Candidíase

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Candidíase
Candidíase oral
Classificação e recursos externos
CID-10 B37
CID-9 112
DiseasesDB 1929
MedlinePlus 001511
eMedicine med/264 emerg/76 ped/312 derm/67
MeSH D002177
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Candidíase é uma infecção fúngica causada por qualquer tipo do fungo Candida.[1] Quando a doença afeta a boca é denominada candidíase oral.[1] O sintoma mais evidente de candidíase oral são manchas brancas na língua ou em outras partes da boca e da garganta.[2] A boca pode também apresentar-se dolorida e haver dificuldade em engolir.[2] Quando a doença afeta a vagina é denominada candidíase vaginal.[1] Entre os sinais e sintomas da candidíase vaginal estão prurido e irritação vaginais e, por vezes, um corrimento vaginal branco semelhante a queijo fresco.[3] Ainda que de forma menos comum, o pénis pode também ser afetado causando prurido.[2] Muito raramente a infeção pode tornar-se invasiva e espalhar-se por todo o corpo, causando febre e outros sintomas que dependem das partes do corpo afetadas.[4]

A doença pode ser causada por mais de vinte tipos de fungos do género Candida, um tipo de levedura, dos quais a Candida albicans é o mais comum.[1] As infeções da boca são mais comuns entre crianças com menos de um mês de idade, idosos e pessoas com debilidade imunitária. Entre as condições que causam esta debilidade estão a SIDA, os medicamentos usados em transplante de órgãos, diabetes e o uso de corticosteroides. Entre outros fatores de risco estão o uso de próteses dentárias e o uso de antibióticos.[5] As infeções vaginais ocorrem com maior frequência durante a gravidez, em pessoas com debilidades imunitárias e que se encontram a tomar antibióticos.[6] Os fatores de risco para que a infeção se espalhe pelo corpo incluem estar presente numa unidade de cuidados intensivos, o período pós-cirurgia, recém-nascidos com pouco peso e pessoas com sistema imunitário debilitado.[7]

Entre as medidas para prevenir infeções estão a lavagem da boca com gluconato de clorexidina em pessoas com debilidade imunitária, e a lavagem da boca após a inalação de esteroides.[8] Há poucas evidências que apoiem o uso de probióticos, tanto na prevenção como no tratamento, mesmo entre pessoas com infeções vaginais frequentes.[9][10] No caso de infeções da boca, o tratamento com nistatina ou clotrimazol de aplicação tópica é geralmente eficaz. No caso destes medicamentos não resultarem, pode ser usado fluconazol, itraconazol ou anfotericina B de administração oral ou intravenosa.[8] No caso das infeções vaginais, podem ser usados diversos antifúngicos de aplicação tópica, entre os quais clotrimazol.[11] Em pessoas em que a doença se espalhou pelo corpo, podem ser usadas equinocandinas como a caspofungina ou a micafungins.[12] Em alternativa, pode ser administrada anfotericina B por via injetável ao longo de algumas semanas.[12] Em alguns grupos de risco muito elevado podem ser usados antifúngicos como medida de prevenção.[7][12]

Cerca de 6% dos recém-nascidos com menos de um mês de idade apresentam infeções da boca. Cerca de 20% das pessoas em tratamentos de quimioterapia para o cancro e 20% das pessoas com SIDA também desenvolvem a doença.[13] Cerca de três quartos da mulheres apresentam pelo menos uma infeção por leveduras em determinado momento da vida.[14] A doença disseminada pelo corpo é rara, exceto em grupos de maior risco.[15]

Sinais e sintomas[editar | editar código-fonte]

Os sintomas mais frequentes da candidíase oral são a dor e vermelhidão da boca e mucosa, podendo também haver manchas brancas ou placas na mucosa da língua e bochecha. Já a candidíase nos órgãos genitais são frequentes a comichão (coceiras), vermelhidão e irritação da região exterior da vagina, bem como uma secreção branca e espessa no caso das mulheres e o inchaço, vermelhidão do pênis e prepúcio no caso dos homens.

