Maria Francisca Benedita de Bragança

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Maria Francisca Benedita
Infanta de Portugal
Princesa do Brasil
Reinado 24 de fevereiro de 1777
a 11 de setembro de 1788
Predecessora D. Mariana Vitória da Espanha
Sucessora D. Carlota Joaquina da Espanha
 
Marido D. José, Príncipe do Brasil
Casa Bragança
Nome completo
Maria Francisca Benedita Ana Isabel Josefa Antónia Lourença Inácia Teresa Gertrudes Rita Joana Rosa
Nascimento 25 de julho de 1746
  Paço da Ribeira, Lisboa, Portugal
Morte 18 de agosto de 1829 (83 anos)
  Lisboa, Portugal
Enterro Panteão da Dinastia de Bragança, Igreja de São Vicente de Fora, Lisboa, Portugal
Pai D. José I de Portugal
Mãe D. Mariana Vitória da Espanha


Maria Francisca Benedita Ana Isabel Josefa Antónia Lourença Inácia Teresa Gertrudes Rita Joana Rosa de Bragança (Lisboa, 25 de julho de 1746 — Lisboa, 18 de agosto de 1829) foi uma infanta de Portugal e princesa do Brasil. Quarta e última filha do rei D. José I de Portugal, e da rainha D. Mariana Vitória da Espanha, casou-se em 21 de fevereiro de 1777, aos trinta e um anos de idade, com o sobrinho D. José (que na altura contava apenas com quinze anos de idade), então infante de Portugal (que se tornaria em fevereiro 1777, príncipe do Brasil), numa tentativa de conceber um herdeiro para coroa portuguesa.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Infância[editar | editar código-fonte]

D. Maria Francisca Benedita por Vieira Lusitano, 1753.

Nascida no Paço da Ribeira em Lisboa, no dia 25 de julho de 1746, D. Maria Francisca Benedita de Bragança era quarta e última filha do rei D. José I de Portugal e da rainha D. Mariana Vitória da Espanha, filha do rei D. Filipe V da Espanha, fazendo D. Maria Francisca Benedita descender da casa real da Espanha por via materna. Foi baptizada com grande pompa na Sé Patriarcal de Lisboa, no dia 10 de agosto de 1746, pelo cardeal matriarca D. Tomás de Almeida, tendo por padrinho o papa Bento XIV, representado pelo infante D. Pedro, tio da infanta. Recebeu um nome extenso, como era uso na realeza, D. Maria Francisca Benedita Ana Isabel Josefa Antónia Lourença Inácia Teresa Gertrudes Rita Joana Rosa, o qual foi anunciado no Paço da Ajuda em 18 de agosto de 1746

D. Maria Benedita era descrita como uma mulher muito formosa e inteligente, aprendia com muita facilidade, tanto as línguas como as ciências e as belas artes. Falava com toda a correcção o inglês, espanhol. francês e italiano. Seu pai o rei D. José apreciava muito a música, e foi ele quem organizou o teatro real no Paço da Ribeira, para. o qual mandou vir os melhores cantores de Itália. D. Maria Francisca Benedita tinha grande amor e vocação para a música, amor que sempre conservou, já na avançada idade de oitenta anos ainda gostava de tocar piano, cantar e recitar poesias. Obras de suas irmãs D. Maria I e D. Maria Ana, com quem D. Maria Francisca partilhou dotes de pintura, ainda hoje observáveis num painel de uma das capelas laterais da Basílica da Estrela, assinado pelas duas princesas.

O célebre maestro napolitano David Perez foi contratado para vir ensinar as infantas, tornando-se D. Maria Francisca Benedita a sua discípula mais dedicada, tendo David Perez escrito uma ópera, Alessandro nela Indie, especialmente para D. Maria Francisca Benedita cantar no dia 31 de março de 1755, para solenizar o aniversário da rainha D. Mariana Vitória. Poucos meses depois deu-se a lamentável catástrofe do Terremoto de Lisboa em 1 de novembro de 1755, que reduziu a ruínas o teatro e o Paço da Ribeira. Deram-se então algumas récitas no Teatro de Salvaterra, e no do Paço da Ajuda, que se tornou o centro da monarquia portuguesa. Além das óperas líricas, que se cantavam, também se deram no paço oratórias e serenatas, tanto no tempo do rei D. José, como no reinado de D. Maria I, tomando parte nessas festas as infantas, em que sempre sobressaía D. Maria Benedita, pela sua voz melodiosa e sentido canto. 

