Marianne Peretti

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Marianne Peretti
Marianne Peretti, então com 83 anos, na sede no STJ.
Nome completo Marie Anne Antoinette Hélène Peretti
Nascimento 13 de dezembro de 1927 (93 anos)
Paris, Île-de-France,
França
Nacionalidade brasileira
francesa
Área Vitrais
Pintura
Desenho
Escultura
Página oficial
http://www.marianneperetti.com.br/

Marie Anne Antoinette Hélène Peretti, conhecida como Marianne Peretti (Paris, 13 de dezembro de 1927), é uma artista plástica franco-brasileira. Vive em Pernambuco, estado natal de seu pai.[1]

É a mais importante vitralista do Brasil, e foi a única mulher a integrar a equipe de artistas da construção de Brasília.[1]

Biografia[editar | editar código-fonte]

Filha da modelo francesa Antoinette Louise Clotilde Ruffier e do historiador pernambucano João de Medeiros Peretti, Marie Anne Antoinette Hélène Peretti nasceu em Paris, França, no dia 13 de dezembro de 1927.[1] Cresceu e foi educada em Paris, tendo sido expulsa do Lycée Molière e do Lycée Victor Duruy por fugir da escola para pintar. Ainda lá, estudou desenho e pintura, como a aluna mais jovem, com 15 anos, na École Nationale Supérieure des Arts Décoratifs e depois foi para a Académie de La Grande Chaumiére, em Montparnasse,[2][3] onde foi aluna de Édouard Goerg e de François Desnoyer; fez sua primeira exposição individual na Gallerie Mirador.[4][3]

Marianne Peretti e Salvador Dalí em Paris na primeira exposição da artista, 1952.

Veio morar em definitivo no Brasil em 1956, onde passou a desenhar e pintar pelo Ceará, Pernambuco e Bahia.[3] Participou da 5ª Bienal em São Paulo, onde ganhou o prêmio de melhor capa pelo livro, As Palavras, de Jean-Paul Sartre. Realizou várias exposições, individuais e coletivas, em Paris, São Paulo, Olinda, Rio de Janeiro e outras cidades.[4] Também executou esculturas, vitrais e relevos para edifícios públicos e residências particulares, em grandes cidades do Brasil, especialmente São Paulo, Brasília e Recife, e países da Europa, principalmente França e Itália.[3]

Brasília[editar | editar código-fonte]

Oscar Niemeyer conheceu o trabalho dela já no Brasil, em um vitral feito para a arquiteta Janete Costa, ele a convidou para participar de seus projetos. A partir de então, passou a se concentrar mais nessa arte.[3]

Sobre a construção da capital nacional ela afirma, “Era tudo de repente e tudo muito rápido, porque a cidade estava sendo inventada e tínhamos de nos adaptar a esse ritmo, de fazer o melhor em pouco tempo”. O primeiro vitral foi o da capela do Palácio do Jaburu.[2]

“Me emocionava vê-la durante meses debruçada a desenhar os vitrais. Eram centenas de folhas de papel vegetal que coladas representavam um gomo da catedral”.[2] Marianne Peretti é uma artista de excepcional talento, os vitrais maravilhosos que criou para a Catedral de Brasília, são comparáveis pelo seu valor e esforço físico as obras da renascença. Sua preocupação invariável é inventar novas coisas, influir com seu trabalho no campo das artes plásticas.[4]
— Oscar Niemeyer

Controvérsia[editar | editar código-fonte]

Obra "alumbramento"

Em 2016, o jornal Estadão, de São Paulo, denunciou que a principal obra da artista então situada no Senado Federal, um painel doado por ela em 1978, com mais de 200 peças de vidro, chamado "alumbramento", havia sido desmontada e abandonada no depósito do Senado nos anos 1990, onde teria ficado por duas décadas esquecida e só agora voltava a ficar exposta. A artista teria dito que, “Estava jogado no chão, como num ferro-velho. Quem fez isso não tem a sensibilidade necessária, deveriam buscar saber quem foi o responsável”.[5]

A iniciativa de restaurar a obra teria partido de uma empresa de produção cultural privada (B52 Desenvolvimento Cultural, de Recife). O Senado teria aceitado ceder os restos da estrutura para uma exposição, com a condição de que a produtora pagasse todos os custos e devolvesse a obra pronta.[5]

O Senado emitiu nota, negando com veemência o suposto descaso praticado com Marianne Peretti, declarando que a obra sofreu danos com os anos e precisava de restauração, por iniciativa única da instituição a restauração foi possível, com concordância da artista e solicitação de uso posterior da B52 Desenvolvimento Cultural.[6] Em 8 de novembro de 2016 a obra pôde ser reinaugurada pelos presidentes do Senado, Renan Calheiros e da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia.[7]

Principais Obras[editar | editar código-fonte]

Detalhe dos vitrais restaurados em 2012 na Catedral de Brasília.

Vitrais[editar | editar código-fonte]

Murais e Esculturas[editar | editar código-fonte]

Palácio do Jaburu - Capela.
Escultura "O Pássaro".
Vitral em exposição.

Livro[editar | editar código-fonte]

  • Marianne Peretti: A Ousadia da Invenção (B52 Desenvolvimento Cultural, 2015)

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b c «Marianne Peretti». GPS Brasília. Consultado em 4 de novembro de 2016 
  2. a b c Ferraz, Ana (setembro de 2015). «Luz monumentalːLivro revisita a trajetória de Marianne Peretti, modernizadora do vitral». Editora Confiança. Carta Capital (865). Consultado em 8 de novembro de 2016 
  3. a b c d e «Marianne Peretti». Netsaber. Consultado em 7 de novembro de 2016 
  4. a b c «Artista». Site Oficial Marianne Peretti. Consultado em 7 de novembro de 2016. Arquivado do original em 2 de março de 2012 
  5. a b Bonfim, Isabela (3 de outubro de 2016). «O painel 'Alumbramento' volta para o Senado». O Estado de S. Paulo. Consultado em 7 de novembro de 2016 
  6. «Senado esclarece instalação do painel "Alumbramento", de Marianne Peretti». Assessoria de Imprensa do Senado Federal. 3 de outubro de 2016. Consultado em 7 de novembro de 2016 
  7. «Presidentes do Senado e da Câmara inauguram painel de Marianne Peretti». Senado Federal. 8 de novembro de 2016. Consultado em 25 de junho de 2017 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

O Commons possui uma categoria com imagens e outros ficheiros sobre Marianne Peretti

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