Néstor Combín

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Néstor Combín
Néstor Combín
Combín no Milan, em 1970
Informações pessoais
Nome completo Néstor Combín
Data de nasc. 29 de dezembro de 1940 (78 anos)
Local de nasc. Las Rosas, Argentina
Nacionalidade Argentino e francês
Apelido La Foudre ("O Raio")
Il Selvaggio ("O Selvagem")
Informações profissionais
Clube atual Aposentado
Posição Atacante
Clubes de juventude
1958–1959 Lyon
Clubes profissionais
Anos Clubes Jogos e gol(o)s
1959–1964
1964–1965
1965–1966
1966–1968
1968–1970
1970–1973
1973–1975
1975–1976
Lyon
Juventus
Varese
Torino
Milan
Metz
Red Star
Hyéres
131 (78)
24 (7)
16 (2)
82 (27)
50 (11)
59 (34)
64 (39)
Seleção nacional
1964–1968 França 8 (4)

Néstor Combín [1] (Las Rosas, 29 de dezembro de 1940) é um ex-futebolista argentino naturalizado francês, tendo emigrado ainda adolescente ao país europeu, pelo qual competiu na Copa do Mundo FIFA de 1966. Destacou-se em um Lyon ainda pouco vencedor, no maior momento dos lioneses no século XX; pela dupla rival Juventus e Torino e também no Milan - clube onde notabilizou-se por ter o rosto desfigurado na disputa do Mundial Interclubes de 1969, com sua imagem encharcado de sangue afugentando times europeus em edições ao longo da década de 1970.[2]

Um dos poucos campeões pelos rivais Juventus e Torino, estando na história do clássico de Turim também pelos três gols marcados pelo Toro em um dérbi seguinte à morte da estrela dos grenás (vencido por 4-0 mesmo nessas circunstâncias),[3] Combín é considerado um dos principais jogadores franceses no futebol italiano,[4] e foi eleito em 2011 para o time dos sonhos do Lyon mesmo após o período ainda mais vitorioso que o time teve no início do século XXI.[5]

Carreira[editar | editar código-fonte]

Início no Lyon[editar | editar código-fonte]

Sem ter jogado profissionalmente em seu país de origem, Combín mudou-se aos 17 anos para a França,[6] terra de sua avó materna,[7] lá começando carreira no futebol. Ingressou nas categorias de base do Lyon, sendo promovido ao time principal em 1959.[6] A estreia se deu em circunstâncias curiosas: Combín não teria qualquer documentação consigo e dependeu da cavalheira autorização do técnico adversário para poder jogar. Acabou marcando o gol da vitória, em partida contra o Valenciennes. Chegou a ser colega de dois outros argentinos no OL, primeiramente Roberto Marteleur (de rápida passagem em 1959) e depois Ángel Rambert, que também viria a defender a seleção francesa.[5]

Durante o período em que vestiu a camisa dos Gones, Combín fez uma prolífica dupla também com Fleury Di Nallo, e eles ajudaram o Lyon à 5ª posição no Campeonato Francês - melhor posição do clube até então - além de ter chegado à final da Copa da França de 1962-63.[6] Na edição seguinte da competição, o Lyon foi campeão, em sua primeira grande conquista nacional. Combín fez os dois gols da decisão, contra o Bordeaux de outro argentino da seleção francesa, Héctor de Bourgoing. Em paralelo, o time subiu para 4º lugar na Ligue 1 e foi semifinalista da Recopa Europeia, eliminado no jogo-desempate para o Sporting Lisboa.[5] Naquele ano, Combín foi então convocado pela primeira vez para a seleção e foi vendido à Juventus.[6]

Juventus e Varese[editar | editar código-fonte]

Combín na Juventus, na temporada 1964-65.

