Guardiões do Estado

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Marcação de território em Maracanaú

Guardiões do Estado (ou, na sigla, G.D.E) é como é conhecida uma facção criminosa originária da cidade de Fortaleza. É considerada a terceira maior organização do Estado do Ceará [1] . Estima-se que o grupo tenha cerca de 600 filiados nos presídios cearenses, enquanto seu principal concorrente, o Comando Vermelho, teria mais de 1000. [1]. Dentre os atos de maior repercussão da G.D.E está a série de atentados a ônibus e equipamentos públicos na Grande Fortaleza em abril de 2017 [2], considerada a maior da história de Fortaleza [3][4]. Ao todo, entre 19 e 22 daquele mês, foram 34 ataques a equipamentos públicos registrados na Grande Fortaleza e no município de Itapiúna, sendo 22 ônibus incendiados e quatro delegacias, dois bancos, seis carros de concessionários do Estado e a antiga sede da Guarda Municipal de Fortaleza atacados[5].

Em 2017, a facção que antes era "neutra", decide se aliar ao Primeiro Comando da Capital, fazendo assim a linha de frente contra o Comando Vermelho, em todo o estado do Ceará[6].

Características[editar | editar código-fonte]

Existem poucas informações divulgadas sobre a facção [1] e muitas delas são conflitantes. Há quem garanta, por exemplo, que sua fundação se deu em meados de 2012 [1], enquanto outras fontes apontam 2006 como o ano de início do grupo [7] . Seria o desdobramento de uma torcida organizada do bairro Conjunto Palmeiras. [8] Não haveria uma liderança unificada, mas sim líderes em várias regiões da cidade e em vários presídios do Estado [1] [8] . Outras fontes elencam, porém, a existência de um "Conselho Diretivo", responsável por traçar as diretrizes da organização[9]

O Ministério Público do Estado do Ceará já teria identificado pelo menos três dessas lideranças, que seriam internos do Complexo Penitenciário de Itaitinga [9]. De acordo com o portal Tribuna do Ceará, uma dessas lideranças é Daniel Júnior dos Santos Silva, mais conhecido como “Júnior Play”[9].Mesmo preso em uma Casa de Privação Provisória de Liberdade (CPPL), ele coordenaria uma quadrilha que atuava na região da comunidade do Serviluz[9]. Ele seria, inclusive, um dos principais articuladores de um processo de “pacificação” no bairro Vicente Pinzón [9].

A ausência de cobrança de mensalidades, como faz, por exemplo o Primeiro Comando da Capital, é apontada como um dos trunfos da facção no recrutamento de novos membros [1] . Outras fontes, no entanto, afirmam existir sim tal cobrança, mas que ela não estaria consolidada[9]. De fato, em um estatuto atribuído à facção[9], obtido pela imprensa, é estipulada a obrigação de pagamento de certa quantia mensal. Em declaração a veículos jornalísticos[9], o coordenador do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado, do MPCE, Manoel Epaminondas afirmou que a a GDE ainda está em processo de consolidação de uma estrutura, que é o que, segundo ele, permite a estipulação das caixinhas e o fortalecimento de um órgão que gerencie a facção. "'Não é uma estrutura hierarquizada como tem o PCC [Primeiro Comando da Capital] e o Comando Vermelho [CV]', diz. Atualmente, a GDE tem como grande trunfo permitir mais facilmente a troca de integrantes de diversas quadrilhas, afirma Epaminondas", noticiou o portal Tribuna do Ceará.

"A facção é nova e formada por gente nova e inconsequente. Até no crime, com o tempo as pessoas vão criando um discernimento, um cuidado que os integrantes da GDE ainda não tem. Em sua maioria são adolescentes e adultos jovens, que não tiveram acesso a educação e a outros serviços básicos", disse um servidor da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS-CE) não identificado em reportagem do jornal Diário do Nordeste. [8] Em março de 2016, uma fonte da SSPDS, que teve a identidade preservada, havia dito ao jornal que a facção não era organizada o suficiente para a prática de grandes crimes ou a pacificação de gangues rivais. [10]

A maior influência da Guardiões do Estado estaria na região que cerca o bairro Sapiranga, em Fortaleza. Também estariam sob influência da quadrilha os bairros Aerolândia, Serviluz, Vicente Pinzón, Edson Queiroz, Praia do Futuro e Vila Velha. Em Caucaia, a G.D.E teria presença no Parque Leblon [1]. Também foi registrada a presença da facção nos bairros Barroso, Presidente Vargas, a comunidade da Rosalinda, no Parque Dois Irmãos, e nas cidades de Iguatu, Baturité, Maracanaú e Iitapiúna[9],.

