Públio Lêntulo

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
(Redirecionado de Publius Lentulus)
Ir para: navegação, pesquisa
Disambig grey.svg Nota: Se procura político romano da época republicana, veja Públio Cornélio Lêntulo Sura.
Pintura de Delpino Filho representando Emmanuel. Encomendada por Chico Xavier na década de 1940.

De acordo com a doutrina espírita, Públio Lêntulo (em latim: Publius Lentulus), teria sido um senador romano vivido na Galileia à época de Jesus Cristo.[1] A crença em sua existência é fundamentada por uma carta a ele atribuída. Dirigida a Tibério, a carta conteria uma descrição física e da personalidade de Jesus.[2]

Fora da doutrina espírita, o personagem é amplamente reconhecido como pseudo-histórico.

Importância no Espiritismo[editar | editar código-fonte]

Públio Lêntulo é um personagem muito considerado pelos adeptos do Espiritismo devido ao relatos constantes no livro Há dois mil anos, psicografado pelo médium brasileiro Chico Xavier, que creditava a autoria ao espírito Emmanuel, seu guia espiritual. Nesta obra são narrados detalhes dos principais fatos da vida de Públio, que teria sido uma das reencarnações do próprio espírito Emmanuel. Há passagens descrevendo seu encontro com Jesus, onde o Cristo intercede pela cura de sua filha, que contraíra lepra. Sua esposa Lívia, dama patrícia, tornara-se cristã. O romance espírita afirma ainda que Lêntulo também teria tido papel importante no julgamento de Jesus por Pôncio Pilatos. Ainda de acordo o relato da obra, Públio Lêntulo teria sido a reencarnação do seu bisavô Públio Cornélio Lêntulo Sura.

A carta de Públio a Tibério[editar | editar código-fonte]

De acordo com o Espiritismo, fora encontrada uma carta do Senador nos arquivos do Duque de Cesadini, na cidade de Roma, enviada de Jerusalém, na época de Jesus, endereçada ao imperador romano Tibério. Nela, haveria uma descrição física e moral de Jesus feita pelo senador. O teor da carta é o seguinte:[3]

A carta faz uma descrição física e da personalidade de Jesus de acordo com a concepção cristã, mas não faz referência à palavra Cristo, que é oriunda do Novo Testamento. O relato com as características físicas e da personalidade de Jesus não é encontrado no romance.[2]

Dúvidas quanto sua autenticidade[editar | editar código-fonte]

A Enciclopédia Católica[4] e outras publicações[5] questionam a autencidade da carta:

  • Não se conhece nenhum Governador de Jerusalém ou Procurador romano da Judéia chamado Lentulus, e um governador romano não poderia encaminhar uma correspondência desse tipo ao senado.[4]
  • Um escritor romano não empregaria a expressão "que pelo povo é inculcado o profeta da verdade", que é típica do idioma hebraico.[4]
  • A Res Gestae Divi Augusti, entretanto, menciona um "Publius Lentulus" como cônsul romano eleito durante o reinado de Augustus (27 AC a 14 DC).[6]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Xavier, Chico; Espírito Emmanuel. Há 2000 anos. 41 ed. Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira, 2001.
  2. a b "Quatro versões da Carta de Públio Lêntulo ao imperador Tibério". Saindo da Matrix. Consult. 23 de fevereiro de 2015. 
  3. "Carta do senador Públio Lentulus ao imperador Tibério, descrevendo as características físicas e morais de Jesus" (PDF). Radioriodejaneiro.am.br. 2 de abril de 2010. 
  4. a b c Maas, Anthony (1910). "Publius Lentulus". Enciclopédia Católica. Nova Iorque: Robert Appleton Company. Consultado em 18 de setembro de 2012. 
  5. Wilson, Robert McLachlan. In: Wilhelm Schneemelcher. New Testament Apocrypha: Gospels and related writings: Volume 1 of New Testament Apocrypha (em inglês). 2 ed. [S.l.]: J. Clarke & Company, 1991. p. 66. ISBN 9780227679159 (em inglês)
  6. 6:1, "[In the consulship of Marcus Vinicius and Quintius Lucrecius (19 BC)] and later in that of Publius Lentulus and Gnaeus L[entulus (18 BC) and a third time in that of Paullus Fabius Maximus and Quintus Tubero (11 BC) the senate and the Roman people agreed] that [I should be made sole guardian of the laws and morals with the highest authority, but I did not accept any magistracy, though offered, which was contrary to the custome of our ancestors." Robert Kenneth Sherk (editor and translator), The Roman Empire: Augustus to Hadrian, page 43 (Translated documents of Greece & Rome 6, Cambridge University Press, 1988). ISBN 0521338875. Ver também The Deeds of the Divine Augustus (em inglês).

Bibliografia[editar | editar código-fonte]