Roberto Cabrini

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
NoFonti.svg
Esta página ou secção cita fontes confiáveis e independentes, mas que não cobrem todo o conteúdo. Por favor, adicione mais referências e insira-as corretamente no texto ou no rodapé. Material sem fontes poderá ser removido.
Encontre fontes: Google (notícias, livros e acadêmico)
Roberto Cabrini
Nome completo Francisco Roberto Cabrini
Nascimento 3 de outubro de 1960 (55 anos)
Piracicaba, São Paulo
Ocupação Jornalista
Nacionalidade Brasil Brasileiro

Francisco Roberto Cabrini (Piracicaba, 3 de outubro de 1960) é um jornalista de televisão brasileiro. Foi correspondente internacional da Rede Globo em Londres e Nova Iorque. Ganhou os principais prêmios nacionais como repórter investigativo (Esso, Comunique-se, APCA, Líbero Badaró, Imprensa, Tim Lopes, MPT, República e Vladimir Herzog) e cobriu seis guerras. Atualmente, é apresentador e editor-chefe do programa Conexão Repórter, no SBT.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Considerado um dos principais jornalistas investigativos brasileiros, especializado na cobertura de guerras e de questões relacionadas com a defesa dos direitos humanos, ganhou praticamente todos prêmios importantes em seu meio, ao longo de três décadas de carreira. Roberto Cabrini ingressou na profissão aos 16 anos de idade, atuando em uma rádio e um jornal de Piracicaba, São Paulo. Aos 17 anos, foi contratado pela TV Globo, tornando-se o mais jovem repórter do telejornalismo de rede da história do Brasil. Aos 22 anos, tornou-se o mais jovem correspondente do país, atuando no escritório da TV Globo em Nova Iorque, ao lado de Hélio Costa, Paulo Francis e Lucas Mendes.[1]

Em mais de 30 anos de carreira, Roberto Cabrini cobriu seis conflitos internacionais (Afeganistão, Iraque, Palestina, Camboja, Caxemira e Somália); participou de cinco Olimpíadas e cinco Copas do Mundo. Foi correspondente por oito anos - quatro deles em Londres e quatro em Nova York - além de realizar coberturas em mais de 60 países.[carece de fontes?]

Em dezembro de 1990, apresentou no SBT e, depois, na TV Cultura, o documentário "Ben Johnson, o monstro de músculos". Em Toronto, no Canadá, conseguiu entrevistas reveladoras com o atleta e com seu treinador Charles Francis. Os dois contaram detalhadamente a história do primeiro grande escândalo mundial de doping (a substância estanozolol, consumida com o nome de Winstrol), registrado na final dos 100 metros rasos da Olimpíada de Seul, em 1988. O treinador assumiu para Cabrini ter comandado todo o esquema de uso do doping, seguido à risca pelo velocista.[2]

Em outubro de 1993, após sete meses de investigação, descobriu o paradeiro do fugitivo da justiça, Paulo César Farias em Londres, driblando até mesmo as buscas da polícia brasileira. PC Farias foi tesoureiro de campanha de Fernando Collor de Mello nas eleições presidenciais brasileiras de 1989. Foi a personalidade chave que causou o primeiro processo de impeachment da América Latina, em 1992.[3]

Em 1995, produziu o documentário Enigma das Alagoas, que apresentava a mais importante entrevista com o ex-presidente Fernando Collor de Mello, depois do impeachment. A técnica utilizada para a entrevista, repleta de perguntas cortantes (estilo marcante de Cabrini) e muitos dados, gerou reconhecimento de todos veículos de comunicações. O jornal O Estado de São Paulo o escolheu como o melhor do jornalista da TV naquele ano; a Veja considerou esta a melhor reportagem do ano.

