Star Trek VI: The Undiscovered Country

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Star Trek VI:
The Undiscovered Country
Star Trek VI: O Continente Desconhecido (PT)
Jornada nas Estrelas VI: A Terra Desconhecida (BR)
Pôster promocional desenhado por John Alvin
 Estados Unidos
1991 •  cor •  110 min 
Direção Nicholas Meyer
Produção Ralph Winter
Steven-Charles Jaffe
Roteiro Nicholas Meyer
Denny Martin Flinn
História Leonard Nimoy
Lawrence Konner
Mark Rosenthal
Baseado em Star Trek, criado por Gene Roddenberry
Elenco William Shatner
Leonard Nimoy
DeForest Kelley
James Doohan
Walter Koenig
Nichelle Nichols
George Takei
Christopher Plummer
Kim Cattrall
David Warner
Rosanna DeSoto
Gênero Ficção científica
Música Cliff Eidelman
Direção de arte Herman Zimmerman
Direção de fotografia Hiro Narita
Figurino Dodie Shepard
Edição Ronald Roose
William Hoy
Companhia(s) produtora(s) Paramount Pictures
Distribuição Paramount Pictures
Lançamento 6 de dezembro de 1991
Idioma Inglês
Klingon
Orçamento US$ 27 milhões[1]
Receita US$ 96.888.996[2]
Cronologia
Star Trek V:
The Final Frontier
Star Trek Generations
Site oficial
Página no IMDb (em inglês)

Star Trek VI: The Undiscovered Country (Jornada nas Estrelas VI: A Terra Desconhecida (título no Brasil) ou Star Trek VI: O Continente Desconhecido (título em Portugal)) é um filme norte-americano de ficção científica lançado em 1991 dirigido por Nicholas Meyer, escrito por Meyer e Denny Martin Flinn e produzido por Ralph Winter e Steven-Charles Jaffe. É o sexto longa-metragem da franquia Star Trek e o último a ser estrelado pelo elenco original da série de televisão da década de 1960. Na história, a destruição do satélite natural Praxis faz o Império Klingon procurar a paz com seu duradouro adversário a Federação dos Planetas Unidos, com a tripulação da USS Enterprise-A precisando desvendar uma conspiração militarista que ameaça o acordo de paz.

The Undiscovered Country originalmente foi pensado como um prelúdio da série original, com atores jovens interpretando a tripulação da Enterprise enquanto cursam a Academia da Frota Estelar, porém a ideia acabou descartada devido à reação negativa do elenco original e dos fãs. Os produtores foram encarregados de lançar um novo filme para o vigésimo quinto aniversário de Star Trek, com Meyer escrevendo um roteiro ao lado de Martin Flinn baseados em uma sugestão dada por Nimoy sobre o que aconteceria se "o Muro caísse no espaço", abordando temas contemporâneos como o fim da Guerra Fria.

As filmagens ocorreram entre abril e setembro de 1991. O orçamento da produção foi menor do que o antecipado devido ao fracasso crítico e comercial de Star Trek V: The Final Frontier. Muitas cenas acabaram filmadas ao redor do Hollywood devido a falta de espaço nos estúdios da Paramount Pictures. Meyer e o diretor de fotografia Hiro Narita queriam um clima mais sombrio e dramático, sutilmente alterando os cenários originalmente usados para a série de televisão Star Trek: The Next Generation. O produtor Steven-Charles Jaffe liderou a segunda unidade que filmou em glaciais do Alasca que serviram como cenário para a prisão klingon. Cliff Eidelman compôs a trilha sonora, que intencionalmente foi mais sombria que nos filmes anteriores da franquia.

O filme foi lançado na América do Norte em 6 de dezembro de 1991. The Undiscovered Country recebeu críticas positivas, com publicações elogiando as atuações e as referências ao mundo real. O longa teve um bom desempenho nas bilheterias, conseguindo o maior fim de semana de estreia da franquia até então e arrecadando no total mais de 96 milhões de dólares mundialmente. Recebeu duas indicações ao Oscar nas categorias de Melhor Maquiagem e Melhor Edição de Efeitos Sonoros, sendo o único longa de Star Trek a vencer o Prêmio Saturno de Filme de Ficção Científica. Edições especiais de The Undiscovered Country foram lançadas em DVD e Blu-ray, com Meyer fazendo pequenos ajustes.

Enredo[editar | editar código-fonte]

Gtk-paste.svg Aviso: Este artigo ou se(c)ção contém revelações sobre o enredo.

O satélite natural klingon Praxis explode repentinamente, com a nave estelar USS Excelsior do capitão Hikaru Sulu sendo pega na onda de choque. A perda de sua principal instalação de produção de energia e destruição da ozonosfera do planeta Kronos faz o Império Klingon entrar em colapso. Eles procuram a paz com seu duradouro inimigo a Federação dos Planetas Unidos por não serem mais capazes de manter uma posição hostil. A Frota Estelar aceita a proposta com medo dos klingons assumirem uma posição mais beligerante, enviando a nave estelar USS Enterprise-A a fim de encontrar-se com o chanceler Gorkon e escoltá-lo para negociações na Terra. O capitão James T. Kirk se opõe às negociações e fica ressentido sobre sua missão, particularmente por seu filho David ter sido morto pelos klingons anos antes.[3]

A Enterprise se encontra com a Kronos One de Gorkon e as duas tripulações tem um jantar tenso a bordo da primeira nave. Na mesma noite, a Enterprise aparentemente dispara dois torpedos fotônicos contra os klingons, desabilitando a gravidade artificial da Kronos One. Dois tripulantes com trajes da Frota Estelar teletransportam-se para a nave klingon e ferem Gorkon seriamente. Kirk se rende a fim de evitar uma luta, indo para a Kronos One junto com o doutor Leonard McCoy para tentar em vão salvar o chanceler. O general Chang, chefe de estado klingon, prende Kirk e McCoy e os acusa de assassinato. Os dois são considerados culpados e sentenciados a prisão perpétua no asteroide penal de Rura Penthe. Azetbur, filha de Gorkon, torna-se a nova chanceler e continua as negociações diplomáticas com a Federação; a conferência é transferida para um local seguro por motivos de segurança. O presidente da Federação recusa-se a arriscar uma guerra contra os klingons para salvar Kirk e McCoy, enquanto Azetbur recusa-se a invadir o espaço da Federação; ela afirma que apenas os dois oficiais pagarão pela morte de seu pai.[3]

Kirk e McCoy ficam amigos da metamorfa Martia em Rura Penthe; ela se oferece para ajudá-los escapar, porém a fuga se revela ser um estratagema para que a morte dos dois pareça acidental. A Enterprise resgata Kirk e McCoy pouco antes do diretor da prisão revelar quem entregou os dois aos klingons. A tripulação fica convencida que não foi sua nave quem disparou os torpedos contra a Kronos One, porém tem certeza que os assassinos de Gorkon ainda estão a bordo. Esses são encontrados mortos, com Kirk e Spock enganando o cúmplice em acreditar que os assassinos ainda estão vivos. A culpada revela-se ser Valeris, a protegida de Spock. Este realiza um elo mental forçado na primeira e descobre que um grupo de oficiais klingons, romulanos e da Federação estão conspirando para sabotar as negociações, temendo as mudanças que a paz pode trazer, com Chang sendo um dos conspiradores. Os torpedos que atingiram a Kronos One vieram de uma Ave de Rapina protótipo que pode disparar camuflada.[3]

A Enterprise contata a Excelsior, que informa que a conferência está sendo realizada em Campo Khitomer. Ambas as naves viajam para o local, porém a Ave de Rapina da Chang inflige grandes danos contra as duas. Spock e McCoy modificam um torpedo fotônico para caçar as emissões de plasma da nave klingon. O impacto do torpedo revela a posição de Chang, com a Enterprise e Excelsior conseguindo destruir a Ave de Rapina. As duas tripulações teletransportam-se para a conferência e conseguem impedir um atentando contra a vida do presidente da Federação, com Kirk pedindo para que o processo de paz continue. Tendo salvado as negociações, a Enterprise é ordenada de volta para a Terra a fim de ser descomissionada, porém sua tripulação decide retornar com calma.[3]

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Elenco[editar | editar código-fonte]

