Scuderie Detetive Le Cocq

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Scuderie Detetive Le Cocq[1] [2] ou Esquadrão Le Cocq foi uma organização extra-oficial criada por policiais no Rio de Janeiro, por volta de 1965, e que atuou nas décadas de 60, 70, 80 e começo de 90. O grupo teria dado origem ao Esquadrão da Morte.

História[editar | editar código-fonte]

A Scuderie Le Cocq foi criada para vingar a morte em serviço de Milton Le Cocq, famoso detetive de polícia do estado do Rio de Janeiro, (antigo Distrito Federal), integrante da guarda pessoal de Getúlio Vargas e primo do Brigadeiro Eduardo Gomes.[3] . Ele foi morto por Manoel Moreira, conhecido como "Cara de Cavalo", marginal que atuava na Favela do Esqueleto, onde se encontra atualmente a UERJ, na década de 1960.[4]

A escuderia transformou-se em associação e chegou a reunir sete mil associados e admiradores. Seu objetivo era a repressão ao crime. O grupo era liderado pelos chamados "Doze Homens de Ouro", entre os policiais escolhidos na força de elite da polícia pelo Secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro, Luis França, para "limpar" a cidade.

Um dos primeiros integrantes selecionados foi Guilherme Godinho Ferreira, o Sivuca, que mais tarde se elegeu deputado estadual com o bordão "bandido bom é bandido morto". Segundo o próprio Sivuca, "o grupo foi criado para dar satisfação à sociedade". Eram agentes especiais, bem treinados, corajosos e aplaudidos por terem eliminado alguns dos piores bandidos da época, a começar pelo "Cara de Cavalo", depois "Mineirinho", Lúcio Flávio e muitos bandidos famosos dos anos 50 e 60, que foram mortos em suas próprias comunidades. Zé Pretinho, por exemplo, foi assassinado na porta de seu barraco, no Morro dos Macacos, em Vila Isabel. Bidá morreu no Morro do Querosene, no Catumbi, e Passo Errado, no Morro do Tuiuti, em São Cristóvão.

Seu presidente de honra foi o ex-delegado de polícia e deputado estadual Sivuca, do PSC. Segundo ele, as iniciais "E.M." no brasão da Scuderie Le Cocq significam "Esquadrão dos Motociclistas", divisão à qual pertencia o detetive Milton Le Cocq, e que protegia o presidente Getúlio Vargas, e não Esquadrão da Morte.

O ex-delegado explica que os integrantes da Scuderie prendiam criminosos, mas a orientação era agir dentro da lei. "Mas tínhamos uma regra. Se o criminoso reagisse à prisão, era morto, sem dúvida." E revelou que a fama de matadores surgiu porque muitos associados cometiam excessos. Um deles foi o policial Mariel Maryscotte de Matos, que, por descumprir regras, acabou expulso do grupo na década de década de 1970 e foi assassinado em 1981. "Tinha muito Le Cocquiano que matava e, depois, ligava para a imprensa".

Atualmente a Scuderie Le Cocq mantém um prédio nas proximidades da favela Paula Ramos, no Rio Comprido (zona norte), e conta com menos de sessenta associados que dão uma pequena taxa apenas para manter o grupo, pagar impostos e realizar obras sociais na favela. Antonio Augusto de Abreu esteve à frente da Scuderie desde a morte do delegado Luís Mariano até 2006 aproximadamente.. Abreu declarou que o grupo viveu um período de dificuldades financeiras e sua principal atuação era realizar projetos sociais na Paula Ramos e dar pequenas contribuições a asilos e orfanatos.

"Distribuíamos brinquedos e presentes no Natal, em dia de São Cosme e São Damião. A comunidade nos respeita", disse.

Durante a gestão de Abreu a Le Cocq também cedia seu espaço, um terreno de quase 5.000 metros quadrados, para os moradores realizarem atividades esportivas, festas e até campanhas de vacinação.Após alguns anos a Le Cocq foi totalmente abandonada e sua sede depredada, seus bens levados, devido ao descaso dos que ficaram responsáveis pela entidade.

Em 2014 a Scuderie Detetive Le Cocq ressurge como entidade de combate ao crime organizado e à impunidade. Remodelada e sob a presidência do policial Humberto Fittipaldi Filho, que tomou posse em 31/08/2013 volta à cena com o slogan "Scuderie Detetive Le Cocq - Uma Nova Era!". Dentre os novos diretores, destaque para o advogado criminalista e professor de Direito Penal - Carlos Fernando Maggiolo, que assumiu a diretoria jurídica da entidade - inserindo a Le Cocq na luta pela aprovação do projeto de lei que extingue a lei do desarmamento e pela redução da maioridade penal para 16 anos.

Segundo Fittipaldi, além de policiais, integram a atual Scuderie comerciantes, jornalistas, advogados e professores.

Apesar de os integrantes terem respaldo dos moradores da Paula Ramos, Sivuca disse que uma das razões que levaram a Le Cocq a parar de combater o crime é a proximidade de sua sede com uma área dominada por traficantes de drogas. Contudo, a nova geração de Le Cocquianos não se deixa intimidar e resgata a consagrada frase de Sivuca, de que "bandido bom é bandido morto", incentivando a população a utilizar o disque-denúncia como maior instrumento de combate à criminalidade, através de rondas e panfletagens pelos bairros cariocas. No apoio à atividade policial, a Scuderie vem patrocinando a defesa criminal dos policiais que eventualmente venham a responder a processo judicial no exercício da função. Atualmente Fittipaldi e seus diretores lutam para reformar a sede nacional localizada no Rio Comprido e pretendem fazer da Scuderie um Centro de integração de apoio ao policial e à população, no que tange o combate à criminalidade.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Justiça confirma extinção da Scuderie Detetive Le Cocq
  2. Camiseta de esquadrão da morte é vendida nos Jardins, em SP, acessado em 1 de agosto de 2011
  3. :::[ DocPro :::-Dez Anos de Saudade- Opiniao- 9 de setembro de 1974], accessdate: 5/7/2015
  4. Zuenir Ventura. Cidade Partida. Editora Companhia das Letras. ISBN 9788571644038 (1994)

Ligações externas[editar | editar código-fonte]