Casamento[editar | editar código-fonte]

D. Maria Francisca Benedita na véspera de seu casamento.

Tinha já completado trinta anos de idade, quando D. Maria Francisca Benedita desposou seu sobrinho, D. José, príncipe da Beira e filho primogénito de D. Maria I, então princesa do Brasil, e de seu marido e tio, o infante D. Pedro. D. José, herdeiro presuntivo da coroa, tinha apenas quinze anos de idade quando desposou a tia, D. José era descrito um moço de talento, muito instruído, muito versado e um entusiasta militar. O povo estimava-o pelo seu carácter nobre e suas boas qualidades. Desde a mais tenra infância que o príncipe D. José sentia terna simpatia por sua tia, simpatia que mais tarde se transformou em um intenso amor. D. Maria Francisca também estimava muito seu sobrinho, e a política não contrariou estas afeições, até o rei D. José julgou de muita vantagem o matrimônio, e três dias antes de falecer, em 21 de fevereiro de 1777, realizou-se o casamento do herdeiro presuntivo da coroa com sua tia materna, D. Maria Francisca Benedita, que por este facto. ficou sendo princesa da Beira. Por morte de D. José, e subindo ao trono D. Maria I, receberam os recém-casados o titulo de príncipes do Brasil.

Princesa do Brasil e viuvez[editar | editar código-fonte]

D. Maria Francisca Benedita como princesa do Brasil.

Após onze anos duma vida pacífica e muito afectuosa, o príncipe D. José adoeceu gravemente com um ataque de bexigas, que o vitimou em 11 de setembro de 1788, deixando inconsolável sua mulher e tia, e causando geral consternação, porque todos os portugueses depositavam as esperanças naquele seu futuro e estimado rei. Não havendo sucessão, passou a ser herdeiro presuntivo da coroa o príncipe D. João, e D. Maria Francisca Benedita precedeu seu título de princesa do Brasil á cunhada D. Carlota Joaquina da Espanha, passando a ser intitulada de princesa (viuvá) do Brasil.

Vida pôs-cônjuge[editar | editar código-fonte]

D. Maria Francisca Benedita por volta de 1790.

A vida solitária, a que depois se dedicou, sugeriu-lhe o caridoso pensamento de estabelecer um hospício em que os inválidos militares encontrassem agasalho, conforto e toda a caritativa protecção. Para realizar o seu benéfico intento D. Maria I lhe ofereceu a quinta real da Luz, onde está hoje o Colégio Militar, mas a princesa, julgou o sitio acanhado, e sabendo que junto de Runa os frades bernardos do convento de Alcobaça possuíam uma propriedade denominada quinta de Alcobaça, que era muito vasta, obteve que eles lha vendessem, em 11 de Agosto de 1790, comprando também pouco depois, várias propriedades próximas, e a quinta de S. Miguel, na freguesia de Enxára do Bispo, comarca e concelho de Mafra, o que tudo custou aproximadamente 40.000$000 réis. O lugar de Runa fica no concelho de Torres Vedras; é um sitio pitoresco e de encantadoras paisagens. Em 18 de Junho de 1792 deu-se começo às obras do grandioso edifício, sob a direcção do arquitecto José Maria da Costa e Silva, procedendo-se nesse dia à cerimónia da colocação da pedra fundamental. Corriam os tempos maus, no entretanto a construção iniciou-se com mais de 300 operários, entre pedreiros e serventes.

Fuga da família real para o Brasil, retorno a Portugal e conspirações[editar | editar código-fonte]

Quando a família Real emigrou para o Brasil, em Novembro de 1807, já as obras estavam muito adiantadas. Seguiu-se a guerra com os franceses, que terminou em 1814, e ainda mais 7 anos se conservou a família real no Rio de Janeiro, pois só em 1821, depois de ter ali chegado a noticia da revolução do Porto de 21 de Agosto de 1820, é que D. João VI se resolveu a voltar para a Europa. Durante este largo prazo os rendimentos da princesa, assim como os de toda a família real, haviam diminuído consideravelmente por causa dos franceses. D. Maria I havia consignado a sua irmã uma pensão anual de 100.000 cruzados, que não fora paga desde a partida para o Brasil. As cortes, porém, de 1822 lha restituíram. Além disso os desperdícios e as despesas excessivas nas obras do asilo de Runa, obrigaram a princesa a suspender as obras e satisfazer todas as dividas que, segundo as contas que lhe apresentavam, pesavam sobre ela.

