Scuderie Detetive Le Cocq

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
(Redirecionado de Scuderie Le Cocq)
Ir para: navegação, pesquisa
NoFonti.svg
Este artigo ou secção cita fontes confiáveis e independentes, mas que não cobrem todo o conteúdo (desde julho de 2011). Por favor, adicione mais referências e insira-as corretamente no texto ou no rodapé. Material sem fontes poderá ser removido.
Encontre fontes: Google (notícias, livros e acadêmico)

Scuderie Detetive Le Cocq[1][2] ou Esquadrão Le Cocq foi uma organização extra-oficial criada por policiais no Rio de Janeiro em 1965, e que atuou principalmente nas décadas de 60, 70 e 80. Essa organização chegou a ser considerada um Esquadrão da Morte.

História[editar | editar código-fonte]

A Scuderie Le Cocq foi criada para vingar a morte em serviço de Milton Le Cocq, famoso detetive de polícia do estado do Rio de Janeiro, (antigo Distrito Federal), integrante da guarda pessoal de Getúlio Vargas e primo do Brigadeiro Eduardo Gomes.[3]. Ele foi morto por Manoel Moreira, conhecido como "Cara de Cavalo", marginal que atuava na Favela do Esqueleto, na década de 1960 vendendo proteção aos banqueiros do jogo do bicho para que não roubasse seus pontos de jogo.[4][5]

A morte mobilizou diversos policiais que se apresentaram volutariamente para participar das diligências.[5] Cara de Cavalo foi encontrado e morto poucos dias depois, com mais de 50 tiros.[5] Entre os executores se encontravam Luís Mariano e Guilherme Godinho Ferreira, o Sivuca, que mais tarde se elegeriam deputado estadual pelo Rio de Janeiro, com o bordão "bandido bom é bandido morto".[5]

Em 1965 foi fundada oficialmente a Scuderie Detetive Le Cocq, tinha como presidente de fato o policial Euclides Nascimento e como presidente de honra o jornalista David Nasser. A Le Cocq transformou-se em associação e chegou a reunir sete mil associados e admiradores. Seu objetivo era a repressão ao crime.

As iniciais "E.M." no brasão da Scuderie Le Cocq significam "Esquadrão Motorizado", divisão da Polícia Especial à qual pertencia o detetive Milton Le Cocq na época em que ele era integrante da policia especial, e não Esquadrão da Morte.[5] O emblema da Scuderie Le Cocq era uma caveira em cima de ossos cruzados.[5] Com a extinção da Polícia Especial, Le Cocq, além de seus colegas Sivuca e Euclides passaram para a Polícia Civil.[5]

A associação era liderada pelos chamados "Doze Homens de Ouro" (um para cada casa do zodíaco), eram doze famosos policiais escolhidos pelo Secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro, Luis França, para "limpar" a cidade. Segundo o delegado Sivuca, "o grupo foi criado para dar satisfação à sociedade". Os doze homens de ouro eram agentes famosos, bem treinados, corajosos e aplaudidos por terem eliminado alguns dos piores bandidos da época, a começar pelo "Cara de Cavalo", depois "Mineirinho" e muitos outros bandidos famosos da década de 60, que foram mortos em suas próprias comunidades. Zé Pretinho, por exemplo, foi morto na porta de seu barraco, no Morro dos Macacos, em Vila Isabel. Bidá morreu no Morro do Querosene, no Catumbi, e Passo Errado, no Morro do Tuiuti, em São Cristóvão.

Sivuca foi presidente da Scuderie Le Cocq, era ex-delegado de polícia, eleito deputado estadual pelo PSC. O ex-delegado explica que os integrantes da Scuderie prendiam criminosos, mas a orientação era agir dentro da lei. "Mas tínhamos uma regra. Se o criminoso reagisse à prisão, era morto, sem dúvida." E revelou que a fama de matadores surgiu porque muitos associados cometiam excessos. Um deles foi o policial Mariel Maryscotte de Matos, que, por descumprir regras, acabou expulso do grupo na década de 1970 e foi assassinado em 1981. "Tinha muito Le Cocquiano que matava e, depois, ligava para a imprensa".

Atualidade[editar | editar código-fonte]

Atualmente a Scuderie Le Cocq mantém um prédio nas proximidades da favela Paula Ramos, no Rio Comprido (zona norte), e conta com menos de duzentos associados que dão uma pequena taxa apenas para manter o grupo, pagar impostos e realizar obras sociais na favela. Antonio Augusto de Abreu esteve à frente da Scuderie desde a morte do delegado Luís Mariano até 2006 aproximadamente.. Abreu declarou que o grupo viveu um período de dificuldades financeiras e sua principal atuação era realizar projetos sociais na Paula Ramos e dar pequenas contribuições a asilos e orfanatos.

"Distribuíamos brinquedos e presentes no Natal, em dia de São Cosme e São Damião. A comunidade nos respeita", disse.

Durante a gestão de Abreu a Le Cocq também cedia seu espaço, um terreno de quase 5.000 metros quadrados, para os moradores realizarem atividades esportivas, festas e até campanhas de vacinação.Após alguns anos a Le Cocq foi totalmente abandonada e sua sede depredada, seus bens levados, devido ao descaso dos que ficaram responsáveis pela entidade.

Em 2014 a Scuderie Detetive Le Cocq ressurge como entidade de combate ao crime organizado e à impunidade. Remodelada e sob a presidência do policial Humberto Fittipaldi Filho, que tomou posse em 31/08/2013 volta à cena com o slogan "Scuderie Detetive Le Cocq - Uma Nova Era!". Dentre os novos diretores, destaque para o advogado criminalista e professor de Direito Penal - Carlos Fernando Maggiolo, que assumiu a diretoria jurídica da entidade - inserindo a Le Cocq na luta pela aprovação do projeto de lei que extingue a lei do desarmamento e pela redução da maioridade penal para 16 anos.

Segundo Fittipaldi, além de policiais, integram a atual Scuderie comerciantes, jornalistas, advogados e professores.

Apesar de os integrantes terem respaldo dos moradores da Paula Ramos, Sivuca disse que uma das razões que levaram a Le Cocq a parar de combater o crime é a proximidade de sua sede com uma área dominada por traficantes de drogas. Contudo, a nova geração de Le Cocquianos não se deixa intimidar e resgata a consagrada frase de Sivuca, de que "bandido bom é bandido morto", incentivando a população a utilizar o disque-denúncia como maior instrumento de combate à criminalidade, através de rondas e panfletagens pelos bairros cariocas. No apoio à atividade policial, a Scuderie vem patrocinando a defesa criminal dos policiais que eventualmente venham a responder a processo judicial no exercício da função. Atualmente Fittipaldi e seus diretores lutam para reformar a sede nacional localizada no Rio Comprido e pretendem fazer da Scuderie um Centro de integração de apoio ao policial e à população, no que tange o combate à criminalidade.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Justiça confirma extinção da Scuderie Detetive Le Cocq
  2. Camiseta de esquadrão da morte é vendida nos Jardins, em SP, acessado em 1 de agosto de 2011
  3. :::[ DocPro :::-Dez Anos de Saudade- Opiniao- 9 de setembro de 1974], accessdate: 5/7/2015
  4. Zuenir Ventura. Cidade Partida. Editora Companhia das Letras. ISBN 9788571644038 (1994)
  5. a b c d e f g Leitão, Alexandre (16 de julho de 2014). «A Scuderie Le Coq». Revista da Biblioteca Nacional. Consultado em 3 de fevereiro de 2016. 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]