Elenco de The Undiscovered Country. Esquerda para a direita: Koenig, Takei, Kelley, Nichols, Shatner, Doohan e Nimoy.
  • Leonard Nimoy como Spock, o oficial de ciências da Enterprise. Além de receber crédito pela história do filme, pela primeira vez na franquia o ator também atuou como produtor executivo do filme.[5]
  • DeForest Kelley como Leonard McCoy, o oficial médico chefe da Enterprise. A aparição de Kelley em The Undiscovered Country seria sua última antes da aposentadoria. O ator recebeu um salário de um milhão de dólares, garantindo a Kelley uma aposentadoria confortável. Ele e Shatner passaram entre seis e oito noites gravando suas cenas da prisão de Rura Penthe, com os dois se conhecendo melhor do que jamais tinham anteriormente.[5]
  • Nichelle Nichols como Uhura, a oficial de comunicações da Enterprise. A personagem supostamente daria um discuso dramático em klingon durante o filme, porém no meio da produção a ideia foi abandonada e a cena em que Uhura fala um klingon sofrível cercada por livros foi adicionada para dar mais humor. Nichols protestou contra a cena, perguntando-se o motivo de ainda existirem livros no século XXIII, mas aceitou as mudanças já que este seria seu último filme de Star Trek. A atriz também ficou incomodada com algumas das conotações raciais dos diálogos, recusando-se a dizer a fala "Adivinhem quem vem para o jantar" quando os klingons chegam na Enterprise; em vez dela, a fala foi entregue para Chekov.[7]
  • Kim Cattrall como Valeris, a nova navegadora da Enterprise e a protegida de Spock. A personagem de Saavik, que apareceu em três filmes da franquia, originalmente seria a traidora, porém o criador da série Gene Roddenberry foi contra transformar em vilã uma personagem amada pelos fãs. Cattrall não queria ser a terceira atriz diferente a interpretar Saavik (para qual ela anteriormente já havia feito teste), porém aceitou participar do longa quando o papel tornou-se uma personagem diferente.[8] A atriz escolheu o elemento de Éris do nome, tirado da deusa grega da discórdia, que foi vulcanizado com a adição do "Val" no início à pedido do diretor Nicholas Meyer.[9] A revista Cinefantastique relatou que durante as filmagens, Cattrall supostamente participou de um ensaio fotográfico na ponte da Enterprise usando apenas suas orelhas vulcanas. A história dizia que Nimoy pessoalmente destruiu todas as fotos e negativos ao saber da sessão não-autorizada, temendo que a franquia poderia ser danificada caso as imagens fossem publicadas.[10]
  • Christopher Plummer como General Chang, o chefe de estado klingon. Shatner e Plummer já tinha atuado juntos em vários produções em Montreal, Canadá.[11] Meyer escreveu o personagem com o ator em mente, porém este ficou inicialmente relutante em aceitar.[4] Plummer pediu que seu personagem tivesse um visual mais humano com uma maquiagem klingon menos pesada e uma cabeça careca.[12]
  • David Warner como Gorkon, o chanceler do Império Klingon. O papel inicialmente foi oferecido a Jack Palance.[13] Warner anteriormente já tinha trabalhado com Meyer no filme Time After Time e aparecido como um humano em Star Trek V: The Final Frontier.[8] A maquiagem do ator foi feita para se parecer com Abraham Lincoln,[12] um meio de humanizar o líder alienígena.[14] Uma enorme lâmpada explodiu durante as filmagens da cena da morte de Gorkon, com os estilhaços caindo sobre Warner e Kelley; um grande caco quase acertou a cabeça do primeiro, com o segundo estando certo que o ator teria morrido.[15]
  • Rosanna DeSoto como Azetbur, a filha de Gorkon. Assim como Plummer, DeSoto pediu uma maquiagem com menos rugas na testa.[16]
  • Iman como Martia, uma alienígena metamorfa presa em Rura Penthe. O roteirista Denny Martin Flinn originalmente pensou em uma pirata espacial ao desenvolver a personagem, descrevendo sua ideia como o "lado sombrio de Han Solo". Flinn imaginou uma atriz como Sigourney Weaver para o papel, que era "tão diferente quanto dia e noite" de Iman.[17] Meyer descreveu Martia como a "mulher dos sonhos de Kirk", com os maquiadores decidindo reforçar a aparência de pássaro da personagem adicionando penas depois de descobrirem que Iman havia sido escalada para o papel.[18]
  • Brock Peters como Cartwright, um almirante da Frota Estelar que se opõe veementemente ao acordo de paz com os klingons. Peters anteriormente já tinha interpretado o personagem em Star Trek IV: The Voyage Home. Meyer escolheu o ator para The Undiscovered Country devido sua atuação no filme To Kill a Mockingbird. O diretor achou que o discurso vitriólico de Cartwright seria particularmente significativo e arrepiante vindo da boca de uma minoria reconhecida. Peters ficou tão repugnado pelo conteúdo da fala que foi incapaz de realizar o discurso em apenas uma tomada.[4]

Outros papéis incluem Mark Lenard como Sarek, John Schuck como o embaixador klingon, Darryl Henriques como o embaixador romulano, Kurtwood Smith como o presidente da Federação, Michael Dorn como coronel Worf e René Auberjonois como coronel West.[19] Meyer era amigo de Auberjonois e lhe ofereceu a chance de fazer uma pequena ponta no longa meses antes das filmagens. Sua participação foi cortada da versão teatral do filme, porém foi restaurada na versão de DVD.[20]

O elenco de The Undiscovered Country foi a última aparição dos atores principais da série de televisão original como grupo. A diretora de elenco Mary Jo Slater encheu o filme com o maior número possível de estrelas que o filme podia permitir, incluindo uma rápida ponta de seu filho Christian Slater como um oficial da Excelsior; a revista Cinefantastique considerou esta aparição como uma tentativa de atrair um público mais jovem ao cinema. Meyer estava interessado em escalar atores que poderia transmitir e articular sentimentos, mesmo dentro de uma maquiagem alienígena.[13] O produtor Ralph Winter afirmou que "Nós não estávamos procurando alguém para dizer 'Certo, eu faço', mas pessoas que estavam animadas com o material [...] e o tratariam como o maior filme já feito".[17]

Produção[editar | editar código-fonte]

Desenvolvimento[editar | editar código-fonte]

Star Trek V: The Final Frontier, o filme anterior da série, foi um fracasso comercial e de crítica; o elenco e a equipe temeram que a franquia Star Trek seria incapaz de recuperar-se do golpe. Com o aniversário de 25 anos da série de televisão original em 1991 aproximando-se, o produtor Harve Bennett decidiu revisitar uma ideia proposta pelo produtor executivo Ralph Winter durante a produção de Star Trek IV: The Voyage Home: uma prequela mostrando versões jovens da tripulação cursando a Academia da Frota Estelar. A história foi pensada como um modo de manter os personagens, senão os atores, em algo que foi chamado de "Top Gun no espaço sideral".[4] Bennett e David Loughery, o roteirista de The Final Frontier, escreveram um roteiro chamado The Academy Years, em que Leonard McCoy contaria para um grupo de formandos da Academia como ele havia conhecido James T. Kirk e Spock. O enredo mostraria o crescimento de Kirk e Spock, seu encontro com McCoy e Montgomery Scott na Academia e a derrota de um vilão antes dos personagens partirem em caminhos separados. O roteiro se passava no "esclarecimento" da Federação dos Planetas Unidos, quando racismo e escravidão ainda eram comuns, com Spock sendo intimidado por ser o único estudante vulcano. A enfermeira Christine Chapel também faria uma rápida aparição durante o clímax.[21]

O ator James Doohan afirmou que Frank Mancuso Sr., o então chefe da Paramount Pictures, despediu Bennett depois da reação negativa do elenco principal, do criador da franquia Gene Roddenberry e dos fãs à ideia da prequela apresentada em The Academy Years.[10] O produtor afirmou que o estúdio rejeitou o roteiro e decidiu que era hora dele deixar a franquia após uma nova versão ter sido escrita que incluía William Shatner e Leonard Nimoy.[22] Bennett comentou: "Meu contrato tinha acabado. Me ofereceram US$ 1,5 milhão para fazer Star Trek VI e eu disse 'Obrigado, eu não quero fazer isso. Eu quero fazer a Academia'".[10] O ator Walter Koenig abordou Mancuso com as linhas gerais de um novo roteiro com o codinome "In Flanders Fields"; sua história tinha os romulanos entrando na Federação e indo para a guerra contra os klingons. A tripulação da USS Enterprise-A com a exceção de Spock seria forçada a se aposentar por não passarem em testes de aptidão física. Spock e sua nova tripulação seriam capturados por uma espécie de monstros alienígenas semelhantes a minhocas (que Koenig descreveu como "as coisas de onde os monstros de Alien evoluíram"), com a antiga tripulação precisando resgatá-los. No final, todos os personagens menos Spock e McCoy morreriam.[23]

