Usuário:DAR7/Testes/História do Brasil/Domínio espanhol no Brasil

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O domínio espanhol no Brasil (1580-1640) é uma expressão usada para denominar o período da história do país em que o Brasil pertencia à União Ibérica depois que os reinos de Portugal e Espanha foram unificados depois da crise de sucessão portuguesa.[1] O influente Filipe II se encontrava ainda em Badajoz, em Espanha, esperando que Portugal fosse completamente ocupada por suas tropas, lideradas pelo duque de Alba — último capítulo das ações que motivaram o apoderamento espanhol da coroa portuguesa e sua união à castelhana. Isso ocorreu durante a sugestão de alguma pessoa que disse que teria sido cuidadoso mandar um emissário para o Brasil para que soubesse a situação da colônia diante da próxima vitória espanhola.[2]

Durante séculos, a atual nação portuguesa nada mais tivera sido que um prolongamento do reino de Castela. No ano de 1385, no entanto, D. João I de Portugal, que fundou a dinastia de Avis, iniciou a luta contrária aos espanhóis e em 1411 conseguiu que Portugal se tornasse independente. No decorrer dos dois séculos posteriores, a dinastia de Avis teria tornado Portugal no mais extenso império da história da humanidade e o mais antigo que se expandiu em volta do mundo interior. Uma luta malsucedida, entretanto, declarada no ano de 1578 e em que faleceu o monarca D. Sebastião, desfaria, em algumas horas, trabalhos de 200 anos. Depois que D. Sebastião morreu, o trono foi assumido pelo cardeal D. Henrique. Contudo, após dezessete anos, durante a morte dele sem descendentes, a batalha pelo poderio se tornou violenta. Existiam cinco candidatos para o trono. Filipe II era o mais munido de armas e o mais capaz e depois venceu seus inimigos.[2]

A novidade demorou quase um ano a ter chegado à Bahia, todavia, o Brasil, da mesma forma que Portugal, pertenceu em relacionada paz ao governo de Felipe II: era uma decisão correta: nos 60 anos da União Ibérica, o Brasil possuiria suas vantagens.[2]

O trágico destino de D. Sebastião e o questionável oferecimento do Brasil de presente a França[editar | editar código-fonte]

O acidente ocorreu em 4 de agosto de 1578 — no próprio deserto, naquele reino e a alguns quilômetros do lugar em que, 163 janeiros anteriormente, Portugal começara a se expandir no planeta. No ano de 1415, após assegurar que seu país fosse independente, D. João I determinara que Ceuta, em Marrocos, fosse conquistada. A glória teria marcado o início vitorioso do império português. Cerca de dois séculos posteriormente, o monarca D. Sebastião, desrespeitando todas as orientações que ganhara na Corte, preparou uma frota com 800 navios e saiu para essa que teria sido a mais recente de todas as peripécias cruzadistas dos europeus no continente africano. Teria sido também uma das perdas mais terríveis do cristianismo: nesse dia de agosto, em plenas planícies de areia de Alcácer-Quibir, a cavalaria islâmica destroçou as tropas de D. Sebastião.[3]

O monarca faleceu na linha de frente, após ter perdido o título. Seu cadáver nunca foi achado. Com D. Sebastião morreu a fina flor da aristocracia de Portugal, compreendendo os descendentes de Martim Afonso de Souza, Duarte da Costa e de Duarte Coelho. O império português desmoronaria em um período inferior a dois anos. O então cardeal D. Henrique, cujo sobrinho foi D. Sebastião, possuía 66 janeiros e tinha governado somente durante um período de 17 meses. Faleceu sem que o fosse liberado do celibato por Roma. Com ele terminou a dinastia de Avis e começou a império espanhol. O desaparecimento do corpo do monarca moço teria iniciado também o culto denominado de sebastianismo — profecia messiânica cuja previsão era de que o soberano retornasse. Suas imagens teriam se prolongado até os terríveis acontecimentos de Canudos, na Bahia, no ano de 1896 e do Contestado, no estado do Paraná, de 1912 a 1914.[3]

