David Warner

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David Warner (Actor) Rory Lewis Photographer.jpg

David Warner (Manchester, 29 de julho de 1941) é um ator inglês de curiosa trajetória. Apesar de ter sido dirigido por grandes mestres do cinema europeu, como Volker Schlöndorff, Alain Resnais e Raoul Ruiz, por diretores britânicos de primeira linha (Tony Richardson, Karel Reisz, Peter Hall) e talentosos diretores norte-americanos (Sidney Lumet, John Frankenheimer, Joseph Losey, Sam Peckinpah, Terry Gillian, James Cameron, Tim Burton), e de ter atuado em filmes com famosos atores e atrizes (James Mason, Simone Signoret, Jane Fonda, Gregory Peck, Dirk Bogarde, Maximilian Schell, Alain Delon, Judie Dench, Maggie Smith, Anthony Quinn, Leonardo De Caprio), Warner nunca foi uma estrela nem mesmo um ator muito premiado (apenas conta com um Emmy em 1981, pelo seu papel como Pomponius Falco na minissérie “Masada”), embora suas participações, mesmo as mais curtas, sejam sempre marcantes.

Ao longo de 55 anos de carreira, ele tem transitado todos os meios artísticos disponíveis: teatro, cinema, televisão, rádio e trabalhos de voz. As novas gerações lembram Warner apenas pelos seus papéis de vilão sinistro, como o Ed Dillinger de “Tron” (1982) ou o guarda-costas Lovejoy de “Titanic” (1997), sem conhecer nada sobre as faces anteriores da sua longa carreira, que continua até hoje.

Carreira[editar | editar código-fonte]

Warner foi inicialmente ator de teatro, começando a sua carreira em 1962, com apenas 21 anos de idade, já fazendo pequenos papéis em obras de Shakespeare. Nos anos 1963 e 1964, desempenhou papéis Shakespearianos mais importantes, na Royal Shakespeare Company, e em 1965, aos 24 anos, o papel de Hamlet. Quando começou a trabalhar em cinema abandonou o teatro durante 30 anos, voltando só em 2001 para fazer “Major Barbara” de George Bernard Shaw e “King Lear” de Shakespeare em 2005, entre outras peças. A sua primeira aparição importante no cinema se deu em 1962, com “Tom Jones”, de Tony Richardson, que já tinha dirigido Warner no teatro, fazendo o papel do insípido Blifil, com quem o pai de Susannah York, apaixonada por Tom Jones, quer casá-lo; este filme ganhou Oscar de melhor filme. No ano 1966, o diretor Karel Reisz, que tinha ficado conhecido pelo filme “Tudo começa no sábado” de 1960, deu para Warner o papel-título na comédia “Morgan, um caso clínico”, que concorreu à Palma de Ouro e pelo qual Vanessa Redgrave foi premiada, mas Warner foi ignorado.

A seguir, filma como protagonista principal dois filmes com diretores ingleses: “The Bofors Gun”, de Jack Gold e “Work is a 4-letter word”, de Peter Hall, ambos de 1966. Com Peter Hall fez, em 1968, uma versão de “Sonhos de uma noite de verão” de Shakespeare, fazendo o papel de Lysander. Em “The fixer” (“O homem de Kiev”) (1968), de John Frankenheimer, faz o importante papel do Conde Odoevsky, que tem em suas mãos a libertação do protagonista Alan Bates (que concorreu ao Oscar por este filme). Durante a década de 60, Sidney Lumet o dirigiu duas vezes, em “The deadly affair” (1966) e “A gaivota” (1968), baseada na peça de Anton Chekov, onde fez o importante papel de Konstantin. No final dessa década de estreia, Warner faz o papel-título de “Michael Kohlhaas” (1969), do grande diretor alemão Volker Schlöndorff (“O Tambor”).

Na passagem dos 60 para os 70 e durante esta última década, Warner faz importantes papéis de coadjuvante, quase sempre dirigido por diretores notáveis. O controvertido diretor Sam Peckinpah poucas vezes utilizou um ator em mais de um filme, mas Warner fez três filmes com Peckinpah, sempre em papéis marcantes: “The ballad of Cable Hogue” (“A morte não manda recado”) (1969) (onde faz do lascivo reverendo Duncan), “Sob o domínio do medo”  (1971) (fazendo o inglório papel de Henry Niles, o idiota do povo), e mais tarde “A cruz de ferro”, de 1977 (fazendo o cético mas carismático Capitão Kiesel). Nesse mesmo ano, Alain Resnais (de “Hiroshima, mon amour” e “O ano passado em Marienbad”) o escala no seleto reparto de “Providence”, junto a John Guielgud, Dirk Bogarde e Ellen Burstyn. Na década de 70, Warner fez outros três papéis memoráveis: o fotógrafo indiscreto de “A profecia” (1976) de Richard Donner, onde perde a cabeça num “acidente” diabólico, o decisivo papel de Torvald de “Casa de bonecas” (1973), de Joseph Losey, sobre a famosa peça de Ibsen, com Jane Fonda no papel de Nora, e como Jack o estripador em “Time after time” (“Um século em 43 minutos”) (1979), de Nicholas Meyer, pelo qual Warner foi indicado como melhor ator coadjuvante no Saturn Award, mas não ganhou.