Diagnóstico e tratamento[editar | editar código-fonte]

A candidíase pode afetar vários tecidos humanos. Na boca é popularmente chamado de "sapinho", acometendo principalmente crianças. Pode ocorrer na pele, mucosas genitais (candidíase vulvovaginal), ou mais raramente tecidos internos, particularmente em imunodeprimidos

A presença de hifas e leveduras observadas ao microscópio é diagnóstica, assim como a cultura com crescimento do fungo embora ambas não tenham sensibilidade muito elevada. A sorologia, com detecção de anticorpo específicos também é disponível, porém pouco útil na prática clínica pela baixa acurácia.

O tratamento das infecções sistêmicas pode ser realizado com medicações endovenosas ou orais com antifúngico como anfotericina B, caspofungina ou com derivados de azol, como fluconazol e itraconazol, enquanto o das infecções superficiais é feito pela aplicação de antimicóticos tópicos como nistatina, clotrimazol, miconazol,tinidazol+nitrato de miconazol,entre outros.

Epidemiologia[editar | editar código-fonte]

Existente em todo o mundo. As leveduras se aproveitam de debilidade ou imunodeficiência para se multiplicar e disseminar além dos níveis normais.

Referências

  1. a b c d «Candidiasis». cdc.gov. 13 de fevereiro de 2014. Consultado em 28 de dezembro de 2014 
  2. a b c «Symptoms of Oral Candidiasis». cdc.gov. 13 de fevereiro de 2014. Consultado em 28 de dezembro de 2014 
  3. «Symptoms of Genital / Vulvovaginal Candidiasis». cdc.gov. 13 de fevereiro de 2014. Consultado em 28 de dezembro de 2014 
  4. «Symptoms of Invasive Candidiasis». cdc.gov. 13 de fevereiro de 2014. Consultado em 28 de dezembro de 2014 
  5. «Risk & Prevention». cdc.gov. 13 de fevereiro de 2014. Consultado em 28 de dezembro de 2014 
  6. «People at Risk for Genital / Vulvovaginal Candidiasis». cdc.gov. 13 de fevereiro de 2014. Consultado em 28 de dezembro de 2014 
  7. a b «People at Risk for Invasive Candidiasis». cdc.gov. 13 de fevereiro de 2014. Consultado em 28 de dezembro de 2014 
  8. a b «Treatment & Outcomes of Oral Candidiasis». cdc.gov. 13 de fevereiro de 2014. Consultado em 28 de dezembro de 2014 
  9. Jurden L, Buchanan M, Kelsberg G, Safranek S (junho de 2012). «Clinical inquiries. Can probiotics safely prevent recurrent vaginitis?». The Journal of family practice. 61 (6): 357, 368. PMID 22670239 
  10. Abad CL, Safdar N (junho de 2009). «The role of lactobacillus probiotics in the treatment or prevention of urogenital infections--a systematic review.». Journal of chemotherapy (Florence, Italy). 21 (3): 243–52. PMID 19567343. doi:10.1179/joc.2009.21.3.243 
  11. «Treatment & Outcomes of Genital / Vulvovaginal Candidiasis». cdc.gov. 13 de fevereiro de 2014. Consultado em 28 de dezembro de 2014 
  12. a b c Pappas PG, Kauffman CA, Andes DR, Clancy CJ, Marr KA, Ostrosky-Zeichner L, Reboli AC, Schuster MG, Vazquez JA, Walsh TJ, Zaoutis TE, Sobel JD (2016). «Executive Summary: Clinical Practice Guideline for the Management of Candidiasis: 2016 Update by the Infectious Diseases Society of America». Clin. Infect. Dis. 62 (4): 409–417. PMID 26810419. doi:10.1093/cid/civ1194 
  13. «Oral Candidiasis Statistics». cdc.gov. 13 de fevereiro de 2014. Consultado em 28 de dezembro de 2014 
  14. «Genital / vulvovaginal candidiasis (VVC)». cdc.gov. 13 de fevereiro de 2014. Consultado em 28 de dezembro de 2014 
  15. «Invasive Candidiasis Statistics». cdc.gov. 13 de fevereiro de 2014. Consultado em 28 de dezembro de 2014 
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