Mancuso pediu para Nimoy conceber a ideia de um novo filme que servisse como uma canção do cisne para o elenco original.[24] O ator e os roteiristas Mark Rosenthal e Lawrence Konner sugeriram um encontro entre Kirk e o capitão Jean-Luc Picard, porém os produtores da série Star Trek: The Next Generation recusaram-se a encerrar seu programa.[25] Nicholas Meyer, que havia dirigido Star Trek II: The Wrath of Khan e co-escrito The Voyage Home, foi abordado sobre uma possível ideia para o sexto filme, porém não tinha nenhuma no momento.[4] Winter foi trazido para o projeto como produtor principal pouco depois da saída de Bennett, recebendo da Paramount a ordem de produzir um longa não muito caro para comemorar o aniversário de 25 anos da franquia.[26]

Nimoy visitou a casa de Meyer e sugeriu: "[E se] o Muro caísse no espaço sideral? Sabe, os Klingons sempre foram nossos substitutos para os Russos..." Meyer comentou que respondeu dizendo "'Ah, espere um minuto! Certo, nós começamos com um Chernobil intergaláctico! Grande explosão! Não temos mais Império Klingon!...' E eu apenas joguei toda a história!" O enredo deliberadamente incluía referências ao clima político contemporâneo; o personagem de Gorkon foi baseado em Mikhail Gorbachev,[27] enquanto a história do assassinato foi ideia de Meyer. Ele achou plausível que um líder klingon que ficasse amigável para com o inimigo fosse morto como pacificadores semelhantes na história da humanidade: Anwar Al Sadat, Mahatma Gandhi e Abraham Lincoln.[28] A contratação de Meyer não apenas era beneficial pois este conhecia o material e podia escrever rapidamente, mas também porque caso ele assumisse a posição de diretor isto iria impedir qualquer amargura por parte de Shatner, cuja ira seria despertada se Nimoy retornasse para dirigir seu terceiro filme depois de Star Trek III: The Search for Spock e The Voyage Home.[26] Meyer afirmou que não tinha passado por sua cabeça que iria dirigir o filme quando começou a trabalhar no roteiro. Sua esposa foi a primeira pessoa a sugerir que ele deveria ser o diretor também.[29]

Roteiro[editar | editar código-fonte]

Nicholas Meyer co-escreveu o roteiro junto com Denny Martin Flinn por meio de e-mails.

Meyer e seu amigo Denny Martin Flinn escreveram o roteiro por e-mail; Meyer vivia na Europa enquanto Flinn morava em Los Angeles. Flinn escreveria durante todo o dia e então enviaria um rascunho para Meyer, que o leria e faria revisões. O roteiro mudou constantemente devido a exigências não apenas do elenco principal, mas também dos atores coadjuvantes.[26] Flinn tinha consciência que este seria o último filme estrelado pelo elenco original da série de televisão, dessa forma escrevendo um início que abraçava a ideia da passagem de tempo. O conceito era que cada membro da tripulação seria retirado de uma aposentadoria infeliz para realizarem uma última missão. O roteirista comentou: "as cenas demonstravam quem [os personagens] eram e o que eles faziam quando não estavam na Enterprise. [...] Eu adicionei alguma humanidade para os personagens".[10] Spock interpretaria Polônio em uma versão vulcana de Hamlet enquanto Hikaru Sulu dirigiria um táxi pelas ruas de uma metrópole nos primeiros rascunhos do roteiro.[8] Uma versão revisada tinha o capitão Sulu tirando seus amigos da aposentadoria: o paradeiro de Spock seria secreto; Kirk estaria casado com Carol Marcus, a mãe de seu falecido filho David, levando uma vida comum até um enviado especial chegar em sua casa; McCoy estaria bêbado em um jantar médico elegante; Scott ensinaria engenharia enquanto a Ave de Rapina de The Voyage Home seria tirada da Baía de São Francisco ao fundo; Uhura estaria apresentando um programa de rádio e ficaria feliz em poder ir embora; enquanto Pavel Chekov estaria jogando xadrez em um clube.[30] Essa abertura foi rejeitada por ser muito cara,[4] com Flinn comentando que as locações exóticas teriam aumentado o orçamento para cinquenta milhões de dólares.[14] Apesar dos roteiristas terem tentando manter a abertura original o máximo de tempo possível, a Paramount ameaçou cancelar a pré-produção caso alguns milhões de dólares não fossem cortados do orçamento.[30]

O roteiro foi finalizado em outubro de 1990, cinco meses depois de Nimoy ter sido abordado para escrever a história. Vários meses foram passados trabalhando no orçamento; a Paramount queria manter aproximadamente o mesmo orçamento que The Final Frontier devido ao fracasso comercial deste, porém o roteiro continha batalhas espaciais e novos alienígenas.[25] Os salários de Shatner, Nimoy e Kelley foram reduzidos sob o acordo de que eles receberiam parcelas das rendas de bilheteria. Meyer estimou que quase dois meses foram gastos lutando com o estúdio por dinheiro: "Até certo ponto, quase todas as áreas da produção foram afetadas por cortes – porém o roteiro foi a única coisa que não tornou-se uma baixa".[31] O orçamento original ficava em torno de 41 milhões de dólares. Apesar de não ser um valor alto para uma produção de Hollywood, ele teria apresentado um risco por causa do público de nicho de Star Trek e a tradicional baixa arrecadação internacional da franquia. O orçamento final ficou em 27 milhões.[1]

Gene Roddenberry, o criador de Star Trek, ainda exercia alguma influência apesar de sua saúde ruim e odiou o roteiro.[32] O primeiro encontro entre Meyer e Roddenberry fez com que o primeiro saísse da sala furioso depois de apenas cinco minutos. O roteiro tinha fortes conotações militaristas assim como The Wrath of Khan, com um tema naval estando presente no todo decorrer da história. Os personagens eram mostrados como intolerantes e falhos, longe da visão idealizada que Roddenberry tinha do futuro; Meyer acreditava que não existiam evidências para provar que a intolerância desaparecia até o século XXIII.[14] O criador também protestou contra a vilanização da personagem de Saavik, algo que o diretor respondeu dizendo "Eu criei Saavik. Ela não era de Gene. Se ele não gosta do que eu planejo fazer com ela, talvez ele devesse devolver o dinheiro que fez com os meus filmes. Talvez ai eu me importe com o que ele tem a dizer".[15] Um grupo de pessoas que incluíam Meyer, Roddenberry e Winter discutiram um rascunho revisado após o problemático primeiro encontro. Rodddenberry expressou sua desaprovação de elementos do roteiro linha por linha, com ele e Meyer discutindo sobre elas enquanto Winter fazia anotações. O tom da reunião foi de forma geral conciliatório, porém os produtores acabaram ignorando muitas das preocupações de Roddenberry.[33] O filme foi colocado oficialmente em pré-produção no dia 13 de fevereiro de 1991 com o acordo de que ele estaria nos cinemas até o final do ano.[25]

Arte[editar | editar código-fonte]

Hiro Narita teve que realizar seu trabalho sob restrições orçamentárias.

Meyer tentou modificar o visual da Star Trek a fim de encaixar-se em sua visão, da mesma forma como havia feito em The Wrath of Khan. Ele contratou o diretor de fotografia Hiro Narita; seu trabalho anterior havia sido em filmes com muitos efeitos como The Rocketeer, onde teve tempo e dinheiro para criar uma fantasia de época, porém em The Undiscovered Country ele esteve sempre sob pressões de tempo e orçamento.[34] Narita confessou ao diretor que não sabia nada sobre a franquia, porém Meyer respondeu dizendo que não queria que tivesse quaisquer noções pré-concebidas sobre o visual da série.[4] O supervisor de efeitos Scott Farrar afirmou que o diretor de fotografia fez um "bom trabalho de manter [o cenário] escuro. Pode ser um problema quando você chega em uma situação de estúdio de paredes de alumínio e metais brilhantes. Mas você vê menos ao manter a luz baixa e tudo fica mais textural. [Narita] queria muito evitar aquele visual super claro de estúdio".[35]

