Reserva Biológica de Una

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Reserva Biológica de Una
Categoria Ia da IUCN (Reserva Natural Estrita)
A reserva é a mais importante unidade conservação do mico-leão-de-cara-dourada.
Localização
País  Brasil
Estado Bahia Bahia
Mesorregião Sul Baiano
Microrregião Ilhéus-Itabuna
Localidade mais próxima Una
Dados
Área &0000000000018724.86000018 724,86 hectares (187 2 km2)[1]
Criação 10 de dezembro de 1980 (37 anos)[1]
Gestão Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade
Coordenadas 15° 10' 23" S 39° 7' 56" O
Reserva Biológica de Una está localizado em: Brasil
Reserva Biológica de Una

A Reserva Biológica de Una[2] é uma unidade de conservação integral localizada no sul da Bahia. Representa um dos últimos remanescentes das Florestas Costeiras da Bahia e é principal área protegida do mico-leão-de-cara-dourada. Por ser uma reserva biológica, a visitação só é permitida após uma licença concedida pelo gestor do área.

Localização[editar | editar código-fonte]

A Reserva Biológica de UNA - REBIO Una - foi criada em 10 de dezembro de 1980[2]. Situa-se no sudoeste da Bahia, a 45 km ao sul do município de Ilhéus, e compreende uma área de aproximadamente 18.715 ha. A REBIO Una está inserida no bioma Mata Atlântica, e seu entorno possui uma porcentagem alta de florestas nativas e cultivos agrícolas permanentes, como plantações de seringueira e plantações tradicionais de cacau no sistema “cabruca” (sistema agroflorestal onde o cacau é sombreado por árvores remanescentes da floresta original)[3].

O clima é típico das florestas tropicais quentes e úmidas, com chuvas superiores a 1300 mm/ano. Mesmo com chuvas distribuídas ao longo de todo o ano, ocorrem estações secas curtas e imprevisíveis, com duração de um a três meses por ano[4]. A temperatura da região apresenta-se com médias de 27.9ºC, máximas de 32.5ºC no mês de maio e mínimas de 15ºC no mês de agosto (dados para 2017)[5].

A Reserva se localiza em uma região de domínios geomorfológicos de Planaltos Inundados e Planaltos Cristalinos, sendo o primeiro caracterizado por relevos tabuliformes pouco elevados[4]. A altitude varia de poucos metros a cerca de 400 m  acima do nível do mar. A Reserva está inserida na bacia do rio Una, alimentada pelos rios Aliança e São Pedro. O rio Serra atravessa a Reserva do oeste para o leste sul. O rio Maruim forma a fronteira natural do oeste norte da Reserva[4].

Conservação[editar | editar código-fonte]

A Reserva Biológica é uma Unidade de Conservação de Proteção Integral. O objetivo é “a preservação integral da biota e demais atributos naturais existentes em seus limites, sem interferência humana direta ou modificações ambientais”[6].

Flora[editar | editar código-fonte]

A Reserva Biológica de Una tem dois tipos principais de formações florestais: florestas de tabuleiro (ou florestas úmidas de terras baixas), associada aos solos mais arenosos na região leste, e florestas tropicais úmidas sub-montanas[3]. A flora é composta por pelo menos 1038 espécies vasculares, onde as fanerógamas compreendem 947 espécies, distribuídas em 108 famílias e 435 gêneros, e as pteridófitas apresentam 91 espécies, distribuídas em 19 famílias e 41 gêneros[3]. Nas florestas de tabuleiro destaca-se a presença da palmeira endêmica da Mata Atlântica do nordeste: Attalea funifera, explorada comercialmente na região de Una. Nas florestas sub-montanas destacam-se as árvores de grande porte, como angelim, amargoso, copaíba e condurú[3].

