Sula Miranda

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Sula Miranda
Sula, 2012 (foto de Sérgio Savarese, adaptada)
Informação geral
Nome completo Suely Brito de Miranda
Nascimento 12 de novembro de 1963 (56 anos)
Local de nascimento São Paulo (SP)
Brasil
Nacionalidade brasileira
Gênero(s) Sertanejo, Country e Música gospel
Ocupação(ões) Cantora e Compositora
Período em atividade 1986–presente
Outras ocupações Apresentadora
Gravadora(s) RGE, 3M, Line Records, Radar Records, Warner Music Brasil, Chantecler
Afiliação(ões) Gretchen, As Melindrosas
Página oficial sulamiranda.com.br

Sula Miranda (São Paulo, 12 de novembro de 1963), nome artístico de Suely Brito de Miranda, é uma cantora, compositora e apresentadora brasileira. Atingiu êxito a partir do ano de 1986, cantando música sertaneja. É irmã da também cantora Gretchen, e tia do ator Thammy Miranda.

Carreira musical[editar | editar código-fonte]

Começou sua carreira musical no grupo "As Mirandas", juntamente com suas irmãs Yara e Maria Odete (Gretchen) e mais tarde viraram o quarteto As Melindrosas com a inclusão da amiga Paula. O primeiro LP "Disco Baby" foi um enorme sucesso, alcançando a marca de 1 milhão de cópias vendidas.

O sucesso de Sula estava traçado desde o início. Iniciou carreira solo assinando contrato com a 3M do Brasil em julho de 1986, ano que lançou seu primeiro disco. Em outubro desse ano, já era recorde de vendas. Ela veio no movimento de renovação que a música sertaneja estava tendo, o new sertanejo ou sertanejo-urbano, mistura da tradicional música caipira com toques de modernidade nos temas e na introdução de instrumental eletrônico. E assim, ela estava preparada para buscar o seu objetivo. Era jovem, talentosa, cheia de garra e o novo gênero tomou conta dos programas de rádio e televisão.

Sula sabia que as pessoas que gostavam deste gênero musical, gostavam de ouvir falar da vida dos peões de boiadeiro e dos caminhoneiros e a maioria dos cantores e duplas sertanejas dedicavam faixas em seus discos a estas duas classes. Teve a felicidade de encomendar uma música a Joel Marques, compositor consagrado, e queria uma canção que falasse da vida da esposa do caminhoneiro. Este foi o segredo do sucesso e a empatia do público com a música "Caminhoneiro do Amor" foi imediata. Em dois meses, todas as rádios a estavam tocando. Dias depois do lançamento, as vendas lhe renderam um Disco de Ouro, com mais de 100 mil cópias vendidas e recebeu o título de "Rainha dos Caminhoneiros". Aproveitando o embalo, Sula gravou um videoclipe.

Os convites para shows não paravam. Chegou o sucesso e Sula sabia que tinha que aproveitar. Fazia uma média de 25 shows por mês em eventos por todo Brasil.

Ao longo de sua carreira tem gravados 17 discos, com muitos compositores famosos e conceituados, sendo 12 deles com músicas sertanejas inéditas e regravações, 3 coletâneas com maiores sucessos e 2 com músicas gospel.

Sula Miranda, sempre teve forte presença no palco. Atraía públicos de 30 mil a 100 mil pessoas em cada show. Com seu carisma, prestígio e credibilidade tornou-se uma das maiores cantoras do estilo sertanejo, um verdadeiro ícone, sendo muito requisitada no país para anúncios e campanhas publicitárias.

Participou de vários eventos de programas de estrada, como o Clube Irmão Caminhoneiro Shell e Siga Bem Caminhoneiro, onde se apresentava em shows, tarde de autógrafos e outras atividades.

Sua marca foi licenciada para diversos produtos. Montou uma grife e abriu 40 lojas franqueadas por todo país com grande sucesso por muitos anos.

Vida Pessoal[editar | editar código-fonte]

Nascida e criada em uma família humilde na periferia da Capital Paulista, possui duas irmãs: Gretchen e Yara Miranda. Filha de Maria José Brito de Miranda e Mário de Miranda. Teve de conviver com seu pai alcoólatra, que agredia a ela e suas irmãs, além de espancar sua mãe. Ele era contra sua carreira artística e de Gretchen. Sula nasceu com um estreitamento na laringe, dificultando a passagem dos alimentos. Também nasceu com o timo aumentado, dificultando qualquer tipo de alimentação. Qualquer secreção na saliva era suficiente para que a recém-nascida engasgasse, colocando em risco sua vida. Era uma situação muito difícil, que obrigava uma constante vigilância, principalmente à noite, quando os pais se revezavam na cabeceira de Sula.

