Catedral de Santiago de Bilbau

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Catedral Basílica de Santiago
Fachada da Catedral de Santiago
Fachada da Catedral de Santiago
Local Bilbau
Região País Basco
País  Espanha
Coordenadas 43° 15' 26" N 2° 55' 26" O
Religião Católica
Diocese Bilbau


Estilo arquitetónico gótico, neogótico
Início da construção final do século XIV
Fim da construção século XIX


Notas Classificada desde 3 de junho de 1931 como "Monumento Histórico-Artístico Nacional".
Catedral de Santiago está localizado em: Bilbau
Catedral de Santiago
Localização da Catedral de Santiago em Bilbau
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A Catedral Basílica de Santiago é um templo católico situado na cidade de Bilbau, a capital da Biscaia, no País Basco, Espanha. Desde 1949 que é a sede da Diocese de Bilbau. Foi construída entre o último quartel do século XIV e o início do século XVI em estilo gótico, se bem que a fachada e a torre sejam o resultado de uma profunda reconstrução levada a cabo no século XIX em estilo neogótico. A catedral deve o seu nome a Santiago Maior, o padroeiro de Bilbau devido à cidade se encontrar no ramal costeiro da a rota ancestral de peregrinação que é o Caminho de Santiago. É a igreja gótica mais monumental da Biscaia, apesar de continuar a ser também uma igreja paroquial.

Índice

História[editar]

O edifício atual sucedeu a outros que existiram no mesmo local no passado consagrados ao mesmo santo. O primeiro era anterior a 1300, ou sejam mais antigo que a fundação oficial da "vila" de Bilbau, assinalada pela Carta Puebla (de foral) de Diego López V de Haro. Essa primeira igreja tinha uma necrópole em volta das paredes da cabeceira. A segunda igreja foi basicamente uma ampliação do anterior, motivada pelo crescimento demográfico do núcleo urbano. Esta segunda igreja teve existência efémera, pois em 1374 foi arrasado por um grande incêndio, após o qual o Papa Gregório XI ofereceu indulgências a quem desse esmolas para a construção de um novo templo, que tinha um projeto arquitetónico mais ambicioso.

A construção erigida depois do acidente de 1374 é o resultado de um largo período. As obras começaram cerca de 1397, seguindo o estilo gótico clássico então dominante; prolongaram-se lentamente ao longo de um século. Em meados do século XV estavam terminados o trifório e a girola, com as suas cinco capelas centrais. Na segunda metade do século trabalhou-se nas demais capelas da cabeceira e posteriormente, já quase no século XVI, nas capelas laterais da nave. Também nessa altura foram construídos o claustro e na Porta do Anjo (Puerta del Ángel), que lhe dá acesso desde a rua e que incorpora elementos do gótico florido (ou flamejante).

Estando completo o conjunto gótico, já em pleno século XVI foram adicionadas a sacristia, o grande pórtico exterior e o retábulo-mor atualmente inexistente, ambos em estilo renascentista. Crê-se que o retábulo-mor foi uma criação do artista franco-flamengo Guiot de Beaugrant, um mestre ativo em Bilbau em meados do século XVI, realizada entre 1533 e 1543. Desmontado em 1805, conservam-se desse retábulo quatro estátuas dos Pais da Igreja Latina, atualmente colocados na sacristia e ouros três bustos que se hoje se encontram nas capelas do Pilar, do Cristo do Amor e Santa Lúcia. Em 11 de junho de 1819, Roma outorgou à igreja o título de basílica menor, a primeira do País Basco. Na segunda metade do século XIX foram feitas obras de restauração e renovação, tendo sido reconstruida a sacristia e reformada toda a fachada e torre, em estilo neogótico, em harmonia com as velhas formas góticas, obras essas que deram à igreja o seu aspeto atual.

No primeiro terço do século XX foi restaurado o claustro e no final desse século, quando as águas do Nervión e Ibaizábal invadiram todo o Casco Viejo bilbaíno, inundando a catedral, houve mais obras na igreja, que limparam e repararam os interiores e exteriores da catedral afetados pelas inundações. Estas obras prolongaram-se até 2000 e devido a elas a catedral encontra-se em perfeito estado de conservação (2010).

Com desmembramento da Diocese de Vitoria e a criação da Diocese de Bilbau, a basílica adquiriu dignidade de catedral. A nova diocese foi instituída pela bula Quo Commodius de 2 de novembro de 1949 do Papa Pio XII. Em 1950 tomou posse da sede episcopal o primeiro prelado, Casimiro Morcillo González, que consagrou a catedral a 30 de dezembro de 1955.

A catedral está classificada desde 3 de junho de 1931 como "Bem de Interesse Cultural" na categoria de Monumento Histórico-Artístico Nacional.

Arquitetura[editar]

A catedral de Bilbau destaca-se pelas suas dimensões relativamente pequenas para um catedral espanhola, embora seja bastante grande para a igreja paroquial que era quando foi projetada. O interior tem 51,5 metros de comprimento por 22,5 m de largura, ou seja, 1 100 m² de área, e 22,5 m de altura na nave maior. Os materiais de construção são muito uniformes: silhar de arenito; e produzem um belo colorido, escuro ou cor de vinho branco, com riscas.

Fachada e torre[editar]

Nas décadas de 1880 e 1890 a fachada foi completamente reedificada, tendo sido refeitas o pórtico, a rosácea, a torre e a sua flecha, tudo em estilo neogótico harmonizado com as velhas formas góticas. A fachada neogótica substituiu a fachada barroca do século XVII que incluia uma grande janela gótica. A porta ogival tem quatro arquivoltas com decoração vegetal discreta e flanqueada por esculturas de São Pedro e São Paulo. Mas acima situam-se a rosácea, rodeada por vegetais, uma venera (concha de vieira característica dos peregrinos de Santiago) e a cruz de Santiago.

A torre atual é a quarta de que se tem notícia, embora tenha havido mais. A primeira que se conhece foi uma construída em estilo barroco no século XVIII, que deu lugar a uma muito maciça que por sua vez foi derrubada no início do século XIX. Em 1883 uma terceira torre neoclássica foi demolida para dar lugar à torre neogótica que existe hoje, desenhada pelo arquiteto Severino de Achúcarro. A nova torre e a fachada foram concluídas em 1891. A torre, de 64 m de altura, é composta por três corpos. O corpo inferior tem contrafortes nas esquinas e tem duas janelas ogivais e arquivolta, além de um relógio na parte superior. O corpo central, confecionado como o anterior, com silhar branco do Monte Oiz, aloja o campanário, que tem onze sinos fundidos e, 1890, 1895 e 1916, dispostos em três nívis: quatro são de repique e sete de volteio, que são invisíveis por estarem atrás das janelas ogivais e amaineladas. Uma flecha coroa a torre; este terceiro corpo é lavrado em pedra branca proveniente de Angoulême, França.

Acessos e pórtico[editar]

No lado norte situa-se a porta de acesso ao claustro, chamada "Porta do Anjo" (Puerta del Ángel), cujo nome se deve a um retábulo dedicado ao arcanjo São Miguel que havia no claustro. A bela portada data dos primeiros anos do século XVI e foi restaurada em finais do século XX. Um mainel separa as duas portas de entrada abrigadas sob arcos elípticos deprimidos, sobre os quais se estende um amplo tímpano decorado com relevos flamejantes inspirados no símbolo basco do lauburu.