O orçamento reduzido significou que vários cenários de The Next Generation foram modificados para poderem ser usados no filme.[12] Meyer e o diretor de arte Herman Zimmerman puderam apenas fazer pequenas alterações nesses cenários pois a série ainda estava sendo produzida na época. Os aposentos de Spock eram os mesmos que o de Kirk, porém com a adição de uma coluna central. Este cenário estava sendo usado como os aposentos de Data em The Next Generation, tendo sido originalmente construído em 1979 como os aposentos de Kirk em Star Trek: The Motion Picture. A sala do teletransporte também foi reusada de The Next Generation, tendo alterações que incluíam a adição de padrões brilhantes pelas paredes inspiradas por uma das blusas de Zimmerman; este cenário também tinha sido usado em The Final Frontier. A cozinha era o mesmo cenário que o escritório de Deanna Troi, a sala de jantar era uma modificação da sala de observação da USS Enterprise-D e o escritório do presidente da Federação era uma modificação do Bar Panorâmico, com as portas acidentalmente mantendo suas marcações da Enterprise-D. Alguns dos figurinos dos alienígenas em Rura Penthe foram reusados de "Encounter at Farpoint", o episódio piloto de The Next Generation. A ponte da USS Excelsior era uma modificação da própria ponte da Enterprise-A, com os consoles tendo sido pegos da ponte de batalha da Enterprise-D a fim de transmitir a ideia que a Excelsior era uma nave mais avançada.[8]

Meyer nunca ficou satisfeito com o clima e os corredores bem iluminados da Enterprise, uma insatisfação que vinha desde The Wrath of Khan.[36] O diretor queria que os corredores parecessem mais realistas em The Undiscovered Country; o metal dos cenários foi gasto nas pontas para que parecessem usados mas não deteriorados.[4] Narita planejava transformar os corredores da nave em uma escala não vista desde The Wrath of Khan, porém suas intenções foram complicadas pela necessidade de usar cenários já existentes.[37] Os corredores foram reduzidos em largura e receberam a adição de anteparas divisórias, com conduítes expostos no teto transmitindo um sentimento claustrofóbico reminiscente do filme The Hunt for Red October.[38] Narita também alterou o visual claro e suave da ponte da Enterprise que fora criado por Zimmerman em The Final Frontier ao iluminar o cenário da maneira mais manchada possível: "Eu não queria usar muita fumaça na Enterprise, porque eu não queria que ficasse parecendo muito como a nave estelar klingon. Por esse motivo eu decidi manter o visual da Enterprise bem limpo, porém com uma iluminação um pouco mais contrastada".[37] Meyer admitiu que caso tivesse sido o criador de Star Trek, "Eu provavelmente teria projetado um mundo muito mais claustrofóbico porque é muito mais dramático".[38]

O diretor insistiu para que os monitores da Enterprise mostrassem instruções descritivas que poderiam ser encontradas em uma nave estelar, ao contrário de exibirem textos contendo besteiras tecnológicas ou brincadeiras da equipe. O projetista Michael Okuda havia terminado esquemas dos conveses da Enterprise quando Nimoy apontou que "recuperação" estava escrito errado; Okuda teve de concertar a palavra apesar de ter certeza que ninguém seria capaz de perceber um único erro ortográfico na película do filme.[4] Meyer também tomou a decisão consciente de ter uma cozinha na nave, algo que gerou certa controvérsia entre os fãs. Apenas máquinas capazes de sintetizar comida haviam sido mostradas anteriormente na franquia, mesmo com uma cozinha tendo sido mencionada no episódio "Charlie X" da série original.[12]

Objetos e modelos[editar | editar código-fonte]

A Paramount tomou cedo a decisão de usar modelos de naves já existentes para as filmagens, significando que miniaturas antigas – algumas com mais de uma década de idade – precisaram ser reformadas, adaptadas e reusadas. Problemas elétricos apareceram pois muitas das naves não eram examinadas há tempos.[39] O cruzador klingon visto pela primeira vez em The Motion Picture foi alterado para sugerir uma capitânia mais imponente, com um desenho de chamas sendo aplicado na parte inferior da nave.[8] O supervisor de efeitos William George queria que a Kronos One fosse distinta de naves anteriores, já que era um dos poucos modelos que ele podia modificar: "Fizemos algumas pesquisas sobre fardas militares e bolamos o conceito de que os klingons constroem uma dragona em suas asas, ou pintam uma nova faixa, quando estas naves voltam vitoriosas de batalha". A miniatura foi repintada de marrom e vermelho, sendo causticada com latão.[40]

William George aplicando danos de batalha na miniatura da Enterprise-A.

Apesar de representar um nave totalmente nova, a miniatura da Enterprise-A foi a mesma usada em todos os filmes desde 1979. O modelo era mal visto pelos artistas de efeitos especiais por causa de seu tamanho e fiação interna complicada,[41] com as fissuras e rachaduras sendo concertadas e os circuitos internos refeitos para The Undiscovered Country. As novas luzes foram colocadas em intensidades similares, economizando tempo porque a iluminação teria o visual correto com apenas uma única passagem em vez das três necessárias anteriormente. Um subproduto dos concertos foi a perda do distinto acabamento perolado da miniatura. O brilho elaborado nunca foi visto na película pois os esquemas de iluminação impediam reflexos durante as filmagens para que a nave fosse inserida corretamente nos planos de efeitos, assim o efeito foi perdido quando o modelo foi repintado com técnicas convencionais.[39] A Ave de Rapina klingon fora danificada durante as filmagens de The Voyage Home; a nave em determinado momento voava ao redor do Sol, com a miniatura tendo sido pintada com cimento de borracha tingido de preto a fim de sugerir chamuscados, esperando-se que essa aplicação pudesse ser facilmente removida depois. O cimento grudou no modelo e se cozinhou na superfície, precisando ser esfregado.[16]

Greg Jein foi contratado para construir os objetos de cena do filme. Ele era um fã de longa data de Star Trek e havia construído objetos para The Final Frontier, porém foi forçado a reproduzir muitos itens que desde então haviam misteriosamente desaparecido.[42] Jein adicionou nos desenhos dos objetos referências à série de televisão original e outras franquias de ficção científica; o cajado do diretor de Rura Penthe continha partes da espaçonave de Buck Rogers, enquanto outro item foi detalhado com um objeto tirado de The Adventures of Buckaroo Banzai Across the 8th Dimension. Elementos de The Final Frontier também foram modificados e reusados: um instrumento médico do longa anterior tornou-se o testador de sangue de Pavel Chekov e feisers de assalto vistos em The Final Frontier tornaram-se padrão.[43] A bengala de Gorkon tinha a intenção de ser um osso enorme de uma criatura alienígena que fora morta, com os desenhos sendo moldados a partir de espuma verde e aprovados por Meyer. Duas cópias eram fortes o bastante para apoiar o peso de David Warner, já outros dois foram projetados para serem leves o bastante a fim de serem pendurados por fios para as cenas em gravidade zero. Os coldres originais dos klingons já não serviam mais pois seus feisers haviam sido redesenhados em The Seach for Spock; como resultado, nenhum klingon até então tinha sido visto sacando sua arma durante um filme. Meyer fazia questão que os atores pudessem sacar sua armas, assim as pistolas existentes precisaram ser modificadas. O rifle de precisão klingon foi dividido em partes, com as seções sendo modeladas a partir de armas reais.[44]

Maquiagem[editar | editar código-fonte]

Os klingons tiveram sua primeira grande revisão em aparência desde The Motion Picture. A figurinista Dodie Shepard desenhou novos uniformes vermelho e preto para Gorkon e sua equipe pois chegou-se a conclusão que pareceria indecente o chanceler usar as mesmas vestes de um guerreiro comum. Outra preocupação era que não haviam uniformes suficientes de The Motion Picture para todos os klingons do filme.[8] Os klingons mais proeminentes receberam várias camadas de próteses e rugas únicas na testa, porém personagens de fundo usavam máscaras pré-prontas com pequenos retoques nos olhos e na boca.[45] As aplicações foram feitas com as mais novas tintas e colas porque era importante que as expressões dos atores fossem visíveis através da maquiagem. Transformar um ator em um klingon demorava três horas e meia. A cabeleireira Janice Alexander criou tranças e joias que passavam a sensação de um povo tribal com uma herança cultural muito valorizada.[36]

O principal motivo para a maior diversidade nos desenhos, penteados e aplicações dos klingons vinham do fato que haviam mais klingons presentes em The Undiscovered Country do que em todos os filmes anteriores somados. Dezoito desenhos únicos foram usados para os personagens principais, com outras trinta maquiagens "A", quarenta maquiagens "B" de espuma de látex e cinquenta máscaras plásticas de poliuretano para os figurantes.[46] O maquiador Richard Snell ficou encarregado das aplicações do elenco klingon principal. Os desenhos das testas vieram das próprias ideias de Snell e de sua equipe, porém os atores também tiveram permissão de dar opinião sobre as aparências de seus personagens. Christopher Plummer pediu que a testa de Chang tivesse rugas mais sutis do que os klingons dos filmes anteriores com o objetivo de ter um visual único e humanizar o personagem. Snell estava prestes a aplicar uma peruca no ator durante testes de maquiagem quando Plummer resmungou que não queria peruca, com a pequena quantidade de cabelo de Chang sendo colocada na nuca como um topete de guerreiro.[47] Snell passou várias noites trabalhando no redesenho da cabeça do personagem para que tivesse mais detalhes.[48] Esta mudança de visual fez com que apenas a parte frontal de Plummer pudesse ser filmada durante as primeiras semanas, pois o departamento de maquiagem ainda estava criando as aplicações para cobrir a nuca.[47]

Warner (esquerda) recebeu uma maquiagem klingon como Gorkon para sutilmente lembrar o presidente Abraham Lincoln (direita).