Examinada por uma junta de vinte médicos quando tinha um mês de vida, a conclusão foi que Sula deveria se submeter a uma traqueostomia, que a condenaria a passar o resto de sua vida com uma abertura externa na garganta, por onde falaria. Sua mãe, porém, não permitiu a operação. Entregou o caso a Deus, mesmo sabendo dos riscos de vida que a filha corria.

O pediatra Dr. Jayme Murahovschi que acompanhava a doença de Sula resolveu tentar um tratamento à base de fortes antibióticos. Corria riscos com esse tratamento, mas havia chances de cura. Deu certo. Hoje o Dr. Jayme Murahovschi, costuma citar esse caso aos seus alunos, além de ter o carinho, a gratidão e a confiança de Sula, ele é também o pediatra de seu filho Natan. O pediatra até hoje não entende como Sula virou cantora. A chance de que ela tivesse uma vida normal não era grande, mas ela conseguiu mais do que isso.

Durante toda infância em um sobrado que tinha um salão grande na parte inferior. As brincadeiras vividas pelas irmãs nesse ambiente podem ter influenciado bastante na carreira artística delas. Por causa dos problemas de saúde de Sula, aliados a um excessivo ciúme das filhas, o pai não permitia que elas brincassem como outras crianças nas ruas.

Por conta disso, Seu Mário volta e meia chegava do trabalho carregado de brinquedos e instrumentos musicais; tudo para que as meninas ficassem sempre em casa. As três gostavam muito de tocar os cantores da Jovem Guarda na vitrolinha que ganharam do pai. Dançavam, tocavam instrumentos e cantavam o tempo todo.

Das brincadeiras musicais participavam também as amiguinhas do bairro. Era uma algazarra tão grande que deixavam à mãe e as empregadas da casa enlouquecidas. No meio de tanta música e instrumentos musicais, todas se dedicaram ao aprendizado de violão. Sula aprendeu também um pouco de piano. Com 16 anos, sua irmã Gretchen resolveu dar aulas desse instrumento. Uma de suas alunas, chamada Paula, acabou se tornando grande amiga das três irmãs. Este relacionamento de amizade gerou a criação de um grupo musical “As Mirandas”.

De 1983 a 1990 foi casada com seu primeiro marido, o empresário Luís Flávio Rocha. O matrimônio foi marcado por traições, agressões e humilhações, visto que o marido era alcoólatra. Em uma noite do ano de 1990 ele chegou em casa alcoolizado, e após agredi-la, ela se trancou no quarto. Ele ficou na sala, e suicidou-se com um tiro na cabeça, com a arma que havia comprado semanas antes. Em entrevistas, revelou:

“Ele estava alcoolizado. Passados alguns minutos, ouvi o tiro e corri para a sala onde ele estava. Quando o vi imóvel, cheguei inclusive a fazer respiração boca a boca, eu não tinha percebido o tiro em sua cabeça. Os peritos me disseram depois que talvez a arma tivesse disparado sem querer, por um descuido.”

A artista passou por uma forte depressão, e se afastou da mídia, fazendo tratamento psicoterápico. Em um trecho do livro autobiográfico que escreveu,[qual?] revelou: “Fui humilhada e julgada pelas pessoas, e como tinha grande destaque na mídia, senti-me invadida, desprotegida e solitária. Foi naquela hora que muitos ditos ‘amigos’ se afastaram de mim.” Após alguns anos, contou que passou por grandes problemas financeiros, quando entrou em um período de recessão no trabalho, passando necessidades e tendo que fazer faxina para sobreviver. Revelou em entrevistas que as dificuldades acabaram promovendo sua conversão ao evangelicalismo em 2008, onde batizou-se nas águas, passando a cantar música gospel.

De 1994 a 2004 foi casada com seu segundo marido, com quem teve seu único filho, Natan, nascido em 1998. Sozinha desde então, a cantora é eventualmente vista com algum namorado na mídia.