O mais importante inimigo de Filipe II na disputa pela coroa portuguesa foi D. Antônio, líder do priorado do Crato, neto ilegítimo do monarca D. Manuel. No mês de novembro de 1580, no momento em que se tornou verdadeira a glória militar e política do monarca espanhol (que adquirira a peso de ouro que ele fosse apoiado por grande parte da aristocracia portuguesa), o prior do Crato precisava buscar refúgio no sertão do país. No mês de julho de 1581, tinha conseguido ser exilado em Inglaterra e, depois de pouco tempo, veio para França, à procura de que ele fosse apoiado pela rainha Catarina de Médici, adversário de Filipe II. Como a rainha-mãe o recebia muito bem, o líder do prior do Crato começou a contra-atacar. Uma vez que Açores foram o território que na época não tivera abraçado o reinado de Filipe, as ilhas se cercaram. Em direção àquele lugar, uma esquadra, que Catarina armou, conseguiu ser enviada pelo líder do priorado, com algumas embarcações da Marinha de Portugal que ainda continuaram leais a ele.[3]

Documentações editadas em 1608 costumam revelar que, para conseguir que fosse apoiado pela rainha, que não gostava de ser chamada de malandra, o líder do priorado do Crato ofereceria o Brasil de presente para Catarina. Para certos historiógrafos, as documentações aparentam não ser suficientes para provar que D. Antônio fosse plenamente consciente das vontades da monarca. Apesar disso, a verdade é que, após sua vitória sobre a armada de Espanha, a frota de França, liderada pelo almirante Philippe Strozzi, teria que se dirigir para o Brasil e se empossar da colônia. No dia 25 de julho de 1582, no entanto, Strozzi foi derrotado nos Açores, e a oportunidade de conquista do Brasil foi perdida por França. No ano de 1595, sozinho e vencido, D. Antônio falece em França.[3]

União Ibérica[editar | editar código-fonte]

Filipe II, cuja mãe foi a infanta de Portugal, D. Isabel (cujo pai, por assim dizer, foi o monarca D. Manuel) e seu genitor, o famoso Carlos V, chefe da casa dos Habsburgos, foi um dos imperadores espanhóis que mais tinham ambição. Mesmo assim, após a conquista de Portugal, pretendeu utilizar uma política conciliatória e generosa: ao invés da dominação do reino, havia mantido sua independência, suas legislações, seu idioma e sua organização governamental. Garantiu enormes vantagens para a alta nobreza de Portugal, que o tivera apoiado a partir do começo. Concedeu-lhes o “asiento” (o privilégio de transporte de escravizados entre os continentes africano e americano) e lhes permaneceu adquirindo as embarcações que, já anteriormente à “dominação”, faziam a riqueza da esquadra de Espanha.[4]

Durante o reinado de Filipe II — e, em seguida, no de seu substituinte Filipe III, o Brasil pôde se livrar duma postura “regional” a de verdadeiro auxiliar na batalha das transações comerciais, para ganhar uma nova e mais digna função geopolítica. O Brasil se integrou ao esquema do império “atlântico”, que Filipe II criou, também se expandindo de maneira interna no futuro de pretérito, entre 1580 e 1615. Conquistaram-se o MA e a PB de modo definitivo, mais de dez povoações foram fundadas, novas linhas comerciais abertas, novos cargos públicos criados, e estabelecida a conexão do Brasil meridional com a região do rio da Prata. Ademais, o desvio do foco de fontes de renda como a lavoura e a extração de produtos naturais para ter seus olhos voltados para a procura de riquezas minerais causaria uma forte mudança nos caminhos e no futuro do país que viria a ser.[4]

Foi igualmente no tempo dos Filipes que os bandeirantes paulistas trabalharam com habilidade complicadamente aceitável além de uma época em que as fronteiras das colônias espanholas e portuguesas não estivessem tão “bagunçadas”. Durante o entardecer da União Ibérica, com o efêmero governo real do monarca espanhol Filipe IV e a restauração de Portugal, o grande território, que os bandeirantes tomaram (e devastaram), começou a fazer parte do Brasil. Apesar de importante no passado nacional, a época dos Filipes permanece sendo um dos menos pesquisados no Brasil. Grande bibliografia não publicada continua abandonada no Arquivo Geral de Simancas, em Espanha.[4]

A Restauração Portuguesa e a capital do Mercosul[editar | editar código-fonte]