Azetbur, interpretada por Rosanna DeSoto, foi inicialmente concebida para ser bem bárbara, porém Meyer insistiu em um visual mais refinado.[47] Como Plummer, DeSoto pediu menos rugas, e o resultado foi, de acordo com o artista Kenny Myers, "uma mulher bem suntuosa que por acaso era klingon". As mudanças do desenho forçaram Myers a abdicar outro trabalho de maquiagem, o Gorkon de David Warner, para Margaret Bessera. A aparência de Gorkon foi uma preocupação especial para Meyer, que tinha duas inspirações específicas: Ahab e Abraham Lincoln. "Ele [Meyer] ama brincar com os clássicos", Myers explicou, "e incorporando essas duas imagens foi genial da parte dele. Ele queria que houvesse incertezas sobre as verdadeiras intenções de Gorkon. Ele quer paz ou há algo sinistro em sua mente? A partir de sua aparência era impossível dizer se ele era amigo ou inimigo. Subliminarmente, havia aspectos de ambos".[16]

Além dos cosméticos klingons, o supervisor de maquiagem Michael J. Mills manteve-se ocupado preparando vários outros alienígenas exigidos pelo roteiro.[39] Ele e sua equipe criaram a maior empreitada de maquiagem já vista em um filme de Star Trek até então; maquiagens customizadas foram aplicadas em 22 atores, além de pelo menos 126 maquiagens prostéticas todos os dias. Sempre existiu um esforço para providenciar dinheiro suficiente ao departamento de maquiagem a fim de garantir que o trabalho complexo estava finalizado já que os alienígenas desempenhavam um papel tão importante no longa. Segundo Mills, "[se] pudéssemos provar a [Winter] que precisávamos de algo para fazer a tomada, então nós teríamos". O laboratório de maquiagem empregou uma equipe de 25 pessoas e mais de trezentas próteses, desde testas klingons até orelhas vulcanas e romulanas.[49] Os trabalhos com um número tão grande de figurantes começavam à 1h00min da manhã a fim de todos estarem prontos para a chamada das 8h00min.[36]

A forma grande e pesada que a metamorfa Martia assume na superfície congelada de Rura Penthe foi chamada de "O Bruto" pela equipe de produção. A criatura era semelhante a um Ieti e teve sua aparência baseada em um sagui que os maquiadores viram na capa de uma revista. Um klingon congelado com uma expressão de horror também foi criado para a sequência em Rura Penthe. O maquiador Ed French encontrou uma cabeça klingon sobressalente com Snell e a colocou em sua própria cabeça.[49] Um molde de seu rosto contorcido foi então usado como a base para o boneco levado para a locação. Os artistas usaram cores marcantes e técnicas novas para alguns dos alienígenas; pigmentos ultravioletas foram empregados a fim de criar um alienígena hostil que luta contra Kirk na prisão.[50]

Já que essa era para ser a última aparição de Leonard Nimoy como Spock, o ator exigiu que sua aparência fosse fiel ao trabalho de Fred Phillips e Charlie Schram na série original. Mills consultou fotos da série como referência, e criou cinco orelhas antes de Nimoy ficar satisfeito. O resultado foi orelhas altas e com as pontas para frente, consideravelmente diferente do trabalho de Snell em The Voyage Home, com as pontas para trás. A personagem de Valeris foi desenhada para ter um tom de pele mais marfim do que o amarelo de Spock, com sobrancelhas mais elegantes e um corte de cabelo mais severo, aprovado por Meyer. "Nós passamos por muitas dores para estabelecer que uma mulher vulcana—uma sensual mulher vulcana—seria", disse Mills.[51]

Filmagens[editar | editar código-fonte]

As filmagens começaram em 16 de abril e terminaram em 27 de setembro de 1991,[52] usando uma mistura de cenários fixos com imagens de locações. A produção sofreu com a falta de espaço disponível para cenários; o Quartel General da Frota Estelar foi construído alguns quarteirões da Paramount, na Igreja Presbiteriana de Hollywood.[8] Meyer copiou uma técnica usada nas filmagens de Citizen Kane, onde os cineastas deixaram o cenário ficar na escuridão para economizar dinheiro na construção.[14] O filme foi filmada em Super-35 ao invés do formato anamórfico, porque em super-35 dava mais flexibilidade no enquadramento e na seleção de lentes, maior profundidade de campo e lentes mais rápidas.[53] Devido aos cortes de orçamento, planos para as filmagens foram constantemente revisados e reduzidos, porém em alguns casos isso provou ser uma vantagem e não um empecilho. Meyer frequentemente dizia que "a arte vive de restrições", e Zimmerman concordava, dizendo que o desenho de produção e as filmagens criaram um ambiente rico apoiava e melhorava a ação.[53]

A cena do jantar foi filmada em uma versão modificada do deque de observação da Enterprise-D. Na parede havia quadros de figuras históricas, incluindo Abraham Lincoln, Sarek; pai de Spock; e um embaixador andoriano.[8] A comida preparada para a cena foi colorida de azul para que ela parecesse alienígena. Nenhum dos atores queria comer os pratos pouco apetitosos (especialmente depois delas terem amadurecidas sob as fortes luzes do estúdio),[8] e se tornou uma piada recorrente entre a equipe durante as filmagens para que eles provassem a comida.[4] Devido aos múltiplos ângulos e tomadas necessárias para uma cena de boca cheia, Meyer ofereceu uma recompensa de US$ 20 para cada tomada de um personagem comendo. Para Shatner, o incentivo foi o suficiente para ele se tornar o único membro do elenco a consumir a lula pintada de roxo. A cena levou dias para ser completada devido ao que Plummer chamou de o "horror" de filmar o jantar.[4] Traduzir "Ser ou não ser" de William Shakespeare para klingon foi problemático porque Marc Okrand não havia criado um verbo para "ser" quando desenvolveu a língua em The Search for Spock.[14]

O tribunal klingon onde Kirk e McCoy são sentenciados foi desenhado para ser uma arena, com paredes altas e uma plataforma central para os acusados. Originalmente planejado para ser construído no maior estúdio, cortes nas filmagens da locação para Rura Penthe forçaram a construção de um cenário menor.[53] 66 klingons foram usados na cena, com seis atores com maquiagens customizadas e 15 com maquiagens tipo "A"; desenhos de alta qualidade foram usados nos klingons da primeira fileira das arquibancadas, enquanto os atores de trás usavam máscaras. A ilusão de uma fileira interminável de klingons foi alcançada iluminando-se os acusados no centro com uma forte luz azul, e depois deixando o resto do cenário ficar nas sombras.[54] Para dar uma aparência maior ao cenário, uma tomada de cima do tribunal foi criada usando miniaturas. Inspirada por uma cena em Ben-Hur, o supervisor de pinturas Craig Barron usou 200 bonecos comerciais disponíveis de Worf enviados por Ralph Winter. Klingons nervosos foram criados mexendo os bonecos para frente e para trás com um pequenos bastões vermelhos ligados a um pequeno motor de 12 V. A miniatura do tribunal tinha 3 m de comprimento.[51]

Flinn concebeu a colônia penal de Rura Penthe em um árido e não desenvolvido planeta com uma variedade enorme de alienígenas; Meyer sugeriu que ela fosse transformada em um mundo de glacial. As tomadas exteriores de Martia, Kirk e McCoy viajando por áreas congeladas foram filmadas em um glacial do Alaska, 40 minutos ao leste de Anchorage. Devido às restrições de tempo e orçamento, a segunda unidade recebeu a tarefa de conseguir as imagens.[51] A locação era apenas acessível por helicóptero, e foi sondada por meses antes do início das filmagens. O principal problema que a equipe encontrou foi o frio; de manhã, as temperaturas chegavam a -30 °C, enquanto a tarde chegava a -46 °C. Os dublês, vestidos com figurinos de lã, corriam perigo de pegar pneumonia.[8] O produtor Steven-Charles Jaffe sondou cavernas parcialmente derretidas; com apenas dois terços de dia para filmar, a equipe tinha de dar o melhor deles. As baterias descarregavam depois de minutos de uso no frio, e a falta de neve foi compensada por precipitações falsas derrubadas de um helicóptero.[51]