No mesmo ano, após vários meses no Iraque, concluiu o documentário Enigma das mil e uma noites, conseguindo uma entrevista exclusiva com o então vice-primeiro-ministro de Saddam Hussein, Tariq Aziz e provando que soldados iraquianos tiveram suas orelhas cortadas, por se recusarem a servir ao exército do seu país - algo até então negado veementemente por Bagdá .[carece de fontes?] Conseguiu também penetrar no norte do país, onde revelou as sequelas dos ataques com armas químicas na cidade curda de Halabja, pelas forças de Saddan Hussein. A entrada na cidade havia sido bloqueada para jornalistas desde o ataque de 1988.

Cabrini terminou o ano de 1995 com uma grande entrevista com o lider palestino Yasser Arafat. Entrevistou também os guerrilheiros preparados para o martírio - os homens-bomba recrutados para se explodirem contra alvos israelenses. Foi então também considerado pelo Jornal do Brasil como o melhor repórter em atividade da TV Brasileira.[carece de fontes?]

Em 1996, foi o único jornalista da América Latina a cobrir a ascensão do grupo radical Taliban no Afeganistão, fortemente apoiado pela Al Qaeda, de Osama Bin Laden que se armou com a ajuda americana. Nessa cobertura, produziu o documentário Em Nome de Alá, vencedor do Prêmio Vladimir Herzog de direitos humanos. Em setembro de 1997, após uma investigação de cinco meses, localizou, na Costa Rica, na América Central, a fugitiva Jorgina de Freitas Fernandes, a maior fraudadora da história do INSS no Brasil. Ganhou com a reportagem o Prêmio Previdência Social de Jornalismo.[4]

Em 1998, elaborou a reportagem "A verdadeira história do voo 254", contando, em detalhes, o que de fato aconteceu em um dos piores desastres da aviação brasileira: o caso do Boeing 737-200 da Varig, que se perdeu e acabou fazendo um pouso forçado em plena floresta Amazônica, em 3 de novembro de 1989). A reportagem garantiu a ele o VI Prêmio Líbero Badaró de Jornalismo.

Em maio de 1994, foi Cabrini quem noticiou, ao vivo, pela TV Globo, a morte do piloto Ayrton Senna. Na ocasião, ele cobria o GP de Fórmula 1 de Ímola, na Itália. Em seguida, fora a Bologna para acompanhar os desdobramentos do acidente. Cabrini entrou, ao vivo, por telefone, para noticiar a morte de Senna: "Morreu Ayrton Senna da Silva, uma notícia que a gente jamais gostaria de dar. Morreu Ayrton Senna da Silva." [5]

Em 1998, denunciou um grande esquema de venda de crianças para países europeus no Sri Lanka, na extremidade sul do subcontinente indiano, reportagem considerada pela Anistia Internacional uma das melhores já realizadas sobre o assunto em toda história. Desde 2001, como reconhecimento de sua carreira de repórter, passou a atuar também como âncora e editor-chefe de programas jornalísticos.[6] Foi âncora e editor-chefe do Jornal da Noite da Rede Bandeirantes, entre 2002 e 2008. Em 2008, foi contratado pela Rede Record. Nesta emissora, comandou, em 2009, o programa "Repórter Record", jornalístico semanal de reportagens investigativas que se tornou, nesta época, o programa da emissora de maior audiência, com médias que chegaram a ultrapassar 20 pontos de IBOPE.[7] .[8] .[9] [10] .[11]

Ainda em 2009, ganhou o Prêmio Tim Lopes - com a reportagem "O chefe do tráfico", que revelou os bastidores do tráfico de drogas no Rio de Janeiro. Em 2009, retornou ao SBT, para ser editor-chefe e apresentador do "Conexão Repórter", programa de grandes reportagens investigativas criado pelo próprio jornalista. Logo em seus primeiros anos de existência, o programa provocou a realização de três CPIs com suas reportagens: a do tráfico de crianças, a de pedofilia na igreja e a dos crimes de preconceito e intolerância racial. Comandando o Conexão Repórter, Cabrini conquistou o mais importante prêmio de reportagens do Brasil, o Prêmio Esso de 2010 de telejornalismo.[12] [13]

