Mily Possoz

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Mily Possoz
Nome completo Emília Possoz
Nascimento 4 de dezembro de 1888
Caldas da Rainha
Morte 17 de junho de 1968 (79 anos)
Lisboa
Nacionalidade Portugal Portuguêsa
Influências
Prémios Medalha de Ouro do Júri Internacional de Gravura (1937);

Prémio Sousa Cardoso (1944);
Prémio de Desenho José Tagarro (1949);
Prémio de Pintura Columbano (1951);
Prémio Luciano Freire
Prémio da CM Almada em Exposição de Artes Plásticas

Área Pintura; Gravura; Ilustração
Formação Académie de La Grand Chaumière, Paris
Movimento(s) Modernismo, surrealismo e o fauvismo
Sem título, 1930, óleo sobre tela, 65,4 x 53,8 cm

Emília Possoz (Caldas da Rainha, 4 de Dezembro de 1888 - Lisboa, 17 de Junho de 1968) foi uma artista plástica de origem belga. É uma figura destacada da primeira geração de pintores modernistas portugueses.[1]

Vida e Obra[editar | editar código-fonte]

Mily Possoz beneficiou de uma educação artística esmerada, nomeadamente em pintura, tendo frequentado o atelier da pintora Emília dos Santos Braga. Com 16 anos, continuou a sua aprendizagem artística fora do país, nomeadamente em Paris, frequentando a Académie de La Grand Chaumière, na Alemanha, onde aprendeu gravura com o gravador Willy Spatz, na Bélgica e na Holanda.

Regressada a Portugal em 1909, integra o movimento modernista emergente participando nas Exposições de Humoristas e Modernistas, sendo também das poucas artistas da sua geração a organizar exposições individuais do seu trabalho, consagrando-se como uma das mais importantes artistas portuguesas da primeira metade do século XX. Excelente desenhadora, colabora como ilustradora em numerosas publicações, como as revistas ABC, a Athena, a Contemporânea, A Ilustração Portuguesa, entre outras.

Viveu em Paris entre 1922 e 1937 e chegou a ficar noiva do pintor Eduardo Viana. Participou como convidada, tal como Eduardo Viana e Almada Negreiros, na Exposição dos Cinco Independentes, 1923. Na segunda estada parisiense, tornar-se-á membro activo da sociedade Jeune Gravure Contemporaine. Amiga do artista japonês Tsuguharu Foujita, com ele estabelecerá alguns jogos plásticos, evidentes em algumas das suas litogravuras e pontas-secas.

Em 1937, a sua participação na exposição de Gravura Francesa, realizada em Cleveland, nos Estados Unidos, garante-lhe a medalha de ouro e a aquisição de obras suas para o Museu de Cleveland. Nesse mesmo ano regressa a Portugal.

Em 1940 encontra-se entre o vasto leque de artistas modernistas convidados pelo arquitecto Cottinelli Telmo para a decoração dos pavilhões da Exposição do Mundo Português. Decora a Sala do Japão, inspirada pela arte dos Biombos Namban. No decorrer dessa década muda-se para Sintra, onde passa a viver, dedicando-se sobretudo à pintura a óleo e à aguarela.

Em 1943 participa como figurinista no bailado D. Sebastião, da Companhia Portuguesa de Bailado Verde Gaio[2]. Em 1956, colabora com a Gravura – Sociedade Cooperativa de Gravadores Portugueses, da qual permanecerá membro até à data da sua morte. Em 1957, conhece o coleccionador de arte Machaz, que lhe encomenda vários quadros para a decoração do Hotel Tivoli.

A sua obra mais conhecida acabou por ser o programa decorativo do antigo Livro da segunda classe, com a primeira de muitas edições a ser publicada em 1958, livro que ainda hoje permanece no imaginário escolar de muitos portugueses.

Pintora de sólido ofício, sensível a uma modernidade a que não será alheia a herança pós-impressionista, Mily Possoz deve a sua fortuna crítica "à amabilidade feminil do seu traço e dos seus motivos: paisagens, retratos reais ou inventados, gatos e cenas urbanas, quase sempre tingidos por valores feéricos, ingénuos e matriciais, que lhe permitiram envelhecer como uma eterna menina".[3]

Prémios[editar | editar código-fonte]

  • 1937 - Medalha de Ouro do Júri Internacional de Gravura
  • 1944 – Prémio Sousa Cardoso
  • 1949 – Prémio de Desenho José Tagarro

Coleções / Museus[editar | editar código-fonte]

Encontra-se representada em colecções públicas e privadas em Portugal, Bélgica, Reino Unido e Estados Unidos da América, nomeadamente: Centro de Arte Moderna José de Azeredo Perdigão, Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa; Museu do Chiado, Lisboa; etc.

Referências

  1. França, José AugustoA arte em Portugal no século XX. Lisboa: Livraria Bertrand, 1991, p. 179
  2. A.A.V.V. – Verde Gaio: Uma Companhia Portuguesa de Bailado (1940-1950). Lisboa: Museu Nacional do Teatro, 1999. ISBN 972-776-016-3
  3. Silva, Raquel Henriques da – "Mily Possoz, o ritmo da paisagem". In: A.A.V.V. – Panorama Arte Portuguesa no Século XX. Porto: Fundação de Serralves; Campo das Letras, 1999, p. 114.
  • Mily Possoz, Uma Gramática Modernista, Fundação Arpad Szenes-Vieira da Silva, Lisboa, 2009.