Primeiro Grupo Catarinense

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Primeiro Grupo Catarinense
Fundação 3 de março de 2003 [1]
Local de fundação Penintenciária de Florianópolis, Florianópolis, Santa Catarina, Brasil.
Anos ativo 2003-presente
Território (s) Santa Catarina (principalmente), elos em Paraná, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraguai, Bolívia [2] [3] e Peru. [4]
Atividades assassinatos, tráfico de drogas, assaltos, rebeliões e atividades terroristas.
Aliados Comando Vermelho
Rivais Primeiro Comando da Capital

Primeiro Grupo Catarinense, mais conhecido pela siglas PGC ou apenas G, é a maior organização criminosa do estado de Santa Catarina. O grupo comanda rebeliões, assaltos, sequestros, assassinatos e narcotráfico. A facção atua principalmente em Santa Catarina, mas também tem tentáculos em pelo menos 3 estados brasileiros (Paraná, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul) e na fronteira com o Paraguai, Bolívia e Peru. [2] [3] [4]

Estima-se que o grupo possui 4 mil integrantes espalhados pelo território catarinense (50% em presídios e outros 50% em liberdade), com conexões inter estudais e internacionais. A facção não centraliza seu comando em apenas uma pessoa. Existe 40 líderes, divididos em 2 "ministérios". [5]

História[editar | editar código-fonte]

Em 3 de março de 2003, quando o Estado começava a planejar o envio de presos para a recém-construída Penitenciária de São Pedro de Alcântara, na Grande Florianópolis, se deu a fundação, batizada inicialmente de "G" (O Grupo). A organização foi fundada na Ala Máxima da Penitenciária Masculina, no bairro Agronômica, em Florianópolis, Santa Catarina. Foi em São Pedro, que a organização expandiu seu número de integrantes, fazendo da penitenciária seu "quartel-general". [1]

Ali se juntaram detentos de alta periculosidade, que viriam a se comunicar e tramar crimes da prisão para as ruas, como Nelson de Lima, o Setenta, Pedro Alves, o Pedrinho, Valdir Saggin, Jackson Luis Cardoso, o Ioga, Marcos Paulo Capistrano Melo, o Cientista, Valmir Gomes, o Macaco, Rudinei Ribeiro do Prado, o Derru, Renê Augusto Rocha, o Cumpadre, Rudinei Siqueira, o Nobre Guerreiro, e Davi Schroeder, o Gângster. [1]

Na época, os membros eram basicamente do litoral catarinense. Rapidamente, os presos fizeram seu próprio estatuto. Cartas apreendidas em revistas, nas celas e nas ruas demonstravam, na linguagem própria, a liderança exercida no sistema prisional e nos criminosos em liberdade.

Em inquérito policial, a Diretoria Estadual de Investigações Criminais (DEIC/SC) relata que a facção cresceu de forma vertiginosa a partir de maio de 2003, aos moldes do Comando Vermelho (Rio de Janeiro) e do Primeiro Comando da Capital (PCC), de São Paulo. Foi Setenta, um dos fundadores do grupo que importou o modelo de operação do PCC para o G, depois de cumprir pena com integrantes da quadrilha paulista, no começo da Década de 2000. [2]

Entre os objetivos do PGC, o principal é organizar e expandir o crime na rua. No ano de criação da facção, os maiores traficantes de Florianópolis estavam presos. Nessa época, a cidade acobertava a disputa silenciosa pelos pontos de vendas. A facção fortaleceu-se sorrateira dentro do cárcere. O Estado a negou por nove anos, até a morte de Deise Fernanda Melo Pereira Alves, em 2012. A agente prisional foi executada na frente de casa, no bairro Roçado, em São José, no lugar do marido – o diretor linha-dura da Penitenciária de São Pedro de Alcântara, Carlos Alves – que estava em Brasília. Dez dias depois, o viúvo participou do espancamento dos detentos. O Deap (Departamento de Administração Prisional) explicou o episódio que lesionou 69 prisioneiros como contenção de um princípio de motim. No mês seguinte, vídeos mostram ministros do PGC ordenando atentados por represália à violência dentro da Penitenciária. Ônibus queimados, bases da polícia metralhadas, mortes: o chamado “salve geral”, antes restrito a bilhetinhos interceptados pelo Deap tornou-se público através da mídia. [2]

Atentados públicos[editar | editar código-fonte]

Ver: Atentados contra o transporte público em Santa Catarina em 2012-2013

Ônibus queimado em Ilhota, em fevereiro de 2013.

O grupo se tornou notório do grande público em novembro de 2012, ao se responsabilizar por diversos atentados contra ônibus, carros particulares, postos de polícias militares e civil e diversos outros locais públicos. O motivo da violência seria os maus tratos contra os presos que ocorreram na Penitenciária de São Pedro de Alcântara. [6]

Os ataques ocorreram em 16 cidades[7], muitas delas concentradas na região da Grande Florianópolis. Foram registradas 58 ocorrências, sendo 27 delas ataques a ônibus. O restante foi a bases das polícias militar e civil e veículos particulares[8].