Atualmente, a G.D.E mantém pacto com o PCC, segundo fontes policiais contaram à imprensa [1] [8]. A facção também teria mantido um pacto com o Comando Vermelho, mas já quebrado — o que é apontado como uma das razões para os atentados a ônibus registrados em abril de 2017 em Fortaleza.

No dia 19 de abril de 2017, 360 detentos que fariam parte da G.D.E foram transferidos da Casa de Privação Provisória de Liberdade Professor Clodoaldo Pinto (CPPL II), em Itaitinga, e da Unidade Prisional Adalberto Barros de Oliveira Leal, conhecida como Carrapicho, em Caucaia [11] . A motivação seria a animosidade tida entre os membros da G.D.E e os do CV. No mesmo dia, ônibus começaram a ser incendiados em Fortaleza e Região Metropolitana. No local dos ataques, bilhetes em nome da G.D.E foram deixados. Em alguns deles, era exigida a separação dos integrantes do CV e da G.D.E [12] . No entanto, as transferências foram vistas com maus olhos pela G.D.E, por signficar perca de influência nas unidades [13]

O presidente do Conselho Penitenciário do Ceará, o advogado Cláudio Justa, afirma ter percebido que as principais razões para os atentados estão fora do sistema penitenciário. A disputa por pontos de venda de drogas entre G.D.E e Comando Vermelho estaria por trás de uma "escalada da tensão" nos presídios cearenses. Os atentados, afirma Cláudio Justa, foram "demonstrações de força" da Guardiões do Estado não só para as outras facções criminosas, mas, também, para o Estado [12].

O conflito entre as facções é apontado como uma das causas para o aumento no número de homicídios ocorrido a partir de 2017[14]. O confronto GDE x CV teria provocado várias chacinas, como as ocorridas em Aquiraz e Horizonte, que deixaram, juntas, 11 mortos[6].

Referências

  1. a b c d e f g h Jornal O POVO. «Inimigos ainda desconhecidos». Consultado em 22 de abril de 2017 
  2. Diário do Nordeste. «Das facções, apenas a GDE deu ordens para ataques». Consultado em 22 de abril de 2017 
  3. «Dez integrantes da GDE são capturados em Pentecoste - Polícia - Diário do Nordeste». Diário do Nordeste. Consultado em 9 de maio de 2017 
  4. Online, O POVO. «O Estado falhou duas vezes». www.opovo.com.br. Consultado em 9 de maio de 2017 
  5. «Polícia ainda investiga quem incendiou ônibus onde trocador ficou preso nas chamas». Portal Tribuna do Ceará. 9 de maio de 2017. Consultado em 9 de maio de 2017 
  6. a b «Facções avançam e travam guerra no Ceará». Diário do Nordeste. 16 de junho de 2017. Consultado em 06 de outubro de 2017  Verifique data em: |acessodata= (ajuda)
  7. «Polícia investiga perfis de Youtube e Facebook com clipes que exaltam facções criminosas». Tribuna do Ceará. 25 de maio de 2017. Consultado em 7 de outubro de 2017 
  8. a b c d Diário do Nordeste. «GDE: a facção que arregimenta adolescentes e adultos jovens». Consultado em 22 de abril de 2017 
  9. a b c d e f g h i «Com estatuto e arrecadação mensal, maior facção do Ceará desafia controle do Estado». Tribuna do Ceará. 11 de setembro de 2017. Consultado em 06 de outubro de 2017  Verifique data em: |acessodata= (ajuda)
  10. Diário do Nordeste. «Ameaças feitas por gangue são fixadas em postes». Consultado em 22 de abril de 2017 
  11. Jornal O POVO. «Colapso começou em presídios e mudou rotina da Cidade». Consultado em 22 de abril de 2017 
  12. a b Portal Tribuna do Ceará. «Facções estão em guerra pelo controle do tráfico de drogas, revela Conselho Penitenciário». Consultado em 22 de abril de 2017 
  13. Jornal O POVO. «Unidade estaria em risco de conflito antes de transferência de presos». Consultado em 22 de abril de 2017 
  14. «Ação de facções extrapola presídios e afeta comunidades». Jornal O POVO. 30 de maio de 2017. Consultado em 06 de outubro de 2017  Verifique data em: |acessodata= (ajuda)