A Juventus vivia um período de reformulação após a saída do galês John Charles e a aposentadoria de Giampiero Boniperti. Combín jogou apenas uma temporada na Vecchia Signora, conquistando apenas uma Copa da Itália, em 1965. Na Serie A, marcou sete vezes, o suficiente para ser o vice-artilheiro do elenco bianconero.[6] Porém, não convenceu o técnico paraguaio Heriberto Herrera e foi vendido ao Varese,[3] onde fez dupla com o jovem Roberto Boninsegna.[3]

Combín jogou pouco no Varese,[6] marcando apenas dois gols na Serie A de 1965-66, ainda que um deles tenha sido na Internazionale.[8] A despeito disso e do rebaixamento do clube, foi à Copa do Mundo FIFA de 1966 e mesmo com a má campanha dos Bleus no mundial, foi contratado pelo Torino.[6]

Torino[editar | editar código-fonte]

Em seu regresso a Turim, dessa vez pelo rival do ex-clube, Combín iniciou uma boa fase que lhe renderia o apelido de Il Selvaggio ("O Selvagem"), originado pelo seu espírito incansável.[6] Inicialmente, foram sete gols na temporada 1966-67, ainda que três tenham ocorrido somente na última rodada, contra o Brescia.[9] Na temporada seguinte, teve seu grande momento: foi vice-artilheiro do torneio, com treze gols, em meio a uma tragédia: após o franco-argentino marcar três gols em 4-2 sobre a Sampdoria, seu colega Luigi Meroni, visto como a grande promessa do Toro, morreu atropelado enquanto comemorava a vitória. O jogo seguinte foi justamente o clássico com a Juventus. Combín homenageou o amigo com uma exibição de gala, marcando novamente três gols em um jogo, em vitória grená por 4-0, entrando para a história do chamado Derby della Mole.[6]

À altura de 2013, o Torino seguia sem nunca mais ter voltado a rival por mais de dois gols de diferença. Naquela temporada, o clube pôde ser campeão da Copa da Itália, com gol de Combín na final contra a Internazionale.[10] Na Serie A, também marcou sobre a Inter, além de vazar também o campeão Milan (marcando o gol da vitória por 3-2), o vice-campeão Napoli (em 2-2 fora de casa, diminuindo derrota parcial de 2-0 já nos seis minutos finais antes dos turineses empatarem faltando três) e em vitória de 2-0 visitando a Roma.[9] Na temporada 1968-69, Combín marcou sete vezes, incluindo em novo clássico com a Juve (que venceu por 2-1) e dois em nova vitória visitando a Roma (3-0). Foi o suficiente para ser o artilheiro do elenco granata.[11]

Nereo Rocco havia treinado Combín no Torino e o requisitou para o Milan, que contratou o franco-argentino.[6] Ele deixou o Toro após 31 gols em 106 partidas,[3] para jogar na equipe campeã da Liga dos Campeões da UEFA naquela temporada de 1968-69.[12]

Milan e o "massacre da Bombonera"[editar | editar código-fonte]

Combín após agressão na partida entre Milan e Estudiantes, válida pelo Mundial Interclubes de 1969.

Combín chegou para substituir Kurt Hamrin, vendido ao Napoli, assumindo logo a titularidade de um ataque que já tinha Gianni Rivera, Pierino Prati e Ângelo Sormani. O time não fez uma boa temporada europeia, caindo ainda nas oitavas de final da Liga dos Campeões da UEFA, eliminado ainda na primeira fase da Copa da Itália e apenas na 4ª colocação da Serie A,[6] em que o franco-argentino marcou somente cinco vezes.[13] Em meio a essas campanhas, porém, o Milan venceu o Mundial Interclubes de 1969,[6] na primeira conquista do clube na competição.[14] Combín terminaria involuntariamente como o protagonista da façanha.[6][15]