D. Maria Francisca Benedita nos seus últimos anos de vida.

Os trabalhos prosseguiram afinal com toda a actividade, e o asilo inaugurou-se a 25 de Julho de 1827, dia em que a bondosa princesa completava 81 anos. Foram 16 os militares inválidos que se albergaram: 1 primeiro-tenente de artilharia, 3 sargentos e 12 cabos, anspeçadas e soldados. A fundadora presidiu a todas as cerimónias da inauguração, a que assistiram muitas pessoas da corte e das vizinhanças. Ela própria, com a maior benevolência, serviu os primeiros pratos aos asilados, sendo o resto servido pelo seu mordomo-mor, o marquês de Lavradio, e pelos criados da Casa Real. O edifício, e a majestosa capela, com os seus ornamentos e alfaias, importaram em 600.000$000 réis. A princesa reservou uma parte do edifício para sua habitação. D. Maria Francisca Benedita sobreviveu apenas dois anos à inauguração do asilo, não chegando a ver completo o zimbório da igreja. (V. Runa). Enquanto duraram as obras a princesa ia frequentes vezes a Runa, dirigindo e activando os trabalhos, recebendo ali a visita de D. João VI, numa ocasião em que o monarca regressava das Caldas da Rainha. Convivia com as pessoas que moravam nas vizinhanças do asilo, dando largas esmolas aos pobres que a ela recorriam. A princesa conservou-se sempre estranha a às intrigas e conspirações que agitavam o paço e a corte, durante a regência e reinado de D. João VI. Em 1829 preparava-se a viver alguns meses em Runa, quando adoeceu gravemente, falecendo pouco tempo depois. Fez testamento deixando ao hospital dos inválidos de Runa quase todos os bens de raiz e acções que possua, bem como tudo quanto estava dentro do edifício e capela, incluindo a bela e riquíssima custódia, um primor artístico, que ela mandara fazer por um desenho seu. O resto da herança foi distribuído em legados pios e por todas as pessoas da família real, sendo a mais contemplada a infanta D. Isabel Maria, como regente que era na época em que fora feito o testamento. Em virtude dos legados recebidos da princesa ficou o asilo de Runa com um rendimento de perto de 9.000$000 réis, provenientes dos seguintes valores: comenda de S. Tiago de Beduído; apólice de 26.000$000 réis com juro de 5% ao ano; título da dívida pública de 14.999$960 réis; duas acções da Companhia das Vinhas do Alto Douro no valor de 800$000 réis; as quintas de Runa, Enxara do Bispo e da Amora com seus anexos. A legislação liberal que suprimiu os rendimentos das comendas, e o não pagamento dos juros da chamada divida mansa, afectaram consideravelmente a receita do asilo. O infante D. Miguel havia confirmado o testamento, fazendo passar a administração das rendas para um conselho administrativo, ficando todo o estabelecimento sob a intendência do ministério da guerra, em cumprimento da vontade da doadora.

Morte[editar | editar código-fonte]

D. Maria Francisca morreu aos oitenta e três anos, em 18 de agosto de 1829, pouco tempo depois da ascensão de D. Miguel I, seu sobrinho e ao mesmo tempo sobrinho-neto, ao trono de Portugal.

Seu corpo está sepultado no Panteão dos Braganças, no Mosteiro de São Vicente de Fora, em Lisboa.

Ancestrais[editar | editar código-fonte]

Títulos, estilos e honras[editar | editar código-fonte]

Títulos e estilos[editar | editar código-fonte]

  • 25 de julho de 1746 – 24 de fevereiro de 1777: Sua Alteza Real, a Infanta de Portugal, D. Maria Francisca Benedita de Bragança
  • 24 de fevereiro de 1777 – 11 de setembro de 1788: Sua Alteza Real, a Princesa do Brasil, D. Maria Francisca Benedita de Bragança
  • 11 de setembro de 1788 – 18 de agosto de 1829: Sua Alteza Real, a Princesa (viuvá) do Brasil, D. Maria Francisca Benedita de Bragança

Honras[editar | editar código-fonte]

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • - BRAGA, Paulo Drumond, A Princesa na Sombra. D. Maria Francisca Benedita (1746-1829) , Lisboa, Colibri, Torres Vedras, Câmara Municipal, 2007.
  • LÁZARO, Alice. O Testamento da Princesa do Brasil D. Maria Benedita (1746-1829)' (ISBN 978-972-8799-81-6)

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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Nota[editar | editar código-fonte]

D. Maria Francisca Benedita de Bragança
Casa de Bragança
Ramo da Casa de Avis
25 de julho de 1746 – 18 de agosto de 1829
Precedida por
D. Mariana Vitória da Espanha
Coat of Arms of the Prince of Portugal (1481-1910).png
Princesa do Brasil
24 de fevereiro de 1777 – 11 de setembro de 1788
Sucedida por
D. Carlota Joaquina da Espanha