Rádio e TV[editar | editar código-fonte]

Locutora[editar | editar código-fonte]

O início de sua carreira como locutora, deu-se na Rádio Record com o programa "Rumo Certo".

Anos depois, após já ter seguido a carreira como apresentadora, retorna a Rádio Capital apresentando diariamente, durante a programação da emissora, vários boletins de caráter informativo, voltados exclusivamente ao caminhoneiro.

Apresentou até junho de 2014, diariamente das 13 as 14hs, o programa MIX SERTANEJO na rádio 102.5 em São José do Rio Preto, atingindo várias cidades do interior paulista e algumas em Minas Gerais.

Apresentadora[editar | editar código-fonte]

Começou em 1990, contratada por Goulart de Andrade, para comandar pela Rede Record de Televisão um programa dedicado aos caminhoneiros, o "Roda Brasil", onde mostrava através de reportagens externas a vida desses profissionais da estrada.

Em 1991, um ano depois, após ganhar o “Troféu Imprensa” como melhor cantora de música sertaneja, Sula foi contratada pelo SBT para apresentar o "Sula Miranda", um programa musical voltado exclusivamente à música sertaneja, onde obteve grande sucesso e teve oportunidade para dar inicio a uma trajetória onde atuou e cresceu como apresentadora.

Em 1993, volta para a Rede Record de Televisão para apresentar nas noites de sextas-feiras uma nova versão do "Sula Miranda”, um programa que agora se tornou um programa de variedades com entrevistas, musicais de todos os estilos, brincadeiras e jogos.

Em 1995, Sula estreou na CNT e ganhou um horário nas tardes de sábado, onde apresentou o programa "Sula Show", com quadros de variedades, musicais, jogos e calouros, onde permaneceu até 1996.

Transferiu-se em 1997 para a extinta Rede Manchete de Televisão para a terceira versão do “Sula Miranda Show”, um programa musical semanal nas noites de sábado, com grandes sucessos da atualidade e performances da artista, inspiradas nos grandes musicais, mostrando dessa forma toda a versatilidade de Sula. Paralelamente a apresentação deste programa, ela apresentava um quadro no programa "Siga Bem Caminhoneiro”, patrocinado pela Petrobrás e transmitido pelo SBT aos domingos pela manhã.

Em 2000, agora na Rede TV!, com o programa “Elas”, Sula passou a se dedicar totalmente como apresentadora a um programa voltado especificamente ao universo feminino, onde o conteúdo era de informações atualizadas sobre moda, culinária, decoração, saúde e artesanato.

Em 2002, foi para a extinta Rede Mulher de Televisão e apresentou o programa "Ser Tão Mulher”, também dirigido ao público feminino.

Depois de um período ausente em função de ter feito um intervalo na vida de apresentadora e dedicar-se a um projeto musical, retornou em 2004 com o programa “A Tarde é Nossa”, novamente pela Rede Mulher, um programa feminino com visual moderno, conteúdo dinâmico, descontraído, com dicas e assuntos variados.

Em 2008, na TV a cabo, investiu num novo projeto, um programa direcionado ao segmento de decoração, transformando ambientes e mostrando seu talento como decoradora: o “Estilo & Ideias”.

Em 2010, por conta do seu excelente trabalho no segmento de decoração, aceitou o convite para decorar alguns ambientes da Rede CNT.Ficaram sob a responsabilidade dela,a Sala VIP, recepção, diretoria e presidência da emissora. Por conta deste trabalho, Sula ganhou um quadro no programa “Notícias e Mais” apresentado por Leão Lobo e Adriana de Castro, com o nome de “Fazendo a Diferença”, onde além de transformar ambientes, também realizava transformações de situações na vida das pessoas, com o objetivo incentivá-las a não desistirem de seus sonhos. E apresentou, até junho de 2014, o quadro “Na Medida”, onde a cada temporada proporcionava ao telespectador a oportunidade de “viajar” pelo mundo, mostrando curiosidades de países e lugares diferentes, além de ter muita informação sobre, lazer, gastronomia, turismo, decoração, artesanato e muito mais.

De agosto de 2013 a junho de 2014 apresentou na Rede Família o programa “TUDO POSSO”, uma revista feminina de segunda a sexta-feira, das 10:00 as 11:00h, que trazia informações sobre moda, beleza, decoração, saúde, artesanato, curiosidades em geral e aborda assuntos comportamentais como educação financeira, política e os mais diversos campos de atividades.