Cenas com os personagens principais em Rura Penthe foram filmadas em estúdio. Enormes ventiladores sopravam neve falsa que, de acordo com Shatner, entrou em "cada orifício", como também na câmera. Criar a nevasca falsa foi um desafio; dois tipos de neve plástica foram misturadas para providenciar flocos e acumulação de pó. Os compartimentos da câmera foram mudados para que não houvesse chance da neve plástica entrar no filme; membros da equipe encontraram neve em suas meias semanas depois.[54] A prisão subterrânea foi filmada nas cavernas reais deixadas pela mineração em Griffith Park,[8] no Bronson Canyonm, usadas anteriormente para a Batcaverna e para o serial da década de 1930 de Flash Gordon. Tomadas do interior da mina foram feitas à noite para parecer que a locação era parte do cenário.[54] A descida do elevador para as caldeiras da mina foi simulada colando rochas falsas a uma lona sendo dobrada no fundo da cena. Enquanto Zimmerman acreditava que Shatner odiaria a luta entre Kirk e o doppelgänger, gostou da sequência, e contribuíu para a coreografia da cena com seus conhecimentos de judô e caratê.[4]

A batalha sobre Khitomer foi uma das últimas sequências a serem filmadas, o que provou ser casual já que a ponte da Enterprise foi danificada por faíscas e explosões. O cenário da sala de jantar dos oficiais foi explodido para a sequência onde o casco da Enterprise é atingido por um torpedo. Quando o cenário foi reconstruído para ser usado em The Next Generation, a parede da frente foi reconstruída e redesenhada. Enquanto os interiores e exteriores da Conferência de Khitomer foram filmados no Brandeis-Bardin Institute, na Califórnia, a janela de onde o Coronel West se prepara para matar o Presidente da Federação foi construída em um cenário separado na Paramount. Imagens de Brandeis e pinturas foram combinadas para criar a visão externa.[8]

A divisão de trabalho durante as filmagens dos modelos das naves estelares foi decidida bem cedo pelos câmeras de efeitos Peter Daulton e Pat Sweeney. Técnicas antigas e novas foram aplicadas nas filmagens dos modelos. Para garantir que as naves fossem inseridas sem problemas no campo de estrelas adicionado na pós-produção, a equipe de filmagens gravava uma segunda passagem no modelo com uma luz amarela superexposta, que reduzia o derramamento de luz no fundo azul. O amarelo era removido por filtração nos processos ópticos, com o resultado sendo bordas limpas ao redor das naves.[51] Usando técnicas pioneiras em Back to the Future Part II, outra tomada com um diferente ajuste de luzes foi filmada. Combinando passagens com diferentes ajustes de luzes, os efeitos ópticos poderiam gerar a quantidade de contraste necessária sem causar derramamento. Devido ao fato da Paramount continuamente adicionar novas tomadas ao já cheio cronograma e ao apertado orçamento, alguns elementos foram invertidos para serem reusados, incluindo um campo de estrelas e uma tomada da Ave de Rapina atirando.[51] Quando possível, as naves eram filmadas a partir de baixo para reforçar o tema náutico, com os movimentos sendo feitos para que o público lembrasse de galeões e outros grandes navios.[53] A aproximação da Doca Espacial foi filmada a partir de baixo do modelo da estação, que William George achou interessante e apropriado. Ele achou que seguir uma nave a partir do planeta evocava 2001: A Space Odyssey. A nave vista na cena foi o único modelo novo criado para o filme. Tinha 30 cm de comprimento e foi fabricado em menos de uma semana. A tomada da Enterprise deixando a Doca Espacial foi difícil de produzir porque a miniatura do interior da doca havia desaparecido. Imagens tiradas de The Voyage Home foram usadas em uma tomada para compensar. Já que a única outra tomada da necessária era o ponto de visão da Enterprise deixando a Doca Espacial pelas portas, essa foi a única seção recriada para o filme.[51]

A última cena do filme foi a última a ser filmada. Inicialmente, o tom seria mais melancólico e clássico, porém Meyer fez algumas alterações de última hora. Flinn disse que Meyer "estava com um humor otimista", e o diretor sugeriu que Kirk citasse Peter Pan para as últimas falas;[53] "Segunda estrela à direita, e sempre em frente até de manhã". As emoções foram fortes enquanto as últimas tomadas do elenco eram capturadas;[4] Shatner disse, "Quando terminamos nossa última cena, que se estendeu mais do que esperávamos, havia um senso de irritação. Nós brindamos com champagne, porém todos estavam um pouco inquietos".[52]

Efeitos[editar | editar código-fonte]

A maioria dos efeitos visuais do filme foram criados pela Industrial Light & Magic (ILM) sob a supervisão de Scott Farrar, que foi câmera de efeitos visuais nos três primeiros filmes de Star Trek. Depois da receber o roteiro, a ILM criou storyboards para as sequências de efeitos antes de se encontrarem com Meyer e com os produtores Winter e Jaffe para discutir as sequências planejadas. Essas discussões começaram antes do filme receber a luz verde para a produção. As estimativas de custo da ILM superavam o orçamento da Paramount, então para economizar dinheiro os cineastas redesenharam algumas tomadas e terceirizaram algumas para outras companhias. Elementos da sequência em gravidade zero foram feitos pela Pacific Data Images, enquanto os raios de fasers e efeitos de transportes foram gerados pela Visual Concept Engineering, uma ramificação da ILM que havia contribuído em The Wrath of Khan e The Final Frontier. Apesar da contagem das tomadas de efeitos ter caído de 100 para 51, o projeto ainda era grande, e necessitava de quase toda a equipe da ILM para completar.[54] O objetivo de Farrar era economizar os efeitos restantes; se três tomadas fossem similares, eles tentariam contar a história com apenas uma. Animações baratas deram a Meyer marcadores para cortar o filme e evitar surpresas dispendiosas.[51] Imagens de filmes anteriores foram usadas quando possível, porém isso era frequentemente inviável; já que a USS Enterprise original havia sido destruída em The Search for Spock, todas as tomadas da Enterprise-A tinham de ter o registro atualizado.[51]

A USS Excelsior passa pela onda de choque gerada pela explosão de Praxis. A equipe de efeitos lutou para criar uma onda que parecesse enorme comparada ao tamanho da nave.[51]

A divisão de computação gráfica da ILM ficou encarregada por criar três sequências, incluindo a explosão de Praxis.[51] A ideia de Meyer para o efeito foi influenciada por The Poseidon Adventure; Farrar usou imagens da imensa onda atingindo o Poseidon para informar a escala da onda de choque.[53] O departamento construiu a partir de uma simulação de clarão para criar a explosão de plasma composta de dois discos em expansão com detalhes de turbilhões mapeados texturalmente na superfície. Farrar estabeleceu o visual preliminar da onda, e o supervisor gráfico Jay Riddle usou o Adobe Photoshop em um Macintosh para estabelecer o esquema de cores finais. Inicialmente, a equipe achou que eles poderiam usar os mesmo métodos para criar a onda que atinge a Excelsior, porém descobriram que não transmitia a escala da onda - nas palavras de Riddle, "essa coisa tinha de parecer enorme". A tomada foi criada manipulando duas peças curvadas de geometria de computador, expandindo-as enquanto elas se aproximavam da visão da câmera. As texturas que mudavam a cada quadro foram adicionadas para o corpo principal da onda para dar a impressão de grande velociadade.[51] Imagens de controle de movimento da Excelsior foram então escaneadas no sistema do computador e feitas para interagir com a onda digital.[51] A onda de choque "Efeito Praxis" da ILM se tornou uma característica comum em filmes de ficção científica para mostrar a destruição de grandes objetos.[55]

Meyer teve a ideia de ter os assassinos usarem botas especiais para matar um Gorkon sem peso depois de procurar por um jeito novo de matar o personagem no espaço que não havia sido visto antes.[4] A sequência final mesclou efeitos físicos de dublês com computação gráfica. A responsabilidade de filmar a sequência com os atores ficou com a segunda unidade sob a direção de Jaffe. Enquanto a sequência estava bem no papel, não havia tempo nem dinheiro suficiente para fazer os efeitos "do jeito certo" - por exemplo, filmar os atores na tela azul e depois colocá-los nos corredores klingons. Jaffe notou que o modo de baixa tecnologia de suspender os atores por cabos ajudou no efeito final, porque pelo modo que a sequência foi fotografada por John Fante, poucos cabos tiveram de ser removidos na pós-produção;[51] cenários foram construídos para que a luz obscurecesse os cabos, e todos os cenários foram construídos de lado para que quando os atores fossem puxados para cima e para baixo nos cenários giratórios, os personagens pareceriam flutuar. Esses cenários foram construídos sobre uma estrutura especial para que o movimento dos atores e dos cenários criassem um efeito de flutuação. A tomada de dois klingons sendo mortos e jogados para trás no corredor por um tiro de faser foi simulado posicionando a câmera no fundo do cenário. O cenário foi colocado no final no mais alto estúdio da Paramount, para que a câmera ficasse virada para o teto. Nessa posição, os cabos eram escondidos pelos atores enquanto eles subiam pelo corredor.[4]

Um klingon "sem peso" é jogado para trás, jorrando sangue violeta. Na realidade, os cenários foram girados 90° para dar a ilusão do ator estar flutuando horizontalmente; os glóbulos de sangue foram digitalmente animados e adicionados na pós-produção.

