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Maria Teresa de Bragança (1793–1874)

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 Nota: Para outros significados, veja Maria Teresa de Bragança (desambiguação).
Maria Teresa
Infanta de Portugal e Espanha
Condessa de Molina
D. Maria Teresa em 1853
Consorte Carlista ao Trono Espanhol
Período20 de outubro de 1838
a 18 de maio de 1855
PredecessoraMaria Francisca de Portugal
SucessoraMaria Carolina das Duas Sicílias
Princesa da Beira
Período29 de abril de 1793
a 21 de março de 1795
PredecessorJosé Francisco
SucessorFrancisco António
Dados pessoais
Nascimento29 de abril de 1793
Palácio Real da Ajuda, Lisboa, Portugal
Morte17 de janeiro de 1874 (80 anos)
Trieste, Itália
Sepultado emCatedral de Trieste, Trieste, Itália
Nome completo
Maria Teresa Francisca de Assis Antónia Carlota Joana Josefa Xavier de Paula Micaela Rafaela Isabel Gonzaga
MaridosPedro Carlos da Espanha e Portugal
Carlos, Conde de Molina
Descendência
Sebastião da Espanha e Portugal
CasaBragança (por nascimento)
Bourbon (por casamento)
PaiJoão VI de Portugal
MãeCarlota Joaquina da Espanha
ReligiãoCatolicismo

Maria Teresa de Bragança (nome completo: Maria Teresa Francisca de Assis Antónia Carlota Joana Josefa Xavier de Paula Micaela Rafaela Isabel Gonzaga; Lisboa, 29 de abril de 1793Trieste, 17 de janeiro de 1874)[1] foi uma infanta de Portugal que, pelo casamento, se tornou infanta da Espanha. Durante um breve período, foi igualmente herdeira presuntiva ao trono português, com o título de Princesa da Beira, entre 1793 e 1795. Era filha primogénita do rei D. João VI de Portugal e de sua esposa, a rainha Carlota Joaquina.[2]

Maria Teresa casou-se duas vezes, sendo uma delas com D. Carlos, seu próprio tio. Tradicionalista, esteve envolvida nos movimentos políticos miguelismo e carlismo, consequentemente.[3]

Biografia

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Maria Teresa foi a primeira filha do futuro rei D. João VI de Portugal e da infanta espanhola Carlota Joaquina de Bourbon.[2] Era, portanto, neta paterna de D. Pedro III de Portugal e de D. Maria I de Portugal e, por linha materna, neta de Carlos IV da Espanha e de Maria Luísa de Parma.[4] Os seus pais tiveram, ao todo, nove filhos.

No Brasil

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Retrato da Infanta D. Maria Teresa de Bragança, por Nicolas-Antoine Taunay, 1817.

Em 1807, a família real portuguesa foi obrigada a abandonar Portugal em virtude da invasão de Napoleão Bonaparte, estabelecendo-se no Rio de Janeiro (à época, o Brasil ainda era uma colónia portuguesa). A vida no Brasil revelou-se muito mais descontraída do que em Portugal, e foi ali que Maria Teresa contraiu matrimónio com o seu primo, o infante D. Pedro Carlos de Bourbon,[2] em 13 de maio de 1810.[5]

Do matrimónio nasceu um filho:

  • Sebastião Gabriel[2] (4 de novembro de 1811 – 13 de fevereiro de 1875), infante de Espanha e de Portugal.

Em 1812, faleceu o infante D. Pedro Carlos, ficando Maria Teresa viúva na precoce idade de 19 anos.[6]