Fauna[editar | editar código-fonte]

Segundo os estudos com anfíbios desenvolvidos na região de Una[6][7], ocorrem na REBIO Una pelo menos 50 espécies, das quais duas são endêmicas para o estado da Bahia: Pristimantis paulodutrai e P. vinhai. Além disso, de acordo a “Lista Oficial das Espécies da Fauna Ameaçadas de Extinção do Estado da Bahia”[8] (Portaria Nª 37, 2017), duas espécies são consideradas “Em Perigo de Extinção”: Perereca-de-capacete (Aparasphenodon arapapa) e Perereca-de-vidro-do-focinho-curto (Vitreorana eurygnatha).

Com relação às aves, já foram registradas ao menos 189 espécies[9]. Dentre elas: macuquinho-baiano (Eleoscytalopus psychopompus), uiraçu (Morphnus guianensis) e mutum-do-sudeste (Crax blumenbachii), classificadas como “Criticamente Em Perigo” no estado da Bahia; macuco (Tinamus solitarius), gavião-pega-macaco (Spizaetus tyrannus), tiriba-de-orelha-branca (Pyrrhura leucotis) e chauá (Amazona rhodocorytha), classificadas como “Em Perigo”; e tiriba-grande (Pyrrhura cruentata), “Vulnerável”. O macuquinho-baiano (Eleoscytalopus psychopompus) e o capitão-de-saíra (Attila rufus hellmayri) são duas espécies endêmicas do sul da Bahia que ocorrem na REBIO Una[8][9].

A região abriga também espécies de mamíferos ameaçados de extinção como o mico-leão-da-cara-dourada (Leontopithecus chysomelas), considerado “Em Perigo”, que se tornou objeto de conservação. Esta espécie foi o foco inicial para a criação da Reserva Biológica de Una, por ser endêmica da Mata Atlântica sul baiana. Estudos indicam a existência de 30 espécies de mamíferos de médio e grande porte na Reserva[10]. Dentre elas destacam-se outras espécies ameaçadas de extinção como o macaco-prego-de-peito-amarelo (Sapajus xanthosternos), na categoria “Em Perigo”; e ouriço-preto (Chaetomys subspinosus), preguiça-de-coleira (Bradypus torquartus) e guigó (Callicebus melanochir), na categoria “Vulnerável”. O sul da Bahia é uma região muito importante considerando a riqueza de mamíferos, principalmente para o grupo de primatas com a ocorrência de um alto número de espécies ameaçadas e de distribuição restrita.

Referências

  1. a b «Plano de Manejo Rebio de Una» (PDF). Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade. Consultado em 27 de janeiro de 2013 
  2. a b ICMBio. «Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade». Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade. Consultado em 12 de novembro de 2017 
  3. a b c d Amorim, A.M.; Thomas, W.W.; Carvalho, A.M.V. & Jardim, J.G. (2008). Floristics of the Una Biological Reserve, Bahia, Brazil. New York: The New York Botanical Garden Press 
  4. a b c «Plano de manejo da Reserva Biológica de Una» (PDF). ICMBio. 1997. Consultado em 12 de novembro de 2017 
  5. «Instituto Nacional de Meteorologia». Consultado em 12 de novembro de 2017 
  6. a b Moraes, Lourenço Ricardo (2011). Análise comparada de diversidade de anuros em três pontos da Mata Atlântica no sul do Estado de Bahia, Brasil. Ilhéus: Universidade Estadual de Santa Cruz - Programa de Pos Graduação em Zoologia. 146 páginas 
  7. Silvano, D.L., Pimenta B.V.S (2003). Diversidade e distribuição de anfíbios na Mata Atlântica do Sul da Bahia. [S.l.]: IESB/CI/CABS/UFMG/UNICAMP 
  8. a b Lista Oficial das Espécies da Fauna Ameaçadas de Extinção no Estado da Bahia. Portaria nº 37 de 15 de agosto de 2017. 
  9. a b Cordeiro, P. H. C. (2003). Inventário de aves em remanescentes florestais de Mata Atlântica no Sul da Bahia, lista das espécies observadas. [S.l.]: IESB/CI/CABS/UFMG/UNICAMP 
  10. Moura, R.T. (2003). Distribuição e ocorrência de mamíferos na Mata Atlântica do sul da Bahia. [S.l.]: IESB/CI/CABS/UFMG/UNICAMP