Aquela edição foi a primeira em que o critério do gol fora de casa teria peso de desempate. O primeiro jogo foi em Milão e os argentinos do Estudiantes de La Plata, embora pretendessem defender-se, teriam dominado sessenta dos noventa minutos, sem impedir uma derrota de 3-0 nos poucos instantes de desatenção. Em um deles, nos acréscimos do primeiro tempo, Combín aproveitou de falha de Ramón Aguirre Suárez e ficou frente a frente com o goleiro Alberto Poletti,[15] driblando-o antes de marcar o segundo gol.[6] Em 2015, outro adversário, Raúl Madero, que seria o médico da seleção argentina na Copa do Mundo FIFA de 1986, declarou à revista El Gráfico que "toda a confusão foi armada por Néstor Combín, o camisa 9 do Milan, que era argentino. No jogo na Itália, que eles ganharam por 3-0, veio zombar. Disse em um momento a Aguirre Suárez: 'negro, não se aqueças mais porque em um mês eu ganho o mesmo que você em dois anos'. Disse isso justo ao Negro. 'Ali arrebento tua cabeça', lhe respondeu. E em La Bombonera lhe meteu um socão e lhe disse 'agora vá se danar', e armou-se a confusão generalizada. Eu fui um dos poucos que separei porque se não, íamos todos à cadeia, mas a confusão começou com a provocação de Combín lá".[16]

Duas semanas depois, em La Bombonera, Combín interceptou um passe mal dado e serviu para Rivera driblar Poletti e abrir o placar. Ainda no primeiro tempo, os argentinos conseguiram virar para 2-1 com dois gols-relâmpago, o segundo deles marcado pelo próprio Aguirre Suárez. O descontrole começou na segunda etapa, à medida que não conseguiam mais criar chances,[15] contidos pela retranca catenaccio italiana.[6] Poletti e Aguirre Suárez foram os mais descontrolados, com este fraturando o nariz e inchando o olho de Combín ao desferir-lhe uma cotovelada.[15]

A maioria dos jogadores do Estudiantes, bem como seu técnico Osvaldo Zubeldía, não coadunaram com as agressões, mas a própria mídia argentina não poupou o time da "página mais negra do futebol argentino". O infortúnio para Combín não terminou ao fim do jogo: foi detido pela polícia local, acusado de desertor do Exército Argentino,[15] cujo serviço militar era obrigatório na época.[17] Posteriormente, o próprio ditador argentino Juan Carlos Onganía interveio pela liberação, dada à repercussão negativa do jogo, transmitido via satélite ao vivo para a Europa, e ao esclarecimento de que Combín servira às Forças armadas da França, havendo tratado entre os dois países dispensando do serviço os cidadãos de um que se alistassem em outro.[15]

As imagens desfiguradas de Combín ajudaram a afugentar europeus do torneio ao longo da década de 1970 e estigmatizaram o Estudiantes como um clube violento, a ponto de tornar-se lugar comum que os argentinos teriam vencido com suas agressões o Manchester United no ano anterior quando na realidade os britânicos é que iniciaram as hostilidades dentro e fora de campo.[18] O goleiro Poletti relataria que os argentinos entraram na partida de 1969 pressionados até por um sacerdote local para servirem de válvula de escape à desclassificação da seleção à Copa do Mundo FIFA de 1970 e a convulsões sociais no país, esclarecendo que não houve rancores mútuos em conversa posterior com Combín.[15] Na temporada 1970-71, ele e o Milan terminaram a Serie A e a Copa da Itália no vice-campeonato em ambas, com dez gols de Il Selvaggio, que deixou a Itália ao fim da temporada; como milanista, marcou vinte vezes em 70 jogos.[6]

Final da carreira[editar | editar código-fonte]

Combín voltou à França para defender o Metz. Ainda marcaria época no Red Star, marcando 24 gols na Ligue 2, devolvendo o clube de Paris pela última vez á primeira divisão. Por fim, jogou pelos amadores do Hyéres. Seguiu no país após parar de jogar, radicando-se na Riviera Francesa.[6]

Seleção Francesa[editar | editar código-fonte]

Crescido na França desde os 17 anos,[6] Combín estreou pela seleção juvenil dos Bleus em 8 de abril de 1964, em empate em 2-2 com a Inglaterra. No dia 25 do mesmo mês, estreou pelo time principal, pelas quartas-de-final das qualificações à Eurocopa 1964, atuando nos dois jogos da eliminação frente a Hungria. Após atuar em quatro partidas das eliminatórias da Copa do Mundo FIFA de 1966, entre 1964 e 1965, figurou em uma partida do mundial, no empate em 1-1 com o México. Após essa partida, só defendeu a seleção francesa uma vez mais, no empate em 1-1 com a Iugoslávia nas quartas-de-final das qualificações à Eurocopa 1968.[19] Foram ao todo oito jogos e quatro gols pela França,[6] tendo defendido-a na Copa de 1966 junto do também argentino Héctor de Bourgoing.[2]