Regresso à Europa

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De caráter marcadamente conservador, Maria Teresa prestou total apoio ao seu irmão, o rei D. Miguel I de Portugal, durante a guerra civil que assolou o país entre 1826 e 1834. Apoiou igualmente a causa do seu cunhado, o infante D. Carlos Maria Isidro de Bourbon, que reclamava para si o trono espanhol. Durante os últimos anos do reinado de Fernando VII da Espanha, Maria Teresa residiu em Madrid com o seu filho. Após a morte de Fernando VII, em 1833, e ao recusar-se a aceitar a ascensão ao trono de Isabel II, Maria Teresa exilou-se, juntamente com a sua irmã Maria Francisca, o seu cunhado Carlos e os filhos de ambos, em Portugal, país que também viriam posteriormente a abandonar. Em 12 de junho de 1834, chegaram a Inglaterra acompanhados de alguns partidários.[7] No final de junho, instalaram-se numa residência denominada Gloucester Lodge, situada num subúrbio de Londres chamado Old Brompton.[8] No início de julho, o conde de Ludolf, ministro napolitano em Londres, visitou o infante D. Carlos nessa residência e relatou que foi solenemente recebido por ele, encontrando-se a seu lado as duas infantas portuguesas, Maria Francisca e Maria Teresa, "tão negras e feias, com olhos de casta africana"[9] que o ministro ficou assustado com "aqueles quatro olhos negros terríveis fixos nele com a fúria de feras selvagens",[9] e depois de saudar o Infante, partiu "e ficou feliz por escapar vivo daquele covil de bandidos!"[9] Após a morte de sua irmã Maria Francisca em setembro de 1834, Maria Teresa tornou-se uma figura importante no carlismo e participou da Primeira Guerra Carlista contra sua prima, Isabel II.

Militância carlista

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A "família real" carlista, c. 1850. Da esquerda para a direita: D. João, D. Maria Teresa, D. Carlos e D. Maria Carolina.

Em 15 de janeiro de 1837, as Cortes da Espanha legislaram no sentido de excluir a dinastia carlista da linha de sucessão, incluindo a infanta Maria Teresa, que teria herdado esses direitos por via materna, uma vez que a sua mãe era infanta espanhola de nascimento. Foram igualmente retirados os direitos do seu filho, Sebastião Gabriel, e do seu irmão Miguel. Contudo, em 1859, os direitos de Sebastião Gabriel foram restaurados, após este ter abandonado a causa carlista.

Em 20 de outubro de 1838, em Azcoitia, Maria Teresa contraiu matrimónio com o seu cunhado, o viúvo D. Carlos,[2] que era também seu tio.[5] Deste casamento não houve descendência, embora ambos tenham criado conjuntamente os respetivos filhos, uma vez que os enteados de Maria Teresa eram igualmente seus sobrinhos. Desde a sua exclusão da sucessão, a família viveu integralmente no exílio.

Em 1845, D. Carlos abdicou dos seus direitos em favor do seu filho mais velho, igualmente chamado Carlos, que passou a ser conhecido como Carlos VI. O velho Carlos faleceu em Trieste, na atual Itália.

Após a morte de Carlos VI, Maria Teresa publicou, a partir do exílio, vários manifestos dirigidos aos carlistas, sendo o mais conhecido a sua Carta aos Espanhóis, de 1864, na qual invalidava o seu enteado, João de Bourbon e Bragança, como "rei legítimo", em virtude do seu pensamento liberal e do reconhecimento da monarquia constitucional de Isabel II. Na redação deste e de outros manifestos da princesa da Beira colaboraram o bispo de Seo de Urgel, José Caixal, e o diretor do jornal La Esperanza, Pedro de la Hoz.[10]

Maria Teresa faleceu em Trieste, em 1874, após dezenove anos de viuvez.[5]

Representações na cultura

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Ancestrais

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Referências

  1. Resenha das familias titulares do reino de Portugal, por João Carlos Feo Cardozo de Castello Branco e Torres, Manuel de Castro Pereira de Mesquita, Imprensa Nacional, Lisboa, 1838, pág.s 36
  2. a b c d e Wilhelmsen, Alexandra. «María Teresa de Braganza y Borbón». Real Academia de la Historia (em espanhol). Madrid. Consultado em 26 de fevereiro de 2019 
  3. Ribeiro Saraiva (António), Portugal - Dicionário Histórico, Corográfico, Heráldico, Biográfico, Bibliográfico, Numismático e Artístico, Volume VI, págs. 292-294, Edição em papel João Romano Torres - Editor, 1904-1915, Edição electrónica, Manuel Amaral, 2000-2010
  4. «Maria Teresa, Infanta of Portugal, Princess de Braganca : Genealogics». www.genealogics.org. Consultado em 3 de novembro de 2021 
  5. a b c «Maria Teresa (D.).». Portugal - Dicionário Histórico, Corográfico, Heráldico, Biográfico, Bibliográfico, Numismático e Artístico. 844 páginas. Consultado em 2 de fevereiro de 2014 
  6. «Person Page». www.thepeerage.com. Consultado em 3 de novembro de 2021 
  7. Dino, Dorothée (1909). Memoirs of the Duchesse de Dino (afterwards Duchesse de Talleyrand et de Sagan) 1831-1835 (em inglês). Nova Iorque, Londres: Charles Scribner's sons; William Heinemann. p. 86, 91 
  8. Dino, Dorothée (1909). Memoirs of the Duchesse de Dino (afterwards Duchesse de Talleyrand et de Sagan) 1831-1835 (em inglês). Nova Iorque, Londres: Charles Scribner's sons; William Heinemann. p. 140 
  9. a b c Dino, Dorothée (1909). Memoirs of the Duchesse de Dino (afterwards Duchesse de Talleyrand et de Sagan) 1831-1835 (em inglês). Nova Iorque, Londres: Charles Scribner's sons; William Heinemann. p. 111 
  10. Wilhelmsen, Alexandra (1995). La formación del pensamiento político del carlismo, 1810-1875 (em espanhol). [S.l.]: Actas. ISBN 84-87863-31-0 
  11. Gois, Ancelmo. «Veja a primeira foto da família real de 'Novo mundo'». Ancelmo - O Globo. Consultado em 9 de março de 2020 
  12. a b c Pinto, Albano da Silveira (1883). «Serenissima Casa de Bragança». Resenha das Familias Titulares e Grandes des Portugal. Lisboa: [s.n.] p. xxxi 
  13. Genealogie ascendante jusqu'au quatrieme degre inclusivement de tous les Rois et Princes de maisons souveraines de l'Europe actuellement vivans (em francês). Bourdeaux: Frederic Guillaume Birnstiel. 1768. p. 15

