Contabilidade nacional

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A contabilidade nacional (CN) ou contabilidade social deve ser entendida como um sistema contábil que permite a avaliação da atividade econômica em um determinado período em seus múltiplos aspectos.[1]O Método de avaliação consiste em hierarquizar fatos econômicos, classificar transações relevantes e agrupá-las para serem quantificadas e acompanhadas de forma sistemática e coerente[1]. Os sistemas de Contabilidade Nacional são sistemas de avaliação consistente, padronizada e contínua da atividade econômica[2].

O desenvolvimento da contabilidade social é recente e data do surgimento da macroeconomia Keynesiana.[3]A contabilidade nacional é baseada em agregados econômicos. Isto é, a contabilidade nacional é a área da contabilidade que mensura os agregados macroeconômicos.[4][2][1] [5] Cabe à contabilidade nacional fornecer as principais medidas dos agregados econômicos[6], ou seja, o quanto foi produzido, consumido, investido e quanto de renda foi gerada e como ela foi apropriada pelos diferentes agentes econômicos[7]. [1]A macroeconomia, por sua vez, explica o comportamento agregado da economia e seus desdobramentos, reconhecendo que o resultado agregado não corresponde a soma dos resultados individuais[8][9]. No Brasil, a contabilidade nacional é chamada de contabilidade social.[10]

As contas nacionais representam de uma maneira geral a produção, o rendimento e a despesa dos agentes económicos dentro de uma economia, incluindo as transações com o resto do mundo, e a sua riqueza. O sistema de contas nacionais tanto regista fluxos como estoques no final do período, assegurando que os fluxos coincidem com os novos estoques.

Na contabilidade nacional, há uma grande variedade de agregados como o produto interno bruto - o mais conhecido -, o rendimento disponível, a poupança e o investimento. A medição e o desenvolvimento destes agregados macroeconómicos ao longo do tempo é objecto de interesse para os decisores políticos e económicos. Outros dados, como as tabelas de input-output mostram como as indústrias interagem entre si durante o processo produtivo.

O objetivo amplo do sistema de contas nacionais (SCN) é fornecer um quadro conceptual e contabilístico para compilação e geração de relatórios estatísticas macroeconómicas para análise e avaliação do desempenho de uma economia.[11]

História[editar | editar código-fonte]

A contabilidade nacional é um instrumento relativamente recente, nascendo da necessidade dos Estados quantificar a actividade económica o mais rigorosamente possível e mapear a sua evolução ao longo do tempo. Nos anos 30 não estavam disponíveis nenhuns dados fiáveis sobre os mercados, o emprego, o rendimento das famílias e mais variáveis económicas. Em 1932, antes da eleição de Roosevelt e do New Deal, o Congresso dos Estados Unidos pediu ao economista Simon Kuznets (mais tarde agraciado com o Prémio Nobel em 1971) para estimar o declínio actividade económica. Apurou que ela tinha diminuído 40% entre 1929 e 1932.

É durante a Segunda Guerra Mundial que o sistema de contas da contabilidade nacional começa a adquirir a sua forma actual. Em 1941, a pedido do Parlamento do Reino Unido, uma equipa chefiada por John Maynard Keynes elaborou uma série de quadros que ilustram os recursos produzidos e sua utilização enquanto consumo, despesas, doações e investimentos.

Em 1950, a OCEE, a precursora da OCDE, publicou o chamado "Sistema Simplificado de Contas Nacionais", que é a primeira tentativa de uniformizar a base da contabilidade. Desde então, a Organização das Nações Unidas começou um processo de normalização em 1953 publicando "Um Sistema de Contas Nacionais e quadros estatísticos relevantes", que é o primeiro sistema de contabilidade de âmbito internacional. Este sistema é revisto em 1968 e serviu como base para o desenvolvimento do primeiro Sistema Europeu de Contas (SEC 1970), a segunda edição é revista em 1979. Em 1993, ele implementou um novo sistema nacional de contas (SNC 93), com grandes reformas. Actualmente, a União Europeia usa o Sistema Europeu de Contas (SEC 95) que é inserido totalmente na metodologia do SNC 93.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b c d Feijó, Carmem Aparecida; Lima, Fernando Carlos G. de Cerqueira; Filho, Nelson Henrique Barbosa (2001). Contabilidade Social. [S.l.]: Campus. ISBN 9788535228823 
  2. a b Feijó, Carmen (18 de junho de 2013). Contabilidade Social: Referencia atualizada das contas nacionais do Brasil. [S.l.]: Elsevier Brasil. ISBN 9788535264098 
  3. Rossetti, José Paschoal (1982). Contabilidade nacional: uma abordagem introdutória. [S.l.]: Atlas 
  4. Introdução à contabildade nacional. [S.l.]: Forense. 1971 
  5. Economia. [S.l.]: IESDE BRASIL SA. ISBN 9788538730408 
  6. Pinheiro, Antônio Florêncio de Lima (1975). Elementos de macroeconomia e contabilidade nacional. [S.l.]: Livraria Nobel 
  7. Dornbusch, Rudiger; Fischer, Stanley; Startz, Richard (1 de janeiro de 2013). Macroeconomia - 11ed. [S.l.]: Bookman Editora. ISBN 9788580551853 
  8. Simonsen, Mário Henrique (1974). Macroeconomia. [S.l.]: APEC Editora 
  9. Dornbusch, Rudiger. Macroeconomia. [S.l.]: McGraw Hill Brasil. ISBN 9788563308504 
  10. Algumas aplicações de uma contabilidade social em tempos de trabalho: com ênfase em aspectos internacionais e de avaliação socioeconômica. [S.l.]: Escola de Administração de Empresas de São Paulo, Fundação Getúlio Vargas, Núcleo de Pesquisas e Publicações. 1997 
  11. «System of National Accounts». unstats.un.org. Consultado em 17 de maio de 2017 
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