A reportagem "Sexo, intrigas e poder", investigou casos antes ocultos de pedofilia dentro da Igreja Católica em Arapiraca, Alagoas, e levou três sacerdotes, incluindo um importante Monsenhor a julgamento, repercutiu em todo mundo e fez com que, pela primeira vez, o Vaticano reconhecesse a existência de casos de abusos sexuais dentro da Igreja Católica no Brasil. A sentença dos padres de Arapiraca foi proferida pelo juiz João Luiz de Azevedo Lessa, titular da 1ª Vara Judiciária da Infância e Juventude, no dia 19 de dezembro. O monsenhor Luiz Marques foi condenado a 21 anos de reclusão. Já o padre Edilson Duarte, e o monsenhor Raimundo Gomes, foram sentenciados a dezesseis anos e quatro meses. O trabalho jornalístico de Roberto Cabrini e sua equipe foi considerado fundamental pelo ministério público para a condenação histórica dos sacerdotes católicos, fato inédito no Brasil. No dia 3 de janeiro de 2012, o Vaticano anunciou que os três padres de Arapiraca, condenados por pedofilia, haviam sido expulsos da Igreja Católica.

Em 2012, denunciou os abusos em um hospital psiquiátrico de Sorocaba, São Paulo, revelando imagens que lembraram as dos campos de concentração nazistas, na Segunda Guerra Mundial. A reportagem foi elogiada internacionalmente. Ainda em 2012, o Conexão Repórter, comandado por ele, ganhou o Troféu Imprensa de melhor programa de jornalismo da TV brasileira do ano anterior, 2011. Em votação realizada em 2013, o Conexão Repórter voltou a ser escolhido como o melhor programa jornalístico da TV brasileira de 2012, ganhando, também, o Troféu Internet de melhor programa jornalístico, em votação popular. Ao explicar seu voto para o Conexão Repórter, Keila Jimenez, jornalista da Folha de S. Paulo, disse: "Cabrini respira jornalismo." O destaque de 2014 e 2015 ficou por conta da reportagem O doce veneno dos campos do senhor, no qual Cabrini e equipe investigaram e denunciaram o uso indiscriminado de agrotóxicos, que produz, silenciosamente, milhares de vítimas no nordeste brasileiro. A reportagem ganhou dois prêmios: o Troféu MPT, do Ministério Público do Trabalho, em 2014, e o Prêmio República, da Associação Nacional dos Procuradores da República, em 2015.[14] [15]

Ainda em 2015, em votação realizada por jornalistas de todo Brasil (350 mil votantes), Roberto Cabrini foi consagrado como o melhor repórter de mídia falada do país do ano de 2015, conquistando o Prêmio Comunique-se, conhecido como o "Oscar" do jornalismo brasileiro.[16]

Prêmios[editar | editar código-fonte]