Leitura complementar

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  • R. de Custine, Les Bourbons de Goritz et les Bourbons d’Espagne, Paris, Ladvocat, 1839 (reprod. em J. del Burgo [ed.], La Princesa de Beyra y el viaje de Custine, Pamplona, Gómez, 1946).
  • “Depart de Bourges de S. M. Charles V et de la Reine”, em Gazette du Berri (Bourges), 19 de julho de 1845, pág. 2.
  • “Passage de Sa Majesté Charles V et de la Reine Marie- Thérèse,” em Gazette de Lyon, 26 de julho de 1845, pág. 2.
  • “Voyage de Charles V et de la Reine Marie-Thérèse”, em Gazette du Berri, 23 de setembro de 1845, pág. 2.
  • A. Pirala, “Misión del Conde de Custine. Viaje de la Princesa de Beira y de Don Carlos Luis”, em Historia de la guerra civil y de los partidos liberal y carlista, escrita con presencia de memorias y documentos inéditos, Madrid, Mellado, 1853-1856, 5 vols. (Pamplona, Herper, 1998, 6 vols., vol. IV, págs. 95-99).
  • J. M. Carulla, “De Venecia a Trieste”, em Roma en el centenario de San Pedro, Madrid, Imprenta y Librería de Gaspar y Roig, 1867, págs. 443-449 e 452.
  • “Maria Teresa, Contessa di Molina”, em L’Osservatore Triestino, 19 de janeiro de 1874, pág. 54.
  • D. A. Pusich, “Á Augusta Princeza a Senhora Dona Maria Thereza de Bourbon e Braganza”, em A Nação (Lisboa), 28 de janeiro de 1874, pág. 3.
  • Redacción, “Exequias”, em El Cuartel Real (Estella), 5 de fevereiro de 1874, pág. 2.
  • Redacción, “El día 7 tuvo lugar en Tolosa la entrega del Estandarte hecha por S. M. al Real cuerpo de Guardias a caballo”, em El Cuartel Real, 10 de março de 1874, págs. 1-2.
  • Uno de su Servidumbre, Borrón de una breve biografía de S. M. la Reyna María Teresa de Borbón y Braganza. Al ponerlo en limpio se cambiaron algunas cosas, y se corrigió un poco el estilo, 1874, 16 págs. manuscrito (inéd.) (Archivo Histórico de Loyola, Fondo Carlista, Archivo Princesa de Beira n.º 1).
  • Carta de Doña María Teresa de Braganza y de Borbón, á los españoles, desde Baden, en 25 de Septiembre de 1864, comparada con las Encíclicas de nuestro Santísimo P. León XIII, Madrid, 1886.
  • Commandant [h.] Weil, “La Princesse de Beira et la Police Autrichienne”, em Revue des Études Historiques (Paris), julho-outubro de 1919, págs. 284-295.
  • T. Domínguez de Arévalo, conde de Rodezno, La Princesa de Beira y los hijos de Don Carlos, Madrid, Voluntad, 1928.
  • Modestinus (A. de Ízaga), La sucesión legítima en la Monarquía de España según el pensamiento de la Princesa de Beira en sus cartas, íntegra o fragmentariamente reproducidas, con introducción, notas y apéndice por [...], Madrid, Martosa, 1935.
  • A. Pereira, As Senhoras Infantas filhas de El-Rei D. João VI, Lisboa, Labor, 1938, págs. 20, 23-24 e 41-59.
  • M. Ferrer, D. Tejero y J. F. Acedo, Historia del Tradicionalismo Español, Sevilha, Trajano y Editorial Católica Española, 1941-1979 30 vols. [“El viaje que le prepararon al Infante Don Carlos”, vol. II, págs. 213-216.