Rei morto, rei posto, viva o rei”. Dessa forma as autoridades da colônia portuguesa do Brasil resolveram reagir quando ficaram sabendo que a independência de Portugal fora reconquistada pelo duque de Bragança, que descendia dos antigos monarcas lusitanos, comandava a revolução de 1.º de dezembro de 1640 e depois se aclamou como D. João IV. Com este título, fundou a casa de Bragança. O imenso Império Espanhol, que Filipe IV conduziu de maneira débil, havia sido enfraquecido por falência financeira, escândalos de corrupção política e a Guerra dos 30 Anos (declarada contra França e a Suécia). As circunstâncias começaram a se revelar favoravelmente e a revolução, que D. João IV desencadeou, tinha sido tranquila e rápida. A novidade da restauração de Portugal veio ao Brasil dois períodos de trinta dias e meio mês mais tarde, em 15 de fevereiro de 1641. O Brasil teve como vice-rei o marquês de Montalvão — protagonista português dos conflitos contra Holanda, que, todavia, era eleito ao cargo e nele investido por Filipe IV.[5]

Quando chegaram a comunicar as mudanças políticas da Corte para Montalvão, ele resolveu se reunir com seus vereadores e, após uma curta eleição, D. João IV se aclamou igualmente no Brasil. Os políticos espanhóis (certas vezes morando cerca de trinta anos em solo brasileiro) eram imediatamente presos. No Rio de Janeiro, morava duvidosamente esse que tivesse sido o homem mais poderoso da nação: Salvador Correia de Sá e Benevides. Descendente de genitora castelhana e ele mesmo que se casou com a espanhola, Sá igualmente aderiria ao novo sistema de governo, depois de determinada dúvida. No entanto, as maiores dificuldades aconteceram em São Paulo: já que na cidade vários espanhóis moravam, parcela da sociedade se rebelou de maneira contrária ao novo regime de Portugal e declarou a independência da capitania de São Paulo, proclamando como seu chefe o paulista Amador Bueno. Este último teria passado à história como o homem que não desejava ser monarca. Bueno declarou ser fiel a D. João IV e ordenou que os conspiradores fossem aprisionados.[5]

Com seus azulejos lusitanos, suas tranquilas ruas feitas de pedra, suas igrejas, suas torres e suas palmas, a pequena Colônia de Sacramento é atualmente uma silenciosa e diminuta cidade histórica construída através de muralhas que testemunharam numerosas batalhas. Cercada em 1704–1705, em 1735–37, em 1763, em 1772–76, somente passou de maneira definitiva para a Espanha após o Tratado de Santo Ildefonso, de 1777 — substituída pelos Sete Povos Orientais (as missões da beira leste do rio Uruguai).[5]

A Colônia do Sacramento[editar | editar código-fonte]

Não há outro local de seus grandes impérios internacionais em que Portugal e Espanha declararam guerras um tanto compridas e sanguinárias por problemas de fronteiras a não ser na reduzida Colônia do Sacramento, construída na beira do Rio da Prata, ao norte de Buenos Aires. Encontrado pelo lusitano João de Lisboa (1514), no entanto, dominado por Juan Díaz de Solis (1516), o Rio da Prata sempre foi considerado a porta por onde entravam as riquezas peruanas — e, por essa razão, conhecido como o principal ponto do litoral sul do continente sul-americano. Apesar da localização da região no interior do território pertencente a Espanha, segundo o Tratado de Tordesilhas, os diplomatas portugueses costumavam lutar para exigir, em cortes mundiais, a ideia da “ilha Brasil”. Isso resultou que a colônia lusitana no continente pan-americano teria que ser separada, ao norte, pela desembocadura do Amazonas e, ao sul, pela foz do rio da Prata. Esses rios, conforme o folclore daquele tempo, nasceriam comumente em um lago situado em algum lugar, dentro das terras continentais. Nos anos da União Ibérica, fortes ligações e intensos anseios mercantis aproximavam o sul brasileiro da região da Prata.[5]

Durante a recuperação da independência de Portugal, os paulistas e outras pessoas das “capitanias meridionais” brasileiras não estavam se sentindo preparados para abandonar suas rendosas ligações do rio da Prata: o tráfico de ouro substituído pelo de argento. Armou-se a cena belicosa. Em 1679, saiu de Santos uma empresa liderada por Manuel Lobo com recursos para criar uma povoação portuguesa às beiras do enorme rio. Em 20 de janeiro de 1780, em um ilhéu denominado de São Gabriel, começava a surgir a diminuta colônia chamada do Sacramento. Os espanhóis não necessitaram mais do que sete meses para conseguir autorização da justiça para tomar o estabelecimento. No dia 8 de agosto, após um violento conflito, intitulado de Noite Trágica, uma milícia hispano-guarani assaltou a cidade, aprisionou ou exterminou mais de 80 lusitanos e destruiu o povoamento que nascia. No entanto, esse teria sido o mais antigo dos sanguinolentos acontecimentos que teriam marcado o passado da Colônia: por mais de 100 anos, espanhóis e portugueses teriam lutado — nos tribunais e no campo de batalha — para se empossar da mais antiga “zona franca” sul-americana.[5]