Nos anos 80, Warner aparece em alguns filmes importantes: “Bandidos do tempo” de Terry Gillian, e “A mulher do tenente francês” de Karel Reisz (nova parceria 15 anos depois de “Morgan”), ambos de 1981; “Tron” (1982), de Steven Lisberger, a primeira incursão de Warner em filmes-divertimento de grande produção técnica, como poucos anos depois seria “Guerra nas estrelas V” (1988). Por contraste, ele tem uma importante participação no drama mágico intimista “Na companhia de lobos” (1984), de Neil Jordan, e outro de seus poucos papéis como ator principal, num curioso filme hoje esquecido: “Hostile Takeover” (1988), do diretor húngaro George Mihalka. Entre as décadas de 80 e 90, Warner faz muitos filmes de terror classe C, os dois melhores com John Carpenter, “Body bags” e “In the mouth of madness”.  “Guerra nas estrelas VI” (1990), a comédia “L’oeil qui ment” (1992), de Raoul Ruiz, o drama fantástico “Naked souls” (1996), “Titanic” (1997) e “Seven servants”, um curioso filme com o velho Anthony Quinn, também de 97, foram seus filmes mais notáveis da década de 90.

Mais recentemente, no novo milênio, Warner tem protagonizado alguns filmes notáveis e pouco conhecidos, como “The Code Conspiracy” (2001), “Kiss of Life” (2003), “Ladies in Lavender” e “Straight into Darkness”, ambos de 2004, “Black Death” (2010), e “Before I Sleep” (2013), onde ele faz o papel principal. Warner continua trabalhando em diversos projetos, o último dos quais é “Mary Poppins regressa”, com data de estreia prevista para 2018. Warner também tem trabalhado intensamente em televisão, em filmes e series como “Holocausto” (1978), “S.O.S Titanic” (1979), “Masada” (1981), “Frankenstein” (1983), “A Christmas Carol” (1984), “Twin Peaks” (1991), “Batman: the animated series” (1992-1995), “The legend of prince Valiant” (1993), “Houdini” (1998), “Dr Jekyll and Mr. Hyde” (2003), “Doctor Who” (2009 e 2013) e “The alienist” (2018). Ele tem utilizado igualmente a sua voz muito peculiar em trabalhos para o rádio e vídeo games.  

A obra de Warner no cinema pode ser vista em duas dimensões, uma artística e outra comercial. A artística se compõe de dramas ou filmes de conteúdo relevante (filmes como Morgan, A gaivota, Michael Kohlhass, Casa de bonecas, Providence, Cross of Iron, A companhia dos lobos, Hannah’s war, Hostile takeover, Mr. North, Naked souls, Seven servants, Kiss of life, Ladies in lavender, Straight into darkness, Before I sleep, Our habits fazem parte deste conjunto de sua obra). A parte comercial tem se caracterizado pelo viés fantástico, seja no plano da simples ficção (em filmes como Time after time, Time bandits, Tron, Guerra nas estrelas V e VI, Blue tornado, The lost world, Quest of the Delta Knights, Final Equinox, Naked souls, Back to the secret Garden e Planet of the apes), seja no plano do terror trágico ou cômico (em filmes como From beyond the grave, Nightwing, My best friend is a vampyre, Waxwork, Grave secrets, Body bags, Lovecraft’s Necronomicon, In the mouth of madness, The last Leprechaun e Supersition).  

É surpreendente ver como, ao longo de sua carreira de mais de meio século, Warner tem mostrado força e talento para levar adiante filmes como protagonista ou num dos papéis principais (ele fez isso exatamente em 15 filmes) e, paralelamente, ser capaz de assumir pequenos papéis de coadjuvante em filmes gigantescos e cheios de estrelas famosas, onde seu nome não tem destaque ou nem sequer aparece nos créditos finais, sempre com a mesma dedicação e brilho.  

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