Após as denúncias e investigação de maus tratos, superlotação e do número insuficiente de médicos nas penitenciárias, os ataques cessaram por ordem dos próprios bandidos. [9].

A segunda e maior onda de violência começou a partir de 30 de janeiro de 2013. O motivo estaria relacionado à transferência de presos e o combate ao tráfico de drogas.[10]. Novamente, os ônibus passaram a ser escoltados pela polícia até os pontos mais críticos e a circular com horários reduzidos afetando a rotina daqueles que usam o transporte público como meio de transporte e o comércio.[11].

Até as 19h do dia 20 de fevereiro, a Polícia Militar havia confirmado 111 ataques. Veículos foram incendiados, foram disparados tiros e jogados coquetéis-molotovs contra prédios públicos. As ocorrências foram registradas em 36 municípios.

Os alvos destes 111 ataques foram: 32 contra edificações, 45 contra ônibus, 32 contra carros, e 2 lixeiras e pneus[12].

O governo precisou solicitar ajuda da Força Nacional para coibir os atentados. Os atos foram interrompidos e presos suspeitos da organização dos ataques (integrantes do PGC) foram transferidos para prisões de segurança máxima em Mossoró (RN) [13] e Porto Velho (RO) [14].

Ligação com CV e Guerra contra o PCC[editar | editar código-fonte]

A proliferação do PGC se deu de forma vertiginosa. No tráfico, atingiu o mercado de drogas sintéticas. Fora do Estado, houve associações com facções rivais. A principal delas foi com o Comando Vermelho, liderado pelo narcotraficante Fernandinho Beira-Mar, a quem coube, além de trocas de informações, o aperfeiçoamento dos recrutados pelo PGC no manuseio de armas e de fuzis e a sofisticação no modus operandi dos crimes. [15]

No Mato Grosso do Sul, na fronteira com a Bolívia, traficantes catarinenses da cúpula do PGC estabeleceram uma rede interestadual de comando e contavam até com uma central telefônica dentro da própria cadeia. [15]

A aliança entre as duas facções causou a entrada do PGC na Guerra contra o PCC, rival da facção fluminense. Conflito que se intensificou também por Santa Catarina, com a tentativa de dominação de território em comunidades do estado por parte do PCC contra os catarinenses. O principal motivo pelo domínio de Santa Catarina seria os portos do litoral, que facilitaria a exportação de drogas e armas para a Europa, África e Ásia. [16] Só em Florianópolis foram registrados 60 assassinatos em 2016 com ligação com o embate entre as duas facções. [17]

Na capital, o principal conflito ocorre no bairro Monte Cristo, na parte continental da cidade. A guerra entre os traficantes das comunidades vizinhas da Chico Mendes (dominada pelo PGC) e Novo Horizonte (aliada ao PCC) se intensificou em 4 anos (desde 2013). O bairro é o mais violento da cidade, pelo grande número de integrantes das duas facções rivais, que tentam dominar a aérea. [18] [19] [20]

Joinville foi a primeira cidade a entrar na guerra das duas facções. Sua localização é estratégica, pois é próxima a divisa com o Paraná, estado que tem as unidades prisionais dominada pelo mesmo grupo. [17] A taxa de homicídios em Joinville já era maior que a de São Paulo e Rio de Janeiro no começo de 2017. [21]

Estrutura[editar | editar código-fonte]

Assim como em estruturas constituídas de fato, a liderança foi fundamentada em uma espécie de primeiro "ministério", sem líder máximo e com 10 presos encabeçando as decisões, aliciando, ameaçando e até mesmo determinando o extermínio de testemunhas. Ou seja, na prática, as decisões mais importantes, como matar aliados e desafetos, passam pelo colegiado dos criminosos.

É o "conselho vitalício" que emana de dentro da cadeia ordens para os "sintonias". Estes são responsáveis por repassá-las aos cinco "disciplinas gerais", que então dissipam as mensagens aos "disciplinas de bairro" e da periferia. Como a toda regra há exceção, em missão específica são selecionados integrantes.

Promotores de justiça do Ministério Público comparam a forma de organização de grupo a modelos de máfias internacionais como a Cosa Nostra siciliana, cartéis colombianos e mexicanos, a Yakuza japonesa e as Tríades chinesas. [15]

Em uma esfera mais baixa estão os que se dedicam ao tráfico de drogas, sequestros, roubos, aluguel de armas, ataques a bancos e cargas. Esses criminosos costumam se envolver nas comunidades, especialmente favelas e bairros populares desassistidos. Praticam ações sociais locais para aumentar a sua proteção local com base na lei do silêncio.

Num nível um pouco mais acima estão os que conseguem estabelecer conexões para fora do seu próprio ambiente, além da periferia. O PGC, na visão dos promotores, tem atuação diversificada, na qual os elementos vão de um lugar ao outro e desenvolvem ações articuladas. É este time que faz a ponte entre a rua e a cadeia e cumpre as ordens de líderes presos.

