Khuzdul

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Khuzdul (Khuzdûl)
Criado por: J. R. R. Tolkien c. 1935
Total de usuários: Anões
Categoria (propósito):
Categoria (fontes): Língua hebraica
Escrita: Cirth
Códigos de língua
ISO 639-1: --
ISO 639-2:
ISO 639-3: none

Khuzdul, ou língua nanica,[1] é uma das línguas artificiais inventadas pelo escritor e filólogo J. R. R. Tolkien no contexto da preparação dos contas da Terra Média. Parece que foi criada na década de 1930, mas a maior parte do corpus linguístico conhecido até à data (cerca de 60 a 80 palavras) surgiu na década de 1950, durante e após a conclusão da redação de O Senhor dos Anéis.

Em seu universo ficcional, Khuzdul é a língua do povo dos anões, eles a receberam de seu criador, o Vala Aulë. É transcrita principalmente por um sistema de escrita rúnico chamado cirth.

A estrutura do Khuzdul, do tipo flexiva, é inspirada pelas línguas semíticas, como o árabe ou hebraico: baseia-se em raízes consonantais, a partir da qual as palavras são construídas pela intercalação de vogais e acrescentando afixos. O vocabulário é construído a priori, ou seja, independentemente da linguagem natural, e desenhada por Tolkien para ser claramente distinguível de outras línguas da Terra Média:[2] o Khuzdul pareceria "pesado e desagradável" perante a língua dos elfos.[3]

Denominações[editar | editar código-fonte]

Tolkien usou vários nomes diferentes para a linguagem; na maioria das vezes ele usa o endônimo Khuzdul (uma vez escrito khuzdûl) ou o exônimo língua nanica ('Dwarvish' em inglês).[nota 1] Também são encontrados os termos nauglien (Nauglian),[5] khazadien (Khazadiano)[6] e Quenya naukarin.[7]

História[editar | editar código-fonte]

No Khuzdul, assim como em outras línguas inventadas por Tolkien, deve-se distinguir duas linhas de tempo no processo de desenvolvimento:

  • Uma externa, para a evolução dos conceitos de linguagem durante a vida do autor;
  • Outra interna, que diz respeito à evolução histórica da língua dentro do mesmo mundo imaginário em que é falado.

História externa[editar | editar código-fonte]

A criação da língua nanica parece datar do início ou meados de 1930. Na história do "Quenta Silmarillion",[8] é encontrado as primeiras ocorrências das palavras Khazaddûm,[nota 2] Gabilgathol e khuzûd. Isto significava a raça dos anões em sua própria língua, antes do Khazâd ser modificado. A partir de 1937, o ano de lançamento de O Hobbit, Tolkien refez o idioma, especialmente nos termos de sua estrutura. Em suas palavras, a língua khuzdule "foi descrita com algum detalhe em sua estrutura, mas com muito pouco vocabulário." Além disso, parece que há uma gramática e fonologia em Khuzdul nos manuscritos inéditos do autor.[9]

Para criar o idioma nanico, Tolkien foi inspirado nas línguas semíticas; foneticamente, a linguagem tende mais especificamente para o hebraico, mas outras características (tais como "plural quebrado"), lembram o árabe.[10] O autor disse que viu os anões "como os judeus", enfatizando a ideia de uma semelhança linguística com o hebraico.[11] Em uma entrevista transmitida pela BBC em 1967, também disse que "todas [as] palavras eram semitas, é claro; construídas para serem semitas".[12] Parece que Tolkien tinha conhecimento em hebraico, quando ele participou da tradução em inglês da Bíblia de Jerusalém em 1966.[13]

Notas

  1. O termo Dwarvish (Anão) às vezes é traduzida como língua anã como no Tolkiendil[4] , mas nunca em traduções oficiais.
  2. Esta palavra, em seguida, significava a cidade anã de Nogrod antes de ser chamada de Moria.

Referências

  1. O senhor dos Anéis, Apêndice E.
  2. Estruturalmente e gramaticalmente [Khuzdul] era muito diferente de todas as outras línguas ocidentais. (The Peoples of Middle-earth, p. 316, nota 4).
  3. Kilby, p. 44: Comparado com o élfico soava 'incômoda e desagradável'.
  4. KHUZDUL no Tolkiendil
  5. The Lost Road et autres textes p. 226.
  6. Sauron Defeated, p. 414.
  7. Parma Eldalamberon n°18, Tree of the Descent of Tongues, p.28, 29 e 81.
  8. The Lost Road, "Quenta Silmarillion".
  9. (em inglês) A List of Tolkien's Unpublished and Slightly Published Manuscripts, entrée §76.
  10. Parma Eldalamberon n° 17, p. 85.
  11. Lettres, carta n° 176, p. 229.
  12. The History of the Hobbit, p. 80, nota 9.
  13. Lettres, carta n° 294, p. 378.