  • “El viaje de la Princesa de Beira y el estandarte de la Generalísima”, vol. VIII, págs. 12-15.
  • “El matrimonio del Rey”, vol. XIV, págs. 29-30.
  • “La Princesa de Beira”, vol. XIV, págs. 30-34.
  • “El viaje de la Princesa”, vol. XIV, págs. 34-38, Boda Real”, vol. XIV, págs. 38-39.
  • “Carlos V en Bourges”, vol. XVII, págs. 7-18, “La regencia efectiva de la Princesa de Beira”, vol. XXII, págs. 107-109, “La ‘Carta a los españoles’”, vol. XXII, págs. 111-113.
  • “Don Carlos recibe la bandera de la Generalísima”, vol. XXII, pág. 114].
  • A. Pereira, Os filhos d’el- Rei D. João VI. Reconstituição histórica com documentos inéditos que, na sua maioria, perteneceram ao real gabinete, Lisboa, Empresa Nacional de Publicidade, 1946, págs. 339-459.
  • M. Solana, El tradicionalismo político español y la ciencia hispana, Madrid, Editorial Tradicionalista, 1951, págs. 26, 95, 205, 210, 544 e 663.
  • F. de Melgar, conde de Melgar, “Las mujeres en la vida de Don Carlos María Isidro”, em Pequeña historia de las guerras carlistas, Pamplona, Gómez, 1958, págs. 13-18.
  • J. P. Galvão de Sousa, “La carta de la Princesa de Beira entre las fuentes para el conocimiento de la teoría tradicional de la legitimidad del poder en España”, em Verbo (Madrid), XXII (janeiro-fevereiro de 1983), págs. 203-212.
  • A. Wilhelmsen, “The Conspiracy of La Rápita and the Theory of the Two Legitimacies”, em Continuity (Intercollegiate Studies Institute), 11 (1987), págs. 49-61.
  • “I Reali di Spagna a Trieste”, en G. Marini y E. Marini, Il Palazzo dei Reali di Spagna in esilio a Trieste (1848-1874), Trieste, Centro Studi E. Fermi, 1989, págs. 27-64.
  • J. del Burgo, “Trieste, retiro de la Princesa de Beira” y“Mi Carta a los españoles”, en Carlos VII y su tiempo (leyenda y realidad), Pamplona, Gobierno de Navarra- Fundación Hernando de Larramendi, 1994, págs. 121-126.
  • A. Wilhelmsen, La formación del pensamiento político del Carlismo (1810-1875), Madrid, Actas y Fundación Luis Hernando de Larramendi, 1995, especialmente págs. 308-310, 396-418 e 460-462.
  • “Maria Teresa of Braganza, Princess of Beira, Spanish Infanta, Wife of the Pretender Carlos V”, em B. F. Taggie, R. W. Clement y R. E. Bjork (coords.), Mediterranean Studies, Kirkville, MO, Thomas Jefferson University Press, 1996, págs. 79-101.
  • A. M. Moral Roncal, Carlos V de Borbón (1788-1855), Madrid, Actas y Fundación Hernando de Larramendi, 1999.
  • A. Bullón de Mendoza y Gómez de Valugera, “Los últimos meses de Fernando VII a través de la documentación diplomática portuguesa”, em Aportes (Madrid), XIV, 40 (2/1999), págs. 9-30.
  • A. Wilhelmsen, “Siguiendo los pasos de la Princesa de Beira por los Pirineos”, em El Boletín Carlista de Madrid, 53 (setembro de 2000).
  • Maria Teresa of Braganza (Portuguese Princess of Beira, Spanish Infanta, Wife of the Claimant Carlos V), 2007 (760 págs., inéd.).

Ligações externas

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