Os sangue que jorra dos ferimentos klingons foram criados usando imagens geradas por computador; os animadores tinham de ter certeza que o sangue flutuasse de uma maneira convincente enquanto também parecesse interessante e não tão nojento.[53] Os artistas de efeitos olharam imagens da NASA de glóbulos de água para ver a física das partículas de sangue. Inicialmente, o sangue tinha a cor verde, porém os cineastas perceberam que McCoy havia chamado Spock de sangue verde. A cor final foi violeta, uma cor que Meyer não gostou, mas teve de aceitar, porque sua primeira escolha, vermelho, quase certamente daria ao filme uma classificação "R" da MPAA.[14] A morte inicial do klingon na sala de transporte enquanto os assassinos são transportados abordo foi o teste de aprimoramento para a cor do sangue e como ele se moveria pela sala. A maioria das gotas de sangue eram "pinguinhos", grupos de esferas suavemente colocados juntos por computador, criando uma esfera de forma contínua. O mais distante as esferas, mais a forma poderia ser esticada e até quebrada. Os fasers usados na cena, e pelo filme, eram versões redesenhadas daqueles usados em The Final Frontier. Os objetos de cena tinham luzes azuis que ligavam quando o gatilho era puxado, então os artistas de efeitos sabiam quando adicionar os efeitos de feixes do fazer. Para as sequências de gravidade zero, o time da ILM pareou os tiros de fazer da Visual Concept Engineering por pinturas a mão no Photoshop.[51] A ILM também fez pequenos retoques para as cenas como era necessário, adicionando rasgos nas roupas dos klingons nos locais onde os fasers os atingiram e adicionando a atmosfera arenosa nos objetos gerados por computador.[51] Essas sequências em gravidade zero foram as mais caras para completar.[8]

Rura Penthe foi criada usando uma mistura de imagens de cenários e locações, com sequências estabelecedoras criadas pela Matte World Digital. Os personagens foram filmados em uma praia de San Francisco, com um plástico branco estendido no chão. Elementos de sol foram colocadas em camadas na tomada junto com um efeito de neve duplo-exposto. Passadas adicionais foram feitas de nuvens de enchimento com luzes atrás para criar uma tempestade elétrica no fundo.[51]

Martia não foi a primeira metamorfa vista em Star Trek, porém a personagem foi a primeira a ser criada usando a tecnologia de metamorfose digital.[8] Os efeitos eram revisões avançadas da tecnologia usada em filmes como Terminator 2: Judgment Day. O animador John Berton tentou uma nova e mais complicada transformação, incluindo mover a câmera e juntar as falas de dois personagens; cuidados especiais foram tomados para alinhar corretamente dois personagens chapa fotográfica. Martia se torna Kirk enquanto fala, necessitando de falas similares de Iman e Shatner; Farrar supervisionou as filmagens no cenário para as metamorfoses e fez os atores dizer suas falas em sincronia através de um megafone.[53] A luta de Kirk com Martia na forma do capitão foi filmada em sua maior parte com um dublê; a maioria das tomadas deixa apenas o rosto de um dos combatentes visível. Quando Kirk falava com sua cópia diretamente, duas tomadas separadas de Shatner em posições opostas foram combinadas, com o movimento de câmera cuidadosamente controlado para que a imagem resultante fosse realista.[8]

Para a batalha espacial final, George redesenhou os torpedos fotônicos para terem um núcleo mais quente e um brilho maior, porque ele achava que as armas dos outros filmes pareciam "bonitas demais".[51] Os torpedos também se moviam como mísseis guiados ao invés de bolas de canhão. George disse a Farrar que ele sempre quis ver algo penetrando o fino casco da seção do disco da Enterprise, então uma réplica do disco foi recriada e explodida; o modelo foi pendurado de ponta cabeça para que a explosão fosse invertida para melhor simular a gravidade zero; a mesma técnica foi usada na destruição da Enterprise original em The Search for Spock. Ao invés de destruir o modelo da Ave de Rapina no clímax, imagens pirotécnicas foram reduzidas e colocadas em lugares apropriados para simular as explosões ao longo da nave. Um "modelo pirotécnico" especial foi criado a partir de borracha para a explosão final da Ave de Rapina. A ILM sabia que já havia imagens de Chang reagindo ao impacto do torpedo, porém também sabiam que Meyer não estava satisfeito com o resultado. Usando as imagens de Plummer como referência, a equipe de efeitos criou um boneco que foi detonado na mesma posição. Steven Jaffe disse, "[Editor] Ron Roose e eu nos debruçamos sobre a imagem para achar os três quadros utilizáveis que nós poderíamos usar para dizer ao público 'nós o pegamos'".[51]

Música[editar | editar código-fonte]

O plano original de Meyer era adaptar a suíte orquestral The Planets, de Gustav Holst. A ideia se mostrou muito cara, então Meyer começou a escutar fitas demo de vários compositores.[56] Meyer descreveu a maioria dos demos como "música de filme" genérica, porém ficou intrigado por uma fita enviada por um compositor chamado Cliff Eidelman. Eidelman, com então 26 anos, tinha feito uma carreira compondo balés, televisão e filmes, porém apesar de ter trabalhado em 14 longas, nenhum filme tinha dado a ele uma grande fama.[57]

Em conversas com Eidelman, Meyer mencionou que já que as marchas que acompanhavam os créditos principais dos outros filmes de Star Trek eram tão boas, ele não queria competir com elas usando uma abertura bombástica. Ele também achou que já que o filme era mais sombrio que seus predecessores, necessitava de algo musicalmente diferente como resultado. Ele mencionou que a abertura de O Pássaro de Fogo, de Igor Stravinsky, era um presságio similar ao que ele queria. Dois dias depois, Eidelman produziu uma fita com sua ideia para o tema principal, tocada com um sintetizador. Meyer ficou impressionado com a velocidade do trabalho e como ele se aproximava de sua visão.[56] Meyer mostrou o CD de Eidelman para o produtor Steven-Charles Jaffe, que fez Jaffe lembrar de Bernard Herrmann; Eidelman recebeu em seguida o trabalho de compor a trilha sonora do filme.

O projeto anterior de Eidelman foi criar uma compilação de músicas dos cinco filmes anteriores de Star Trek, e ele conscientemente evitou pegar inspirações dessas trilhas. "[A compilação] me mostrou do que ficar longe, porque eu não poderia fazer James Horner [compositor de The Wrath of Khan e The Search for Spock] tão bem como James Horner", disse ele.[57] Já que ele foi contratado bem cedo na produção, o compositor teve muito tempo para desenvolver suas ideias, tendo visitado os cenários durante as filmagens. Enquanto o filme estava no início da produção, Eidelman trabalhou em rascunhos eletrônicos da trilha final, com o objetivo de acalmar os executivos que estavam inseguros em contratar um compositor relativamente desconhecido.[57]

Eidelman disse que ele acha que ficção científica é o gênero mais interessante para compor música, e que Meyer disse a ele para tratar o filme como um novo começo, ao invés de tirar os antigos temas de Star Trek.[4] O compositor disse que ele queria que a música apoiasse os visuais; para Rura Penthe, ele se esforçou para criar uma atmosfera que refletia o cenário alienígena e perigoso, introduzindo instrumentos exóticos para dar cor. Além de usar percussões de todo o mundo, Eidelman tratou o coral como percussão, com a tradução klingon de "ser ou não ser" ("taH pagh, taHbe") sendo repetida ao fundo. O tema de Spock foi criado para ser etéreo em contrapartida ao tema de Kirk e da Enterprise, destinado a capturar "o vislumbre emocional do olho do capitão".[57] O dilema interno de Kirk sobre o que espera o futuro foi ecoado no tema principal: "É Kirk tomando o controle pela última vez e enquanto ele olha para as estrelas ele tem a faísca novamente [...] Porém há uma nota não resolvida, porque é muito importante que ele não confie nos klingons. Ele não quer ir nessa viagem apesar da faísca estar lá e ter tomado ele".[53] Para a batalha do clímax, Eidelman começa a música de forma quieta, construindo a intensidade enquanto a batalha progride.[4]

A trilha sonora oficial foi lançada no dia 10 de dezembro de 1991 pela MCA Records, possuí 13 faixas com o tempo de duração de 45 minutos.

