para se distinguir de outra arma, o trabuco de tração, criado antes do trabuco de contrapeso.

O trabuco de contrapeso apareceu em países cristãos e muçulmanos ao redor do Mediterrâneo. Ele podia lançar 140 quilos de projéteis a altas velocidades em fortificações inimigas a até meia milha de distância e eram relativamente precisos. Já houve relatos de que corpos infectados por doenças foram lançados numa tentativa de infectar o povo sob ataque, uma guerra biológica adaptada à idade média. Os trabucos foram inventados na China, aproximadamente em 400 a.C., tendo sido levado até a Europa em 600 d.C., e não foi abandonada até o surgimento da pólvora.

O primeiro registro claro de um trabuco de contrapeso provém de um estudioso islâmico, Mardi Al-Tarsusi, que escreveu: Trabucos são máquinas inventadas por demônios incrédulos. Isso sugere que pelo tempo de Saladino, os muçulmanos já estavam familiarizados com o contrapeso, mas não acredita-se que eles o inventaram.


Bestas: É uma arma com a aparência de uma espingarda, com um arco de flechas, acoplado na ponta da coronha, accionada por gatilho, que projeta setas, dardos similares a flechas. Ela foi bastante usada no século XVI e chegou a coexistir com e depois foi substituída pelos mosquetes, primeiras armas de fogo. Hoje, continua a ser fabricada, pois é usada, em algumas partes do mundo, por caçadores. A palavra besta teria sido sincopada da italiano balestra, que por sua vez deriva do latim ballistra.

O lendário suíço Guilherme Tell, para se livrar da prisão, teve que atirar uma flecha numa maçã colocada sobre a cabeça do próprio filho. Tratava-se de uma ordália, ou prova divina de sua inocência (caso acertasse) ou culpa (se errasse), no conceito do direito medieval europeu.

Armas da Idade Média[editar | editar código-fonte]

Besteiro.

Durante a maior parte da Idade Média, a tecnologia de armamentos mudou muito pouco em relação à do mundo antigo, remanescendo principalmente variantes da clava, faca, lança, machado, arco e flecha. Uma importante inovação foi o uso da lança por um cavaleiro pesado montado. O cavaleiro montado era significativamente mais potente do que qualquer cavalaria do mundo antigo. O equivalente mais próximo na Antigüidade pode ter sido a cavalaria de escolta de Alexandre, o Grande.

No século X, a Europa já havia superado os Antigos na maioria das áreas, inclusive em relação ao armamento. A evolução do cavaleiro pesado causou inovações correspondentes na defesa contra esse tipo de cavalaria. Isso resultou em novas espécies de armas de haste para se defender ou atacar cavaleiros.

O arco longo e a besta eram inovações do Ocidente. A besta, entretanto, já era conhecida pelos chineses.

A tecnologia revolucionária da Idade Média foi o desenvolvimento de armas com pólvora, tanto canhões quanto armas leves como o canhão de mão, o arcabuz e o mosquete.

Armas de combate corpo-a-corpo[editar | editar código-fonte]

Vários tipos de franciscas.

Os soldados desmontados com armas de combate corpo-a-corpo eram o terceiro principal componente dos exércitos medievais, junto com a cavalaria e as tropas com armas de arremesso. Os escaramuçadores lutavam o combate corpo-a-corpo e eram importantes tanto em batalhas intensas quanto em cercos. A infantaria era composta de camponeses, soldados comuns, e cavaleiros desmontados.

Os Francos da Idade das Trevas lutavam com um machado de arremesso chamado francisca, termo que proveio do nome da tribo. Seus vizinhos, os Saxões, lutavam com uma grande faca com lâmina em um só lado chamada seax ou scramasax, da qual retiraram seu nome.

Com o desenvolvimento do cavaleiro pesado veio a espada pesada, que também era usada em combates corpo-a-corpo a pé. As variantes da espada incluem uma versão de duas mãos, a qual requeria grande espaço para ser manejada. Os soldados a pé empunhavam uma variedade de armas, incluindo os machados (de uma ou duas mãos), as maças, os martelos combinados ou não com uma espada curta, e os manguais (Uma variante da maça era uma bola de pontas presa a um cabo por uma corrente). Ao passo que as armaduras evoluíram para reduzir o efeito de golpes de espada, as armas perfurantes ou de esmagamento se tornaram mais favoráveis.

Armas de haste[editar | editar código-fonte]

Soldados suíços e lansquenetes lutando com lanças longas.

A lança básica era uma arma útil ao longo da Idade Média pois era barata de se fazer e simples de usar. Os soldados desmontados comuns e camponeses podiam ser armados com lanças e apinhados ao serviço militar. Na maior parte dos casos, este expediente era de pouca serventia, mas com um pouco de experiência e algum treinamento, os grandes corpos de lanceiros podiam ser efetivos.

As armas de haste evoluíram ao longo de período medieval e, eventualmente, chegaram a um ponto em que formações de tropas desmontadas treinadas no seu uso eram extremamente eficazes. As armas de haste avançadas consistiam em uma ponta de lança com uma ou mais laterais de armas abaixo desse ponto. Essa arma adicional poderia ser uma longa e larga lâmina, um machado, um podão, um martelo, ou uma ponta.

As longas armas de haste evoluíram em resposta aos cavaleiros montados e resultaram em uma volta a formações parecidas com a antiga falange grega. Os cavalos não atacariam uma disciplinada formação de homens a pé apontando armas de haste estendidas. Uma densa formação de armas de haste mantidas altas também serviam como alguma proteção contra flechas.

Os soldados a pé primeiro aprenderam a permanecer atrás de fossos, trincheiras e estacas de madeira para evitar a cavalaria. Depois, aprenderam a manejar lanças, piques, alabardas e outras armas de haste a fim de se precaver da cavalaria. Isso permitiu à formação se movimentar e carregar as estacas anticavalaria. Em uma escaramuça, as variadas peças na extremidade da haste eram usadas para arrancar os cavaleiros de suas montarias, ou causar ferimentos ao cavaleiro ou ao cavalo. Apesar de homens com armaduras não se encontrarem indefesos quando derrubados ao chão, como se poderia imaginar, eles estavam em desvantagem, ao menos temporariamente, em relação aos soldados usando pouca ou nenhum armadura antes que pudessem se levantar.

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Ver também[editar | editar código-fonte]