No nível mais elevado estão criminosos que conseguem conexões com organizações de maior abrangência. No caso dos catarinenses, é como se agissem em um terreno fértil, promovendo corrupção e facilidades mesmo da cadeia, em associações com dimensões nunca vista antes no Estado, recheadas de poder, violência, vingança, impiedade e traição. [15]

Renda e recursos[editar | editar código-fonte]

Irmão paga o "dízimo" (mensalidade da organização). É lei. Todos os membros do PGC conhecem o estatuto da facção criminosa. [2]

Quem der calote cumpre a pena – ou melhor, não cumpre é executado. Essa norma faz com que o PGC arrecade por ano, aproximadamente, R$ 1,6 milhão. São aproximadamente 4 mil afiliados no Estado. Cada um paga R$ 100 por mês para o dízimo. Com exceções: presos libertos têm três meses de carência. No quinto mês de atraso “o responsa é cobrado com rigor”. O objetivo é investir no tráfico – a fonte de renda dos 20 ministros que lideram a facção. Para fortalecer o mercado valem outros crimes. Menos sexuais. "Duques", como são chamados réus condenados pelos artigos 213, estupro, e 214, atentado violento ao pudor, não são aceitos no PGC.[2]

Homicídios, roubos, furtos e latrocínio têm como objetivo comum o fortalecimento das "bocas" (pontos de venda de drogas). Nos assaltos, 10% vão para facção. O dinheiro é usado para pagar advogados, o transporte das visitas, a corrupção de agentes penitenciários e compra de armas e drogas para alimentar as "bocas". Nem todos os traficantes têm envolvimento com o PGC. Mas todos têm que contribuir. É a forma de garantir proteção e privilégios na cadeia. [2]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b c «Fundação do PGC iniciou em 2001 na Penitenciária de Florianópolis». Diário Catarinense. Consultado em 2 de Fevereiro de 2017 
  2. a b c d e f g «Canoinhense fundador do PGC comanda crime da cadeia». JMais. Consultado em 2 de Fevereiro de 2017 
  3. a b «Grupo catarinense disputa com PCC comando do crime que era de Rafaat». DiarioMS. Consultado em 2 de Fevereiro de 2017 
  4. a b «Facção criminosa de SC busca avanço em dois países». Diário Catarinense. Consultado em 2 de Fevereiro de 2017 
  5. «A máfia das cadeias». Diário Catarinense. Consultado em 2 de Fevereiro de 2017 
  6. http://g1.globo.com/sc/santa-catarina/noticia/2012/11/frota-de-onibus-e-reduzida-em-40-nesta-sexta-feira-em-florianopolis.html  Em falta ou vazio |título= (ajuda)
  7. http://g1.globo.com/sc/santa-catarina/noticia/2012/11/cronologia-dos-ataques-em-sc.html  Em falta ou vazio |título= (ajuda)
  8. «Após sete dias da onda de violência, Santa Catarina não registra ataques». G1. Consultado em 3 de fevereiro de 2017 
  9. http://globotv.globo.com/globo-news/jornal-das-dez/v/policia-identifica-detentos-que-deram-ordem-para-ataques-em-santa-catarina/2252490/  Em falta ou vazio |título= (ajuda)
  10. http://g1.globo.com/sc/santa-catarina/noticia/2013/02/confira-cronologia-dos-ataques-em-santa-catarina.html  Em falta ou vazio |título= (ajuda)
  11. http://g1.globo.com/sc/santa-catarina/noticia/2013/02/onibus-na-grande-florianopolis-param-de-circular-22h-no-sabado.html  Em falta ou vazio |título= (ajuda)
  12. http://g1.globo.com/sc/santa-catarina/noticia/2013/02/suspeito-de-ligacao-com-faccao-e-trafico-de-drogas-e-preso-na-capital.html  Em falta ou vazio |título= (ajuda)
  13. http://g1.globo.com/rn/rio-grande-do-norte/noticia/2013/02/presidio-federal-de-mossoro-no-rn-recebe-37-presos-de-santa-catarina.html  Em falta ou vazio |título= (ajuda)
  14. http://g1.globo.com/ro/rondonia/noticia/2013/02/carros-sao-incendiados-em-porto-velho-durante-madrugada.html  Em falta ou vazio |título= (ajuda)
  15. a b c d «Ministério Público compara PGC a máfias como a Camorra». Diário Catarinense. Consultado em 2 de Fevereiro de 2017 
  16. «PCC quer dominar o tráfico nas ruas de SC, afirma promotor paulista que investiga a facção criminosa». Diário Catarinense. Consultado em 2 de Fevereiro de 2017 
  17. a b «Violência que amedontra». ClicRBS. Consultado em 2 de Fevereiro de 2017 
  18. «Tiroteio no Monte Cristo, em Florianópolis, deixa dois homens feridos». Diário Catarinense. Consultado em 2 de Fevereiro de 2017 
  19. «Polícia Militar ocupa áreas de conflito no Monte Cristo e realiza comando de trânsito». NDOnline. Consultado em 2 de Fevereiro de 2017 
  20. «Tiroteios e ataque a base da PM marcam segunda-feira violenta em Florianópolis». NDOnline. Consultado em 2 de Fevereiro de 2017 
  21. «Proporção de homicídios por habitantes em Joinville é superior a do Rio de Janeiro». Diário Catarinense. Consultado em 2 de Fevereiro de 2017 


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