Temas[editar | editar código-fonte]

A alegoria da Guerra Fria de Star Trek VI: The Undiscoverd Country e as referências a literatura foram reconhecidas entre pesquisadores e historiadores culturais. De acordo com o estudioso Larry Kreitzer, The Undiscovered Country tem mais referências a William Shakespeare do que qualquer outra produção de Star Trek até 1996.[58] O próprio título alude a Hamlet, Ato III, Cena 1. Meyer originalmente queria que The Wrath of Khan se chamasse The Undiscovered Country.[14] Enquanto a terra desconhecida referida em Hamlet (e seu significado em The Wrath of Khan) seja a morte, The Undiscovered Country usa a frase para se referir a um futuro onde humanos e klingons coexistam em paz.[58]

Uma frase de The Tempest é mencionada por Gorkon como representando a nova ordem galáctica, a de um "admirável mundo novo". Chang recita a maioria das frase de Shakespeare no filme, incluindo citações de Romeu e Julieta e Henrique VI, Parte 2 em sua despedida para Kirk após o jantar. Durante o julgamento de Kirk, Chang também cita falas de Ricardo II. A batalha final sobre Khitomer contém sete referências a cinco peças diferentes de Shakespeare.[58] Duas referências são falas do personagem título de Henrique V ("Uma vez mais para a violação"/"O jogo está em andamento"), enquanto duas outras citações vem de Júlio César ("Eu sou tão constante quanto a Estrela do Norte"/"Soltem os cães de guerra"). Ha uma única referência a The Tempest ("Nossa diversão chegou ao fim"), e Chang diminuí o discurso de Shylock de O Mercador de Veneza: "Se nos fazem cócegas, nós não rimos? Se nos cortam, nós não sangramos? E se nos fazem mal, não devemos nos vingar?". A última fala dita por Chang antes de ser obliterado por torpedos é uma parte do famoso solilóquio de Hamlet: "Ser ou não ser...".[58] Flinn inicialmente estava inseguro sobre as numerosas citações clássicas, porém quando Plummer foi escalado, Meyer entusiasticamente adicionou mais. Ele disse, "Se é pretensioso ou não, acho que depende de como é usada [...] não concordo muito em usar tantas coisas desse tipo, porém uma vez com Plummer, de repente estava funcionando".[53]

Estudiosos notaram que são os klingons, não os humanos, que citam Shakespeare; Gorkon em determinado momento do filme diz que "Você ainda não experimentou Shakespeare até lê-lo no original klingon". O estudioso de Shakespeare, Paul A. Cantor, diz que essa associação é apropriada — os guerreiros klingons acham seus correspondentes na literatura nos personagens de Otelo, Marco Antônio e Macbeth — porém isso também reforça a afirmação de que o fim da Guerra Fria significa o fim da literatura heróica como a de Shakespeare. Meyer disse que a ideia de ter os klingons afirmando que Shakespeare eram algo deles foi baseada na tentativa da Alemanha Nazista de afirmar que o Bardo era alemão antes da II Guerra Mundial.[14] De acordo com Kay Smith, o uso de Shakespeare tem seu próprio significado e também deriva novos por sua articulação em uma forma nova.[59]

Um dos temas principais do filme é a mudança, e a resposta das pessoas a essa mudança. Meyer considerou Valeris e Chang como "pessoas assustadas, que tem medo de mudanças", que se agarram a meios antigos apesar do mundo em mudança. Ele acreditava que a ficcionalização de eventos atuais permitia um olhar objetivo sobre essas questões, ao invés de serem cegados por preconceitos pessoais. No começo do filme, Kirk opera sobre preconceitos similares, chamando os klingons de "animais", se colocando contra Spock. O vulcano vê a iniciativa de paz de Gorkon como lógica, respondendo a mudança do status quo calmamente; ele até inicia as conversas de paz ao comando de seu pai. Kirk, enquanto isso, está disposto a deixá-los [os klingons] morrer, indisposto a ouvir as palavras de Spock devido ao seu preconceito. Kirk passa por uma transformação pelo filme através do encarceramento; percebendo que seu ódio estava antiquado, ele deixa ocorrer uma limpeza que restaura seu filho a ele de alguma forma.[60]

Recepção[editar | editar código-fonte]

Lançamento[editar | editar código-fonte]

Star Trek VI: The Undiscovered Country estreou na América do Norte em 6 de dezembro de 1991. O lançamento estava originalmente previsto para 13 de dezembro.[29] Para divulgar o filme, e o aniversário de 25 anos de Star Trek, a Paramount fez maratonas exibindo os cinco filmes anteriores em 44 cidades selecionadas nos EUA e Canadá. As exibições de 12 horas também incluíam imagens de The Undiscovered Country.[61] Um dia antes da estreia, o elenco principal do filme gravou seus nomes no cimento do Grauman's Chinese Theatre, na Hollywood Boulevard.[62] Nichols se tornou se tornou a primira mulher afro-americana a ganhar uma estrela na Calçada da Fama de Hollywood.[63] Nimoy, que havia pedido US$ 1 milhão para fazer uma ponta em Star Trek: The Next Generation, apareceu nos episódios "Unification", que foram ao ar em novembro de 1991, aumentando o interesse no filme.[53] Os cinco filmes anteriores foram lançados em um pacote especial para colecionadores com uma nova embalagem; varejistas receberam a chance de fotografar seus produtos para concorrer a uma visita aos cenários de The Next Generation e ingressos para pré-estreias de The Undiscovered Country.[64]

Gene Roddenberry não viveu para ver a estreia do filme, morrendo de um ataque do coração em 24 de outubro de 1991. Antes do lançamento do filme, ele assistiu uma versão quase final de The Undiscovered Country, e de acordo com os produtores e o biógrafo oficial de Kelley, Terry-Lee Rioux, ele aprovou o filme.[65] Em contraste, Shatner e Nimoy dizem que após a exibição, Roddenberry ligou para seu advogado e exigiu que um quarto das cenas fossem cortadas; os produtores recusaram, e em 48 horas ele estaria morto.[66] A Paramount considerou gastar até US$ 240.000 para enviar as cinzas de Roddenberry para o espaço—algo apoiado pelos fãs—porém desistiram;[67] seus restos não iriam ao espaço até 1997. A abertura do filme incluía uma nota em memória de Roddenberry; em pré-estreias, as plateias levantaram e aplaudiram.

The Undiscovered Country estreou em 1.804 cinemas na América do Norte e arrecadou US$ 18.162.837 no fim de semana de estreia; chegando ao primeiro lugar das bilheterias.[68] O filme arrecadou US$ 74.888.996 na América do Norte, para um total de US$ 96.888.996 mundialmente.[2] A exibição forte de The Undiscovered Country foi um dos grandes sucessos de 1991, um ano que a indústria do cinema experimentou resultados de bilheteria desapontadores.[69] O filme foi indicado aos Oscars de Melhor Edição de Som e Melhor Maquiagem.[70] O filme venceu o Saturn Award de Melhor Filme de Ficção Científica, se tornando o único filme de Star Trek a vercer o prêmio.[71] A romantização do filme escrita por J. M. Dillard também foi um sucesso comercial, alcançando a lista dos mais vendidos da Publishers Weekly.[72]

Crítica[editar | editar código-fonte]

Star Trek VI: The Undiscovered Country foi muito melhor recebido pelo público e pela crítica do que The Final Frontier. No site Rotten Tomatoes o filme possuí um indíce de aprovação de 83%, baseado em 46 resenhas, com uma média de 6,8/10. O consenso é "The Undiscovered Country é uma forte despedida cinematográfica da tripulação original, possuindo visuais memoráveis e um enredo de mistério intrigante".[73]

Referências

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Bibliografia[editar | editar código-fonte]

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  • Martin, Kevin (fevereiro de 1992). «Letting slip the dogs of war». Cinefex. 1 (49) 
  • Rioux,, Terry Lee. From Sawdust to Stardust: The Biography of DeForest Kelley. [S.l.]: Pocket Books, 2005. ISBN 0-7434-5762-5

Ligações externas[editar | editar código-fonte]