Títulos[editar | editar código-fonte]

Lyon[editar | editar código-fonte]

Juventus[editar | editar código-fonte]

Torino[editar | editar código-fonte]

Milan[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. «Néstor Combín». O Gol. Consultado em 2 de janeiro de 2019 
  2. a b BRANDÃO, Caio (9 de junho de 2016). «Especial Eurocopa – argentinos da seleção francesa». Futebol Portenho. Consultado em 2 de janeiro de 2019 
  3. a b c d OLIVEIRA, Nelson (15 de dezembro de 2018). «Corações ingratos: os jogadores que defenderam os rivais Juventus e Torino». Calciopédia. Consultado em 2 de janeiro de 2019 
  4. BARCELOS, Arthur (setembro de 2014). «Os 10 maiores franceses do futebol italiano». Calciopédia. Consultado em 19 de dezembro de 2018 
  5. a b c BRANDÃO, Caio (3 de agosto de 2015). «Argentinos nos 65 anos de história do Lyon». Futebol Portenho. Consultado em 2 de janeiro de 2019 
  6. a b c d e f g h i j k l m n o p q r s OLIVEIRA, Nelson (maio de 2016). «No Milan, Néstor Combín foi protagonista do 'Massacre da Bombonera'». Calciopédia. Consultado em 2 de janeiro de 2019 
  7. Christophe (21 de dezembro de 2009). «La migration des footballeurs africains en Europe». Africulture. Consultado em 3 de janeiro de 2019 
  8. MARIANI, Maurizio (1 de junho de 2005). «Italy 1965/66». RSSSF. Consultado em 2 de janeiro de 2019 
  9. a b MARIANI, Maurizio (5 de outubro de 2002). «Italy 1966/67». RSSSF. Consultado em 2 de janeiro de 2019 
  10. GOMES, Tiago de Melo (1 de outubro de 2013). «Argentinos de história na Juventus e no Torino». Futebol Portenho. Consultado em 2 de janeiro de 2019 
  11. MARIANI, Maurizio (26 de outubro de 2000). «Italy 1968/69». RSSSF. Consultado em 2 de janeiro de 2019 
  12. ROSS, James M. (4 de junho de 2015). «European Competitions 1968-69». RSSSF. Consultado em 2 de janeiro de 2019 
  13. MARIANI, Maurizio (26 de outubro de 2000). «Italy 1969/70». RSSSF. Consultado em 2 de janeiro de 2019 
  14. MAGNANI, Loris; STOKKERMANS, Karel (30 de abril de 2005). «Intercontinental Club Cup». RSSSF. Consultado em 2 de janeiro de 2019 
  15. a b c d e f g BRANDÃO, Caio (22 de outubro de 2014). «45 anos da grande vergonha do Estudiantes: o mundial com o Milan em 69». Futebol Portenho. Consultado em 2 de janeiro de 2019 
  16. BORINSKY, Diego (3 de novembro de 2015). «Raúl Madero, 100x100: "Bilardo es un tipo muy jodido, se mandó muchas cagadas"». El Gráfico. Consultado em 2 de janeiro de 2019 
  17. BRANDÃO, Caio (3 de setembro de 2018). «Diferentemente de Son Heung-min, astros argentinos não escaparam do serviço militar obrigatório. Incluindo Kempes e Maradona». Futebol Portenho. Consultado em 2 de janeiro de 2019 
  18. BRANDÃO, Caio (16 de outubro de 2018). «50 anos do mundial do Estudiantes. Em Old Trafford. Com os "gentlemen" ingleses impedindo a volta olímpica». Futebol Portenho. Consultado em 2 de janeiro de 2019 
  19. «Nestor Combin». 11v11. Consultado em 13 de setembro de 2010 


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