Em 2018, participa do juri da primeira temporada do programa Canta Comigo na Record TV.[1]

Retorno para a música sertaneja[editar | editar código-fonte]

Após um período afastada da mídia para se dedicar exclusivamente à família, Sula voltou ao cenário musical em 2008 e gravou 2 discos de música gospel. Em 2012, às voltas com as comemorações dos seus 25 anos de carreira solo, grava o CD "Prova de Amor", lançado com a intenção de marcar sua volta para a música sertaneja.

“Minha volta para a música sertaneja é para mim um marco. Realmente nunca pude dimensionar o que era ter o titulo de “Rainha dos Caminhoneiros” e o que isto significava. Pensei que já havia cumprido minha missão, que já era suficiente, mas vejo que colhemos mesmo todos os frutos que plantamos e meu retorno é isso: minha verdadeira Prova de Amor para este público fiel da música sertaneja e os caminhoneiros e também deles para comigo. Parece que o tempo não passou....." - relata Sula Miranda.

"Neste retorno, posso viver verdadeiramente o que é amor, fidelidade e respeito", revela Sula.

Neste CD, Sula Miranda tem regravações expressivas como: "Jesus Cristo" e "Caminhoneiro" (Roberto Carlos e Erasmo Carlos), "Adoro Amar Você" (Peninha) e "Quem de Nós Dois" (Ana Carolina).

O CD está muito romântico, além de trazer também canções dançantes e o atual estilo sertanejo universitário com as músicas "Avisa Ele", "Anjo" e "Contrato", e o novo hit para os caminhoneiros, "Caminhoneiro, Tô Apaixonada". A produção fonográfica e executiva do CD Prova de Amor é de Sula Miranda, direção geral e executiva Radar Records. Como compositora tem parcerias com Charlys da Rocinha e Emilio Guimarães na música "Contrato" e "Vai Dar Certo" e com Ricardo Leite fez "Transplante". Os arranjos são de Josué Godoy e as fotos de Patrick Brito.

Política[editar | editar código-fonte]

Concorreu, sem sucesso, a uma vaga de deputada federal nas eleições em São Paulo em 2014 pelo Partido Republicano Brasileiro,[2] quando obteve apenas 3.787 votos.[3]

Discografia[editar | editar código-fonte]

Ano CD Vendas
1978 Disco Baby/As Melindrosas - Volume 1 - LP 1.000.000
1986 Sula Miranda - Volume 1 (Caminhoneiro do Amor) - LP 250.000
1988 Sula Miranda - Volume 2 (A Voz do Rádio) - LP 200.000
1989 Sula Miranda - Volume 3 (Rumo Certo) - LP 150.000
1990 Sula Miranda - Volume 4 (Lobo Amante) - LP 120.000
1991 Sula Miranda - Volume 5 (Estrada Afora) - LP/CD 100.000
1992 Sula Miranda - Volume 6 (Com o Pé na Estrada) - LP 100.000
1993 Sula Miranda - Volume 7 (Me liga, me grita, me chama) - LP/CD 100.000
1994 Sula Miranda - Volume 8 (Caso de Polícia) - LP/CD 150.000
1996 Sula Miranda - Volume 9 (Only Yesterday) - CD 100.000
1997 Sula Miranda - Ao Vivo - CD 150.000
1998 Sula Miranda - Parada Obrigatória - CD 60.000
1999 Sula Miranda - Ao Vivo II - CD 80.000
1999 Sula Miranda - Coletânea Só Sucessos - CD Duplo 70.000
2003 Sula Miranda - Minha História é a Sua - CD 40.000
2006 Warner 30 Anos: Sula Miranda - CD 20.000
2007 Warner "Nova Série" - Sula Miranda - CD 25.000
2007 Sula Miranda - Coração de Louvor (Line Records) - CD 30.000
2009 Sula Miranda - Estrada de Bênçãos (Line Records) - CD 40.000
2012 Sula Miranda - Prova de Amor (Radar Records) - CD 5.000
2015 Sula Miranda - Inabalável (Radar Records) - CD 5.000

Programas apresentados[editar | editar código-fonte]

Prêmios[editar | editar código-fonte]

Referências

Ligações externas[editar | editar código-fonte]