Piratas e corsários ingleses[editar | editar código-fonte]

Por cerca de vinte anos, a assustadora bandeira de sable com a caveira e ambas as tíbias de argente, desfraldou, de maneira precavida e amedrontadora, na frente de diversas cidades do litoral do Brasil. Esteve presente o tenebroso pavilhão do “Rei Morte” — “the King Death Banner”, como era chamado por seus depravados sujeitos —, e ele nunca foi, de tal maneira, comum e destruidor no Brasil como nas Antilhas. Apesar disso, ruína, destruição e falecimento na Bahia, no Recife, no Rio de Janeiro e em São Paulo, foram provocados pela pirataria de Inglaterra.[6]

O ataque mais conhecido chegou a ser o de Thomas Cavendish à cidade de Santos, em 25 de dezembro de 1591. Os 300 habitantes da vila se encontravam na igreja no momento em que três das cinco embarcações de Cavendish começaram a atirar. Daqui a pouco dentre berros e disparos, o povoado foi tomado pelos corsários, que ficaram ali por sessenta dias até que não houvesse mais o que roubar. Cavendish, navegador valente, o terceiro que circunavegou o planeta Terra, não costumava ser de maneira exata um pirata, no entanto, um corsário que agia de acordo com as obrigações da rainha Isabel I de Inglaterra. Após uma difícil viagem em direção ao estreito de Magalhães, ele retornou ao Brasil e começou a atacar o Espírito Santo. Foi derrotado, 80 ingleses faleceram no conflito, e a vila que foi defendida com bravura chegou a ser denominada de Vitória, atualmente sede da unidade federativa do Espírito Santo.[6]

O primeiro pirata que navegou em águas do Brasil veio a ser William Hawkins, famoso comerciante de cativos, filiado ao Parlamento e companheiro de Henrique VIII. De 1530 até 1532, ele viajou lucrativamente três vezes para o Brasil, conduzindo em uma delas, para Londres, um chefe indígena — “um verdadeiro monarca do Brasil”. Seu descendente, John Hawkins, e Richard, de quem é avô, acompanharam a tradição e igualmente realizaram vantajosas invasões nos comércios negreiros da guineano e do brasileiro.[6]

O flibusteiro Robert Withrington e Christopher Lister comandaram o mais antigo ataque corsário à costa do Brasil. Durante quarenta e dois dias, entre abril e junho de 1587 o Recôncavo Baiano foi assolado por eles. Somente começaram a ser repelidos uma vez que o governador Cristóvão de Barros foi ajudado por “índios flecheiros”. No dia 29 de março de 1595 o porto do Recife foi tomado por James Lancaster, que ali ficou durante trinta e um dias, e carregou suas três embarcações e demais 12 as quais tinha “alugado” de franceses e holandeses que lá achou com tudo o que era possível roubar. Chegou a ser o mais rentável dos saques ao Brasil, a superar até o butim pelo famigerado capitão Bartholomew Roberts no ano de 1711 do galeão lusitano o qual saíra da Bahia carregado de ouro, açúcar e joias.[6]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Notas

Referências

  1. SILVA, Daniel Neves. “O que foi a União Ibérica?”; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/o-que-e/historia/o-que-foi-uniao-iberica.htm. Acessado em 15 de julho de 2019.
  2. a b c Bueno 2003, p. 82.
  3. a b c d Bueno 2003, p. 83.
  4. a b c Bueno 2003, p. 85.
  5. a b c d e Bueno 2003, pp. 85–86.
  6. a b c d Bueno 2003, p. 87.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Bueno, Eduardo (1997). História do Brasil: os 500 anos do país em uma obra completa, ilustrada e atualizada. São Paulo: Folha de São Paulo 
  • Bueno, Eduardo (2003). Brasil, uma história: a incrível saga de um país. 2ª ed. São Paulo: Ática 
  • Bueno, Eduardo (2012). Brasil, uma história: cinco séculos de um país em construção. Rio de Janeiro: Leya 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]