  • 1993 - Melhor repórter da TV brasileira - Troféu Imprensa de 1993 (Prêmio recebido em 94- ano em que cobriu a morte de Ayrton Senna e descobriu o paradeiro do fugitivo Paulo César Farias)
  • 1995 - Melhor programa jornalístico (entrevista com Fernando Collor de Mello e documentário no Iraque) - Prêmio APCA de 1995
  • 1995 - Entrevista com Fernando Collor de Mello - apontada pela Revista Veja como a melhor matéria do ano de 1995
  • 1995 - Foi considerado pelo Jornal do Brasil o melhor repórter da televisão Brasileira em 1995
  • 1996 - Documentário Em Nome de Alá, realizado no Afeganistão - ganhador do Vladmir Herzog, em 1996, na categoria TV (quando atuava pelo SBT - SP)[17]
  • 1997 - Documentário Em Nome de Alá - vencedor do 14º Prêmio de Direitos Humanos de 1997, da Associação dos Repórteres Fotográficos e Cinematográficos (Arfoc/RS e Brasil)
  • 1998 - Reportagem A verdadeira história do Vôo 254 - vencedora do VI Prêmio Líbero Badaró de Jornalismo de 1998
  • 1998 - Documentário Investigando a fraudadora do INSS - vencedor do 1º Prêmio Previdência Social de Jornalismo de 1998
  • 2009 - Prêmio Tim Lopes- O chefe do tráfico
  • 2010 - Prêmio Esso de telejornalismo Sexo, Intrigas e Poder (Investigando a Pedofilia na Igreja)
  • 2011 - Troféu Imprensa - Conexão Repórter - melhor programa jornalístico
  • 2012- Troféu Imprensa - Conexão Repórter - melhor programa jornalístico
  • 2012 - Troféu Internet - Conexão Repórter - melhor programa jornalístico
  • 2014 - Troféu MPT (Ministério Público do Trabalho) com a reportagem O doce veneno dos campos do senhor
  • 2015 - Prêmio República (Associação Nacional dos Procuradores da República - 2015 com a reportagem O doce veneno dos campos do senhor
  • 2015 - Prêmio Comunique-se - melhor repórter de mídia falada de 2015

Emissoras onde trabalhou[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. «Roberto Cabrini - Trajetória». Memoria Globo. Consultado em 6 de abril de 2016. 
  2. Vídeo: Entrevista SBTpedia: Roberto Cabrini. SBTpedia, 2 de outubro de 2011.
  3. «CASO PC FARIAS». Memoria Globo. Consultado em 6 de abril de 2016. 
  4. «Escândalo da Previdêncoa». Memoria Globo. Consultado em 6 de abril de 2016. 
  5. Vídeo: Cobertura da morte de Ayrton Senna. Almanaque da Comunicação, 11 de agosto de 2011.
  6. «Roberto Cabrini - Trajetória». Memoria Globo. Consultado em 6 de abril de 2016. 
  7. «Roberto Cabrini assume o Jornal da Noite». Area Vip. 9 de maio de 2003. Consultado em 6 de abril de 2016. 
  8. «Roberto Cabrini volta ao Jornal da Noite na Band». Terra. 23 de março de 2005. Consultado em 6 de abril de 2016. 
  9. «Record confirma contratação de Roberto Cabrini». O Globo. 29 de março de 2008. Consultado em 6 de abril de 2016. 
  10. Cristina Padglione (19 de abril de 2009). «Cabrini fala sobre sua prisão e o novo programa na Record». Folha da Região. Consultado em 6 de abril de 2016. 
  11. «"Ainda não me decidi", diz Roberto Cabrini sobre saída da Record». Area Vip. 02 de agosto de 2009. Consultado em 6 de abril de 2016. 
  12. Ricardo Feltrin (23/11/2010). «Roberto Cabrini vai revelar detalhes de sua prisão em livro». UOL. Consultado em 6 de abril de 2016. 
  13. Thais Naldoni (10 de agosto de 2009). «Roberto Cabrini assina contrato de quatro anos com o SBT». Portal IMPRENSA. Consultado em 6 de abril de 2016. 
  14. Jose Eutaquio (05 de dezembro de 2014). «Conexão Repórter vence 1º Prêmio MPT de Jornalismo com matéria sobre mortes decorrentes do uso de agrotóxicos». SBTpedia. Consultado em 6 de abril de 2016. 
  15. Vilma Reis (06 de maio de 2015). «“O Doce Veneno dos Campos do Senhor” é escolhida melhor reportagem televisiva pela Associação Nacional dos Procuradores da República». ABRASCO. Consultado em 6 de abril de 2016. 
  16. Redação Comunique-Se (22 de setembro de 2015). «Categoria Repórter contempla Claudinei Matosão, Daniela Pinheiro e Roberto Cabrini». Comunique-Se. Consultado em 6 de abril de 2016. 
  17. Prêmio Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos. Almanaque da Comunicação, 1º de julho de 2011